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Trajes do Rei D.Carlos

por Blog Real, em 21.09.17
São sobejamente conhecidas fotografias de Dom Carlos I trajando à lavrador, sobretudo quando se deslocava ao Alentejo para as celebres temporadas em Vila Viçosa.
Este traje foi utilizado em Vendas Novas, vila em que os Duques de Bragança tinham terras e coutadas e que servia de local de pousada nas suas viagens entre a capital e o Alentejo.
Pela forma, este conjunto é similar ao traje de lavrador, no entanto encontra-se adaptado como indumentária de caça pelos vários bolsos e que fazem adivinhar a sua utilidade, actividade na qual Dom Carlos era exímio.
Trata-se de um traje de Verão, pois é confeccionado em algodão. Por outro lado, a cor castanha-clara faz deste traje o camuflado ideal na paisagem alentejana.
Pertence à Fundação Casa de Bragança
Trajes de Portugal
Fonte: http://realfamiliaportuguesa.blogspot.pt/2013/01/traje-do-rei-dom-carlos-i.html

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publicado às 19:49

Férias do antigamente: Quando o rei ia a banhos para Cascais

por Blog Real, em 14.08.17

A moda dos banhos de mar levou a família real, a partir de 1870, a mudar-se todos os verões para a Cidadela em Cascais. O rei D. Carlos herdou do pai o gosto pelo oceano e instalou no palácio o primeiro laboratório português de biologia marinha. O ócio real dividia-se entre as regatas, a natação, o tiro aos pombos, o ténis e os bailes do Sporting Clube.

Todos os anos, o rei D. Carlos arrastava a corte consigo para Cascais para ir a banhos ou passear no seu iate. Isso quando não ia para as caçadas em Vila Viçosa – dali vinha quando foi morto, com o herdeiro, em 1908 –, tradição que muito apreciava. As atividades estivais estendiam-se por entre festas, explorações marítimas, tiro aos pombos e atividades desportivas – como o ténis –, bem como os passeios pela vila que atraíam a habitual curiosidade.

Quando descia para o seu banho de mar e as braçadas na baía, a bandeira nacional era hasteada no mastro da praia, anunciando a presença do monarca. O fato-de-banho às riscas que lhe cobria os ombros e chegava aos joelhos era vestido e despido na barraca real aí instalada.

Em Cascais, o monarca instalava-se no Palácio da Cidadela, um conjunto de prédios baixos, alojamentos e depósitos, tudo cercado por uma parede maciça. A casa do rei não era majestosa, tinha salas de teto baixo, mas o escritório de D. Carlos, no primeiro andar, era grande e luminoso com vista para o mar. Duas janelas viradas para a baía de Cascais enchiam de luz a grande secretária habitualmente cheia de papéis e livros.

O rei adorava as condições privilegiadas da enseada, onde todos os anos, desde 1870, a família real se instalava no período de verão. E quando subiu ao trono, em 1889, continuou a tradição familiar, introduzindo profundas reformas na Cidadela, mandando construir aí o primeiro laboratório português de biologia marinha, em 1896. A casa que a rainha D. Maria Pia adquiriu em 1893, na escarpa do Monte Estoril, chegou a receber a família mesmo durante o inverno, assumindo a designação de Paço do Estoril.

O fascínio de D. Carlos pelo mar levou-o à investigação científica, que saciava em expedições oceânicas num dos iates que foi comprando ao longo dos anos (chamados Amélia, como a rainha). Herdara esse gosto do pai, o rei D. Luís, que, em 1878, por ocasião do seu 15.º aniversário lhe ofereceu o seu primeiro barco, um palhabote (com dois mastros e armação latina), batizado de Nautilus.

Nesse dia, dos 15 anos de D. Carlos, os moradores de Cascais assistiram fascinados à primeira experiência de iluminação elétrica em Portugal. Tal como pouco mais de uma década depois choraram a morte de D. Luís, em 1889, no Paço de Cascais.

A presença sazonal da corte em Cascais mudava as rotinas da vila e tirava aos pescadores parte da praia Ribeira (que hoje se conhece por praia dos Pescadores), onde D. Carlos impulsionava a prática da vela, do remo e da natação. Em Cascais, por iniciativa do monarca, realizou-se em 1898 a primeira regata internacional em águas portuguesas.

