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Reis de Portugal - Afonso III de Portugal

por Blog Real, em 06.03.16

AfonsoIII

Afonso III de Portugal (Coimbra, 5 de maio de 1210 – 16 de fevereiro de 1279), cognominado O Bolonhês por ter sido casado com a condessa Matilde II de Bolonha, foi o quinto Rei de Portugal. Afonso III era o segundo filho do rei Afonso II e da sua mulher Urraca de Castela, e sucedeu ao seu irmão Sancho II em 1248.

O Rei Afonso III abandonou o Reino durante o governo de seu irmão, D. Sancho lI, para procurar posição e fortuna nas cortes de França ou Borgonha, a que se encontrava ligado por laços familiares. De 1234 a 1245 frequenta a corte de Luís VIII, casado com Branca de Castela, sua tia materna, aí sendo, sucessivamente, armado cavaleiro (1239), casado com Matilde, uma viúva, herdeira do rico condado de Bolonha, e feito vassalo do rei, notabilizando-se na batalha de Saintes (1242), travada contra o monarca inglês.

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Esta carreira ascendente, junto com um grande interesse pelos assuntos do seu reino de origem, alimentado pelos nobres que o acompanharam a França, depressa o faz um dos mais fortes candidatos à chefia da coroa portuguesa, ameaçada por uma série de lutas internas, que culminam com a contestação da autoridade do rei seu irmão, que é deposto em 1245 por Inocêncio IV, com o apoio do clero e parte da nobreza do Reino. O conde de Bolonha, contando com o apoio papal e depois de ter recebido em Paris uma delegação de clérigos e nobres portugueses, a quem promete a restauração das leis e justiça do Reino, a par do respeito pelos direitos eclesiásticos, dirige-se então a Portugal, chegando a Lisboa no início de 1246.

Até 1248 travam-se diversas lutas entre os partidários dos dois irmãos, resolvendo-se a guerra civil com a morte de D. Sancho lI, exilado em Toledo, principiando então o reinado do Bolonhês. Um dos seus objectivos prioritários foi a pacificação da nobreza, mobilizando-a em torno de uma luta comum que permitisse ultrapassar os recentes confrontos e divergências. É nesse contexto que se insere a ofensiva algarvia de 1249-1250, que também procurava assegurar a posse definitiva das terras meridionais, repelindo as ameaças de uma anexação castelhana, o que só virá a ser conseguido no reinado seguinte, segundo o conteúdo de um tratado celebrado com Afonso X (1252), que previa o casamento do rei português com Beatriz, bastarda do rei Sábio, sendo, contudo, ainda viva a condessa de Bolonha (morre em 1258). Procurando contrabalançar os excessivos poderes da nobreza e do clero, o rei desenvolve uma política de equilíbrio social, privilegiando o diálogo com os concelhos, sobretudo os urbanos, promovendo-os nas Cortes de Leiria de 1254 à categoria de interlocutores político-sociais, ao mesmo tempo que incentiva uma série de medidas conducentes ao enriquecimento do património da coroa, nomeadamente desenvolvendo a implantação da propriedade régia nas cidades e controlando as actividades comerciais do Reino.

A restauração do abalado prestígio da coroa passava ainda por um combate aos abusos senhoriais: retomando medidas já utilizadas por seu pai, o rei ordena confirmações régias e promove novas inquirições gerais (1258) nas zonas do Reino mais propensas à extensão indevida de coutos e honras, iniciativas que reacenderam os conflitos com os poderes eclesiásticos, situando-se os momentos críticos em 1275 e 1277.

É pois com D. Afonso III que o Reino se tende a estruturar em país e que começa a ser mais permeável às influências norte-europeias, ainda que conserve inúmeros traços peculiares.

O rei, que era muito querido pelos portugueses por decisões como a da abolição da anúduva (imposto do trabalho braçal gratuito, que obrigava as gentes a trabalhar na construção e reparação de castelos e palácios, muros, fossos e outras obras militares), recebeu apoio das cortes de Santarém em Janeiro de 1274, onde foi nomeada uma comissão para fazer um inquérito às acusações que os bispos faziam ao rei. A comissão, composta maioritariamente por adeptos do rei, absolveu-o. O Papa Gregório X, porém, não aceitou a resolução tomada nas cortes de Santarém e mandou que se excomungasse o rei e fosse lançado interdito sobre o reino em 1277.

À sua morte, em 1279, D. Afonso III jurou obediência à Igreja e a restituição de tudo o que lhe tinha tirado. Face a esta atitude do rei, o abade de Alcobaça levantou-lhe a excomunhão e o rei foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça.

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 Moedas cunhadas com a éfige do Rei Afonso III de Portugal.

