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Cargos e dignidades da Casa Real Portuguesa

por Blog Real, em 17.09.17

A  Casa Real Portuguesa era o organismo que geria os assuntos privativos do Rei e da Família Real de Portugal.

Na Idade Média, não existia uma clara separação entre os assuntos privativos do Rei e os assuntos do Reino. Assim, de certo modo, a Casa Real funcionava como o governo central do Reino. Muitos dos seus funcionários acabaram por se ocupar de toda a governação do Reino e não apenas da gestão de assuntos familiares. Por exemplo, o mordomo-mor, como administrador-chefe da Casa Real, desempenhou as funções de um autêntico primeiro-ministro do Reino.

Á medida que a administração da Casa Real - e do Reino - se tornava mais complexa, foram sendo criados cargos e funções cada vez mais especializadas. Os detentores desses cargos e funções, por estarem tão perto do Rei, tornaram-se as suas pessoas de confiança, sendo acrescentadas à Nobreza. Alguns cargos tornaram-se exclusivos da Alta Nobreza e acabaram por se tornar meras dignidades honoríficas. As suas funções formais passaram a ser desempenhadas, no dia a dia, por funcionários subalternos.

É, aqui, apresentada a lista de grande parte dos cargos e dignidades existentes na Casa Real Portuguesa, separados pelas várias áreas de especialidades. De observar que esta lista é anacrónica, apresentando alguns cargos e dignidades que não coexistiram na mesma época.