Desde 1879, os banhistas privilegiados ganharam clube próprio com a criação do Sporting Clube de Cascais, centro da vida social e desportiva de ricos e abastados, onde D. Carlos praticava o seu tão apreciado ténis.

O traçado da vila transformou-se, tendo ganho uma nova avenida, precisamente chamada de D. Carlos I, inaugurada em 1899, para ligar a Cidadela à praia da Ribeira. Essa ligação real atraiu os ricos que foram construindo as suas casas de férias ao longo da avenida e impulsionando a modernização da povoação.

Fonte: https://sol.sapo.pt/artigo/575745

 

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publicado às 21:42

Nobreza de Portugal

por Blog Real, em 18.06.16

A Marquesa de Pombal, consorte do Marquês de Pombal, era por nascimento condessa de Daun, por ser filha do Conde de Daun, um titular de uma família nobre austríaca.

A primeira nobreza portuguesa havia-se formado a partir do reinado de Dom Afonso VI (1072-1109), Rei de Leão, com homens descendentes de fidalgos leoneses estabelecidos ao norte de Portugal, em especial entre os rios Douro e Minho. Esta era a região dos solares e dos homens mais poderosos do reino. Eles uniam fidalguia de nascimento à autoridade e ao prestígio de cargos públicos.

Eram seguidos na hierarquia, em ordem decrescente, pelos "infanções", "cavaleiros" e "escudeiros". Denominação de origem espanhola: "filho de alguém", aplicando-se aos funcionários superiores e originando a palavra "fidalgo", que, no século XIV, generalizou-se e passou a nomear todos os nobres de linhagem, designando assim a mais alta categoria da nobreza, sem dependência de cargo.

No tempo de D. Manuel I (1495-1521), por exemplo, quando foram designados os capitães da armada de Pedro Álvares Cabral que chegaram ao Brasil em 22 de Abril de 1500, a nobreza portuguesa já registrava essa ordem que datava do século XII. Os nobres integrantes da esquadra de Cabral obedeciam a essa característica, uma vez que a maioria descendia de famílias oriundas de Leão e Castela, radicadas em Portugal, já com numerosas gerações de serviço. As poucas exceções - como Bartolomeu Dias, que recebeu grau e armas transmitidos à sua descendência - demonstram a importância atribuída ao feitos nesse período dos descobrimentos.

A nobreza tomou caráter palaciano e, para receber novos graus, o agraciado precisava comprovar gerações de serviços prestados ao rei.

Foi também no reinado de D. Manuel I que foram estabelecidas regras que definiriam o uso dos graus de nobreza, bem como o uso das armas heráldicas, evitando abusos na adoção de ambos e estabelecendo os direitos da nobreza. Os nobres ficaram sujeitos ao rei e foram organizados em duas ordens, cada uma com três graus:

* "ricos -homens" (primeira ordem), que começavam como "moço fidalgo", passavam a "fidalgo-escudeiro" e chegavam a "fidalgo-cavaleiro";
* segunda ordem, em que estavam os "escudeiros-fidalgo" e "cavaleiros-fidalgo";

Apesar dos séculos XV e XVI terem sido ricos em atos de bravura e feitos heróicos, os feitos ligados aos descobrimentos não representaram acréscimo aos símbolos, atributos e novas armas no brasonário português. Poucas foram concedidas, e nem todas as mercês heráldicas foram registradas. O mesmo não ocorreu com os envolvidos nos combates, sobretudo por ocasião da ocupação do norte da África, encontrando-se maior número de brasões com atributos próprios, como a "cabeça de mouro".

A heráldica dos Descobrimentos fica restrita aos símbolos herdados de família, ligadas às localidades de origem, como a de Nuno Leitão da Cunha, com nove cunhas simbolizando o senhorio de Cunha-a-Velha, ou aos "falantes", como as cabras, dos Cabral, sem sugerir ou representar os desafios encontrados no mar e sua conquista. O brasão de Nicolau Coelho, que tem o contra-chefe ondado em prata e azul podendo simbolizar o mar conquistado, constitui a única exceção. O brasonário da armada comandada por Pedro Álvares Cabral é um retrato de sua época, com fidalgos, cavaleiros e escudeiros que nos brasões deixaram a marca familiar.

Todos os nobres eram considerados vassalos do rei.

