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Palácio da Ajuda vai ser concluído 222 anos depois do início das obras

por Blog Real, em 21.09.16

Não é todos os dias que se conclui uma obra iniciada há mais de duzentos anos. No caso do Palácio Nacional da Ajuda, cuja construção foi lançada em 1796, a obra deverá ficar terminada algures no final de 2018. A conclusão do monumento nacional, com o remate da sua fachada poente — a parte inacabada que dá para a Calçada da Ajuda —, vai finalmente avançar, por acordo entre o Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Associação de Turismo de Lisboa (ATL). O Ministério, que não é só o responsável pelo imóvel mas também seu inquilino, avançou com o projeto, da autoria do arquiteto João Carlos Santos, e com cerca de quatro milhões dos 15 milhões de euros em que a obra está orçamentada; a parte de leão do financiamento fica a cargo da CML, através da taxa turística municipal, que é gerida pela ATL.

 

O protocolo entre as três entidades, assinado esta segunda-feira, tem um prazo de duração de 20 anos e o projeto prevê algo mais do que a sempre adiada conclusão do palácio: na ala renovada irá nascer um novo espaço museológico, onde ficarão em exposição permanente as joias da coroa portuguesa, como aliás já havia sido adiantado pela Revista do Expresso, no início de 2015. Ao todo, são 15 milhões de euros para edificar duas caixas fortes e terminar a fachada, recuperando ainda a Calçada da Ajuda entre a Alameda dos Pinheiros e a Rua das Açucenas.

Os quatro milhões de euros assegurados pelo Ministério da Cultura através da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) vêm, em parte, da indemnização recebida pelo roubo de quatro joias da coroa portuguesa em Roterdão, na Holanda, em 2002. Os restantes 11 milhões correspondem à comparticipação da ATL (€6 milhões oriundos da primeira aplicação prática da taxa turística em Lisboa; €2 milhões de capitais próprios; e €3 milhões de um empréstimo ainda a contratualizar). Segundo João Carlos Santos, o arquiteto responsável pela nova ala do Palácio da Ajuda, o custo do projeto é sobretudo agravado pelos padrões de segurança exigidos para a exposição.

A abertura está prevista para dezembro de 2018. O concurso público e adjudicação da obra devem estar concluídos em julho de 2017. Dezoito meses é o prazo de execução da obra.

Tanto o ministério como a autarquia salientam a “conjugação de vontades”, nas palavras de Fernando Medina, que permite no século XXI concluir uma obra de que vem de finais do século XVIII. “Este projeto é fruto de uma grande vontade política e de uma capacidade de articulação exemplar entre o Ministério da Cultura, a Câmara de Lisboa e a ATL em prol da cultura”, diz ao Expresso o ministro Luís Filipe Castro Mendes.

“Até agora faltaram ou a audácia ou os recursos financeiros”, comenta Fernando Medina. “Agora, a DGPC queria muito avançar, o facto de ter sido um projeto feito na casa teve grande importância, e os recursos chegam via Turismo de Lisboa, graças à taxa turística. Sempre ficou acordado que a taxa turística, que outros criticaram como ‘taxas e taxinhas’, serviria para dinamizar o sector, e todos os agentes se mostraram muito entusiasmados com a possibilidade de criar uma nova centralidade e um novo polo cultural e patrimonial, aproveitando o palácio e a coleção de joias”, diz o autarca de Lisboa.

O plano de negócios prevê que o retorno do investimento comece 12 anos após a inauguração do espaço, data em que as despesas do financiamento e os encargos com empréstimos estarão pagos, com as receitas de bilheteira a garantir a sustentabilidade. Numa área de construção de 5450 m2 e de 3100 m2 de espaços exteriores vai nascer uma casa disponível para manter em exposição permanente a coleção de ourivesaria que ronda as 6300 peças, constituída, em grande medida, entre os séculos XIV e XX, e as 900 joias reais, de variadíssimas tipologias e proveniências, elaboradas entre os finais do século XVII e o fim do século XIX.

 

Pórticos de segurança, dois núcleos expositivos em dois pisos distintos, uma cafetaria com vista para o Tejo e para toda a zona de Belém, uma loja, e todos os serviços administrativos, de funcionamento, de bilheteira (que poderá vir a ser conjunta com a entrada no Museu do Palácio da Ajuda, já existente), de serviços técnicos e de climatização, serão ancorados por uma fachada com referências aos alçados já existentes e de cariz neoclássico, com duas torres laterais à altura dos torreões norte e sul da outra fachada do edifício, e por uma estrutura com lâminas de sombreamento, que lhe dará o seu ar contemporâneo.

Ao longo dos anos, vários estudos estiveram sobre a mesa para a conclusão da fachada poente, desde Raul Lino, nos anos 40, a Gonçalo Byrne, na década de 80. O ministro Castro Mendes assume a escolha do projeto de João Carlos Santos por ser “o melhor”. “Não queríamos reconstruir a fachada poente do palácio, nem pretendíamos fazer um exercício mimético em relação ao resto do edifício. Queríamos o encerramento harmonioso da fachada, com acrescentos leves e com uma linguagem arquitetónica nova.” Foi também a opção mais barata. “O custo também pesou”, assume o governante. João Carlos Santos é quadro da DGPC.

Questionados sobre a necessidade de um concurso de ideias mais amplo ou de debate público sobre esta escolha, tanto Castro Mendes como Fernando Medina desvalorizam. “Todo o debate público que tem havido ao longo dos tempos foi tido em conta e a escolha desta imagem não esqueceu esse diálogo de ideias. Mas não podemos estar sempre a relançar debates. Seria uma espécie de Santa Engrácia e daqui a 200 anos ainda estaríamos à espera”, responde o ministro. O autarca assina por baixo: “Era importante não perder o momento e a oportunidade. Se calhar foi por isso que se perdeu tanto tempo no passado.”

Fonte: Expresso

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publicado às 01:50



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