Segundas núpcias:

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Em 1253, o rei desposou D. Beatriz, popularmente conhecida por D. Brites, filha de D. Afonso X de Castela, O Sábio. Desde logo isto constituiu polémica pois D. Afonso era já casado com Matilde II de Bolonha.

O Papa Alexandre IV respondeu a uma queixa de D. Matilde, ordenando ao rei D. Afonso que abandone D. Beatriz em respeito ao seu matrimónio com D. Matilde. O rei não obedeceu, mas procurou ganhar tempo neste assunto delicado, e o problema ficou resolvido com a morte de D. Matilde em 1258. O infante, D. Dinis, nascido durante a situação irregular dos pais, foi então legitimado em 1263.

O casamento funcionou como uma aliança que pôs termo à luta entre Portugal e Castela pelo Reino do Algarve. Também resultou em mais riqueza para Portugal quando D. Beatriz, já após a morte do rei, recebe do seu pai, Afonso X, uma bela região a Este do Rio Guadiana, onde se incluíam as vilas de Moura, Serpa, Noudar, Mourão e Niebla. Tamanha dádiva deveu-se ao apoio que D. Brites lhe prestou durante o seu exílio na cidade de Sevilha.

Descendência:

* Primeira esposa, Matilde II de Bolonha, sem descendência.
* Segunda mulher, infanta Beatriz de Castela (1242-1300)
** Branca de Portugal (1259-1321), freira e senhora no Mosteiro de Las Huelgas (Burgos)
** Dinis I de Portugal (1261-1325)
** Afonso de Portugal (1263-1312), senhor de Portalegre, casou com a infanta Violante Manuel
** Sancha de Portugal (1264-1284?)
** Maria de Portugal (1265-1266)
** Constança de Portugal (1266-1271)
** Vicente de Portugal (1268-1271)
** Fernando de Portugal (1269?)
* Filhos naturais
** Havidos de Madragana Ben Aloandro, depois chamada ''Mor Afonso'', filha do último alcaide do período mouro de Faro, o moçárabe Aloandro Ben Bakr:
*** Martim Afonso Chichorro (1250 -1313)
*** Urraca Afonso de Portugal (c. 1260- depois de 1290) casada por duas vezes, a primeira em 1265 com Pedro Anes Gago de Riba de Vizela (1240 - 1286) e a segunda em 1275 com João Mendes de Briteiros (1250 -?), filho de D. Mem Rodrigues de Briteiros (1225 -?).
** Havidos de Maria Peres de Enxara:
*** Afonso Dinis (1260-1310)
** De outras senhoras:
*** Fernando Afonso, cavaleiro hospitalário
*** Gil Afonso (1250-1346), cavaleiro hospitalário
*** Rodrigo Afonso (1258-1272), prior de Santarém
*** Leonor Afonso (1250), senhora de Pedrógão e Neiva, casada por duas vezes, a primeira com D. Estevão Anes de Sousa, senhor de Pedrógão (c. 1240 -?) e a segunda com D. Garcia Mendes de Sousa (1175 – 29 de Abril de 1239).
*** Leonor Afonso (m. 1259), freira em Santarém
*** Urraca Afonso (1250-1281), freira no Lorvão
*** Henrique Afonso

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 5 de Maio de 1210 – Maio de 1239: O Infante Afonso de Portugal
  • Maio de 1239 – 4 de Janeiro de 1248: O Infante Afonso de Portugal, Conde de Bolonha
  • 4 de Janeiro de 1248 – 16 de Fevereiro de 1279: Sua Mercê, El-Rei de Portugal e do Algarve

O estilo oficial de D. Afonso III enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e Conde de Bolonha

Em 1253, por suspeitar da sua esterilidade, D. Afonso repudia a esposa, D.Matilde, e abandona o título de Conde de Bolonha:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal

Após a conquista definitiva do Algarve e a disputa quanto ao domínio algarvio com Castela, o Tratado de Badajoz reconhece a D. Afonso III o senhorio do Algarve, evoluindo a sua titulatura régia para:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e do Algarve

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publicado às 21:38

Reis de Portugal - Sancho II de Portugal

por Blog Real, em 24.02.16

Sancho II de Portugal (cognominado O Capelo por haver usado um enquanto criança; alternativamente conhecido como O Pio ou O Piedoso), quarto rei de Portugal, nasceu em Coimbra em 8 de setembro de 1209, filho do rei D. Afonso II de Portugal e de Urraca de Castela, rainha de Portugal.

Sancho II tinha menos de 14 anos quando sucede ao pai, pelo que a família de sua ama, Estevainha Soares da Silva (então já viúva de Martim Fernandes de Riba de Vizela), através do irmão, o arcebispo bracarense Estêvão Soares da Silva, adquire grande influência no governo do Reino, significando tal facto a momentânea vitória do «partido senhorial», liderado pelo prelado, o qual, ainda em 1223, inspira as pazes da coroa com as filhas de D. Sancho I e a garantia de indemnizações pelos prejuízos que o arcebispo havia sofrido aquando das lutas que tivera com o defunto rei.