Hierarquia da Nobreza:

A Nobreza Titulada Portuguesa tem os seguintes títulos e graus:

* Ducados Reais
** Ducado Real Hereditário (somente o Ducado de Bragança)
** Ducados Reais de Cortesia (vitalícios)
* Ducados
* Marquesados
* Condados
* Viscondados
* Baronatos

Os títulos podem ser:
* Hereditários
** De Juro e Herdade (sem limite de vidas)
** Em vidas (limite determinado de 2, 3 ou 4 vidas)
* Vitalícios

** Em vida (somente em vida do 1º titular)

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publicado às 01:45

Jornal "A Monarquia"

por Blog Real, em 15.06.16

A Monarquia, publicou-se bissemanalmente em Lisboa entre Janeiro e Março de 1916, impresso a azul (cor monárquica) até ao número 6, tendo como mentor Astrigildo Chaves. Consequentemente, o alicerce de A Monarquia é a ansiada restauração monárquica, estando patente ao longo de todas as edições uma agressão constante à república implantada, a consolidação da causa monárquica e a uma vincada rejeição à participação de Portugal na I Grande Guerra. A ajudar Astrigildo Chaves na execução deste projeto constam os nomes de Arménio Monteiro, Mécia Mouzinho de Albuquerque, o Conde de Arnoso e Joaquim Saraiva de Carvalho, Martins Grilo, Alfredo Ferreira, João Pereira e César A. de Oliveira. O preço do jornal era de 20 reis.

Capas do jornal "A Monarquia": 

Nº1
Nº2
Nº3
Nº4
Nº5
Nº6
Nº7
Nº8
Nº9
Nº10
Nº11
Nº12
 
Nº13

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publicado às 14:09

Locomotiva D. Luiz

por Blog Real, em 12.04.16

A D. Luiz, igualmente conhecida como D. Luís, é uma locomotiva a vapor, que se distingue por ser a mais antiga em Portugal. Fabricada em 1862, foi abatida ao serviço em 1921 e restaurada em 1956.

Barreiro_Station_Lisboa

Esta locomotiva foi fabricada em 1862, na fábrica de Manchester da Beyer, Peacock and Company. Em Setembro do ano seguinte, foi responsável por rebocar o primeiro comboio até à fronteira espanhola.

Rebocou várias vezes o comboio real, oferecido à Rainha D. Maria Pia por ocasião do seu casamento com D. Luís I, em 1861.

Com a [queda da monarquia portuguesa, em 1910, passou a rebocar comboios de obras entre o Barreiro e a Moita, tendo-se descurado a sua manutenção.

Em 1921, quando estava a rebocar um dos comboios de obras, com 3 carruagens e um furgão, um dos tubos rebentou, provocando uma queda na pressão, embora a locomotiva ainda tenha conseguido terminar a sua viagem. Na viagem de regresso, ainda conseguiu chegar ao Barreiro-A, tendo sido necessário chamar outra locomotiva para a rebocar até à estação do Barreiro. Terminou, assim, os seus serviços regulares, tendo sido encostada junto com ferro-velho, aguardando a sua destruição. No entanto, por ocasião do primeiro centenário dos caminhos de ferro portugueses, em 1956, foi completamente restaurada.

Em 1970, foi realizado um inventário do acervo histórico da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, para a formação de um núcleo museológico, tendo esta locomotiva sido incluída, como a mais antiga em Portugal.

Entre Abril e Setembro de 2010, esta locomotiva esteve presente, como parte do comboio real na exposição ''Royal Class Regal Journeys'', no museu holandês dos caminhos de ferro, em Utreque.

Caracterização:

Esta locomotiva apresenta os traços típicos de uma locomotiva de roda livre, no estilo inglês. Pode exercer até 3000 kg de esforço de tracção, e o timbre da caldeira é de 9 kg/cm². A iluminação é realizada por Acetileno. A capacidade máxima da locomotiva é de 6600 litros de água, e 3000 kg de carvão.

