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Em 28 de agosto de 1578, o Cardeal D. Henrique subiu ao trono

por Blog Real, em 30.08.14

Em 28 de agosto de 1578, o Cardeal D. Henrique subiu ao trono.
A propósito divulgamos o documento “Regimento do Conselho Geral do Santo Ofício das inquisições destes reinos e senhorios de Portugal”http://digitarq.arquivos.pt/details?id=2318865, assinado pelo Cardeal D. Henrique, na qualidade de Inquisidor-Geral do Reino, do fundo Tribunal do Santo Ofício http://digitarq.arquivos.pt/details?id=2299703.

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publicado às 12:28

Distribuição dos Prémios Maria Pia aos operários do arsenal de marinha, a 30 de Dezembro de 1905

por Blog Real, em 30.08.14

Ver aqui: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1906/N114/N114_master/JPG/N114_0012_branca_t0.jpg

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publicado às 01:58

Distribuição dos Prémios Maria Pia aos operários do arsenal da marinha, a 31 de Dezembro de 1903

por Blog Real, em 30.08.14

Ver aqui: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1904/N10/N10_master/JPG/N10_0010_branca_t0.jpg

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publicado às 00:54

Visita do príncipe Luiz Filipe e do infante D.Manuel à sua avó, a condessa de Paris, e a princesa Luiza de França, sua tia (1906)

por Blog Real, em 28.08.14

Ver em maior aqui: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1906/N114/N114_master/JPG/N114_0011_branca_t0.jpg

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publicado às 23:42

Abertura do Parlamento em 1904

por Blog Real, em 28.08.14

Ver aqui: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1904/N10/N10_master/JPG/N10_0008_branca_t0.jpg

Ver aqui:  http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1904/N10/N10_master/JPG/N10_0011_branca_t0.jpg

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publicado às 21:08

Azul, a velha nova cor do Palácio Nacional de Queluz

por Blog Real, em 28.08.14
Parques de Sintra anuncia que fachadas do palácio viradas aos jardins eram originalmente azuis. E vão voltar a sê-lo. Já se pode ter uma ideia do efeito: foi colocada uma tela gigante na fachada com o azul do passado e do futuro.

"A cor azul resulta de um aprofundado estudo e discussão entre todos os que ao longo de mais de 20 anos se debruçaram sobre esta questão. Análises laboratoriais de amostras de rebocos, investigação documental e desenhos e fotografias antigas, não deixam dúvidas: o Palácio de Queluz, pelo menos nas suas fachadas viradas aos Jardins, era azul.".

É assim que a Parques de Sintra, responsável pela gestão de vários monumentos do concelho, resume, em comunicado, a decisão de retomar o azul como cor do palácio. Para mais, há outro documento concludente: "um desenho aguarelado datado de 1836, existente na Torre do Tombo, mostra claramente a coloração do Palácio em tons de azul e ocre".

Por agora, no "troço central da fachada principal sobre o Jardim Pênsil do Palácio Nacional de Queluz" foi colocado um "andaime protegido por uma tela" que reproduz a decoração original do palácio.

A tela não é apenas decorativa: protege também os trabalhos que decorrem no âmbito de um "estudo mais aprofundado dos vários elementos que compõem as fachadas" - "cantarias, esculturas, gradeamentos de varandas, caixilhos, portadas e rebocos" - que, confirmam, estão "muito degradadas e que ao longo dos tempos foram sendo pintadas com cores e tons diferentes". Será neste troço que serão feitos testes de restauro integral, "ensaiando materiais, técnicas e composições decorativas (molduras e fingimentos) que serão depois avaliados para aplicação nos restantes".

Segundo a Parques de Sintra, "são diversas as intervenções programadas para requalificar este negligenciado monumento". A própria gestora confirma que, embora Queluz seja o "mais importante exemplo português da arquitectura barroca da segunda metade do século XVIII" (e próximo de Lisboa e Sintra), é "pouco conhecido de visitantes nacionais e estrangeiros, muito devido a esse estado de degradação, situação que importa inverter".

