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Paço Ducal de Vila Viçosa

por Blog Real, em 24.09.14

O Paço Ducal de Vila Viçosa é importante monumento situado no Terreiro do Paço da vila alentejana do distrito de Évora. Foi durante séculos a sede da sereníssima Casa de Bragança, uma importante família nobre fundada no século XV, que se tornou na Casa Reinante em Portugal, quando em 1 de Dezembro de 1640 o 8º Duque de Bragança foi aclamado Rei de Portugal (D.João IV).

Origem

Vila Viçosa tornou-se sede do importante ducado de Bragança quando D.Fernando (1403-1461) sucedeu a seu pai, tornando-se o 2ºDuque de Bragança, em 1461. Na verdade, o 2º Duque de Bragança recebera de seu avô, o Condestável do Reino, D.Nuno Álvares Pereira, o título de Conde de Arraiolos, pelo que quando chegou a Duque, não quis trocar as planuras alentejanas pelo Paço Ducal de Guimarães. Assim se estabeleceram os Bragança em Vila Viçosa, no primitivo Paço do Castelo. Porém, o seu filho, também D.Fernando (3º Duque de Bragança), veio a ser executado em 1483, por ordem de D.João II, acusado de traição, tendo a família sido exilada para Castela, de onde só regressaram em 1496, após a morte do Rei. Uma vez reabilitado o Ducado, o 4º Duque, D.Jaime, não quis habitar o Paço do Castelo, por estar ligado à memória do seu pai, mandando construir um palácio novo, no sítio chamado do Reguengo, assim começou a ser erguido o que é hoje o magnífico Palácio Ducal de Vila Viçosa.

Obras de D.Jaime

As obras, comandadas por D.Jaime, iniciaram-se em 1501, sendo dessa época o claustro e a zona da capela, bem como as actuais salas da Armaria. Porém nova tragédia atingiria a ilustre família, quando D.Jaime, suspeitando (injustamente) da fidelidade de sua jovem mulher, a Duquesa D.Leonor de Gusmão, a mandou degolar. Entretanto a Casa de Bragança crescia em poder e em riqueza, fruto dos laços de parentesco com a Casa Real e com os feitos do Duque D.Jaime, que em 1513 comandou a vitoriosa expedição a Azamor.

 

Obras de D.Teodósio I

O 5º Duque, D.Teodósio I, nomeado Condestável do Reino, em 1535, conseguiu negociar o casamento da sua irmã D.Isabel com o Infante D.Duarte (irmão do Rei D.João III). Aproveitando a necessidade de ampliar o Palácio para as faustosas festas do matrimónio real, em 1537, o Duque mandou construir a imponente fachada do palácio, revestida a mármore, ao gosto italiano, que hoje podemos admirar.

 

Casa de férias dos Reis da Dinastia de Bragança

O Palácio conheceu ainda várias obras e melhoramentos até 1640, data em que o Duque de Bragança foi feito Rei, levando grande parte do seu notável recheio para o Palácio da Ribeira, em Lisboa. Doravante, o Palácio de Vila Viçosa seria apenas uma residência de caça e recreio para a família dos seus proprietários, agora senhores do trono de Portugal. D.João IV manteve porém a independência da Casa de Bragança relativamente à Coroa, destinando-a para morgadio do herdeiro do trono. No século XVIII, D.João V fez ainda alguns melhoramentos (capela, cozinha e pavilhão dos quartos novos), na sequência das suas visitas a Vila Viçosa, nomeadamente para a chamada troca das princesas (casamento do príncipe D.José com uma Infanta de Espanha e do Príncipe das Astúrias com a Infanta D.Maria Bárbara), ocorrida na fronteira do Caia, em 1729. Também D.Maria I fez ainda alguns melhoramentos, acrescentando o corpo das Salas de Jantar e dos Vidros. Finalmente, no final do século XIX, o velho Paço seria ainda objecto de algumas obras, fruto da predilecção que os Reis D.Carlos e D.Amélia tinham por ele. D.Carlos apreciava muito o Palácio calipolense, aqui passando largas temporadas, quando promovia com os seus amigos (raramente trouxe convidados oficiais a Vila Viçosa) grandes caçadas na extensa Tapada Ducal.

Com efeito, foi neste palácio que o Rei D.Carlos dormiu a sua última noite antes de ser assassinado, em 1 de Fevereiro de 1908 (conservando-se intactos desde então os seus aposentos). No último reinado, o paço de Vila Viçosa acolheu ainda a visita do Rei Afonso XIII de Espanha a D.Manuel II, em Fevereiro de 1909.

O Palácio na actualiade

Após a proclamação da república, em 1910, o Palácio de Vila Viçosa, bem como todos os bens da Casa de Bragança, permaneceram na posse do Rei D.Manuel II, por serem bens familiares do Rei e não do Estado. Em 1933, na sequência das disposições testamentárias de D.Manuel II (falecido em 1932), o Palácio integrou a Fundação da Casa de Bragança, que abriu as suas portas ao público, como museu. Nessa época o Paço recebeu ainda grande parte dos bens móveis, obras de arte e a preciosa biblioteca do rei exilado (provenientes da residência de Londres).

O Palácio apresenta uma grande colecção de obras de arte (pintura, mobiliário, escultura, etc..), sendo particularmente nobres as salas do primeiro piso, de que são exemplos as Salas da Medusa, dos Duques (com retratos de todos os duques até ao século XVIII) no tecto) e de Hércules, muitas delas enobrecidas com belíssimos fogões de sala de mármore esculpido. Permanecem particularmente vivas no palácio as memórias dos dois últimos reinados (fruto da especial predilecção que por ele tiveram os soberanos), como se pode observar nos aposentos régios e nos inúmeros exemplares da obra artística do rei D.Carlos (aguarelas e pastel). A cozinha apresenta uma das maiores colecções de baterias de cozinha, em cobre. São ainda de realçar a Biblioteca (com exemplares bastante preciosos) e a armaria. Nas antigas cocheiras está instalada uma secção do Museu Nacional dos Coches, onde entre outras carruagens, se pode admirar o landau que transportava a Família Real no dia do regicídio.

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publicado às 21:24

Palácio dos Carrancas

por Blog Real, em 06.08.14

O Palácio dos Carrancas localiza-se na freguesia de Miragaia, na cidade e Distrito do Porto, em Portugal. Atualmente alberga o Museu Nacional de Soares dos Reis.

 

História:

O palácio foi construído a partir de 1795, para habitação e fábrica dos Morais e Castro - família de prósperos negóciantes, de alcunha Carrancas. O seu risco é, tradicionalmente, atribuído a Joaquim da Costa Lima Sampaio, que participou em obras como a Feitoria Inglesa e o Hospital de Santo António, da autoria de Jonh Carr.

Em 1861 o palácio foi adquirido por Pedro V de Portugal para servir de alojamento aos soberanos em visita ao norte do país. Embora necessitado de obras de reparação e melhoramentos, o edifício não sofreu alterações significativas, excetuando a extinção das instalações da fábrica.

Excetuando as visitas soberanas, o palácio encontrava-se praticamente vazio, situação que se agravou com a Implantação da República em 1910. O Rei Manuel II de Portugal, no seu testamento, datado de 1915, determina a entrega do palácio à Santa Casa da Mesericórdia, para que nele se instalasse um hospital. O Estado adquiriu o palácio à Misericórdia para sede do Museu Nacional de Soares dos Reis, que foi inaugurado em 1942.