Ficha Técnica:

  • Fabricante: Beyer Peacock
  • Ano de fabrico: 1862
  • Capacidade de aprovisionamento:
    • Água: 6600 l
    • Carvão: 3000 Kg
  • Iluminação: Acetilene
  • Timbre da caldeira: 9 Kg/cm2
  • Esforço de Tracção: 3000 Kg

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publicado às 23:43

Fidalgos da Casa Real

por Blog Real, em 11.12.15

A fidalguia, na Monarquia Portuguesa, constituía uma categoria social e jurídica própria. Só no reinado de D. Afonso II é que em Portugal foi criado o título de fidalgo, para distinguir os cavaleiros e escudeiros de antiga nobreza daqueles que apenas gozassem destes títulos por recente graça régia. Depois de D. Afonso V, todos os reis criaram categorias formais de fidalgos, inscritos nos livros reais em três categorias diversas na sua importância, fidalgos esses que integravam indiscutivelmente a nobreza hereditária do reino.

Aos novos fidalgos, não de linhagem nem de solar, chegados à fidalguia por mercê do soberano, era dado um pouco depreciativamente pelos seus pares o nome de fidalgos do Livro.

Note-se que a demora na troca dos conceitos de infanção para o de fidalgo levou muito tempo a realizar-se. Tanto assim é que, até a reforma dos moradores na corte do rei D. Sebastião, em documento nenhum se encontra registada a categoria de fidalgo para os moradores assentes nos livros régios: sempre os mesmos são apenas designados como cavaleiros da Casa Real.

Foi o rei D. Sebastião quem mandou reformar o estatuto dos cavaleiros residentes na sua corte, assentes no Livro das Moradias, por onde recebiam moradia (dinheiro e cevada para o seu cavalo) e fez a classificação desses fidalgos em duas ordens de muito diferente importância. Nessa nova classificação que vigorou a partir do fim do século XVI, visível no Regimento da Mordomia-Mor do Rei de Portugal D. Sebastião, os seus fidalgos passaram a organizar-se em duas ordens ou classes:

Primeiros em grau de importância e distintos entre a sua hierarquia, os Fidalgos do Conselho, com direito a honras de Marquês, eram todos os conselheiros privados oficialmente nomeados pelo rei para membros do seu Conselho. Seguiam-se por ordem de importância os restantes graus:

* 1.ª Ordem:
:1.º Grau: Fidalgo Cavaleiro

:2.º Grau: Fidalgo Escudeiro

:3.º Grau: Moço Fidalgo

:4.º Grau: Fidalgo Capelão, para os eclesiásticos

* 2.ª Ordem:
:1.º Grau: Cavaleiro Fidalgo

:2.º Grau: Escudeiro Fidalgo

:3.º Grau: Moço da Câmara

:4.º Grau: Capelão Fidalgo, para os eclesiásticos

Abaixo destes criados fidalgos seguiam-se todos os criados não fidalgos, inscritos nos livros, recebendo pelas suas funções mais humildes, como cavalariços, porteiros, reposteiros, etc. As mulheres podiam ser Donas, Damas ou Açafatas, etc.

Note-se que na linguagem coloquial, a designação de fidalgo ou era genérica, de linhagem, ou ainda de solar conhecido; ou então era necessariamente uma referência aos fidalgos da primeira ordem; os da segunda ordem eram simplesmente designados como cavaleiros da Casa, ou escudeiros da Casa, ou moços da Casa.

A seguir à categoria do fidalgo com moradia, recebendo contia para residir e servir na sua casa o seu senhor, vinha sempre a designação da Casa onde servia: fidalgo cavaleiro da Casa Real, abreviado em FCCR, por exemplo, ou moço da câmara, por exemplo.

Dentro da fidalguia da Casa Real, era possível transitar da categoria mais baixa para a mais elevada, desde que grau a grau, por acrescentamento. Qualquer mercê de fidalguia tinha inerente uma quantia a título de moradia, normalmente fixa de acordo com o grau concedido, bem como uma quantidade de cevada por dia. Por exemplo, a moradia de moço da câmara era de $406 réis e, no outro extremo, a moradia de fidalgo cavaleiro era normalmente de 1$600 réis. Moradias maiores indiciavam um estatuto maior para o fidalgo que delas beneficiava. Por outro lado, a partir de determinada altura, só recebiam as moradias os fidalgos que exerciam na Corte.

Na ordem da Nobreza da Casa Real está em primeiro lugar o escudeiro fidalgo, em segundo lugar o moço da câmara e em terceiro lugar o cavaleiro fidalgo, segundo nos afirma D. António Caetano de Sousa na ''História Genealógica da Casa Real'', Liv. VI, t. V, p. 329. Ed. Coimbra.

