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António Maria Vasco de Melo César e Meneses, Mordomo-mor da Casa Real

por Blog Real, em 07.03.16

Antonio_Vasco_de_Melo

António Maria Vasco de Melo César e Meneses (Lisboa, 13 de Novembro de 1851 — Lisboa, 21 de Maio de 1923), 9.º Conde de Sabugosa, também conhecido por António Vasco de Melo, bacharel formado em Direito, diplomata e alto funcionário, mordomo-mor da Casa Real, Par do Reino, poeta e escritor distinto. Foi autor de múltiplos contos, crónicas, comédias e poemas, de diversas obras sobre escritores portugueses do século XVI e de uma obra histórica sobre Sintra. Fez parte do grupo dos Vencidos da Vida, tendo colaborado também na Revista de Portugal.

Biografia

António Maria Vasco de Melo César e Meneses nasceu em Lisboa, a 13 de Novembro de 1851, filho de D. António Maria José de Melo da Silva César e Meneses, o 3.º marquês de Sabugosa, e de D. Maria do Carmo da Cunha Portugal e Meneses, dama honorária da rainha D.Maria Pia. Seu pai foi um prestigiado par do Reino, ministro, governador civil e um dos mais destacados membros do Partido Histórico do seu tempo.

Casou a 8 de Janeiro de 1876 com D. Mariana das Dores de Melo, 4.ª condessa de Murça, título que lhe foi renovado como herdeira de seu pai, D. João José Maria de Melo Abreu Soares de Vasconcelos Brito Barbosa e Palha, o 3.º conde de Murça, e de D. Ana de Sousa Coutinho Monteiro Paim. A esposa foi dama das rainhas D. Maria Pia e D. Amélia de Orleães e presidente da Associação Protectora das Escolas para Crianças Pobres.

António Vasco de Melo, nome que utilizou enquanto estudante e com o qual assinou muitas das suas obras literárias, era bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, onde terminou o seu curso em 1877.

Por decreto de 15 de Setembro de 1879, recebeu a mercê do título de 9.º conde de Sabugosa, para além de ter herdado diversos outros títulos e honras, que reuniu na sua casa aos da casa dos condes de Murça, provenientes da família da esposa. Apesar de poder suceder a seu pai nos títulos de marquês de Sabugosa e de conde de São Lourenço, nunca se encartou.

Em 1882 ingressou na carreira diplomática como funcionário da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros, com o cargo de segundo-oficial, sendo nomeado secretário de legação em 1885. Ascendeu a enviado extraordinário e ministro plenipotenciário, servindo no gabinete do ministro, cargo de que foi exonerado, a seu pedido, por decreto de 3 de Novembro de 1910, na sequência da implantação da República.
Foi também alcaide-mor de Elvas e veador e mordomo-mor da casa da rainha D. Amélia de Orleães, tendo sido o último a exercer esses cargos.

Actividade literária

Herdeiro de uma vasta biblioteca, que incluía muitas obras raras e inéditos, foi escritor e poeta de mérito. Em 1894 publicou, de colaboração com Bernardo Pinheiro Correia de Melo, 1.º conde de Arnoso, um interessante livro de contos, intitulado ''De braço dado''. Em 1903 publicou o livro ''O Paço de Sintra, Apontamentos Históricos e Arqueológicos'', obra que inclui desenhos da autoria da rainha D. Amélia de Orleães, para além de colaboração artística do aguarelista Enrique Casanova (1850-1913) e do arquitecto Raúl Lino da Silva (1879-1974). A obra inclui a primeira publicação em português do poema ''Sintra'' de poetisa humanista Luisa Sigea.

Em 1906 editou o ''Auto da Festa'', de Gil Vicente, obra então caída no esquecimento, a partir de raro exemplar que encontrou na biblioteca do seu palácio do Calvário. O ''Auto da Festa'' foi publicado acompanhado por um estudo crítico da sua autoria e de numerosas notas e comentários. Também editou, a partir de texto encontrado na sua livraria, a obra ''Auto da Natural Invenção'' do poeta António Ribeiro Chiado, o Chiado (1917).

Em 1908 publicou o livro Embrechados, que em pouco tempo teve duas edições. Colaborou assiduamente na Revista de Portugal editada por Eça de Queirós e também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas A semana de Lisboa (1893-1895), Serões (1901-1911), O Thalassa (1913-1915) e Ideia Nacional (1915).

Para além das obras atrás citadas, publicou muitas outras, bem como muitos artigos e ensaios de carácter histórico e literário, contos e versos que se encontram dispersos em revistas e jornais.

Fez parte do grupo de intelectuais que se autodenominava Vencidos da Vida, tendo privado, entre outros, com Joaquim Pedro de Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e Maria Amália Vaz de Carvalho.