A partir de 1992 o palácio sofreu uma profunda remodelação e expansão, com projeto de autoria do arquiteto Fernando Távora, concluída em 2001.

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publicado às 18:45

Palácio Nacional de Sintra

por Blog Real, em 20.12.13

O Palácio Nacional de Sintra, também conhecido como Palácio da Vila, localiza-se na freguesia de São Martinho, na vila de Sintra, Distrito de Lisboa, em Portugal.

Foi um dos Palácios Reais e hoje é propriedade do Estado Português, que o utiliza para fins turísticos e culturais. De implantação urbana, a sua construção iniciou-se no século XV, com traça de autor desconhecido.

Apresenta características de arquitectura medieval, gótica, manuelina, renascentista e romântica. É considerado um exemplo de arquitectura orgânica, de conjunto de corpos aparentemente separados, mas que fazem parte de um todo articulado entre si, através de pátios, escadas, corredores e galerias.

O Palácio foi utilizado pela Família Real Portuguesa praticamente até ao final da Monarquia, em 1910. Em 2008 foi o palácio mais visitado de Portugal com 408 712 visitantes.

 

O Paço mouro
A Alcáçova da vila

As primeiras alusões a estruturas palacianas em Sintra são anteriores à Reconquista. O geógrafo árabe Al-Bakrî (século XI) refere, em Sintra, dois castelos de extrema solidez (fonte: Al-Himyarî, geógrafo e historiador muçulmano). Estes seriam o situado no cimo da serra, que ainda é chamado Castelo dos Mouros, e o que existiria no local do atual palácio, implantado junto à povoação, na antiga Almedina. Teria servido como habitação dos governantes mouros e, após 1147, dos reis cristãos, na sequência das conquistas de Santarém e de Lisboa.

Em Carta Régia de 1281, D. Dinis, ciente das necessidades de manutenção dos edifícios sintrenses da Coroa (mea palacia, como são referidos pelo próprio rei), concede regalias aos mouros livres da vila vizinha de Colares pela conservação e renovação do seu Paço de Sintra: o Paço mouro pertencente à Coroa por direito de conquista, situado no interior de um recinto amuralhado.

Uma das três vistas (1509) de Duarte d’Armas (1465-?), inestimáveis fontes iconográficas por serem anteriores à campanha de obras de D. Manuel I, mostra, à esquerda, umas construções, hoje desaparecidas, com a legenda Meca (toponímia evocativa do velho paço mouro que ainda perdurava nos inícios do século XVI?). Neste local D. Manuel mandaria construir, poucos anos depois, a Torre da Sala dos Brasões.

O Paço Real
As principais campanhas de obras

Após a retoma de Sintra, decorreu algum tempo até os reis portugueses começarem a frequentar o Palácio com maior assiduidade, sobretudo depois de Lisboa se afirmar como sede do poder central. A proximidade da capital, o clima privilegiado, a paisagem, a abundância de víveres e as condições de caça foram fatores determinantes na escolha de Sintra como refúgio da Corte durante os meses de verão.

D. Dinis (reinado, 1279-1325) foi, provavelmente, o primeiro monarca a interessar-se pelo paço sintrense, uma vez fixados os limites do território português. Os seus aposentos situar-se-iam na parte mais elevada do edifício, a norte, junto da Capela Palatina que mandou construir. Este corpo ainda sobrevive e um dos seus espaços mais antigos é o conhecido como Quarto-Prisão de D. Afonso VI.

As grandes transformações e alargamentos do Palácio datam do período de D. João I (reinado, 1385-1433), no primeiro quartel do século XV, tendo-se atribuído as obras a João Garcia de Toledo. O novo paço, mais amplo e faustoso, organiza os aposentos em torno do Pátio Central, justapostos e comunicando entre si, com funções diversas, em parte referidas no manuscrito Medição das Casas de Cintra que o rei D. Duarte deixou. Destaca-se a fachada principal da construção joanina, voltada para a vila, quase totalmente ocupada pela Sala dos Cisnes, principal espaço de aparato. A distribuição do conjunto de salas anexas respondia a um critério de crescente privacidade, segundo o modelo de várias antecâmaras (Sala das Pegas, de D. Sebastião, das Sereias, onde se localizava o guarda-roupa, e de Júlio César), câmara ou quarto de dormir (Sala dos Árabes) e trascâmara (Quarto de Hóspedes). Deste modo, as divisões mais afastadas da Sala dos Cisnes seriam as mais restritas e íntimas. Fechando este conjunto, erguem-se do lado nascente as cozinhas, cujas monumentais e duplas chaminés cónicas se tornaram no ex-líbris do palácio e da própria vila de Sintra.

Devem-se a D. Manuel I (reinado, 1495-1521) as campanhas de obras destinadas a embelezar e beneficiar o Palácio, destacando-se os elementos decorativos manuelinos (portas e janelas) e mudéjares (revestimentos azulejares), bem como dois novos corpos que engrandeceram o paço real: a ala nascente, destinada aos aposentos de D. Manuel, e a Torre coroada pela Sala dos Brasões.

Ao longo dos séculos seguintes, poucas intervenções tiveram um impacto profundo no perfil do Palácio e o acontecimento mais significativo nele ocorrido, posterior ao reinado de D. Manuel, terá sido o cativeiro de um rei sem trono, D. Afonso VI, episódio que marca o fim do período mais intenso de habitação real.

O Palácio Nacional de Sintra foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e integra-se na Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade desde 1995.

Em 2013 passou a integrar a Rede de Residências Reais Europeias.

Palácio de Sintra: vista para o Pátio Central com azulejos:

 

Sala dos Brasões no Palácio Nacional de Sintra, cuja cúpula ostenta as armas de D. Manuel I, de seus filhos e de setenta e duas das mais importantes famílias da Nobreza. O revestimento das paredes data do século XVIII, obra de grandes mestres da azulejaria lisboeta da altura.

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publicado às 15:23

Palácio da Pena

por Blog Real, em 27.10.13

Antecedentes

A primitiva ocupação do topo escarpado da serra de Sintra onde se localiza o atual palácio, ocorreu com a construção de uma pequena capela sob a invocação de Nossa Senhora da Pena, durante o reinado de João II de Portugal.

No século XVI, Manuel I de Portugal no cumprimento de uma promessa, ordenou a sua reconstrução de raiz. Doou-a à Ordem de São Jerónimo, determinando a construção de um convento de madeira, e substituindo-o, pouco mais tarde, por um edifício de cantaria, com acomodações para 18 monges.

No século XVIII a queda de um raio destruiu parte da torre, capela e sacristia, danos que foram agravados em decorrência do terramoto de 1755, que deixou o convento em ruínas. Apenas a zona do altar-mor, na capela, com um magnífico retábulo em mármore e alabastro atribuído a Nicolau de Chanterenne, permaneceu intacta.

 

A reforma de Fernando II

No século XIX a paisagem da serra de Sintra e as ruínas do antigo convento maravilharam o rei-consorte Fernando II de Portugal. Em 1838 este decidiu adquirir o velho convento, a cerca envolvente, o Castelo dos Mouros e quintas e matas circundantes.