Durante algum tempo foram designados por fidalgos com exercício somente aqueles que serviam o soberano no Paço, o que tornou alguns foros de menor qualidade mais apetecíveis, como era o caso de moço fidalgo, que passou até a ter, nestes casos, a designação de moço fidalgo com exercício no Paço.

O foro de fidalgo era concedido por mercê régia, chamando-se ao acto "filhamento".

Todos os foros concedidos de novo emanavam do Rei, constituindo uma mercê nova. Contudo, os foros também se transmitiam por sucessão automática a todos os filhos ou netos varões legítimos dos fidalgos inscritos nos livros régios (Livro das Matrículas da Casa Real, Registo Geral de Mercês ou, depois de 1755, a Mordomia-Mor). Neste caso, e de acordo com o Regimento da Mordomia-Mor, o Mordomo-Mor inscrevia directamente o requerente nos livros régios, sem necessidade de consulta ao Rei, já necessária quando os novos fidalgos eram netos por via materna de anteriores fidalgos com foro.

O Regimento da mordomia-mor previa ainda situações atípicas, em que filhos ou netos ilegítimos de fidalgos poderiam ser filhados, por exemplo se prestassem serviço em África ou na Índia durante determinado período de tempo.

Gozar do foro de fidalgo quer dizer haver sido feito fidalgo quando o pai o não era. E embora príncipes e fidalgos de grandes casas pudessem fazer os próprios fidalgos dessas suas casas, só o rei podia fazer fidalgos da Casa Real. Era necessária a sanção do rei para essa categoria, a mais ambicionada, embora também de muito prestígio fossem os fidalgos criados nas casas da Rainha, e dos Infantes, e mesmo nas de alguns outros grandes senhores como na Casa de Bragança, na dos Duques de Coimbra, na dos Duques de Vila Real e de Caminha, etc.

Os duques de Bragança ou os capitães de África, nos séculos XV ou XVI, tinham a prerrogativa de darem o grau de cavaleiro, mas as suas nomeações careciam de confirmação régia, de acordo com o direito aplicável, as Ordenações, Liv. 2, Tít. 60 das Ordenações Filipinas. Porém, se o rei ou o senhor podia conceder o grau de cavalaria, esse facto não implicava a concessão de fidalguia caso ela não fosse pré-existente, para o que era necessário provar com testemunhas os quatro costados nobres do agraciado, ou como atrás ficou dito, ser-se-ia apenas um (1º) fidalgo do Livro.

Consultando as Ordenações do Reino muito se encontra de interessante acerca da fidalguia.

A 30 de Abril de 1804, o Príncipe Regente (futuro João VI de Portugal) determinara, por Alvará, que fosse dado o tratamento de ''senhoria'' aos moços da câmara, às donas e açafatas. (Liv. IX do Registo da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, fls. 197, Imprensa Régia). Esta determinação confirmava outra, nos mesmos termos, feita por D. Maria I e D. Pedro III a 21 de Maio de 1777.

A partir da queda definitiva do Antigo Regime em 1834, com as leis de Mouzinho da Silveira, ou segundo alguns do Pombalismo ou, sobretudo, do liberalismo, dá-se uma mutação significativa, com um alargamento exponencial da fidalguia, falando-se até em ''Nobres de acaso'' (Marquês de Alorna). Segundo um projecto de 1802 e para lá das classificações jurídicas, "a nobreza em geral divide-se em grandeza, nobreza antiga e nobreza moderna" (documento citado por José Norton, na introdução às ''Memórias do Marquês de Alorna'', 2008).

Com efeito, durante a Monarquia Liberal, a segunda ordem dos fidalgos da Casa Real é abolida, mantendo-se também por pouco tempo o título de fidalgo do Conselho, logo eliminado no entanto por Silva Carvalho com a redesignação moderna de conselheiro de Estado; restarão, até 1910, os títulos de fidalgo cavaleiro, e de moço fidalgo, com ou sem exercício, pois que o de fidalgo escudeiro também então é abolido.

A grande diferença dos foros da Casa Real depois de 1834, porém, foi a de partilharem o destino dos demais títulos nobiliárquicos portugueses - que até aí eram sempre acompanhados da mercê de bens, rendas, ou usufruto de propriedades da Coroa, enquanto a partir daí passam a ser meramente honoríficos, e chorudamente pagos pelos agraciados, engrossando-se com esse imposto os cofres do Estado.