A empresa gere o Palácio Nacional de Queluz desde 2012 e, na altura, referem, foi diagnosticado o "elevado estado geral de degradação do conjunto" (palácio e jardins). Apenas a estatuária tinha sido alvo de restauro, apoiado pelo World Monuments Fund. 

Com as intervenções de requalificação, a Parques de Sintra espera "um impacto muito positivo". E o regresso do azul à fachada é mais uma forma de criar um "novo interesse do público por este monumento".

Informações
O palácio e jardins podem ser visitados das 9h às 19h (último bilhete 18h). O bilhete para adulto (18-64 anos) custa 9,50 euros, jovem (6-17 anos) 7,5 euros, sénior (maiores de 65) 8,5 euros. Mas há descontos, com uma "happy hour palácio", diariamente das 15h30 às 18h: o bilhete adulto fica por 7,50 euros, jovem por 6 euros, sénior por 6,5 euros. Para os jardins, os bilhetes custam 4,50 (adulto), 3 (jovem), 3,5 (sénior). A página informativa está aqui. A Parques de Sintra tem também outros tipos de bilhetes, incluindo bilhetes combinados de vários parques.

Fonte: http://fugas.publico.pt/Noticias/338112_azul-a-velha-nova-cor-do-palacio-nacional-de-queluz

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publicado às 16:11

Entrevista à Família Real Portuguesa

por Blog Real, em 27.08.14
O site brasileiro Glamurama recebeu um convite inesperado: entrevistar a família real de Portugal, que depois de passar por a Tailândia, Camboja, Bali e Timor Leste, esteve uns dias no Rio de Janeiro, completando um mês de viagens. Vieram para o casamento da princesa Amélia de Orleans e Bragança com o escocês Alexander James Spearman, realizado no último dia 16 na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, e se hospedaram no Hotel Pestana, em Copacabana. É que o hotel recebeu um selo da Casa Real Portuguesa: “By appointment, entende? Meu marido reconhece que a rede Pestana representa bem Portugal”, nos explica a duquesa de Bragança, dona Isabel, mulher de Duarte Pio de Bragança, que seria o rei de Portugal, caso a monarquia fosse restaurada. O Duque de Bragança não foi ao Brasil. O encontro para a entrevista – totalmente informal, na própria suíte que ocuparam – foi apenas com a duquesa e os seus três filhos, os príncipes Dom Afonso, 18 anos, o herdeiro, Dona Maria Francisca, 17, e Dom Dinis, de 14, que nunca tinham sido entrevistados antes, de acordo com a mãe. Ela, aliás, foi criada em São Paulo, dos 9 aos 24 anos: os seus pais – que se dividiam entre Portugal e Angola - decidiram vir para o Brasil em 1974 “por conta da revolução”

Por marketing, por lógica e pelo lado emocional

 ”Se a monarquia voltasse, seria muito bom para o país. Cada vez que muda o presidente, tem que começar de novo as relações com o mundo inteiro. Quando você tem um rei, um príncipe, ele vai crescendo e conhecendo as pessoas. Se pensar em marketing… Você sabe quem são todos os reis da Europa, mas não quem é o presidente da Alemanha”, diz a duquesa. ”Duvido que saiba. Ninguém sabe. E é o país mais forte da Europa. Além disso, o povo se revê na família, uma família que está aí para o que der e vier e não vai embora, enquanto o presidente fica quatro, cinco anos e depois o outro que resolva. A monarquia é muito melhor para o povo, sobretudo nessa época de globalização, em que estamos perdendo um pouco da nossa cultura. A gente fica pensando em como vamos salvar nossa cultura, já os presidentes estão mais descansados. A nível emocional… Nunca pensei que ia casar com meu marido e sempre fui a favor da monarquia. Até por lógica, é um sistema muito mais importante para lançar um país no mundo. Uma vez meu marido teve uma reação furiosa ao entrar em uma loja e ver que não tinha nenhum produto português. Foi a reação de um homem apaixonado. É importante não se deixar ficar blasé.”