Actividade política

Na eleições gerais de Outubro de 1879 foi eleito deputado às Cortes pelo círculo de Arouca, prestando juramento a 14 de Janeiro de 1880. Apesar de pouco interventivo, participou nas comissões parlamentares de negócios estrangeiros e de legislação civil, sendo secretário de ambas. Não voltou a ser eleito.

Por falecimento de seu pai, a 2 de Dezembro de 1897, ascendeu ao pariato por direito hereditário, tendo tomado assento na Câmara a 26 de Março de 1898. Na Câmara dos Pares fez parte de múltiplas comissões, com destaque para as relacionadas com os negócios estrangeiros e o comércio externo, com destaque para a procura de mercados para as exportações tradicionais portuguesas: vinho e cortiça. Não fez intervenções de grande fôlego, nem foi muito participativo no hemiciclo.

Destacou-se em 1908 na discussão da lei sobre os cargos e o financiamento da Casa Real, defendendo a sua independência em relação ao poder político e a necessidade de evitar a ingerência partidária na vida palatina.

Com o advento da República, afastou-se da actividade política, mas manteve-se fiel aos seus princípios monárquicos, tendo visitado frequentemente a família real portuguesa durante o seu exílio em Inglaterra. Essa fidelidade, e aberta defesa que fazia da monarquia, valeram-lhe algumas semanas de prisão no Castelo de São Jorge durante a fase crítica da intentona da Monarquia do Norte.

Falecimento, honras e títulos

Faleceu em Lisboa a 21 de Maio de 1923. Foi grã-cruz da Ordem de Cristo; comendador e grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada, por decreto de 4 de Dezembro de 1909; mordomo-mor da Casa Real, nomeado em Abril de 1903; Par do Reino, por nomeação de 17 de Março de 1898; e sócio efectivo da Academia Real das Ciências de Lisboa.

Foi também membro do Instituto de Coimbra, da Associação dos Arquitectos Civil e dos Arqueólogos Portugueses e da Sociedade Literária Almeida Garrett. Foi presidente da Sociedade de Bibliófilos Diogo de Machado.

Tendo passado pela carreira diplomática, foi agraciado com múltiplas condecorações estrangeiras.

Obras publicadas

António Maria José de Melo César e Meneses foi editor de obras de Gil Vicente e do poeta Chiado. Entre as suas principais obras publicadas contam-se:
*''Minuete'' (1877);
*''Poemetos'' (1882)
*''Na Goela do Leão'' (1882);
*''De Braço Dado'' (em colaboração com o 1.º conde de Arnoso) (1894)
*''O Paço de Cintra, apontamentos historicos e archeologicos'' (adornado com desenhos da rainha D. [[Amélia de Orleães]]) (1903);
*''Embrechados'' (1908);
*''Neves de Antanho'' (1910);
*''Donas de Tempos Idos'' (1912);
*''Gente d'Algo'' (1915);
*''A Rainha D. Leonor'' (1921);
*''Bobos na Corte'' (1923).

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publicado às 02:10

Organização da Casa Real: Mordomo-mor

por Blog Real, em 06.02.14

Antonio_Vasco_de_Melo

 António Maria Vasco de Melo César e Meneses, foi o último mordomo-mor da Casa Real Portuguesa.

O mordomo-mor era o primeiro oficial da Casa Real Portuguesa, sendo o responsável pela sua administração e pela superintendência de todos os restantes oficiais e funcionários da mesma.

O cargo de mordomo existia já na Casa dos Condes de Portucale, talvez segundo o modelo franco do mordomo do palácio, sendo, portanto, anterior ao próprio Reino de Portugal. O cargo continuou a existir após a fundação do Reino, tendo durado durante os oito séculos da Monarquia Portuguesa

No início da Monarquia, época em que era ténue a distinção entre os assuntos de Estado e os assuntos particulares dos Reis de Portugal, sendo o principal administrador dos bens da Coroa, o mordomo-mor acabava também por ser responsável pela direcção do governo do país, com funções análogas às de um moderno primeiro-ministro. Posteriormente, com o acentuar da separação entre os assuntos particulares dos reis e os assuntos de Estado, as funções de mordomo-mor limitaram-se cada vez mais apenas à gestão interna da Casa Real.

As rainhas de portugal (consortes) tinham também o seu mordomo-mor privativo, responsável pela administração da Casa da Rainha.