No caso da fidalguia portuguesa, criada pelos reis de Portugal até 5 de Outubro de 1910, os livros de matrículas da Casa Real e a mordomia-mor podem ser consultados no Instituto dos Arquivos Nacionais - Torre do Tombo, em Lisboa.

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publicado às 22:12

As Ligações incríveis dos Bragança

por Blog Real, em 05.09.15

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A família real portuguesa está representada em todas as casas reais católicas europeias. Os Bragança são também aparentados do Rei Juan Carlos – que é primo em terceiro grau da actriz Brooke Shields – e de um dos homens mais ricos da Alemanha.

Quando D. Miguel I partiu para o exílio em 1834, deixou tudo em Portugal, excepto o prestígio que lhe abriu as portas das casas reais europeias. Em plena baía de Cascais, o rei denunciou a Concessão, afirmando que esta lhe fora imposta: ao fazê-lo perdeu automaticamente o direito a uma pensão vitalícia que Portugal ficara obrigado a pagar-lhe por esse acordo.

“O meu bisavô, o rei D. Miguel, não tinha fortuna pessoal e na altura também não se usavam as offshores. Entregou as jóias à irmã em depósito. Não tinha nada quando partiu para o exílio, mas, graças ao seu prestígio, os filhos casaram–se todos com membros de casas reais e da alta aristocracia europeia”, disse ao DN D. Duarte.

Na Alemanha, onde viveu o resto da vida, dependeu da boa vontade dos seus partidários, como o marquês de Abrantes, que quase foi à ruína neste apoio incondicional ao rei exilado.

Apesar da falta de fundos do rei português, as casas reais católicas europeias receberam de braços abertos os Bragança depauperados, e as filhas do rei D. Miguel I casaram-se todas com membros da realeza e da alta aristocracia. “O meu bisavô tinha prestígio pessoal e as infantas, muitas qualidades.”

“Eram raparigas notáveis”, conta D. Duarte. A infanta Maria das Neves casou-se com Alfonso Carlos de Bourbon, D. Miguel com Elizabeth Thurn und Taxis, Maria Teresa com Karl Ludwig da Áustria, Maria José com Karl Theodor da Baviera, a infanta Aldegundes deu o nó com o conde di Bardi e Maria Ana com Guilherme IV do Luxemburgo. D. Maria Antónia casou-se com o duque di Parma. Destes casamentos extraordinários – não há nenhum caso parecido de um rei exilado em todo o mundo – ainda hoje persistem os laços familiares.

Os filhos do actual grão-duque do Luxemburgo aprenderam a falar e a escrever português, a amizade com os príncipes do Lichtenstein é mantida até hoje ( D. Duarte acabou de regressar do Lichtenstein, onde esteve, hospedado pelo príncipe, para o funeral de uma prima) e a família Thurn und Taxis tem uma casa de férias em Sintra. A ligação dos Borbom aos Bragança é mais antiga. As duas famílias cruzaram-se várias vezes ao longo da história: da última vez, Carlota Joaquina, infanta de Espanha, tornou-se rainha de Portugal (mãe de D. Miguel e D. Pedro IV). A actriz norte-americana Brooke Shields – sobrinha da condessa de Torlonia – é prima em terceiro grau do Rei Juan Carlos e, num grau mais distante, prima de D. Duarte.

Brooke Shields

A actriz é sobrinha de Alessandra Torlonia e filha de Frank Shields Torlonia e, como como tal, prima em 3º grau do Rei de Espanha

D. Juan Carlos

As ligações são muito antigas. Carlota Joaquina, infanta de Espanha, era mãe de D. Miguel e D. Pedro IV

Francisco Marone Cinzano

Conde e membro da família Cinzano, dono do império Cinzano

Príncipes do Lichtenstein

Grão-duque do luxemburgo

A filha de D. Miguel Maria Ana de Bragança casou-se com D. Guilherme IV do Luxemburgo

Johannes e Glória Thurn und Taxis

D. Miguel casou-se com uma princesa Thurn und Taxis. Maria Ana de Bragança, filha do segundo casamento de D. Miguel II casou-se com Karl Augustus Thurn und Taxis, mãe de Johannes Thurn und Taxis, um dos homens mais ricos da Alemanha (falecido)