No tocante à área do antigo convento, promoveu-lhe diversas obras de restauro, com o intuito de fazer do edifício a sua futura residência de Verão. O novo projecto foi encomendado ao mineralogista germânico Barão von Eschwege, arquitecto amador. Homem viajado, Eschwege, que nascera em Hessen, deveria conhecer, pelo menos em forma de projecto, as obras que Frederico Guilherme IV da Prússia empreendera com o concurso de Schinkel nos Castelos do Reno, tendo passado em viagem de estudo por Berlim, Inglaterra e França, pela Argélia e por Espanha (Córdova, Sevilha e Granada).

Em Sintra, os trabalhos decorreram rapidamente e a obra estaria quase concluída em 1847, segundo o projecto do alemão, mas com intervenções decisivas ao nível dos detalhes decorativos e simbólicos do rei-consorte. Muitos dos detalhes, nos planos construtivo e decorativo, ficaram a dever-se ao ecléctico e exótico temperamento romântico do próprio monarca que, a par de arcos ogivais, torres de sugestão medieval e elementos de inspiração árabe, desenhou e fez reproduzir, na fachada norte do Palácio, uma imitação do Capítulo do Convento de Cristo em Tomar.

Após a morte de D. Fernando, o palácio foi deixado para a sua segunda esposa, Elisa Hendler, Condessa de Edla, o que à época gerou grande controvérsia pública, dado que se considerava já o histórico edifício como monumento. A viúva de D. Fernando procurou então chegar a um acordo com o Estado Português e recebeu uma proposta de compra por parte de Luís I de Portugal, em 1889, em nome do Estado, que aceitou, reservando então para si apenas o Chalé da Condessa, onde continuou a residir.

Com essa aquisição, o Palácio passou para o património nacional português, integrando o património da Coroa.

Durante o reinado de Carlos I de Portugal, a Família Real ocupou com frequência o palácio, tornando-se a residência predilecta da Rainha D. Amélia, que se ocupou da decoração dos aposentos íntimos. Aqui foi servido um almoço à comitiva de Eduardo VII do Reino Unido, aquando da sua visita oficial ao país, em 1903.

Após o regicídio, a Rainha D. Amélia retirou-se ainda mais para o Palácio da Pena, rodeada de amigas e dos seus cães de estimação. Aqui recebia amiúde a visita do filho, Manuel II de Portugal, que nele tinha os seus aposentos reservados. Quando rebentou a revolta de 4 de Outubro, em 1910, D. Amélia aguardou na Pena o evoluir da situação, chegando com a sua comitiva a subir aos terraços para observar sinais dos combates em Lisboa. No dia seguinte, partiu ao encontro de D. Manuel, em Mafra, voltando na mesma tarde ao Palácio da Pena, onde passou a noite de 4 para 5 de Outubro, a última que passou em Portugal antes da queda da Monarquia. No dia seguinte, conhecido o triunfo da República, partiu de novo para Mafra, ao encontro do filho e da sogra, de onde partiriam todos para o exílio.

Com a implantação da República Portuguesa, o palácio foi convertido em museu, com a designação oficial de Palácio Nacional da Pena. Em 1945, a rainha D. Amélia, de visita a Portugal, voltou ao Palácio da Pena, onde pediu para estar sozinha durante alguns minutos: era o seu palácio predilecto.

 

Interiores

A concepção dos interiores deste Palácio para adaptação à residência de verão da família real valorizou os excelentes trabalhos em estuque, pinturas murais em "trompe-l'oeil" e diversos revestimentos em azulejo do século XIX, integrando as inúmeras colecções reais em ambientes onde o gosto pelo bricabraque e pelo coleccionismo são bem evidentes.

Destacam-se ainda:

  • a Sala dos Veados, ampla e cilíndrica, com uma larga coluna como eixo, atualmente utilizada para exposições;
  • a Sala de Saxe, onde predomina a porcelana de Saxe;
  • o Salão Nobre, onde estuques, lustres, móveis e pedaços de vitrais variam do século XIV ao século XIX, e onde se misturam elementos maçónicos e rosacrucianos;
  • o Atelier do Rei D. Carlos, estúdio com telas pintadas por D. Carlos
  • o Terraço da Rainha, de onde melhor se pode observar a arquitetura do Palácio, o Relógio de Sol com um canhão que disparava ao meio-dia
  • o Claustro Manuelino, parte original do antigo mosteiro do século XVI revestido de azulejos hispano-árabes (c.1520)
  • a Capela, parte original do antigo mosteiro dos frades Jerônimos
  • os aposentos, onde se identifica o grande baixo relevo em madeira de carvalho quinhentista, de autor desconhecido, ilustrando a Tomada de Arzila, adquirido por D. Fernando em Roma;
  • a Sala Indiana, com valiosas obras de arte, como o lustre em cristal da Boémia e baixo relevo "Cólera Morbus", de autoria de Vítor Bastos;
  • a Sala Árabe, que expõe algumas das pinturas de Paolo Pizzi; e
  • as pinturas em pratos do rei-artista, numa outra sala.

Imagens do Palácio:

 

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publicado às 00:07

Palácio de Belém

por Blog Real, em 20.10.13

As origens: Palácio de D. Manuel de Portugal

O Palácio foi construído em 1559 pelo fidalgo D. Manuel de Portugal. Situa-se na zona sudoeste da cidade de Lisboa, em Belém. O palácio tinha jardins à beira do Tejo, quando o rio tinha a margem mais próxima do que na actualidade.

No século XVIII, D. João V que enriquecera com o ouro proveniente do Brasil, comprou-o ao conde de Aveiras, tendo-o alterado radicalmente. Acrescentou-lhe uma escola de equitação (as cavalariças são hoje o esplêndido Museu Nacional dos Coches) e adaptou o interior.

 

Na posse da Casa Real:

Aquando do Terramoto de 1755, o monarca D. José I e a família encontravam-se a passar o dia feriado na zona de Belém e sobreviveram à devastação. Receando outro sismo, a família real instalou-se em tendas nos terrenos do palácio, cujo interior foi usado como hospital. O Palácio entrou assim no património da Casa Real, que construiu nos seus anexos o seu Picadeiro Régio.

 

Alojamento de convidados estrangeiros

D. Maria II habitou alguns anos o Palácio de Belém (quando o Palácio das Necessidades estava em obras), aqui ocorrendo uma tentativa de golpe a que se chamou a Belenzada. A partir do reinado de D. Luís I, o Palácio de Belém foi destinado a receber os convidados oficiais que visitavam Lisboa. Assim, aqui estiveram, entre outros, a Rainha Isabel II de Espanha e seu sucessor, o efémero Rei Amadeu de Sabóia.

