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Reis de Portugal - Afonso III de Portugal

por Blog Real, em 06.03.16

AfonsoIII

Afonso III de Portugal (Coimbra, 5 de maio de 1210 – 16 de fevereiro de 1279), cognominado O Bolonhês por ter sido casado com a condessa Matilde II de Bolonha, foi o quinto Rei de Portugal. Afonso III era o segundo filho do rei Afonso II e da sua mulher Urraca de Castela, e sucedeu ao seu irmão Sancho II em 1248.

O Rei Afonso III abandonou o Reino durante o governo de seu irmão, D. Sancho lI, para procurar posição e fortuna nas cortes de França ou Borgonha, a que se encontrava ligado por laços familiares. De 1234 a 1245 frequenta a corte de Luís VIII, casado com Branca de Castela, sua tia materna, aí sendo, sucessivamente, armado cavaleiro (1239), casado com Matilde, uma viúva, herdeira do rico condado de Bolonha, e feito vassalo do rei, notabilizando-se na batalha de Saintes (1242), travada contra o monarca inglês.

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Esta carreira ascendente, junto com um grande interesse pelos assuntos do seu reino de origem, alimentado pelos nobres que o acompanharam a França, depressa o faz um dos mais fortes candidatos à chefia da coroa portuguesa, ameaçada por uma série de lutas internas, que culminam com a contestação da autoridade do rei seu irmão, que é deposto em 1245 por Inocêncio IV, com o apoio do clero e parte da nobreza do Reino. O conde de Bolonha, contando com o apoio papal e depois de ter recebido em Paris uma delegação de clérigos e nobres portugueses, a quem promete a restauração das leis e justiça do Reino, a par do respeito pelos direitos eclesiásticos, dirige-se então a Portugal, chegando a Lisboa no início de 1246.

Até 1248 travam-se diversas lutas entre os partidários dos dois irmãos, resolvendo-se a guerra civil com a morte de D. Sancho lI, exilado em Toledo, principiando então o reinado do Bolonhês. Um dos seus objectivos prioritários foi a pacificação da nobreza, mobilizando-a em torno de uma luta comum que permitisse ultrapassar os recentes confrontos e divergências. É nesse contexto que se insere a ofensiva algarvia de 1249-1250, que também procurava assegurar a posse definitiva das terras meridionais, repelindo as ameaças de uma anexação castelhana, o que só virá a ser conseguido no reinado seguinte, segundo o conteúdo de um tratado celebrado com Afonso X (1252), que previa o casamento do rei português com Beatriz, bastarda do rei Sábio, sendo, contudo, ainda viva a condessa de Bolonha (morre em 1258). Procurando contrabalançar os excessivos poderes da nobreza e do clero, o rei desenvolve uma política de equilíbrio social, privilegiando o diálogo com os concelhos, sobretudo os urbanos, promovendo-os nas Cortes de Leiria de 1254 à categoria de interlocutores político-sociais, ao mesmo tempo que incentiva uma série de medidas conducentes ao enriquecimento do património da coroa, nomeadamente desenvolvendo a implantação da propriedade régia nas cidades e controlando as actividades comerciais do Reino.

A restauração do abalado prestígio da coroa passava ainda por um combate aos abusos senhoriais: retomando medidas já utilizadas por seu pai, o rei ordena confirmações régias e promove novas inquirições gerais (1258) nas zonas do Reino mais propensas à extensão indevida de coutos e honras, iniciativas que reacenderam os conflitos com os poderes eclesiásticos, situando-se os momentos críticos em 1275 e 1277.

É pois com D. Afonso III que o Reino se tende a estruturar em país e que começa a ser mais permeável às influências norte-europeias, ainda que conserve inúmeros traços peculiares.

O rei, que era muito querido pelos portugueses por decisões como a da abolição da anúduva (imposto do trabalho braçal gratuito, que obrigava as gentes a trabalhar na construção e reparação de castelos e palácios, muros, fossos e outras obras militares), recebeu apoio das cortes de Santarém em Janeiro de 1274, onde foi nomeada uma comissão para fazer um inquérito às acusações que os bispos faziam ao rei. A comissão, composta maioritariamente por adeptos do rei, absolveu-o. O Papa Gregório X, porém, não aceitou a resolução tomada nas cortes de Santarém e mandou que se excomungasse o rei e fosse lançado interdito sobre o reino em 1277.