 “A pátria encarnada em uma família”

“A nossa situação em Portugal não e oficial, e oficiosa, o que dá bem mais trabalho. Eu me protejo-me um pouco, mas o meu marido viaja sempre pensando em como pode promover a cultura portuguesa, criar ligações com países de língua portuguesa.” Perguntamos se a Duquesa cria os filhos como príncipes ou como cidadãos do mundo. “Passamos os nossos valores cristãos. Somos católicos, vamos a Fátima… E nos preocupamos em dar para eles noções de responsabilidade. Nós não podemos pensar só na tradição. A tradição e a história ajudam a gente, mas para se lançar para o futuro, para aprender e ser gente da nossa época. Não fiquem pensando que é só privilégio. Pelo contrario: é muito mais obrigação. É esse espírito que a gente tem. Eles estudam em um colégio normal, têm amigos normais. Até andam de metro. A maioria dos príncipes é assim. Tem essa ideia de fora de que estão em uma redoma, por alguns exemplos que existem. Mas a maioria são pessoas normais, que trabalham. E somos uma referência, a pátria encarnada em uma família. As pessoas perguntam como estão os ‘nossos meninos’. Não são meus, são de todos.”


Para quem gosta de escândalo…

“Para quem gosta de escândalo, a nossa família é um pouquinho sem sal. Eles saem, se divertem, mas por enquanto não há nada de escândalo. Espero que não haja.” Quisemos saber se os adolescentes são alvo dos paparazzi. “Não porque sempre tivemos esse contacto muito próximo com as pessoas. Quando eles eram pequenos, cada revista queria fazer a sua foto. Mas eles ficavam muito cansados. Então hoje temos o nosso fotógrafo oficial. A gente tira fotos no Natal, em ocasiões especiais, e divulga. Isso porque as pessoas gostam de seguir a família. Mas não aparecemos o tempo inteiro. Não é muito saudável.  E você viu aqui como eles ficam presos na hora de tirar fotos. Com o nosso fotógrafo, se sentem mais à vontade. É mais prático.”

Se não vira ateu e republicano

Perguntamos se Dom Afonso é criado para ser rei, caso a monarquia volte. “De certa maneira. Ele fez 18 anos. Em Timor houve uma cerimónia. Desceram a montanha, vestiram-no todo, puseram uma roupa tradicional. Foi muito bonito. Houve um pacto e o rei de lá trata os outros reis como primos. Então não importa essa questão de não ser mais colónia. Eles não pertencem mais a Portugal, mas tem um afeto. O embaixador da China até há pouco tempo quando vinha a Portugal primeiro cumprimentava o meu marido, e depois ia se apresentar. A relação milenar, ou secular, entre Portugal e China era muito mais importante. Eles levam muito em conta essa ligação histórica.” Tudo bem, mas Dom Afonso gosta de ter essa função? ”Ele tem que gostar, mas nós dizemos-lhe: se você não quer, tem sempre alguém que pode tomar o lugar. Temos muito cuidado porque tanto a religião quanto a monarquia a gente tem que dar em dose certa, se não vira ateu e republicano.  A gente faz devagar, mostrando que sem duvida é um serviço, e não um privilégio.” Comentamos que ele é o mais tímido dos três. “Talvez… Mas é o mais observado também, o que é sempre mais complicado.”


E as jóias da coroa?

É claro que perguntamos sobre as jóias da coroa portuguesa: “Usei no meu casamento um diadema que foi da última rainha de Portugal, dona Amélia. É uma joia muito bonita e bem guardada. Como é uma peça histórica, nunca viajei com ela para fora de Portugal. Só usei no meu casamento e em fotografias oficiais, mas nem daria para usar mais. É muito grande. A maioria das jóias não ficou na família, nem as propriedades. Em Portugal, existe a fundação da Casa de Bragança, e todo mundo pensa que é nossa. Não é. Na época do ditador Salazar, ele pegou as coisas da família e pôs na fundação. Também tem peças em museus. O que está conosco, a gente preserva. Isso tudo passa sempre para o filho mais velho, mas a minha sogra, dona Maria Francisca, era da família imperial do Brasil e, quando casou, recebeu alguns presentes. Esses eu vou passar para a minha filha, Francisca.”