 

Residência do Príncipe Real

Em 22 de Maio de 1886 foi dada nova missão ao Palácio de Belém, a de residência oficial dos Príncipes Reais D. Carlos, Duque de Bragança e sua jovem esposa D. Amélia de Orleães. Aqui nasceram os seus filhos, D. Luís Filipe e D. Manuel II, que foram baptizados na capela palatina. Após a subida de D. Carlos ao trono, em 1889, não tendo Belém as dimensões de residência oficial da coroa, D. Carlos e D. Amélia mudaram-se para o Palácio das Necessidades, voltando Belém à sua condição de residência dos convidados estrangeiros (albergando, então, entre outros, Afonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha e o Presidente francês Émile Loubet. Em 1905, por iniciativa do espírito culto da Rainha D. Amélia, o elegante Picadeiro Real foi transformado em Museu dos Coches Reais (hoje Museu Nacional dos Coches), preservando-se assim a valiosa colecção de coches e viaturas da Casa Real. Ainda sob a égide da Monarquia, o Palácio de Belém albergou o Presidente eleito da República Brasileira, Marechal Hermes da Fonseca, em 2 de Outubro de 1910. Foi neste palácio, durante a recepção ao presidente do Brasil, que o Rei D.Manuel II teve conhecimento da revolução que dias depois lhe roubou a coroa.

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publicado às 02:08

Palácio da Ajuda

por Blog Real, em 16.10.13

Construção do Real Paço da Ajuda
A urgência da construção de um novo Palácio e o facto da Família Real ter sobrevivido ao cataclismo por se encontrar na zona de baixa sismicidade de Belém/Ajuda, justificou a escolha do local. O novo Paço, habitável desde 1761, veio a ser a residência da Corte durante cerca de três décadas. Em 1794, no reinado de D. Maria I (1734-1816), um incêndio destruiu por completo esta habitação real e grande parte do seu valioso recheio.

Coube a Manuel Caetano de Sousa, Arquitecto das Obras Públicas, a tarefa de projectar um novo palácio de pedra e cal, que foi traçado ainda de acordo com as tendências arquitectónicas do Barroco. Este projecto, iniciado em 1796 sob a regência do príncipe real D. João, foi suspenso decorridos cinco anos de construção, quando, em 1802, Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva, arquitectos formados em Itália, foram encarregues de o adaptar à nova corrente neoclássica. Esta tarefa, continuada mais tarde por António Francisco Rosa, responsável pelo traçado de “redução” do projecto, nunca veio a ser concretizada integralmente. 

 

Partida da Corte para o Brasil em 1807
Factores de natureza diversa foram imprimindo um ritmo descontinuado ao decorrer da obra do edifício, nomeadamente a partida da Corte para o Brasil, em 1807, na sequência das invasões napoleónicas, e a falta periódica de recursos financeiros. Nela trabalhavam os melhores artistas do reino: Domingos Sequeira, Arcângelo Foschini, Cirilo Wolkmar Machado, Joaquim Machado de Castro e João José de Aguiar, dedicados essencialmente às decorações pictóricas e escultóricas. 

Quando, em 1821, a Corte regressou do Brasil, o Palácio permanecia inacabado, sendo nele realizadas apenas cerimónias protocolares. Em 1826, após a morte de D. João VI (1767-1826), estando as alas nascente e sul já habitáveis, a infanta regente D. Isabel Maria (1801-1876) e duas das suas irmãs escolheram-no para sua residência. 

D. Miguel viveu no Real Paço da Ajuda
Dois anos depois, o rei D. Miguel (1802-1866) também elegeu a Ajuda para morar e muito impulsionou a prossecução das obras. Para permitir a continuidade dos trabalhos, ao fim de seis meses o rei mudou-se para o Palácio das Necessidades e nunca chegou a voltar. Os confrontos entre liberais e absolutistas mergulharam o país numa frágil estabilidade e, em 1833, a construção paralisou por completo, para não mais ser retomada nos moldes projectados. Após a vitória liberal, D. Pedro assumiu o Governo como regente, na menoridade da filha, D. Maria da Glória, e jurou a Carta Constitucional na Sala do Trono do Paço da Ajuda, em 1834. 
Ao longo do reinado de D. Maria II (1819-1853) e do curto reinado de D. Pedro V (1837-1861), que fixaram residência nas Necessidades, o Paço da Ajuda assumiu um plano secundário. 

 

Com D. Luís I o Palácio ganha nova vida

Foi com a subida ao trono de D. Luís I (1838-1889), que uma nova etapa se iniciou, adquirindo finalmente a verdadeira dimensão de paço real ao ser escolhido para residência oficial da corte. A partir de 1861 foram feitas obras indispensáveis na estrutura do edifício para acolher o novo monarca. 
As verdadeiras alterações na decoração dos interiores começaram em 1862, ano do casamento do rei com a princesa de Sabóia, D. Maria Pia (1847-1911). Foi então iniciado um longo trabalho de reformulação que se estendeu a diversos níveis: das paredes aos tectos – forrados, estucados ou pintados de novo –, ao revestimento dos soalhos com parquets e alcatifas, à escolha do mobiliário para as salas. Tudo encomendado a casas especializadas, portuguesas ou estrangeiras, fornecedoras da Casa Real. Os presentes de casamento e bens trazidos de Itália pela rainha ajudaram á decoração dos apartamentos remodelados. 

 

Nova disposição e decoração das salas
A nova disposição e decoração das salas, entregues ao arquitecto Joaquim Possidónio Narciso da Silva, acompanhou os então recentes padrões de conforto, privacidade e higiene, característicos da mentalidade burguesa do século XIX. Os espaços queriam-se agora mais íntimos e resguardados. Introduziram-se novas dependências no piso térreo: a Sala de Jantar, para as refeições diárias da família, uma sala de estar – a Sala Azul – e zonas de lazer, de que são exemplo a Sala de Mármore e a de Bilhar; por fim, as casas de banho dotadas de água corrente, quente e fria. O andar nobre fora reservado para as recepções de gala e o piso térreo, a partir da Sala de Música e ao longo da fachada poente, destinado aos aposentos privados. O Palácio foi-se tornando palco das reuniões do conselho de Estado, dos dias de grande gala – os banquetes e as recepções oficiais – e do quotidiano familiar: aqui nasceram os príncipes D. Carlos (1863-1908) e D. Afonso (1865-1920). 
Após a morte de D. Luís I, em 1889, a vida agitada do Palácio da Ajuda alterou-se profundamente. No novo reinado, a Corte dividira-se entre três Paços: a Ajuda, onde D. Maria Pia permaneceu com D. Afonso; Belém – onde nasceram os príncipes D. Luís Filipe (1887-1908) e D. Manuel (1889-1932) – e as Necessidades, residências alternativas de D. Carlos I e D. Amélia (1865-1951). O andar nobre da Ajuda manteve-se reservado para a realização de cerimónias oficiais. 

 

Imagens do Palácio:

Sala verde do palácio:
Sala Azul do Palácio:
Sala de Pintura:
Outras imagens do palácio:

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publicado às 16:06

Palácio das Necessidades

por Blog Real, em 16.10.13

Era uma vez... o Palácio das Necessidades, antigo palácio e convento perfeitamente integrados, que teve um destino tão diferente daquele para que foi inicialmente construído. Apesar dos desafios do tempo, este símbolo da História de Portugal persiste em manter uma sobriedade e imponência próprias, reflexos da notável residência real de outrora.

Como num sonho, propomos que nos acompanhem numa visita guiada, no espaço e no tempo, a este palácio e ao antigo convento do século XVIII, até à instalação do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Esperando que esta visita venha a ser aliciante, repleta de memórias da família real, bem como dos frades da Congregação do Oratório de Lisboa, afigurou-se aconselhável, a fim de melhor visionar a História, salientar os seis capítulos mais esclarecedores da vida deste monumento.

