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Reis de Portugal - Afonso I de Portugal

por Blog Real, em 01.07.15

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Afonso I de Portugal, mais conhecido por D. Afonso Henriques (Guimarães, Coimbra ou Viseu, ca. 1109 — Coimbra, 6 de dezembro de 1185) foi o fundador do Reino de Portugal e o seu primeiro rei, com o cognome O Conquistador, O Fundador ou O Grande pela fundação do reino e pelas muitas conquistas. Era filho de D.Henrique de Borgonha e de D.Teresa de Leão, condes de Portugal, um condado vassalo do reino de Leão. Após a morte de seu pai em 1112, Afonso tomou uma posição política oposta à da mãe, que se aliara ao nobre galego Fernão Peres de Trava. Pretendendo assegurar o domínio do condado armou-se cavaleiro e após vencer a sua mãe na batalha de São Mamede em 1128, assumiu o governo. Concentrou então os esforços em obter o reconhecimento como reino. Em 1140, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se rei de Portugal com o apoio das suas tropas. Ao contrário do que dizem sobre o Tratado de Zamora só tornou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão. A independência portuguesa foi reconhecida, em 1179, pelo papa Alexandre III, através da bula Manifestis probatum e ganhou o título de rex (rei). Com o apoio de cruzados do norte da Europa conquistou Lisboa em 1147. Com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos mouros, empurrando as fronteiras para sul, desde Leiria ao Alentejo, mais que duplicando o território que herdara. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).

Primeiros anos

pais de d.afonso henriques

D.Henrique de Borgonha e D.Teresa de Leão, os pais de D.Afonso Henriques

Afonso Henriques era filho de D.Henrique de Borgonha e de D.Teresa, infanta de Leão, filha ilegítima do rei Afonso VI de Leão e Castela, a quem Afonso VI doara o condado de Portucale pelo casamento. Há quem defenda que era filho de Egas Moniz. A data e local do seu nascimento não estão determinados de forma inequívoca. Hoje em dia, a data que reúne maior consenso aponta para o verão de 1109. Almeida Fernandes, autor da hipótese que indica Viseu como local de nascimento de D. Afonso Henriques refere a probabilidade de ter nascido em Agosto, enquanto outros autores, baseando-se em documentos que remontam ao Século XIII referem a data de 25 de Julho do mesmo ano. No entanto, já foram defendidas outras datas e locais para o nascimento do primeiro rei de Portugal, como o ano de 1106 ou de 1111. Tradicionalmente, acredita-se que terá nascido e sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128. Outros autores, ainda, referem Coimbra como local provável para o seu nascimento.

Subida ao trono

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 O Castelo de Guimarães

Em 1120, Afonso, sob a direcção do arcebispo de Braga D.Paio Mendes tomou uma posição política oposta à da mãe (que apoiava o partido dos Travas que pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português). O arcebispo, forçado a emigrar, levou consigo o infante que em 1122 se armou cavaleiro em Tui ou, segundo outras fontes, em Zamora.

Restabelecida a paz, voltaram ao condado. Entretanto, novos incidentes provocaram a invasão do Condado Portucalense por Afonso VII de Leão e Castela que, em 1127, cercou Guimarães, onde se encontrava Afonso Henriques, por este se recusar a prestar-lhe homenagem aquando da coroação. Prometida a lealdade do conde pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade.

Mas alguns meses depois, em 1128, as tropas de Teresa de Leão e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede, tendo as tropas do infante saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado. Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder, concentrou os seus esforços em negociações junto da Santa Sé com um duplo objectivo: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e obter o reconhecimento do Reino.

Em 1139, depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro, D. Afonso Henriques autoproclamou-se rei de Portugal, com o apoio das suas tropas. Segundo a tradição, a independência foi confirmada mais tarde, nas míticas cortes de Lamego, quando recebeu a coroa de Portugal do arcebispo de Braga, D.João Peculiar, se bem que estudos recentes questionem a reunião destas cortes. Em 1140 Afonso assina pela primeira vez "Ego Alfonsus portugalensium Rex".

Reconhecimento do reino

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 Estátua de D. Afonso Henriques no Castelo de São Jorge em Lisboa, réplica da original, feita por Soares dos Reis, que se encontra em Guimarães

O reconhecimento do Reino de Leão e de Castela chegou em 1143, com o tratado de Zamora, e deve-se ao desejo de Afonso VII de Leão e Castela em tomar o título de imperador de toda a Hispânia e, como tal, necessitar de reis como vassalos. Desde então, Afonso I procurou consolidar a independência por si declarada. Fez importantes doações à Igreja e fundou diversos conventos.