 Oficiais da Casa Real
  • Mordomo-mor - primeiro oficial da Casa Real, superintendia na sua administração. Até ao século XIII, chefiava o governo do Reino. Estavam-lhe subordinados os moradores e criados da Casa Real: ;
    • Moços (de guardaroupada capela, porteirosreposteiros, etc.) - primeiro acrescentamento dos criados;
    • Escudeiros - segundo acrescentamentos dos criados;
    • Moços de câmara - primeiro acrescentamento do foro dos moços de câmara
    • Escudeiros fidalgos - segundo acrescentamento dos moços de câmara;
    • Cavaleiros fidalgos - terceiro acrescentamento dos moços de câmara;
    • Moços fidalgos - primeiro acrescentamento do foro dos moços fidalgos;
    • Fidalgos escudeiros - segundo acrescentamento dos moços fidalgos;
    • Fidalgos cavaleiros - terceiro acrescentamento dos moços fidalgos;
    • Fidalgos do conselho - quarto acrescentamento dos moços fidalgos, só atribuído excepcionalmente. Era título anexo aos arcebispos e bispos, priores-mores de Aviz e Sant'Iago, inquisidores do Conselho Geral do Santo Ofício, Condes, Desembargadores do Paço, Chanceleres da Casa da Suplicação de Lisboa e da Relação do Porto, Reitor da Universidade de Coimbra, Governadores do Algarve, Praças de África, Brasil e Angola e monsenhores prelados da Igreja Patriacal;
Oficiais da câmara dos Reis
  • Camareiro-mor - segundo oficial da Casa Real, responsável por vestir e despir o Rei, dormindo aos pés do seu leito. Estavam-lhe subordinados:
    • Gentis-homens da câmara - criados de Câmara;
  • Sumiler - responsável por cerrar a cortina da cama do Rei
  • Reposteiro-mor - responsável por chegar a almofada ou a cadeira ao Rei quando ele se sentava ou se ajoelhava. Estavam-lhe subordinados os:
    • Reposteiros - responsáveis por correr as cortinas da Câmara;
  • Escrivão da Câmara - secretário da Câmara;
  • Físico-mor - médico do Rei;
  • Cirugião-mor - cirurgião do Rei;
  • Capelão-mor - capelão da Casa Real.
Oficiais da fazenda
  • Vedor da Casa - administrador financeiro da Casa Real, substituindo o mordomo-mor, nos seus impedimentos.
  • Contador-mor - contabilista da Casa Real;
  • Tesoureiro-mor - tesoureiro da Casa Real;
  • Escrivão da Fazenda - secretário da Fazenda;
  • Esmoler-mor - encarregado das esmolas Reais.
Oficiais da Guarda
  • Guarda-mor da Casa - responsável pela segurança imediata do Rei, dormindo à porta do seu quarto. Estavam-lhe subordinadas:
    • Capitão da guarda  - comandante da Guarda de Câmara, composta por 20 cavaleiros, que dormiam junto ao quarto do Rei; 
    • Capitão dos ginetes - comandante da Guarda de Ginetes, composta por 200 cavaleiros, armados com lanças e adargas, que acompanhavam o Rei nas suas deslocações.
    • Capitão da Companhia Portuguesa de Alabardeiros da Guarda Real - comandante da guarda de alabardeiros a pé, composta por portugueses;
    • Capitão da Companhia Alemã de Alabardeiros da Guarda Real  - comandante da guarda de alabardeiros a pé, composta por alemães;
 Oficiais da Mesa dos Reis
  • Trinchante - cortava a carne e chegava os pratos ao Rei;
  • Uchão de el-Rei - chegava os pratos ao trinchante e mandava guardar a caça na dispensa da Casa Real (ucharia);
  • Servidor da toalha - colocava os pratos na mesa;
  • Mantieiro - retirava os pratos depois do Rei comer;
  • Copeiro-mor -  servia as bebidas ao Rei. Também baptizava os novos funcionários reais, na sua tomada de posse. Estava-lhe subordinado o:
    • Copeiro-menor - responsável por receber do copeiro-mor, os copos já utilizados pelo Rei;
  • Moços da câmara - criados de primeiro nível que traziam os pratos da cozinha para a sala
  • Prestes da cozinha - criados de segundo nível que traziam os pratos da cozinha para a sala; 
  • Mestre-sala - dirigia o cerimonial em actos solenes;
Oficiais do Estado dos Reis 
  • Estribeiro-mor - superintendia o funcionamento das cavalariças reais, fornecendo os cavalos e as carruagens. Estavam-lhe subordinados os:
    • Moços da estribeira - criados das estrebarias;
  • Porteiros da cana - precediam o cortejo real, a cavalo
  • Aposentador-mor - responsável pelo alojamento do Rei e das restantes pessoas da Corte, quando em viagem;
  • Almotacé-mor - responsável por prover, a Corte, de alimentos;
  • Correio-mor - chefe dos serviços postais do Reino;
  • Coudel-mor - governador das coudelarias reais, superintendendo a procriação e o aperfeiçoamento das raças de cavalos.
 Oficiais da caça dos Reis
  •  Monteiro-mor  - superintendia nas caçadas e nas coutadas reais. Estavam-lhe subordinados:
    • Monteiros de cavalo - guardas a cavalo das coutadas;
    • Monteiros de pé - guardas a pé das coutadas;
    • Moços do monte - criados que ajudavam nas caçadas;