I. Lenda e Capela de Nossa Senhora das Necessidades

Reza a tradição que a edificação da Capela da Nossa Senhora das Necessidades teve por origem uma lenda. Em 1580, um casal de tecelões, fugindo à peste que então grassava pela cidade de Lisboa, procurou proteger-se, refugiando-se na Ericeira. Nesta localidade, o casal tinha por devoção venerar uma imagem da Nossa Senhora da Saúde, existente numa pequena ermida.

Por volta de 1604, regressados a Lisboa após o abrandar da peste, o referido casal decidiu trazer consigo a imagem devota que protegera a sua saúde. A fim de cumprir as promessas de gratidão, o casal decidiu dar início à construção de uma ermida para a referida imagem da Nossa Senhora da Saúde. Sob a protecção e o patrocínio de Ana de Gouvêa de Vasconcellos, abastada proprietária da época, começou a ser erigida a ermida.

Dado que estava situada junto ao rio Tejo, designadamente, ao Cais de Alcântara, cedo esta ermida passou a constituir ponto obrigatório de passagem das gentes do mar que a ela recorriam em busca de protecção para a saúde e outras necessidades. A devota imagem da Senhora da Saúde foi adquirindo fama e o seu nome passou a ser associado a outros milagres, o que levou os marítimos da carreira das Índias a formar uma Irmandade que para além de ampliar a ermida, instituiu uma festa anual, a festa do Espírito Santo ou Festa do Azeite, que incluía uma romaria para visitar e venerar a imagem da Nossa Senhora das Necessidades. A lenda da imagem milagreira espalhou-se, rapidamente, por entre a população.

Em 1705, por ter sido assolado por uma doença grave, o rei D. Pedro II solicitou que levassem até si a imagem da Nossa Senhora das Necessidades. Recuperado e grato, o rei fez retornar a milagrosa imagem à sua ermida, prometendo-lhe, em vida, real protecção.

O rei D. João V continuou a devoção do pai durante os frequentes períodos de enfermidade de que padecia. Como prova de gratidão para com a referida imagem, o rei apropriou-se da capela e propriedades anexas, tornando-as «em nome de Sua Majestade, e para o real Serviço do dito Senhor (...), posse da dita Quinta e da Sua Ermida de Nossa Senhora das Necessidades e de todas as suas pertenças e adornos». Como prova de gratidão, o rei ampliou a ermida e procedeu à construção de um palácio para residir. Mandou, ainda, construir um convento, designado por hospício, para albergar eclesiásticos que se dedicassem ao ensino da Teologia, das Humanidades e das Ciências.

Obra de vulto, obrigou à aquisição de pequenas propriedades anexas com a finalidade de alargar a cerca, bem como os jardins do convento e do palácio. Após a conclusão dos trabalhos das obras do Convento, a Congregação do Oratório de Lisboa submeteu à apreciação régia um pedido para ocupar as instalações do edifício.

II. Convento da Congregação do Oratório de Lisboa

Por decreto régio, datado de 8 de Fevereiro de 1747, e acrescido da Carta de Doação em 6 de Abril do mesmo ano, D. João V doou à Congregação do Oratório de Lisboa, o hospício, a cerca e todos os terrenos anexos, com excepção da fortificação necessária à protecção da cidade, do palácio real, da sacristia e coro da capela, que o rei reservara para usufruto pessoal e de seus descendentes. A Congregação do Oratório comprometia-se, em contrapartida, a leccionar as classes de ensino seguintes: Doutrina Cristã, Gramática, Retórica, Teologia Moral e Filosofia.

A autoria desta obra grandiosa é, tradicionalmente, atribuída não apenas a um, mas a vários arquitectos, entre outros, José da Cunha, Manuel Antunes Feyo, Máximo de Carvalho, Caetano Tomás de Sousa e Jorge de Abreu. Com efeito, alusões várias indiciam interferências diversas na construção do edifício, sendo apenas conclusivo que o rei D. João V manifestou empenho em que os edifícios que mandara construir fossem terminados o mais depressa possível. Assim que se tornou habitável, os frades instalaram-se e procederam às necessárias adaptações das várias celas, nomeadamente, da Biblioteca, a sala principal do Convento.

Falecido em 1750, D. João V não chegou a viver para ver a sua obra. Em 1751, um decreto real atribui aos frades a «Dotação da Casa», sublinhando destinar-se ao ensino. A 6 de Maio de 1751, os frades instalaram-se no Hospício, tendo começado a leccionar, em 27 de Julho do mesmo ano. Com efeito, o superior eclesiástico da Ordem chegou, inclusive, a deslocar-se à presença do rei D. José I, a fim de participar a abertura das aulas. Esta notícia foi recebida com grande júbilo.

Cedo o Convento adquiriu fama pela excelência do ensino das disciplinas relativas às Humanidades e às Ciências. Assim, veio a ser frequentado pelos filhos dos altos dignatários da corte, entre outros, o filho primogénito do Marquês de Pombal, tendo, inclusivamente, proporcionado a formação de uma elite intelectual. O grau de exigência do ensino reflectia-se, para além das aulas teóricas, na preocupação das aulas práticas de Física, realizadas na sala designada dos Instrumentos. Esta situava-se a ocidente da Capela e era, então, pertença do Convento.

Às experiências de Física assistiam, frequentemente, membros da corte. Acresce que o rei D. José prestigiou algumas vezes com a sua presença essa Sala dos Instrumentos, a fim de ver os mesmos em funcionamento pelo padre mestre Theodoro de Almeida. A presença régia traduzia uma vontade de proteger a Ordem do Oratório como forma de contrariar a predominância crescente que a Companhia de Jesus vinha exercendo cada vez mais em Portugal.

O Convento escapou ileso aos danos provocados na cidade de Lisboa pelo Terramoto de 1755, mantendo até hoje, praticamente, intacta a sua traça original. O edifício compõe-se de quatro frentes, divididas por cinco pisos, sendo o primeiro térreo. O quarto piso constituía o principal e correspondia ao actual terceiro andar. Nele estavam situadas a maior parte das celas dos frades e, ainda, a famosa Biblioteca do Convento. Esta ocupava toda a frente, virada a nascente, com duas ordens de janelas que se sobrepunham. Em 1756, a Biblioteca encontrava-se aberta ao público, possuindo 25 mil volumes e, em 1823, mais de 30 mil. Foi, ainda, nesta Biblioteca que se realizaram as primeiras Cortes Constituintes, em 26 de Janeiro de 1821.

No quinto e último andar, estavam situadas dezoito celas. O terceiro andar, correspondente ao actual segundo acedendo pelo Largo do Rilvas, compunha-se de várias salas destinadas às aulas, assim como ao refeitório e à cozinha. Pelo segundo piso distribuíam-se as adegas, as várias despensas e oficinas necessárias à vida da comunidade religiosa. No primeiro andar térreo situava-se, apenas, uma parte do ângulo este-sul do convento, destinado à acomodação de alguns religiosos.

Grande parte do Convento, nomeadamente, escadarias, salões, corredores e cozinha, exemplar por excelência, encontravam-se revestidos de belos azulejos do século XVIII, descrevendo inúmeras cenas religiosas e outras profanas, tal como actualmente se podem admirar.