Procurou também conquistar terreno a sul, povoado então por mouros: Leiria em 1135 (1145, conquista final) usando a técnica de assalto;Santarém em 1146 (1147, conquista final), também utilizando a técnica de assalto; Lisboa (onde utilizou o cerco como táctica de conquista, graças à ajuda dos cruzados), Almada e Palmela em 1147, Alcácer em 1160 e depois quase todo o Alentejo, que posteriormente seria recuperado pelos mouros, pouco antes de D. Afonso falecer (em 1185).

Em 1179 o Papa Alexandre III reconheceu Portugal como país independente e vassalo da Igreja, através da bula Manifestis Probatum.

Morte e Legado

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 Túmulo de Afonso Henriques no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra

Após o incidente de Badajoz, a carreira militar de D. Afonso Henriques praticamente terminou. A partir daí, dedicou-se à administração dos territórios com a co-regência do seu filho D. Sancho. Procurou fixar a população, promoveu o municipalismo e concedeu forais. Contou com a ajuda da ordem religiosa dos cistercienses para o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária.

O legado do seu reinado foi, entre outros:

  • A fundação da nacionalidade, reconhecida pelo papado e pelos outros reinos da Europa;
  • A pacificação interna do reino e alargamento do território através de conquistas aos mouros empurrando as fronteiras do Condado Portucalense para sul.
  • A fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em 1131

Morreu aos 76 anos, em 1185, provavelmente por problemas do coração, senilidade, aterosclerose ou cirrose. O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, em frente ao túmulo do filho D.Sancho I.

Foi impressa uma nota de 1.000$00 Chapa 7 de Portugal com a sua imagem.

Boa relação com judeus

O reinado de Afonso Henriques ficou marcado pela tolerância para com os judeus. Estes estavam organizados num sistema próprio, representados politicamente pelo grão-rabino nomeado pelo rei.

O grão-rabino Yahia Ben Yahia foi mesmo escolhido para ministro das Finanças de Afonso Henriques, responsável pela coleta de impostos no reino. Com esta escolha teve início uma tradição de escolher judeus para a área financeira e de manter um bom entendimento com as comunidades judaicas, que foi seguida pelos seus sucessores.

Descendência

D._Mafalda_de_Saboia_-_The_Portuguese_Genealogy_(Genealogia_dos_Reis_de_Portugal)

 Mafalda de Sabóia,

consorte de El-Rei D.Afonso I

  • Com a sua mulher, Mafalda de Sabóia (1125-1157 ou 1158), que desposou em 1146:
    • D. Henrique Afonso de Portugal (1147-1157)
    • D. Urraca Afonso de Portugal (1148-1211?), casou com o rei Fernando II de Leão
    • D. Teresa Afonso de Portugal (1151-1218), depois do casamento chamada Matilde ou Mafalda, casou com Filipe I, Conde da Flandres e depois com Eudes III, Duque da Borgonha
    • D. Mafalda Afonso de Portugal (1153-1162), teve o seu casamento programado com o rei de Afonso II de Aragão, o que não se efectivou pela morte da infanta
    • Sancho I de Portugal (1154-1211)
    • D. João Afonso de Portugal (1156-1163)
    • D. Sancha Afonso de Portugal (24 de Setembro de 1157-1167)
  • Filho de mãe desconhecida:
    • D.Pedro Afonso (ca. 1130-1169)
  • Filhos de Chamoa Gomes:
    • D.Teresa Afonso (ca. 1134-?)
    • D. Fernando Afonso (1135-1207), também nomeado D.Afonso de Portugal, alferes-mor do reino e 12º Grão-Mestre da Ordem dos Hospitalários; Manuel de Abranches de Soveral considera Afonso, grão-mestre do Hospital, e Fernando Afonso, alferes-mor do Reino, como dois filhos diferentes
  • Filha de Elvira Gálter:
    • D. Urraca Afonso, 1ª senhora de Avô, que teve de seu pai em 1185, e que trocou por 1ª senhora de Aveiro em 1187 (ca. 1130-?), casou com D. Pedro Afonso Viegas ou de Lumiares, Tenente de Neiva e de Trancoso, com geração; em Janeiro de 1212, com seu marido, doou ao mosteiro de Tarouca 1.000 moios de sal retirados das salinas do seu senhorio de Aveiro

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publicado às 11:26



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Com a fundação do Prémio Infante Dom Henrique, do qual S.A.R. o Duque de Bragança além de membro fundador é Presidente de Honra, Portugal tornou-se o primeiro país europeu de língua não inglesa a adoptar o programa de "The International Award for the Young People".
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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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