Funções:

Segundo o Regimento do Mordomo-Mor da Casa Real de 9 de agosto 1792, competia ao mordomo-mor:

  • o governo e superintendência da Casa Real;
  • assegurar diariamente o bom cumprimento das suas obrigações pelos criados de serviço no Paço Real;
  • nomear o escrivão dos filhamentos, o escrivão das matrículas e os demais oficiais da Casa Real, consultando previamente o Rei;
  • nomear os titulares de outros ofícios da Casa Real;
  • aconselhar o Rei relativamente aos filhamentos (concessão de foros de fidalguia) e gerir o expediente e registos relacionados com os mesmos;
  • passar as cartas de estribeiro-mor, de armeiro-mor, de copeiro-mor, de mestre-sala e dos trinchantes nomeados pelo Rei, bem como propôr a nomeação e passar os respetivos alvarás aos guardas-roupas;
  • passar mandatos, como os dos tribunais, aos corrregedores, provedores e juízes de fora das comarcas para os informarem acerca de assuntos relacionados com os filhamentos;
  • rubricar as portarias passadas pelo capelão-mor, pelo monteiro-mor e dar o visto aos alvarás e cartas do escrivão dos filhamentos;
  • nomear os contadores, provedores e escrivães dos contos;
  • proceder ao pagamento dos oficiais da Casa Real, através do tesoureiro da Casa;
  • superintender nas contas do Tesouro da Capela Real, através do seu tesoureiro da Capela;
  • superintender nas cavalariças e na alimentação dos cavalos da Casa Real, através do cevadeiro-mor e mariscal.

Titulares:

De entre os titulares do cargo de mordomo-mor figuraram algumas das personagens mais ilustres da história de Portugal, como Egas Moniz e Nuno Álvares Pereira.

  • Gomisso Nunes
  • Gonçalo Rodrigues
  • Egas Gosendes de Baião
  • Gonçalo Rodrigues de Abreu * c. 1100
  • Monio Mendes
  • Ermigio Moniz
  • Egas Moniz, o aio * c. 1080
  • D. Mendo de Bragança
  • D. Fernão Pires ou Cativo
  • D. Gonçalo
  • D. Vasco
  • D. Gonçalo de Sousa
  • Gonçalo Mendes
  • D. Vasco, conde
  • Pedro Fernandes * c. de 1169 a 1175 (Reinado do Rei D.Afonso I)
  • D. Mendo de Sousa (Reinado do Rei Sancho I)
  • Rui Pais de Valadares (Reinado do Rei Sancho I)
  • Gonçalo Mendes de Sousa
  • D. João Fernandes
  • D. Gonçalo Mendes
  • D. Martinho Fernandes
  • D. Pedro Anes
  • D. João Fernandes
  • D. Pedro Anes
  • D. Rui Gomes de Briteiros * c. 1200
  • D. Gil Martins
  • D. João de Aboim
  • D. Nuno Martins de Chacim
  • Durão Martins de Parada
  • D. João Afonso Telo de Meneses, 1.º conde de Barcelos * c. 1265
  • D. Afonso Sanches * 1289
  • João Peres de Aboim (Reinado do Rei Afonso III)
  • Lourenço Soares de Valadares (Reinado do Rei Afonso III e do Rei D.Dinis)
  • João Lourenço do Amaral (Reinado do Rei Afonso IV)
  • D. Afonso Telo de Meneses,, 5.º conde de Barcelos * c. 1320
  • D. João Afonso Telo de Meneses, 6.º conde de Barcelos * c. 1330
  • Lopo Fernandes Pacheco
  • Gonçalo Aires
  • D. João Afonso Telo
  • Garcia Rodrigues
  • D. Nuno Álvares Pereira, 2º condestável de Portugal * 1360
  • Diogo Lopes de Sousa, 18º senhor da Casa de Sousa * c. 1380
  • Álvaro de Sousa, senhor de Miranda, alcaide-mór de Arronches * c. 1410
  • Diogo Lopes de Sousa
  • Pedro de Sousa
  • D. Pedro de Noronha
  • D. Diogo da Silva, 1º conde de Portalegre * c. 1430
  • D. João da Silva, 2º conde de Portalegre * c. 1480
  • D. João de Meneses, 1.° Conde de Tarouca* c. 1492
  • D. Álvaro da Silva, 3º conde de Portalegre * c. 1505
  • D. João da Silva * c. 1525
  • D. Diogo da Silva, 5º conde de Portalegre * 1579
  • Manrique da Silva, 1º marquês de Gouveia * c. 1585 (Reinado do Rei D.João IV)
  • João da Silva, 2º marquês de Gouveia * c. 1625
  • D. João Mascarenhas, 5º conde de Santa Cruz * c. 1650
  • D. Martinho Mascarenhas, 3º marquês de Gouveia * bp 1681
  • D. João Mascarenhas, 4º marquês de Gouveia * 1699
  • D. João da Bemposta de Bragança
  • João Carlos de Bragança Sousa e Ligne * 1801 (Reinado da Rainha D.Maria I)
  • António Maria Vasco de Melo César e Menese * 1909 (Reinado do Rei D.Manuel II)

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publicado às 18:30


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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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