"Se tem religião é considerado um intelectual de segunda"

Por fim, perguntamos o que Portugal pode aprender com o Brasil. “Os portugueses são um povo sério, trabalhador, mas não são tão à vontade. E o que me chocou muito quando voltei a Portugal… No Brasil, e nas Américas, uma pessoa pode ter sua religião e ser intelectual. Não é conflitante.  Na Europa, se você fala que tem religião é considerado um intelectual de segunda.  Mas Portugal está aprendendo.”


Dom Afonso, príncipe da Beira, o herdeiro do trono

Perguntamos como ele se sente no papel de herdeiro da coroa. “Não vou mentir: um pouco nervoso. Penso no peso, na responsabilidade se a monarquia voltar para cima de mim e para o resto da família. As pessoas ficam de olho em nós. Se nos comportamos mal, fazemos alguma coisa fora do lugar… É um pouco demais, mas por um lado gosto de ser o mais velho porque posso tomar conta dos meus irmãos. Por outro lado, eles não gostam muito que eu fique em cima deles. Gostaria de fazer as mesmas coisas que meu pai faz, conseguir o que ele consegue. Os holofotes é um pouco chato porque de vez em quando gosto de ficar relaxado, descansado, mas tenho que ter sempre o cuidado de não ser mal interpretado. Se a monarquia voltar, por um lado, fico contente, não só por nós… Não é sempre assim, mas dizem que em um país que é uma república, quem tem poder e dinheiro está contente e o povo descontente. Na monarquia, o povo esta contente e quem está no poder estar cansado. Há mais controle… Quem governa é para manter as pessoas contentes.” Dona Isabel interrompe para explicar melhor o raciocínio do filho. “Tem uma metáfora… A república é como um jogo de futebol, uma partida entre dois grupos, na qual o árbitro foi escolhido [ou eleito] por um dos times. Na monarquia, como o rei está por cima dos partidos, é mais isento… Isso que ele está querendo dizer.”

Dona Maria Francisca

Comentamos que a mãe disse que espera que ela um dia use em seu casamento o tal diadema da rainha D.Amélia. “Gosto imenso dessas coisas e também acho engraçado uma joia passar de geração em geração. Quem sabe um dia minha filha também vai usar.” De que mais ela gosta: “De música: Rolling Stones, Phoenix, indie rock. Minha única responsabilidade hoje é ser boa aluna. É minha prioridade. Tenho a preocupação de me comportar bem, ser responsável. E faço voluntariado. Antes fazia no colégio. Hoje participo em jantares para angariar fundos para instituições que recuperam toxicodependentes. E quero ir para a África ajudar lá.” E aí foi a vez de Afonso interromper: “Tu queres é ir para a praia lá.”

Dom Dinis

“Ser um terço do meu pai já seria um sucesso. Agora é mais responsabilidade com estudos do que com festas… Podemos ter redes sociais. Nós temos. Mas precisamos tomar cuidado com o que publicamos, como qualquer pessoa. Não tenho propriamente um ídolo na música porque esses artistas às vezes fazem coisas…” Que príncipe não faz? “Isso, mas nem pessoas normais fazem. Meu ídolo é meu pai.”


Fonte: http://glamurama.uol.com.br/uma-entrevista-exclusiva-com-a-familia-real-de-portugal-sem-assuntos-proibidos/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+glamuramaultimas+%28Glamurama+Home%29

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publicado às 14:05

El-Rei Dom Manuel II com o seu Estado Maior

por Blog Real, em 27.08.14

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publicado às 01:09

Visita do Rei Eduardo VII a Portugal

por Blog Real, em 26.08.14

 