III. Jardins e Tapada das Necessidades

O exterior do Convento dispunha de uma zona extensa, destinada à cultura do trigo e, inclusivamente, um moinho de vento. Na sequência das aquisições efectuadas por D. João V, este Convento veio, assim, a usufruir da maior e melhor cerca dos conventos de Lisboa.

O jardim do buxo, ao estilo bem português, encontrava-se adstrito ao Convento e apresentava canteiros de configuração geométrica, rematados por vasos grandes de pedra branca e um pequeno lago central rente ao chão. Este jardim era rodeado por um muro alto, no qual existiam nichos com estátuas representando as virtudes, em escala superior à humana e hoje desaparecidas. Existia, ainda, uma cascata rematada por um frontão triangular ornamentado com as estátuas de dois meninos abraçados, um deles lançando água por um búzio.

Num nível superior ao do jardim do buxo situava-se a horta que tinha, igualmente, uma taça ou pequeno lago no centro com repuxo. Existia, ainda, dentro da cerca, a tapada cortado por largas veredas, ladeadas de cedros e ciprestes e com lagos.

Com a extinção das ordens religiosas e com a passagem a residência de membros da família real, a que foi votado o Convento das Necessidades, também os seus jardins e cerca foram adaptados a um novo estilo de vida. Em 1843, o rei D. Fernando II, nascido príncipe de Saxe-Coburg-Gotha, transformou a tapada dos frades oratorianos num elegante jardim ou parque inglês, nele existindo arbustos e flores raras que muito contribuíram para o embelezar. D. Fernando mandou, inclusivamente, vir o famoso jardineiro francês Bonard, para alterar o jardim da cerca das Necessidades.

Mais tarde, o seu filho, o rei D. Pedro V mandou construir, em atenção à sua mulher, a rainha D. Estefânia, nascida princesa de Hohenzollern-Sigmaringen, uma estufa circular, toda em vidro e ferro, coberta por uma grande cúpula e terminada por um gracioso minarete. Por sua vez o rei D. Carlos I mandou construir um pavilhão que sua mulher, a rainha D. Amélia, nascida princesa de Orleans, costumava utilizar como atelier para desenhar e pintar e, ainda, um campo de ténis para os príncipes, D. Luís Filipe e D. Manuel.

IV. Palácio das Necessidades - Residência de Visitantes Ilustres

Consta que o Palácio das Necessidades é da autoria do famoso arquitecto italiano Giovanni Servandoni. Porém, como D. João V não lhe confirmara a Ordem de Cristo, tal como lhe havia concedido o Papa, Servandoni pouco tempo permaneceu em Portugal. Assim, foram mestres portugueses que continuaram e executaram o seu projecto. Com efeito, desses mestres, o mais conhecido foi Caetano Tomás de Sousa, por ter acompanhado de forma continuada a construção deste monumento, considerando-se, portanto, ser ele o verdadeiro arquitecto das Necessidades.

Todavia, o Palácio das Necessidades não foi habitado por D. João V mas sim por seus irmãos, os infantes D. António e D. Manuel. Assim, veio a servir inicialmente como residência a visitantes ilustres, nomeadamente príncipes estrangeiros de passagem por Lisboa, como sucedeu com o futuro rei Jorge IV de Inglaterra, então Príncipe de Gales, ao partir para e regressar de Gibraltar, e o seu irmão, o Duque de Sussex.

Mais tarde o Duque de Wellington, comandante do exército anglo-português nas lutas contra as tropas invasoras de Napoleão I, escolheu também para residência este Palácio.

A partir de 1828, o rei D. Miguel I permaneceu curtas temporadas nas Necessidades. Ao ter fracturado as duas pernas num acidente, mandou construir uma ponte ou passadiço que ligava directamente o Palácio da ala Poente à cerca conventual face ao Largo das Necessidades.

Em 1833, por iniciativa de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, procedeu-se, então, às primeiras modificações significativas do Palácio das Necessidades, a fim de se destinar a uma residência condigna de uma neta, por via materna, do Imperador Francisco II de Áustria, de uma sobrinha por casamento do Imperador Napoleão I de França com Maria Luísa de Áustria, e de uma filha do Imperador do Brasil, a futura soberana de Portugal, D. Maria II.

V. Palácio das Necessidades - Residência Real de D. Maria II, D. Pedro V, D. Carlos I e D. Manuel II

A arquitectura do Palácio das Necessidades é fiel à estrutura característica do século XVIII. Com efeito, a fachada interior dá para um pátio de honra que servia para as entradas espectaculares das carruagens aquando das grandes festas de gala no Palácio. Ao procurar adaptar à sumptuária própria de uma residência real a decoração dos interiores das salas e dos quartos das Necessidades, D. Pedro IV, ou melhor, D. Pedro, Duque de Bragança, assim designado como regente durante a menoridade de sua filha, D. Maria II, mandou, para o efeito, retirar todos os azulejos das paredes, colocar soalho com madeiras exóticas, envidraçar as janelas, em suma, fazer desaparecer, como por encanto, a anterior aparência conventual.

Uma jovem soberana de quinze anos, D. Maria II, nascida no Rio de Janeiro e tendo frequentado a corte em Londres, sido recebida por Jorge IV em Windsor, bem como conhecido a corte em Viena, como neta materna do Imperador Francisco II de Áustria, e concluído a sua educação em Paris, ao chegar a Lisboa, em 23 de Setembro de 1833, era solenemente aguardada nas Necessidades, naquela que, pela sua harmonia e requinte, viria a ser uma das suas residências favoritas. Aqui viveu com o seu primeiro marido, o príncipe Augusto de Beauharnais, Duque de Leuchtenberg, apenas quatro meses, dado ter enviuvado muito cedo.

D. Maria II, já casada, em segundas núpcias, com o príncipe Fernando de Saxe-Coburg-Gotha, primo de Alberto de Saxe-Coburg-Gotha, marido da rainha Vitória de Inglaterra, decide em 1844, empreender outras remodelações no Palácio das Necessidades. Para o efeito, foi incumbido o arquitecto da Casa Real, Joaquim Narciso Possidónio da Silva, de traçar os novos planos e de os executar. Este, por sua vez, solicitou a colaboração do cenógrafo do Teatro de São Carlos, Cinatti, para a direcção artística dos trabalhos em estuque e talha da decoração de interiores. Em relação às pinturas, D. Maria II e D. Fernando II recorreram ao maior mestre da época, António Manuel da Fonseca, que estudara em Roma.

Com efeito, são da autoria de Mestre Fonseca, entre outras, a Sala Etrusca ou das Damas, ao estilo de Pompeia, a primitiva Sala de Jantar, com motivos de caça e pesca, e a Sala Vermelha ou do Trono. As pinturas mais belas encontram-se na harmoniosa Sala Renascença, executadas pelo próprio Cinatti, que em medalhões no tecto e nas bandeiras das portas, nos apresenta os diferentes tipos arquitectónicos de casas europeias, enquadradas em paisagens graciosas. É de salientar que Cinatti reproduziu numa almofada do tecto, situada em frente à entrada, uma das fachadas do então novo Palácio da Pena. Acresce que D. Fernando II concluíu, inclusivamente, algumas dessas pinturas da Sala Renascença, tendo nelas introduzido figuras humanas impregnadas da sua sensibilidade artística.