  • Caçador-mor - responsável pela caça às aves;
  • Falcoeiro-mor - responsável pelo adestramento de falcões e outras aves de rapina, para a falcoaria.
  Oficiais militares
  • Condestável de Portugal - comandante-chefe do Exército;
  • Marechal de Portugal - 2º comandante e responsável logístico do Exército;
  • Alferes-mor - porta-Bandeira Real. Comandante do Exército até ao século XIV. Estava-lhe subordinado:
    • Alferes-menor - levava a Bandeira Real, quando o alferes-mor comandava o Exército;
  • Adail-mor - comandante-geral da Cavalaria;
  • Anadel-mor - comandante-geral da Infantaria. Estavam-lhe subordinados:
    • Anadel dos besteiros da câmara - comandante dos besteiros do Rei
    • Anadel dos besteiros a cavalo - comandante dos besteiros a cavalo;
    • Anadel dos besteiros do conto - comandante dos besteiros dos concelhos;
    • Anadel dos espingardeiros - comandante dos espingardeiros;
  • Capitão-general das Ordenanças - comandante-geral das tropas territoriais;
  • Almirante de Portugal - comandante das galés reais. Chefe de toda a Marinha até ao século XIV;
  • Almirante da Índia - comandante da Marinha no oceano Índico;
  • Capitão-mor do Mar - comandante da Marinha oceânica;
  • Vedor-mor de artilharia - comandante-geral da Artilharia;
  • Mestre de Avis - mestre da Ordem de São Bento de Avis;
  • Mestre de Sant'Iago - mestre da Ordem de Sant'Iago da Espada;
  • Mestre de Cristo - mestre da Ordem de N. Sr. Jesus Cristo.
 Oficiais de cerimónias
  • Porteiro-mor -  responsável por abrir a porta da sala onde se encontrava o Rei. Estavam-lhe subordinados os:
    • Porteiros da maça - precediam os cortejos a pé;
    • Porteiros da cana - precediam o cortejo real, a cavalo;
  • Rei de armas Portugal - principal oficial de heráldica. Estavam-lhe subordinados os:
    • Rei de armas Algarve - oficial heráldico de 1º nível
    • Rei de armas Índia - oficial heráldico de 1º nível
    • Arauto Lisboa - oficial heráldico de 2º nível
    • Arauto Silves - oficial heráldico de 2º nível
    • Arauto Goa - oficial heráldico de 2º nível
    • Passavante Santarém - oficial heráldico de 3º nível
    • Passavante Tavira - oficial heráldico de 3º nível
    • Passavante Coxim - oficial heráldico de 3º nível
    • Escrivão da Nobreza - subscrevia as cartas de armas;
    • Armeiro-mor - encarregado dos livros de registo das armas.
Oficiais principais do governo
  • Chanceler-mor - guarda do selo real, encarregado de verificar as provisões expedidas pelo Desembargo do Paço. Tornou-se o chefe de governo, entre os séculos XIII e XVII. Estavam-lhe subordinados:
    • Livradores do desembargo - letristas, responsáveis pela preparação dos assuntos a serem decididos;
  • Escrivão da puridade - assistente directo do Rei. Tornou-se o chefe de governo no século XVII. Estavam-lhe subordinados:
    • Secretário de Estado - encarregado da política geral, interior, ultramarina e exterior;
    • Secretário das mercês e expediente - encarregado da nomeação dos magistrados e funcionários da Coroa;
    • Secretário da assinatura - encarregado da assinatura dos documentos;
  • Secretário de el-Rei - secretário pessoal do Rei;
  • Corregedor da Corte para o Cível - procurador judicial para os assuntos civeis;
  • Corregedor da Corte para o Crime - procurador judicial para os assuntos criminais;
  • Meirinho-mor - magistrado encarregado de aplicar a justiça aos nobres e fiscalizar a aplicação da justiça nas terras senhoriais.
Oficiais de administração e justiça
  • Sobrejuiz ou ouvidor do crime - juiz superior para os assuntos criminais;
  • Sobrejuiz ou ouvidor do civel - juiz superior para os assuntos civeis;
  • Vedor da Fazenda - encarregado da administração financeira e económica do Reino;
  • Corregedores - governadores administrativos e judiciais das comarcas;
  • Almoxarifes - administradores fiscais dos almoxarifados.
  • Alcaides-mor - representantes do Rei numa terra. Estavam-lhe subordinados os:
    • Alcaides pequenos - que representavam o Alcaide-mor, quando este não se encontrava na sua terra.
Oficiais da Casa da Rainha
  • Mordomo-mor da Rainha - administrador da Casa da Rainha
  • Escrivão da Rainha - secretário da Rainha
  • Reposteiro-mor da Rainha - responsável pela câmara da Rainha
  • Vedor da Casa da Rainha - administrador financeiro da Casa da Rainha.
 Oficiais da Casa do Príncipe
  • Governador da Casa do Principe - administrador da Casa do Príncipe;
  • Camareiro do Príncipe - responsável pela câmara do Príncipe;
  • Vedor da Casa do Príncipe - administrador financeiro da Casa do Príncipe.
  • Capitão da Companhia de Alabardeiros da Guarda do Príncipe - comandante da guarda de alabardeiros a pé do Príncipe.