Família Real da Baviera

Infanta Maria José casou-se com Karl Theodor da Baviera

Reis da Bélgica

A neta de D. Miguel I, Elizabeth, casou-se com Alberto I, rei dos Belgas

Fonte: DN – 12/10/09

As ligações incríveis dos Bragança – dn – DN

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publicado às 00:30

Pratos alusivos ao casamento e baptizados da Família Real Portuguesa

por Blog Real, em 03.08.15

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publicado às 22:43

Miss Margery Withers, a bibliotecária do Rei D.Manuel II

por Blog Real, em 18.05.15

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Amante indiscutível de livros, D. Manuel II, o último rei de Portugal, dedicou os seu anos de exílio em Londres aos estudos e à escrita de obras que ainda hoje são uma importante fonte para a história contemporânea de Portugal.
 
Numa primeira fase dedicou-se à sua biografia onde contrata os serviços do bibliófilo Maurice Ettinghausen em 1919 para o auxiliar na procura dos livros antigos que necessitava. 
 
Com o crescimento da sua biblioteca pessoal, o rei acaba por abandonar a ideia da biografia e dedica-se à descrição de todos os livros antigos de sua biblioteca.
 
É aqui que é aconselhado por amigos a contratar Miss Margery Withers, uma jovem bibliotecária britânica, para organizar e catalogar o seu espólio. Os livros amontoavam-se em todos os móveis e mesas da sala, e Miss Margery não teve mãos a medir. Todos os dias de manhã, bem cedo, iniciava o seu trabalho intenso com o rei D. Manuel II, e assim se mantinha até à sua hora de saída, pelas 16:00.
 
A sua proximidade à família real acabam por revelar uma amizade profunda, que faz com que Margery aprenda a língua portuguesa, e acompanhe a família real nos almoços e nos eventos sociais.
 
É também Miss Margery que após a morte prematura do rei, publica o terceiro volume da sua obra, e nos conta como foram os últimos anos do monarca português, no documentário da RTP1 de 1997 "O Lugar da História: D.Manuel II, o último rei de Portugal".
 
Miss Margery nasceu no dia 23 de Outubro de 1905 na Patagónia, Argentina, e faleceu no dia 6 de Setembro de 1999 no Reino Unido.

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publicado às 00:04

Honras de Parente da Casa Real

por Blog Real, em 12.05.15

Honras de Parente da Casa Real (abreviado Honras de Parente) foi uma distinção honorífica de primeira grandeza concedida pela Coroa Portuguesa a títulos nobiliárquicos.

Hierarquia:

As Honras de Parente eram hierarquizadas em tratamento de tio, sobrinho e primo d´el-Rei.

Eram as seguintes as distinções integradas nas Honras de Parente:

  • Honras de Parente da Casa Real com tratamento de tio d´el-Rei (honra máxima, apenas usada pelo Ducado de Bragança antes da ascensão ao trono);
  • Honras de Parente da Casa Real com tratamento de sobrinho d´el-Rei;
  • Honras de Parente da Casa Real com tratamento de primo d´el-Rei.

Os detentores de tais honras gozavam de precedência sobre os demais titulares. Assim, por exemplo, os marqueses com Honras de Parente tinham precedência sobre os demais marqueses, mas também um conde com Honras de Parente tinha precedência sobre todos os titulares sem esta distinção, ainda que fossem duques ou marqueses. Os títulos hierarquizavam-se segundo os seguintes critérios de precedência:

  • Honras de Parente
  • Grau (Duque, Marquês, Conde, Visconde ou Barão)
  • Juro e herdade (em detrimento dos títulos vitalícios)
  • Antiguidade

Por lei o detentor de Honras de Parente detinha, por inerência, Honras de Grandeza. Contudo as Honras de Parente apenas foram concedidas a títulos de Duque, Marquês e Conde, títulos que já implicavam de per si direito a Honras de Grandeza.

Títulos com Honras de Parente:

Duques:

Marqueses:

Condes:

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publicado às 21:47


Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

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Prémio Infante D. Henrique
Com a fundação do Prémio Infante Dom Henrique, do qual S.A.R. o Duque de Bragança além de membro fundador é Presidente de Honra, Portugal tornou-se o primeiro país europeu de língua não inglesa a adoptar o programa de "The International Award for the Young People".
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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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