Com a morte prematura de D. Maria II, D. Fernando, enquanto regente, continuou a residir no Palácio com os filhos, o futuro D. Pedro V, o futuro D. Luís I, D. João, D. Maria Ana que veio a casar com o príncipe Frederico Augusto Jorge de Saxe, D. Antónia que veio a casar com o príncipe herdeiro Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, D. Fernando e D. Augusto.

Quando em 1858, D. Pedro V começou a ultimar os preparativos para o seu casamento com a princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, solicitou ao pai e aos irmãos que se transferissem para o antigo Convento das Necessidades, que estava desabitado e fora adaptado a residência, com o intuito de não se quebrarem, com essa proximidade, os laços estreitos de convivência próprios de uma família unida.

O jovem rei D. Pedro V, ao querer impressionar a sua consorte, não se poupou a despesas com os trabalhos de decoração dos aposentos da futura rainha. Com efeito, móveis, candeeiros, tecidos para estofos e cortinados, carpetes etc., foram adquiridos, principalmente, em Paris e, também, em Lisboa.

Para a rainha D. Estefânia foi preparado um novo quarto de dormir, em tons de marfim, usufruindo de vista para o pequeno jardim interior do buxo ou jardim do Imperador D. Pedro. No tecto, o rei mandou executar, em estuque, as iniciais entrelaçadas dos nomes Pedro e Stephanie com a coroa real sobreposta, como ainda hoje se pode observar. Na sala contígua, situava-se o toucador de D. Estefânia, com as portas pintadas com graciosas grinaldas de flores coloridas, ostentando ao centro a data do casamento, 1858.

Concluída a nova decoração, o conjunto deve ter resultado de tal forma encantador que as primeiras impressões de D. Estefânia são do mais sincero agrado. Com efeito, para quem visitar o Palácio de Jagerhof, em Dusseldorf, onde como princesa de Hohenzollern-Sigmaringen, a jovem rainha de Portugal tinha vivido até então, melhor se compreende a sua empatia pela Necessidades, dado que a semelhança entre os dois palácios é notória. Ambos foram construídos no século XVIII, relativamente pequenos, de cor rósea e situados à beira de um parque.

É de recordar que D. Estefânia estava habituada a dar longos passeios no Hofgarten, prazer que continuou a desfrutar na Tapada das Necessidades, a maioria das vezes, acompanhada do marido. Quando estava só, D. Estefânia preferia passear no terraço que comunicava com os seus aposentos e deitava para o Largo das Necessidades, ou então, no Pátio do Imperador, modificado por D. Fernando II em jardim interior do buxo, com uma taça ao centro, proveniente do Parque de Queluz.

A vida idílica do casal real no Palácio cor-de-rosa estava sentenciada a uma curta duração, ao contrário do final feliz de um conto de fadas. Quis o destino que a morte prematura cedo levasse D. Estefânia, acometida por uma angina diftérica que em nove dias a vitimou. Chegada, triunfalmente, a Lisboa em 17 de Maio de 1858, veio a falecer nas Necessidades a 17 de Julho de 1859, apenas com 22 anos.

D. Pedro V, destroçado, perdera a vontade de viver. A alegria e a graciosidade da jovem rainha desapareceram para sempre dos salões do Palácio das Necessidades. As janelas foram fechadas em sinal de luto, tão viva fora a dor sentida que a própria luz do dia tanto feria. Com o tempo, o rei dedicou-se, somente, com paixão aos deveres inerentes ao seu cargo, colocando, acima de tudo, a vontade de o bem desempenhar.

Após uma caçada em Vila Viçosa, em que o rei se fizera acompanhar pelos irmãos, os infantes D. Fernando e D. Augusto, todos regressaram com os primeiros sintomas da febre tifóide que os iria vitimar. Com efeito, o infante D. Fernando faleceu, em 4 de Novembro, e o rei D. Pedro V, em 11 de Novembro desse mesmo ano de 1861, com 24 anos. Mais uma vez, a morte passara por este Palácio em circunstâncias trágicas. A juventude, subitamente, interrompida do rei D. Pedro V, aliada ao seu temperamento romântico, grave e sério, à sua profunda inteligência, ao seu escrúpulo profissional e à sua curta felicidade com D. Estefânia, tudo se conjugara para o tornar muito estimado do povo português.

Por ocasião das exéquias de D. Pedro V, as salas do Palácio das Necessidades foram, como nunca mais se registou, invadidas por uma multidão compacta que esperava sem arredar do Largo das Necessidades, para prestar a sua derradeira homenagem. Portugal chorava, então, o desaparecimento de um dos seus mais queridos reis.

D. Luís I, ao suceder nestas circunstâncias trágicas ao irmão abandonou, para sempre, o Palácio das Necessidades, ficando este fechado. O monarca instalou-se, provisoriamente, no Paço de Caxias e, já casado com D. Maria Pia de Sabóia, filha do rei Vitor Manuel I de Itália, passou a habitar o Palácio da Ajuda, tornando-se este, definitivamente, a sua residência oficial.

Decorridos alguns anos, em 1886, aquando do casamento do príncipe real D. Carlos com a princesa Amélia de Orleans, o Palácio das Necessidades foi, então, utilizado para hospedar os convidados reais. Os jovens Duques de Bragança fixaram-se, inicialmente, no Palácio de Belém, aí tendo nascido os seus filhos, D. Luís Filipe e D. Manuel.

Com a morte de D. Luís I, em 1889, D. Carlos não quis desalojar a mãe, a rainha D.Maria Pia, do Palácio da Ajuda. Deste modo, a escolha do rei D. Carlos I e da rainha D. Amélia incidiu nas Necessidades para residência oficial.

É de salientar que, durante o reinado de D. Carlos, Lisboa foi por diversas vezes visitada por Chefes de Estado estrangeiros. Em geral, costumavam ficar instalados no Palácio de Belém, como sucedeu com o Imperador Guilherme II da Alemanha, com o rei Afonso XIII de Espanha e o Presidente Loubet de França. Todavia, a importância do Palácio das Necessidades vai assumir-se, com pompa e circunstância, enquanto local de recepções oficiais em honra desses Chefes de Estado, nomeadamente, aquando da visita régia de Eduardo VII e Alexandra de Inglaterra, em Abril de 1903.

Data da época da referida visita dos reis de Inglaterra, mais uma remodelação do Palácio das Necessidades, a fim de melhor o adaptar ao cerimonial exigido pela Corte. Para o efeito, foi construída uma Galeria de acesso aos Salões, bem como uma nova Sala de Banquetes, cujos trabalhos se processaram sob a tutela do arquitecto Francisco Vilaça que utilizou duas tapeçarias Gobellins, pertença das colecções reais, como ornamento fundamental.

Durante o reinado de D. Manuel II não se alterou em nada a fisionomia do Palácio. O jovem rei continuou, inclusivamente, a ocupar os seus aposentos de Infante no rés-do-chão, à direita da porta principal da entrada.