Fonte: http://audaces.blogs.sapo.pt/3972.html

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publicado às 19:00

Organização da Casa Real: Almirante de Portugal

por Blog Real, em 06.02.14

Almirante de Portugal ou Almirante do Reino era um alto cargo e um título da Coroa de Portugal. O cargo foi criado pelo Rei D.Dinis, no século XIII com a função de exercer o comando da Armada Real. Para primeiro titular do cargo foi nomeado o genovês Manuel Pessanha.

Mais tarde ao cargo de Almirante de Portugal, deixou de estar ligada uma função efectiva de comando naval. Passou a ser um título meramente honorífico e hereditário, detido pelos condes de Resende desde o início do século XVIII.

Lista dos Almirantes de Portugal:

  1. Manuel Pessanha - nascido cerca de 1280
  2. Nuno Fernandes Cogominho, nomeado em 1307 para esse cargo então criado pelo soberano. Não é habitualmente contabilizado.
  3. Bartolomeu Pessanha - c. 1310
  4. Lançarote Pessanha - c. 1320
  5. D. João Afonso Telo de Meneses, 1.º conde de Ourém - c. 1330
  6. Manuel Pessanha - c. 1350
  7. Carlos Pessanha - c. 1360
  8. D. Pedro de Meneses, 1º conde de Vila Real (condado antigo) - c. 1380
  9. Rui Afonso de Melo, senhor de Vila Nova de Portimão - c. 1390
  10. Lançarote da Cunha - c. 1400
  11. Nuno Vaz de Castelo-Branco - c. 1410
  12. Lopo Vaz de Azevedo - c. 1430
  13. António de Azevedo - c. 1460
  14. D. Lopo de Azevedo - c. 1500
  15. D. António de Azevedo - c. 1560
  16. D. João de Azevedo - c. 1560
  17. D. João de Castro - c. 1620
  18. D. Francisco de Castro - c. 1650
  19. D. João José de Castro - c. 1675
  20. D. Luís Inocêncio de Castro - c. 1680
  21. D. António José de Castro, 1.º conde de Resende - 1719
  22. D. José Luís de Castro, 2.º conde de Resende - 1744
  23. D. Luís Inocêncio Benedito de Castro, 3.º conde de Resende - 1777
  24. D. António Benedito de Castro, 4.º conde de Resende - 1820
  25. D. Luís Manuel Benedito da Natividade de Castro Pamplona, 5.º conde de Resende - 1844
  26. D. Manuel Benedito de Castro Pamplona, 6.º conde de Resende - 1845
  27. D. António de Castro Pamplona, 7.º conde de Resende - 1877
  28. D. João de Castro Pamplona, 8.º conde de Resende - 1882
  29. D. Maria José de Castro de Pamplona, 9.ª condessa de Resende - 1908

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publicado às 21:59

Organização da Casa Real: Alferes-mor de Portugal

por Blog Real, em 06.02.14

alferes-mor do Reino de Portugal, simplesmente alferes-mor de Portugal ou ainda alferes-mor de el-Rei constituía o alto oficial da Coroa que tinha como função levar a bandeira do Rei de Portugal no campo de batalha. Até à criação do cargo de condetável de Portugal, o alferes-mor exercia, por inerência, a função de comandante-chefe do Exército. A partir de então, tornou-se num cargo essencialmente honorífico, existindo até ao final da Monarquia.

História:

O cargo de alferes-mor é anterior à própria independência de Portugal, existindo já durante o Condando Portucalense. O Conde D.Henrique - pai do primeiro Rei de Portugal - tinha como alferes-mor D. Fafez da Luz, o qual teria vindo com ele para Portugal.

Ao que parece, o primeiro alferes-mor de Portugal independente teria sido o cavaleiro Pedro Pais, nomeado pelo Rei D.Afonso Henriques. No entanto, o primeiro alferes-mor a figurar num documento escrito foi Pelágio Soares.

O alferes-mor era o alferes ou porta-bandeira do Rei de Portugal, competindo-lhe levar a bandeira régia para as batalhas. A bandeira só poderia ser desfraldada por ordem do Monarca e, quando o era, todos os restantes alferes particulares tinham que desfraldar também as suas bandeiras.

O alferes-mor tornou-se no mais alto oficial do Exército Real, exercendo efetivamente a função de comandante-chefe do mesmo, subordinado diretamente ao Rei. Como a função de comandante do Exército não lhe permitia transportar efetivamente a bandeira real em combate, essa função passou a ser desempenhada pelo alferes-menor ou alferes pequeno.

Com a criação dos cargos de condestável e de marechal de Portugal, em 1382, o alferes-mor passou para o terceiro lugar na hierarquia do Exército, voltando a ter como função principal o transporte da bandeira do Rei.

Um dos alferes-mores mais famosos da história, foi Duarte de Almeida, alferes de D.Afonso V, que se notabilizou pela defesa heróica da bandeira real, na Batalha de Toro. Durante a Batalha, Duarte de Almeida viu-se cercado pelos inimigos que lhe deceparam a mão direita, segurando ele então a bandeira do Rei com a mão esquerda. No entanto, deceparam-lhe também a mão esquerda, passando então a segurar a bandeira com os dentes, para evitar que fosse tomada pelo inimigo.