O DIA EM QUE O DN CONTOU: Ao início da tarde de 2 de abril de 1903 entrava no Tejo o iate Victoria and Albert, trazendo a bordo o rei Eduardo VII, que, nesta qualidade, realizava a primeira viagem ao estrangeiro, que se iniciou por Lisboa. O DN consagrou amplo espaço noticioso nas suas edições à visita que se prolongou por seis dias. D. Carlos foi buscar o primo a bordo daquele navio. Em seguida, ambos rumaram ao Terreiro do Paço, onde Eduardo VII voltaria para a partida no dia 7
“Deu hontem entrada no Tejo, sendo recebido com a solemnidade devida á sua altíssima posição e á honra com que deseja distinguir-nos Eduardo VII, rei de Inglaterra, primeiro imperador das Índias”, escrevia o DN, na grafia da época, na primeira página de sexta-feira, 3 de abril, de 1903, encimadas pelo título “Eduardo VII em Portugal” – “O primeiro imperador das Índias é um monarca europeu, e, por uma extraordinária coincidência, por uma d’estas singularidades do destino, a primeira visita que elle faz, é ao representante e genuíno descendente d’aquelle, que, primeiramente, se intitulou, vão decorridos quatro séculos, senhor da conquista, commércio e navegação da Ethiopia, Arábia, Pérsia e Índia”, prosseguia o texto na primeira das oito colunas que dedicou à visita. Isto é, quase toda a primeira página mais quase toda a segunda numa edição total de quatro páginas, sendo a última publicidade e a terceira ainda publicidade, mais folhetim, editais e informação variada, esta em continuação da segunda.
“Ás cerimonias officiaes annunciadas, o povo associou-se com todas as delicadezas dos seus nobres sentimentos cavalheirescos, acclamando o regio visitante com uma alta expansão de respeito”. As ruas estavam “coalhadas absolutamente de todas as camadas sociaes, trabalhadores, curiosos, e forasteiros, que não poderam obter melhores logares, empoleirados nos trens e carroças, pendurados em cacho pelos candieiros e hombreiras de portas – aguardavam com anciedade a passagem do luzido cortejo”. Quanto ao rei britânico, este “passava com a mais commovente curiosidade saudando a capital (…) relembrando as acclamações dum passado distante, quando a sua barba rutilantemente loira não conhecia ainda o pezo solemne duma coroa imperial, nem as scintilações, por vezes sombrias, dum sceptro”. O DN referia anterior visita de Bertie, como Eduardo era tratado no círculo familiar, a bordo do HMSS Serapis, um “bello navio pintado de branco, como enorme cysne de neve, que vogasse no Oceano”, em 1876.
A visita de Eduardo VII, primeira que realizava ao estrangeiro como rei, era apresentada pelo DN como “a prova mais brilhante e evidente das cordealíssimas relações entre as duas coroas e entre os dois paizes”, em que “a amizade pessoal entre os dois respectivos soberannos concorre muito para isto”, recordando o carácter “secular” da “alliança anglo-lusa”. No plano pessoal, o rei inglês e D. Carlos eram primos pelo lado dos Saxe-Coburgo-Gotha, sendo que Eduardo VII estava relacionado com todas as famílias reais europeias, o que lhe valeu o cognome de Tio da Europa; o outro, foi o de OPacificador, pelos atributos diplomáticos.
Às 15.10, escreve o DN, o iate onde viajava Eduardo VII, “voltava em frente do Caes das Colunas lá ao largo, no Tejo 8…) numa volta imponente e elegantissima. Momentos depois, salvavam todos os navios de guerra e sahia do arsenal de marinha o bergantim real – noutro ponto da notícia lia-se que “era puxado por 80 homens, que faziam girar os remos numa cadencia que causava espanto – conduzindo para bordo do Victoria and Albert sua magestade el-rei D. Carlos. (…). Tejo acima seguiam numerosos barcos e vapores (…). Descrever a belleza do quadro que então nos foi dado ver, não é trabalho fácil” – por isso, o redator passa adiante, referindo apenas que era “este imponentissimo, illuminado por um sol sol [sic] bem portuguez”.
D. Carlos subiu a bordo do Victoria and Albert “ás 4 horas menos 20 minutos”. Mais adiante, o DN revela que os “dois monarcas abraçaram-se e beijaram-se”, tendo sido “demorada a entrevista a bordo”. Mais “de uma hora e meia”, vindo depois para o Terreiro do Paço. “Ás 5 horas e 5 minutos teve logar o atraque do bergantim real (…). Saltou em terra em primeiro lugar sua magestade el-rei D. Carlos, que estendeu a mão a sua magestade Eduardo VII, ajudando-o a desembarcar. (…). Suas magestades dirigem-se para o pavilhão” preparado para a receção onde o rei português apresenta a Eduardo VII “o sr. Conde de Avila, presidente da comissão administrativa da camara municipal, que profere” uma alocução em francês – língua diplomática da época. Eduardo VII era, aliás, era fluente em francês e alemão. Segue-se o cortejo até às Necessidades – com Eduardo VII “visivelmente impressionado” pelo acolhimento ao longo das ruas – onde chegou eram “quasi 6 ½ da tarde, e quando tinha desaparecido já o brilhante sol que durante o dia inundara de luz” Lisboa. Mal “o coche que conduzia os dois soberanos chegou ao cimo da calçada das Necessidades, subiram ao ar as girandolas de foguetes, as forças collocadas no largo prepararam-se para a continencia, e as bandas militares, bem como a da Casa Pia, tocaram o hymno inglez”. Durante o jantar – “muito intimo”, de que o DN divulga o menu, escrito em francês, que “começou às 8 ½ da noite” – “tocou a excellente banda de marinheiros, sob regencia do mestre sr. [Antonio María] Cheu”. Assim terminou o primeiro dia da visita, uma terça-feira.
ABEL COELHO DE MORAIS
No trono desde 1901, na sua primeira viagem ao estrangeiro, Eduardo VII, além de Lisboa, visitou Malta, Nápoles e Roma, onde se encontrou com o rei Vítor Emanuel III e com o papa Leão XIII. Deslocou-se a Paris, onde foi recebido pelo presidente Émile Loubet, uma visita considerada importante para a concretização da futura Entente Cordiale. Devido ao seu interesse e ação diplomática, foi-lhe atribuído o cognome de O Pacificador. O rei D. Carlos e a rainha D. Amélia retribuíram, em 1904, a visita do ano anterior a Lisboa. No seu funeral, em maio de 1910, o rei D. Manuel II esteve presente.