 

Imagens do Palácio:

Uma imagem antiga:

Chegada ao Palácio das Necessidades depois do juramento e proclamação de um dos ultimos reis de Portugal:

Créditos da imagem: http://jmgs.fotosblogue.com/24770/Chegada-ao-Palacio-das-Necessidades-apos-a-cerimonia-em-Sao-Bento-do-juramento-e-proclamacao-de-Dom/

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 Foto antiga do Palácio das Necessidades do ano de 1900.

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Quarto D.Manuel II na data da Implantação da República.

 Gabinete de trabalho do Rei D.Carlos no Palácio das Necessidades.

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publicado às 15:49

Palácio Real de Queluz

por Blog Real, em 16.10.13

Desde sempre concebido como um Palácio de Verão, a Queluz ocorria frequentemente a Corte para assistir aos festejos e serenatas. Eram especialmente animados os dias de S. João e S. Pedro, festejados no mês de Junho, coincidindo o último com a celebração onomástica de D. Pedro III, logo seguida, a 5 de Julho, pelas comemorações do seu próprio aniversário Grande parte dos festejos, tinham lugar nos jardins e incluíam fogo de artifício, jogos equestres e combate de touros, entre outros divertimentos. 

O pintor e armador João Pedro Alexandrino Nunes era o responsável pela concepção e montagem das decorações das muitas arquitecturas efémeras que nessas ocasiões eram erguidas no Palácio, tendo também a seu cargo a própria redecoração dos quartos e aposentos reais renovados ao ritmo das estações.
Eram inúmeras as fontes de divertimento em Queluz, sobretudo nos anos que medeiam entre 1752 e 1786, ocupando sempre a música um papel central, ainda na época do Príncipe Regente. Antes e depois da construção da Casa da Ópera, em 1778, aqui se tocaram dezenas de serenatas e óperas, na sua maioria inspiradas em temas da mitologia clássica. Músicos como David Peres, Domenico Scarlatti, João Carvalho da Silva, João de Sousa Carvalho, António Leal Moreira, João Cordeiro da Silva, Luciano Xavier dos Santos ou Marcos Portugal viram aqui tocadas as suas obras. Muitos estrangeiros tiveram igualmente ocasião de expor os seus talentos no Palácio perante a Família Real e a Corte. Em Agosto de 1781, Francisco Farinelli, "castrati" que mais tarde alcançaria grande notoriedade como soprano, fez aqui a sua prova de músico. 

A época áurea da música em Queluz terminou em 1786, com a morte de D. Pedro III. Em 1793, inaugura-se em Lisboa o Teatro de S Carlos, que passou a ser frequentado pela Família Real e pela Corte.  No final dos dias festivos de Verão, os convivas que passeavam no jardim, cujas alamedas, lagos e cascata se encontravam iluminados com lanternas e decorados com uma profusão de estruturas e arcos de arquitectura efémera adornados com flores e letras, que se estendia às fachadas.

A vida em Queluz e na Corte era ainda animada ao tempo em que a prometida do Infante D. João VI, a infanta espanhola D. Carlota Joaquina de Bourbon chega a Portugal, testemunhando ainda o epílogo de um tempo despreocupado e feliz que uma sucessão de eventos trágicos viria em breve ensombrar.
A Residência permanente do Princípe Regente D. João – O Fim do Fausto 
Com efeito, à morte de D. Pedro III - em 1786 – seguir-se-á, dois anos depois, o brutal e prematuro falecimento do Príncipe Herdeiro D. José, vitimado pela varíola aos vinte e sete anos. Deixava uma tia--viúva e uma mãe demasiado debilitada cuja incapacidade para governar acabaria por ser decretada em 1792, ano em que D. João é aclamado Príncipe Regente. 

No ano seguinte comemora-se em toda a parte o nascimento da sua primogénita, a Infanta D. Maria Teresa, acontecimento festejado com decorações e fogos de artifício, que adquirem particular grandiosidade em Queluz. Dos nove filhos de D. João e de D. Carlota Joaquina, apenas um - o Príncipe Herdeiro D. António Pio - morreria sem atingir a maioridade, com a idade de seis anos, vitimado também pela varíola. O baptizado deste Infante, realizado em 1795 em Queluz, revestiu-se de grande ostentação, conforme descrição pormenorizada da época.

Fiel à antiga aliança com a Inglaterra e temendo perder o Brasil, D. João VI recusa-se a aderir ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão e vê-se obrigado a exilar-se para o Brasil a 27 de Novembro de 1807, um dia antes da entrada das tropas do General Junot em Lisboa. Com a Família Real, partia grande parte da nobreza e também grande parte do recheio do Palácio.

Os Invasores – Ocupação francesa: Junot
No período que se seguiu, o Palácio foi alvo da cobiça dos ocupadores, que daqui levaram muitos móveis e pratas para adornar outros palácios que serviram de residência em Lisboa. Em Dezembro de 1807, o próprio General Junot visita o Palácio com o intuito de nele proceder a algumas modificações, tendo chegado a alimentar o sonho de aqui vir a instalar Napoleão. Em breve seria obrigado a capitular, não chegando a ver completado um ano de ocupação, levando, no entanto, o exército francês grande parte do produto dos saques e pilhagens.


Retorno da Família Real do Brasil após a Revolução – O Fim do Ancien Régime

No Rio de Janeiro, a Família Real permanece catorze anos. Tornava-se urgente que o Rei jurasse a nova Constituição que emanara da Revolução de 1820. Antes de regressar, ordenara algumas obras de melhoramento em Queluz, para onde logo se dirige a Família Real, poucos dias passados do seu desembarque no Tejo, a 4 de Julho de 1821.

As sucessivas conspirações da Rainha Carlota Joaquina, que se negara a jurar o texto da nova constituição liberal, tomando antes o partido absolutista do filho, Infante D. Miguel, levam ao seu afastamento e exílio na Quinta do Ramalhão, em Sintra, e em Queluz. O seu carácter irreverente e obstinado provoca uma atitude de permanente desconfiança por parte do Rei, que em Queluz mantém a sua mulher sob constante vigilância da sua polícia secreta. A Rainha aqui morre em 1830.

Separado da mulher, D. João VI fixara residência no Palácio da Bemposta, em Lisboa, onde viria a falecer em 1826, longe dos dois filhos ausentes: o rebelde D. Pedro - Iíder da independência brasileira proclamada a 7 de Setembro de 1822 - e o mais novo, D. Miguel, exilado em Viena de Áustria após o segundo golpe de estado absolutista da Abrilada (1824). A morte do Rei iria deixar em aberto o gravíssimo problema da sua sucessão, tendo vindo a envolver o país numa terrível guerra fratricida, que se prolongaria ate 1834.

A vitória liberal de D. Pedro IV sobre o irmão Miguel, logo seguida da morte do primeiro no Quarto D. Quixote em Queluz, num ambiente de grande simbolismo e dramatismo romântico, representa simultaneamente o correr do pano sobre o ancien régime e o fim de uma época para Queluz. 


Imagens do Palácio:


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publicado às 14:45

Palácios Reais

por Blog Real, em 01.08.13

Aqui pode saber tudo sobre os palácios reais portugueses.

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publicado às 00:23


Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

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Com a fundação do Prémio Infante Dom Henrique, do qual S.A.R. o Duque de Bragança além de membro fundador é Presidente de Honra, Portugal tornou-se o primeiro país europeu de língua não inglesa a adoptar o programa de "The International Award for the Young People".
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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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