Depois de deixarem de ter funções militares, os alferes-mores mantiveram uma importante função na cerimónia de aclamação de cada novo Monarca pelas Cortes. Durante a cerimónia, o alferes-mor acompanhava o novo Rei com o estandarte real enrolado. No final do juramento do Rei, o alferes-mor desfraldava o estandarte perante o povo e gritava: Real! Real! Pelo muito alto e muito poderoso Rei de Portugal, Senhor Dom…!.

O cargo foi exercido pela última vez por Vasco de Sabogosa, conde de São Lourenço, que serviu de alferes-mor durante o ato de aclamação de D.Manuel II perante o Parlamento, no dia 6 de maio de 1908.

Titulares:

Esta é uma lista incompleta dos alferes-mores de Portugal:

  • D. Fafez da Luz
  • Pedro Pais - c. 1143
  • Pelágio Soares
  • Pedro Pais da Maia
  • Paio Moniz de Ribeira
  • Gonçalo Gomes de Azevedo
  • Gil Vasques da Cunha - c. 1360
  • João Esteves Carregueiro
  • Duarte de Almeida - 1476
  • D.Jorge de Menezes - c.1540
  • Luís César de Menezes, alcaide-mor de Alenquer - c. 1600
  • Fernão Teles de Meneses, conde de Vila Maior - 1640
  • Vasco Fernandes César,  conde de Sabugosa - 1673
  • D. João José Ausberto de Noronha - 1725
  • D. António Maria de Melo da Silva César de Menezes, conde de Sabugosa - 1743
  • D. José António de Melo da Silva César de Meneses, marquês de Sabugosa - 1763
  • D. António José de Melo da Silva César de Menezes, conde de São Lourenço - 1794
  • D. António Maria José de Melo da Silva César e Menezes, marquês de Sabugosa  - 1825
  • D. Vasco de Sabugosa, conde de S. Lourenço - 1908

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publicado às 21:26

Organização da Casa Real: Mordomo-mor

por Blog Real, em 06.02.14

 António Maria Vasco de Melo César e Meneses, foi o último mordomo-mor da Casa Real Portuguesa.

O mordomo-mor era o primeiro oficial da Casa Real Portuguesa, sendo o responsável pela sua administração e pela superintendência de todos os restantes oficiais e funcionários da mesma.

O cargo de mordomo existia já na Casa dos Condes de Portucale, talvez segundo o modelo franco do mordomo do palácio, sendo, portanto, anterior ao próprio Reino de Portugal. O cargo continuou a existir após a fundação do Reino, tendo durado durante os oito séculos da Monarquia Portuguesa

No início da Monarquia, época em que era ténue a distinção entre os assuntos de Estado e os assuntos particulares dos Reis de Portugal, sendo o principal administrador dos bens da Coroa, o mordomo-mor acabava também por ser responsável pela direcção do governo do país, com funções análogas às de um moderno primeiro-ministro. Posteriormente, com o acentuar da separação entre os assuntos particulares dos reis e os assuntos de Estado, as funções de mordomo-mor limitaram-se cada vez mais apenas à gestão interna da Casa Real.

As rainhas de portugal (consortes) tinham também o seu mordomo-mor privativo, responsável pela administração da Casa da Rainha.

Funções:

Segundo o Regimento do Mordomo-Mor da Casa Real de 9 de agosto 1792, competia ao mordomo-mor:

  • o governo e superintendência da Casa Real;
  • assegurar diariamente o bom cumprimento das suas obrigações pelos criados de serviço no Paço Real;
  • nomear o escrivão dos filhamentos, o escrivão das matrículas e os demais oficiais da Casa Real, consultando previamente o Rei;
  • nomear os titulares de outros ofícios da Casa Real;
  • aconselhar o Rei relativamente aos filhamentos (concessão de foros de fidalguia) e gerir o expediente e registos relacionados com os mesmos;
  • passar as cartas de estribeiro-mor, de armeiro-mor, de copeiro-mor, de mestre-sala e dos trinchantes nomeados pelo Rei, bem como propôr a nomeação e passar os respetivos alvarás aos guardas-roupas;
  • passar mandatos, como os dos tribunais, aos corrregedores, provedores e juízes de fora das comarcas para os informarem acerca de assuntos relacionados com os filhamentos;
  • rubricar as portarias passadas pelo capelão-mor, pelo monteiro-mor e dar o visto aos alvarás e cartas do escrivão dos filhamentos;
  • nomear os contadores, provedores e escrivães dos contos;
  • proceder ao pagamento dos oficiais da Casa Real, através do tesoureiro da Casa;
  • superintender nas contas do Tesouro da Capela Real, através do seu tesoureiro da Capela;
  • superintender nas cavalariças e na alimentação dos cavalos da Casa Real, através do cevadeiro-mor e mariscal.