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publicado às 21:48

Visita do Imperador Guilherme II da Alemanha a Portugal no Diário de Notícias

por Blog Real, em 25.08.14

OS DIAS EM QUE O DN CONTOU: Foi a caminho de Marrocos, em março de 1905, para uma exibição de força da Alemanha, que Guilherme II parou uns dias em Lisboa, conhecendo a capital portuguesa, apreciando o Tejo e dando um salto a Sintra. A visita do kaiser teve ampla cobertura do DN, que no dia da chegada explicou aos leitores tudo sobre o imperador e a Alemanha, então grande potência emergente. O tom no jornal foi sempre de entusiasmo, refletindo o ambiente popular à volta do monarca.
É com o título “Imperador da Alemanha Guilherme II” a toda a largura da primeira página que o DN oferece as boas-vindas ao kaiser, a 27 de março de 1905. E dando espaço aos seus especialistas, o jornal apresenta várias facetas daquele que seria o último imperador alemão, desde O Homem de Guerra, minibiografia por António de Campos Júnior, romancista e autor da peça  A Torpeza  sobre o Ultimato Inglês, até uma visão sobre “Guilherme II – o seu perfil musical”, assinada por Júlio Neuparth. Há também oportunidade para ler a análise sobre “Guilherme II – O diplomata”, de Alfredo Ansur, célebre autor de Vive La République, poema editado em Lisboa e dedicado a Victor Hugo. Todo este entusiasmo em redor do soberano alemão prossegue até 1 de abril, quando o kaiser está já em Tânger a desafiar as intenções da França em Marrocos, episódio que muitos veem como um dos antecedentes da Grande Guerra.
“É a mais altiva e extraordinária figura de dinastia e a mais acrisolada vocação de homem de guerra do nosso tempo esse imperador, a quem os próprios adversários admiram”, escreve o DN deste Hohenzollern que “tem sob a sua mão dominadora a mais poderosa e perfeita máquina de guerra que ainda teve o mundo”. E sobre a sua marinha, que Guilherme II procurava equivaler à britânica, salienta o jornal “que ainda longe de igualar as esquadras da Grã-Bretanha, que contam 48 couraçados de linha de primeira classe, a Alemanha, contudo, está hoje superior à Rússia nesta classe de navios, e quase iguala pelo número os Estados Unidos”.
Atento também às ambições alemãs em África, que o avô de Guilherme II oficializara na conferência de Berlim, o DN refere que “tanto numa como noutra costa do continente africano Portugal e a Alemanha são vizinhos, tendo sido sempre muito cordiais as relações entre as autoridades alemãs e as portuguesas”, apesar de “incidentes de fronteira” sempre “resolvidos por forma conciliadora”, versão que os combates no Rovuma, fronteira entre Moçambique e a atual Tanzânia, desmentirão na guerra de 1914-1918.
Este aparente entusiasmo germanófilo no jornal não deve surpreender, mesmo só dois anos depois da festiva visita de Eduardo VII a Lisboa, até porque estava ainda bem vivo o Ultimato Inglês de 1890, que mostrou que apesar da aliança velha de séculos os britânicos cobiçavam as possessões portuguesas. E não faltava na sociedade da época figuras admiradas com sangue alemão, como Hintze Ribeiro, que foi chefe do Governo, Carolina de Michaëlis, berlinense que viria a ser a primeira mulher a dar aulas numa universidade portuguesa, ou Alfredo Keil, autor do futuro hino da República. Não esquecer que o próprio rei de Portugal era um Saxe-Coburgo-Gotha, por via de D. Fernando, o alemão que casou com D. Maria II. Terá sido, aliás, em alemão que D. Carlos conversou com o kaiser, como ele patrono das ciências, um terreno onde a Alemanha dava já cartas.