À sua morte, em 1279, D. Afonso III jurou obediência à Igreja e a restituição de tudo o que lhe tinha tirado. Face a esta atitude do rei, o abade de Alcobaça levantou-lhe a excomunhão e o rei foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça.

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 Moedas cunhadas com a éfige do Rei Afonso III de Portugal.

Segundas núpcias:

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Em 1253, o rei desposou D. Beatriz, popularmente conhecida por D. Brites, filha de D. Afonso X de Castela, O Sábio. Desde logo isto constituiu polémica pois D. Afonso era já casado com Matilde II de Bolonha.

O Papa Alexandre IV respondeu a uma queixa de D. Matilde, ordenando ao rei D. Afonso que abandone D. Beatriz em respeito ao seu matrimónio com D. Matilde. O rei não obedeceu, mas procurou ganhar tempo neste assunto delicado, e o problema ficou resolvido com a morte de D. Matilde em 1258. O infante, D. Dinis, nascido durante a situação irregular dos pais, foi então legitimado em 1263.

O casamento funcionou como uma aliança que pôs termo à luta entre Portugal e Castela pelo Reino do Algarve. Também resultou em mais riqueza para Portugal quando D. Beatriz, já após a morte do rei, recebe do seu pai, Afonso X, uma bela região a Este do Rio Guadiana, onde se incluíam as vilas de Moura, Serpa, Noudar, Mourão e Niebla. Tamanha dádiva deveu-se ao apoio que D. Brites lhe prestou durante o seu exílio na cidade de Sevilha.

Descendência:

* Primeira esposa, Matilde II de Bolonha, sem descendência.
* Segunda mulher, infanta Beatriz de Castela (1242-1300)
** Branca de Portugal (1259-1321), freira e senhora no Mosteiro de Las Huelgas (Burgos)
** Dinis I de Portugal (1261-1325)
** Afonso de Portugal (1263-1312), senhor de Portalegre, casou com a infanta Violante Manuel
** Sancha de Portugal (1264-1284?)
** Maria de Portugal (1265-1266)
** Constança de Portugal (1266-1271)
** Vicente de Portugal (1268-1271)
** Fernando de Portugal (1269?)
* Filhos naturais
** Havidos de Madragana Ben Aloandro, depois chamada ''Mor Afonso'', filha do último alcaide do período mouro de Faro, o moçárabe Aloandro Ben Bakr:
*** Martim Afonso Chichorro (1250 -1313)
*** Urraca Afonso de Portugal (c. 1260- depois de 1290) casada por duas vezes, a primeira em 1265 com Pedro Anes Gago de Riba de Vizela (1240 - 1286) e a segunda em 1275 com João Mendes de Briteiros (1250 -?), filho de D. Mem Rodrigues de Briteiros (1225 -?).
** Havidos de Maria Peres de Enxara:
*** Afonso Dinis (1260-1310)
** De outras senhoras:
*** Fernando Afonso, cavaleiro hospitalário
*** Gil Afonso (1250-1346), cavaleiro hospitalário
*** Rodrigo Afonso (1258-1272), prior de Santarém
*** Leonor Afonso (1250), senhora de Pedrógão e Neiva, casada por duas vezes, a primeira com D. Estevão Anes de Sousa, senhor de Pedrógão (c. 1240 -?) e a segunda com D. Garcia Mendes de Sousa (1175 – 29 de Abril de 1239).
*** Leonor Afonso (m. 1259), freira em Santarém
*** Urraca Afonso (1250-1281), freira no Lorvão
*** Henrique Afonso

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 5 de Maio de 1210 – Maio de 1239: O Infante Afonso de Portugal
  • Maio de 1239 – 4 de Janeiro de 1248: O Infante Afonso de Portugal, Conde de Bolonha
  • 4 de Janeiro de 1248 – 16 de Fevereiro de 1279: Sua Mercê, El-Rei de Portugal e do Algarve

O estilo oficial de D. Afonso III enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e Conde de Bolonha

Em 1253, por suspeitar da sua esterilidade, D. Afonso repudia a esposa, D.Matilde, e abandona o título de Conde de Bolonha:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal

Após a conquista definitiva do Algarve e a disputa quanto ao domínio algarvio com Castela, o Tratado de Badajoz reconhece a D. Afonso III o senhorio do Algarve, evoluindo a sua titulatura régia para:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e do Algarve

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publicado às 21:38



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