Titulares:

De entre os titulares do cargo de mordomo-mor figuraram algumas das personagens mais ilustres da história de Portugal, como Egas Moniz e Nuno Álvares Pereira.

  • Gomisso Nunes
  • Gonçalo Rodrigues
  • Egas Gosendes de Baião
  • Gonçalo Rodrigues de Abreu * c. 1100
  • Monio Mendes
  • Ermigio Moniz
  • Egas Moniz, o aio * c. 1080
  • D. Mendo de Bragança
  • D. Fernão Pires ou Cativo
  • D. Gonçalo
  • D. Vasco
  • D. Gonçalo de Sousa
  • Gonçalo Mendes
  • D. Vasco, conde
  • Pedro Fernandes * c. de 1169 a 1175 (Reinado do Rei D.Afonso I)
  • D. Mendo de Sousa (Reinado do Rei Sancho I)
  • Rui Pais de Valadares (Reinado do Rei Sancho I)
  • Gonçalo Mendes de Sousa
  • D. João Fernandes
  • D. Gonçalo Mendes
  • D. Martinho Fernandes
  • D. Pedro Anes
  • D. João Fernandes
  • D. Pedro Anes
  • D. Rui Gomes de Briteiros * c. 1200
  • D. Gil Martins
  • D. João de Aboim
  • D. Nuno Martins de Chacim
  • Durão Martins de Parada
  • D. João Afonso Telo de Meneses, 1.º conde de Barcelos * c. 1265
  • D. Afonso Sanches * 1289
  • João Peres de Aboim (Reinado do Rei Afonso III)
  • Lourenço Soares de Valadares (Reinado do Rei Afonso III e do Rei D.Dinis)
  • João Lourenço do Amaral (Reinado do Rei Afonso IV)
  • D. Afonso Telo de Meneses,, 5.º conde de Barcelos * c. 1320
  • D. João Afonso Telo de Meneses, 6.º conde de Barcelos * c. 1330
  • Lopo Fernandes Pacheco
  • Gonçalo Aires
  • D. João Afonso Telo
  • Garcia Rodrigues
  • D. Nuno Álvares Pereira, 2º condestável de Portugal * 1360
  • Diogo Lopes de Sousa, 18º senhor da Casa de Sousa * c. 1380
  • Álvaro de Sousa, senhor de Miranda, alcaide-mór de Arronches * c. 1410
  • Diogo Lopes de Sousa
  • Pedro de Sousa
  • D. Pedro de Noronha
  • D. Diogo da Silva, 1º conde de Portalegre * c. 1430
  • D. João da Silva, 2º conde de Portalegre * c. 1480
  • D. João de Meneses, 1.° Conde de Tarouca* c. 1492
  • D. Álvaro da Silva, 3º conde de Portalegre * c. 1505
  • D. João da Silva * c. 1525
  • D. Diogo da Silva, 5º conde de Portalegre * 1579
  • Manrique da Silva, 1º marquês de Gouveia * c. 1585 (Reinado do Rei D.João IV)
  • João da Silva, 2º marquês de Gouveia * c. 1625
  • D. João Mascarenhas, 5º conde de Santa Cruz * c. 1650
  • D. Martinho Mascarenhas, 3º marquês de Gouveia * bp 1681
  • D. João Mascarenhas, 4º marquês de Gouveia * 1699
  • D. João da Bemposta de Bragança
  • João Carlos de Bragança Sousa e Ligne * 1801 (Reinado da Rainha D.Maria I)
  • António Maria Vasco de Melo César e Meneses * 1909 (Reinado do Rei D.Manuel II)

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publicado às 18:30


Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

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Com a fundação do Prémio Infante Dom Henrique, do qual S.A.R. o Duque de Bragança além de membro fundador é Presidente de Honra, Portugal tornou-se o primeiro país europeu de língua não inglesa a adoptar o programa de "The International Award for the Young People".
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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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