“Desde a uma hora da tarde que a aglomeração de povo no Terreiro do Paço era enorme, começando a polícia a estabelecer cordões a fim de ficar completamente livre o espaço onde deveria formar a brigada de cavalaria”, escreve o DN a 28. Para o monarca que chega a Lisboa no vapor Hamburg, escoltado pelo cruzador Friederick Karl, toda a pompa é pouca, com a guarda da cavalaria municipal a exibir-se “deslumbrante”. Assim, “o primeiro esquadrão com todos os cavalos pretos; o segundo, de cavalos brancos, e o terceiro, cavalos cor de castanha”.
D. Carlos tinha ido a bordo do navio alemão para acolher o imperador e trazê-lo até ao Cais das Colunas no bergantim real e ambos são ovacionados pelos milhares de pessoas que se acotovelam para presenciar o espetáculo. Saudados nas ruas de Lisboa, o kaiser segue para o Palácio de Belém, onde fica alojado, enquanto a família real vai para as Necessidades, residência dos últimos Braganças. À noite “jantar de gala de 250 talheres” no Palácio da Ajuda. E um concerto.
Conta o DN de 29 que no segundo dia em Lisboa, “o imperador Guilherme levantou-se cerca das sete horas da manhã, dirigindo-se depois de envergar o uniforme de coronel de cavalaria para o aposento que lhe serve de gabinete de trabalho”. Ali esteve duas horas, despachando assuntos de governo, parando para “uma ligeira refeição”. Depois, foi para o jardim, tendo “gostado imenso da vista que de ali se desfruta”. O almoço deu-se nas Necessidades. D. Carlos e D. Amélia foram anfitriões de um repasto em que se serviu “Oeufs à l’americaine” e “Cottellettes de veau au naturel”. Houve acompanhamento musical: Wagner e fado, claro. Tempo também para um passeio pela cidade e visita à Sociedade de Geografia, com o kaiser a acenar  enquanto descia a Rua das Portas de Santo Antão.
Sintra foi o destino da jornada seguinte, com o DN a escrever que o passeio à vila “foi coroado do melhor êxito”, com “a animação a ser enorme”, pois tinha vindo de Lisboa gente logo nos comboios da manhã. Após o almoço no Paço da Vila, visita à Pena, com o kaiser a apreciar a arquitetura e a “exuberante vegetação que se desenrola a seus olhos”.
No último dia, antes da partida de Lisboa, visita ao edifício dos Paços do Concelho e de novo a multidão. O jornalista do DN queixa-se dos empurrões que o impedem de tomar notas, mas assinala que “a Sociedade Filarmónica dos Calceteiros Municipais, que estava no coreto armado no largo do Pelourinho, executou o hino nacional português e várias peças de música”. Mais Wagner?
O Hamburg  deixou o Tejo rumo a Marrocos. O imperador terá ido bem impressionado de Portugal. O seu reinado durará ainda 13 anos, mas acabará mal, no fim de uma Guerra Mundial em que Portugal esteve ao lado da Inglaterra. Na edição de 10 de novembro de 1918, Guilherme II voltaria a ser notícia de capa no DN: “O Kaiser abdica.”

