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Reis de Portugal - Sancho II de Portugal

por Blog Real, em 24.02.16

Sancho II de Portugal (cognominado O Capelo por haver usado um enquanto criança; alternativamente conhecido como O Pio ou O Piedoso), quarto rei de Portugal, nasceu em Coimbra em 8 de setembro de 1209, filho do rei D. Afonso II de Portugal e de Urraca de Castela, rainha de Portugal.

Sancho II tinha menos de 14 anos quando sucede ao pai, pelo que a família de sua ama, Estevainha Soares da Silva (então já viúva de Martim Fernandes de Riba de Vizela), através do irmão, o arcebispo bracarense Estêvão Soares da Silva, adquire grande influência no governo do Reino, significando tal facto a momentânea vitória do «partido senhorial», liderado pelo prelado, o qual, ainda em 1223, inspira as pazes da coroa com as filhas de D. Sancho I e a garantia de indemnizações pelos prejuízos que o arcebispo havia sofrido aquando das lutas que tivera com o defunto rei.

Contudo, as forças favoráveis aos interesses senhoriais não conseguem dominar em absoluto a corte, uma vez que nela se mantêm alguns dos defensores do reforço do poder régio («partido monárquico»), política que inspirara o governo de D. Afonso II. Será mesmo este último grupo que recuperará o poder em 1226, na sequência do fracasso de uma campanha militar destinada à conquista de Elvas, operação que tinha sido combinada com a igualmente malograda tentativa da tomada de Badajoz por Afonso IX de Leão. Tais conflitos no seio da classe dominante apaziguaram-se após as Cortes de Coimbra de 1229, sem que, no entanto, a contínua instabilidade no desempenho dos mais altos cargos da cúria deixe de manifestar uma permanente luta pelo poder.

Estas querelas político-partidárias apenas reflectiam um geral ambiente de instabilidade social. Com efeito, o bloqueamento da Reconquista a seguir à formação do império dos Almóadas tinha dirigido. do exterior para o interior do Reino, a actividade guerreira da nobre­za, o que provocou efeitos tanto mais graves quanto ocorreu num momento em que a generalização da adopção da estrutura familiar linhagística tornava vital para os filhos segundos, marginalizados da herança familiar, a existência de espaços de proeza militar conducentes à formação de novas fortunas.

Impossibilitado o aumento territorial do Reino, diminuída mesmo a sua superfície e revelando-se tanto a carreira eclesiástica como o ingresso nas ordens militares incapazes de absorver todos os excedentes demográficos nobiliárquicos, os cavaleiros multiplicavam as agressões contra comunidades rurais e instituições religiosas, como forma de obterem as riquezas necessárias à manutenção do seu estado, não hesitando na prática de violências, como roubos, pilhagens, raptos e mortes, e na formação de bandos que instigavam ao desenvolvimento de lutas privadas. Ora, ao contrário do rei de Castela e, mais tarde, também de Leão, Fernando III, que soube orientar para aReconquista, depois de 1223, a partir da derrocada do império dos Almóadas, a nobreza dos seus reinos, envolvendo-a, sob a sua chefia, numa empresa militar colectiva, tendo conquistado, na sequência da tomada de Cáceres (1227), feita por seu pai, Afonso IX de Leão, uma série de praças mouras entre 1233 e 1245, o poder central em Portugal, dilacerado por rivalidades e lutas internas, não soube canalizar para o exterior social a actividade bélica dos guerreiros.

Na verdade, as conquistas alentejanas e algarvias efectuadas durante o reinado de D. Sancho II ou resultaram do abandono de praças pelo Islão, em razão de paralelas e anteriores conquistas leonesas (caso de Elvas e talvez de Juromenha em 1229) ou foram devidas sobretudo à acção das ordens militares, com destaque para a de Santiago, capitaneada por Paio Peres Correia (caso de, entre 1232 e 1243, em sintonia e facilitadas pelas conquistas castelhanas, Moura, Serpa, Beja, Aljustrel, Mértola, Cacela, Alvor, Tavira, Paderne e, provavelmente, Silves), apenas aparecendo o rei empenhado na tomada de Ayamonte (1239 ou 1240).

Sendo assim, o Reino vivia numa situação de progressiva anarquia, de que os sinais mais evidentes foram a proliferação de torres e fortalezas na região senhorial e a constituição de numerosos coutos e honras feitos em rebeldia ao poder régio. Por outro lado, a constante intervenção de membros, do «partido monárquico» nas instituições 

toledo

eclesiásticas, tentando contrariar o reforço do poder espiritual em detrimento do temporal e contestando os fundamentos da teocracia papal, projecto em que se insere o apoio dado às ordens mendicantes, porque, em parte, apologéticas do regresso à pobreza evangélica, situando-se à margem dos grupos religiosos constituídos, provocava conflitos entre o rei e os bispos (questões com o bispado de Lisboa, entre1231 e 1244, e, mais graves, dado o então abandono da corte por parte dos elementos politicamente mais moderados, com o do Porto, entre 1227 e 1238), os quais recorriam amiúde ao papado, atribuindo ao rei uma genérica incapacidade governativa e uma carência de autoridade para obviar aos contínuos atropelos de que as suas prerrogativas e bens eram alvo, responsabilizando-o, em suma, pela violência e instabilidade social em que então se vivia e da qual, dada a respectiva posição e riqueza, se sentiam as principais vítimas.

É neste contexto de lutas -entre o rei e bispos, bispos e burgueses, nobres e igrejas e mosteiros, nobres entre si, nobres e vilãos dos concelhos - e de um banditismo endémico que Inocêncio IV, um convicto adepto da teocracia pontifícia, e uma vez assegurado o apoio de parte significativa do clero, e da nobreza mais tradicional (como os Sousas e os Lumiares, que viam com maus olhos a ascensão política de famílias rivais, como os Soverosas e os Riba de Vizela), decide depor o rei em 1245, apontando-lhe como sucessor o irmão, o conde de Bolonha, o futuro D. Afon­so III. A iniciativa do papa conduz a uma guerra civil (1245-1247), que se salda pelo exílio de D. Sancho II em Castela, onde, um ano depois, morre em Toledo, herdando então a coroa, até porque do casamento do rei com D. Mécia Lopes de Haro não houve descendentes, o irmão.

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 8 de Setembro de 1209 – 25 de Março de 1223: O Infante Sancho de Portugal
  • 25 de Março de 1223 – 4 de Janeiro de 1248: Sua Mercê, El-Rei de Portugal

O estilo oficial de D. Sancho II enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Sancho II, Rei de Portugal

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publicado às 22:09



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