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Palácio Real de Queluz

por Blog Real, em 16.10.13

Desde sempre concebido como um Palácio de Verão, a Queluz ocorria frequentemente a Corte para assistir aos festejos e serenatas. Eram especialmente animados os dias de S. João e S. Pedro, festejados no mês de Junho, coincidindo o último com a celebração onomástica de D. Pedro III, logo seguida, a 5 de Julho, pelas comemorações do seu próprio aniversário Grande parte dos festejos, tinham lugar nos jardins e incluíam fogo de artifício, jogos equestres e combate de touros, entre outros divertimentos. 

O pintor e armador João Pedro Alexandrino Nunes era o responsável pela concepção e montagem das decorações das muitas arquitecturas efémeras que nessas ocasiões eram erguidas no Palácio, tendo também a seu cargo a própria redecoração dos quartos e aposentos reais renovados ao ritmo das estações.
Eram inúmeras as fontes de divertimento em Queluz, sobretudo nos anos que medeiam entre 1752 e 1786, ocupando sempre a música um papel central, ainda na época do Príncipe Regente. Antes e depois da construção da Casa da Ópera, em 1778, aqui se tocaram dezenas de serenatas e óperas, na sua maioria inspiradas em temas da mitologia clássica. Músicos como David Peres, Domenico Scarlatti, João Carvalho da Silva, João de Sousa Carvalho, António Leal Moreira, João Cordeiro da Silva, Luciano Xavier dos Santos ou Marcos Portugal viram aqui tocadas as suas obras. Muitos estrangeiros tiveram igualmente ocasião de expor os seus talentos no Palácio perante a Família Real e a Corte. Em Agosto de 1781, Francisco Farinelli, "castrati" que mais tarde alcançaria grande notoriedade como soprano, fez aqui a sua prova de músico. 

A época áurea da música em Queluz terminou em 1786, com a morte de D. Pedro III. Em 1793, inaugura-se em Lisboa o Teatro de S Carlos, que passou a ser frequentado pela Família Real e pela Corte.  No final dos dias festivos de Verão, os convivas que passeavam no jardim, cujas alamedas, lagos e cascata se encontravam iluminados com lanternas e decorados com uma profusão de estruturas e arcos de arquitectura efémera adornados com flores e letras, que se estendia às fachadas.

A vida em Queluz e na Corte era ainda animada ao tempo em que a prometida do Infante D. João VI, a infanta espanhola D. Carlota Joaquina de Bourbon chega a Portugal, testemunhando ainda o epílogo de um tempo despreocupado e feliz que uma sucessão de eventos trágicos viria em breve ensombrar.
A Residência permanente do Princípe Regente D. João – O Fim do Fausto 
Com efeito, à morte de D. Pedro III - em 1786 – seguir-se-á, dois anos depois, o brutal e prematuro falecimento do Príncipe Herdeiro D. José, vitimado pela varíola aos vinte e sete anos. Deixava uma tia--viúva e uma mãe demasiado debilitada cuja incapacidade para governar acabaria por ser decretada em 1792, ano em que D. João é aclamado Príncipe Regente. 

No ano seguinte comemora-se em toda a parte o nascimento da sua primogénita, a Infanta D. Maria Teresa, acontecimento festejado com decorações e fogos de artifício, que adquirem particular grandiosidade em Queluz. Dos nove filhos de D. João e de D. Carlota Joaquina, apenas um - o Príncipe Herdeiro D. António Pio - morreria sem atingir a maioridade, com a idade de seis anos, vitimado também pela varíola. O baptizado deste Infante, realizado em 1795 em Queluz, revestiu-se de grande ostentação, conforme descrição pormenorizada da época.

Fiel à antiga aliança com a Inglaterra e temendo perder o Brasil, D. João VI recusa-se a aderir ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão e vê-se obrigado a exilar-se para o Brasil a 27 de Novembro de 1807, um dia antes da entrada das tropas do General Junot em Lisboa. Com a Família Real, partia grande parte da nobreza e também grande parte do recheio do Palácio.

Os Invasores – Ocupação francesa: Junot
No período que se seguiu, o Palácio foi alvo da cobiça dos ocupadores, que daqui levaram muitos móveis e pratas para adornar outros palácios que serviram de residência em Lisboa. Em Dezembro de 1807, o próprio General Junot visita o Palácio com o intuito de nele proceder a algumas modificações, tendo chegado a alimentar o sonho de aqui vir a instalar Napoleão. Em breve seria obrigado a capitular, não chegando a ver completado um ano de ocupação, levando, no entanto, o exército francês grande parte do produto dos saques e pilhagens.


Retorno da Família Real do Brasil após a Revolução – O Fim do Ancien Régime

No Rio de Janeiro, a Família Real permanece catorze anos. Tornava-se urgente que o Rei jurasse a nova Constituição que emanara da Revolução de 1820. Antes de regressar, ordenara algumas obras de melhoramento em Queluz, para onde logo se dirige a Família Real, poucos dias passados do seu desembarque no Tejo, a 4 de Julho de 1821.

As sucessivas conspirações da Rainha Carlota Joaquina, que se negara a jurar o texto da nova constituição liberal, tomando antes o partido absolutista do filho, Infante D. Miguel, levam ao seu afastamento e exílio na Quinta do Ramalhão, em Sintra, e em Queluz. O seu carácter irreverente e obstinado provoca uma atitude de permanente desconfiança por parte do Rei, que em Queluz mantém a sua mulher sob constante vigilância da sua polícia secreta. A Rainha aqui morre em 1830.

Separado da mulher, D. João VI fixara residência no Palácio da Bemposta, em Lisboa, onde viria a falecer em 1826, longe dos dois filhos ausentes: o rebelde D. Pedro - Iíder da independência brasileira proclamada a 7 de Setembro de 1822 - e o mais novo, D. Miguel, exilado em Viena de Áustria após o segundo golpe de estado absolutista da Abrilada (1824). A morte do Rei iria deixar em aberto o gravíssimo problema da sua sucessão, tendo vindo a envolver o país numa terrível guerra fratricida, que se prolongaria ate 1834.

A vitória liberal de D. Pedro IV sobre o irmão Miguel, logo seguida da morte do primeiro no Quarto D. Quixote em Queluz, num ambiente de grande simbolismo e dramatismo romântico, representa simultaneamente o correr do pano sobre o ancien régime e o fim de uma época para Queluz. 


Imagens do Palácio:


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publicado às 14:45



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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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