 

LEONÍDIO PAULO FERREIRA
“Mensagem da colonia allemã” (na grafia da época): “Queira vossa magestade dignar-se aceitar os mais humildes e respeitosos cumprimentos da colonia allemã em Lisboa. Datando o seu principio desde o 13.º século, desenvolveu-se esta colonia rapidamente devido em parte á actividade dos seus membros, e aos tempos favoraveis da sua fundação e especialmente a grande benevolência e protecção que os nobres reis neste bello paiz sempre lhe dispensaram. Mesmo depois de o velho imperio allemão se ter desmembrado conseguiu esta colonia conservar os costumes da sua patria e as suas antigas e veneraveis instituições, até que quando o grande antepassado de sua magestade reconstruiu o imperio, a colonia se poude novamente desenvolver reconstituindo-se cada vez mais durante os ultimos vinte anos graças á forte protecção e sabia regência de vossa majestade. Agradecendo humildemente e possuida da mais leal afeição por este motivo toda a colonia tem esperanças em vossa magestade como sempre, e ainda muito mais hoje, no dia em que pela graça de vossa magestade lhe é permittido cumprimentar o seu imperador e protector, renovando os protestos da mais imutavel fidelidade” (Tradução publicada no DN).
Foi sob a dinastia prussiana dos Hohenzollern que a Alemanha se unificou em 1871. De fora, ficou a Áustria dos Habsburgo, durante séculos a mais poderosa família da Europa. Ora, esse Império Alemão emergiu como grande potência, não só no Velho Continente, mas mundo fora, conquistando colónias em África e até na Oceânia. Guilherme I, com a ajuda do chanceler Bismarck, foi o primeiro kaiser. O filho Frederico III reinou apenas 99 dias. E em 1888 iniciou-se o reinado de 30 anos de Guilherme II, que levou a Alemanha à Primeira Guerra Mundial e que no final desta foi forçado a abdicar

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  • Nuno Ramos

    Ex. ma Sr.ª Ana Carolina, esse seu elaborado comen...

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  • Ana Carolina

    cale-se vc nao sabe de nada

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    Entao e o simbolo central? por que motivo é que o ...



FUNDAÇAO DOM MANUEL II

A Fundação Dom Manuel II é uma instituição particular, sem fins lucrativos, de assistência social e cultural, com acções no território português, nos países lusófonos, e nas comunidades portuguesas em todo o mundo.
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Prémio Infante D. Henrique
Com a fundação do Prémio Infante Dom Henrique, do qual S.A.R. o Duque de Bragança além de membro fundador é Presidente de Honra, Portugal tornou-se o primeiro país europeu de língua não inglesa a adoptar o programa de "The International Award for the Young People".
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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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