Contudo, as forças favoráveis aos interesses senhoriais não conseguem dominar em absoluto a corte, uma vez que nela se mantêm alguns dos defensores do reforço do poder régio («partido monárquico»), política que inspirara o governo de D. Afonso II. Será mesmo este último grupo que recuperará o poder em 1226, na sequência do fracasso de uma campanha militar destinada à conquista de Elvas, operação que tinha sido combinada com a igualmente malograda tentativa da tomada de Badajoz por Afonso IX de Leão. Tais conflitos no seio da classe dominante apaziguaram-se após as Cortes de Coimbra de 1229, sem que, no entanto, a contínua instabilidade no desempenho dos mais altos cargos da cúria deixe de manifestar uma permanente luta pelo poder.

Estas querelas político-partidárias apenas reflectiam um geral ambiente de instabilidade social. Com efeito, o bloqueamento da Reconquista a seguir à formação do império dos Almóadas tinha dirigido. do exterior para o interior do Reino, a actividade guerreira da nobre­za, o que provocou efeitos tanto mais graves quanto ocorreu num momento em que a generalização da adopção da estrutura familiar linhagística tornava vital para os filhos segundos, marginalizados da herança familiar, a existência de espaços de proeza militar conducentes à formação de novas fortunas.

Impossibilitado o aumento territorial do Reino, diminuída mesmo a sua superfície e revelando-se tanto a carreira eclesiástica como o ingresso nas ordens militares incapazes de absorver todos os excedentes demográficos nobiliárquicos, os cavaleiros multiplicavam as agressões contra comunidades rurais e instituições religiosas, como forma de obterem as riquezas necessárias à manutenção do seu estado, não hesitando na prática de violências, como roubos, pilhagens, raptos e mortes, e na formação de bandos que instigavam ao desenvolvimento de lutas privadas. Ora, ao contrário do rei de Castela e, mais tarde, também de Leão, Fernando III, que soube orientar para aReconquista, depois de 1223, a partir da derrocada do império dos Almóadas, a nobreza dos seus reinos, envolvendo-a, sob a sua chefia, numa empresa militar colectiva, tendo conquistado, na sequência da tomada de Cáceres (1227), feita por seu pai, Afonso IX de Leão, uma série de praças mouras entre 1233 e 1245, o poder central em Portugal, dilacerado por rivalidades e lutas internas, não soube canalizar para o exterior social a actividade bélica dos guerreiros.

Na verdade, as conquistas alentejanas e algarvias efectuadas durante o reinado de D. Sancho II ou resultaram do abandono de praças pelo Islão, em razão de paralelas e anteriores conquistas leonesas (caso de Elvas e talvez de Juromenha em 1229) ou foram devidas sobretudo à acção das ordens militares, com destaque para a de Santiago, capitaneada por Paio Peres Correia (caso de, entre 1232 e 1243, em sintonia e facilitadas pelas conquistas castelhanas, Moura, Serpa, Beja, Aljustrel, Mértola, Cacela, Alvor, Tavira, Paderne e, provavelmente, Silves), apenas aparecendo o rei empenhado na tomada de Ayamonte (1239 ou 1240).

Sendo assim, o Reino vivia numa situação de progressiva anarquia, de que os sinais mais evidentes foram a proliferação de torres e fortalezas na região senhorial e a constituição de numerosos coutos e honras feitos em rebeldia ao poder régio. Por outro lado, a constante intervenção de membros, do «partido monárquico» nas instituições 

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eclesiásticas, tentando contrariar o reforço do poder espiritual em detrimento do temporal e contestando os fundamentos da teocracia papal, projecto em que se insere o apoio dado às ordens mendicantes, porque, em parte, apologéticas do regresso à pobreza evangélica, situando-se à margem dos grupos religiosos constituídos, provocava conflitos entre o rei e os bispos (questões com o bispado de Lisboa, entre1231 e 1244, e, mais graves, dado o então abandono da corte por parte dos elementos politicamente mais moderados, com o do Porto, entre 1227 e 1238), os quais recorriam amiúde ao papado, atribuindo ao rei uma genérica incapacidade governativa e uma carência de autoridade para obviar aos contínuos atropelos de que as suas prerrogativas e bens eram alvo, responsabilizando-o, em suma, pela violência e instabilidade social em que então se vivia e da qual, dada a respectiva posição e riqueza, se sentiam as principais vítimas.

É neste contexto de lutas -entre o rei e bispos, bispos e burgueses, nobres e igrejas e mosteiros, nobres entre si, nobres e vilãos dos concelhos - e de um banditismo endémico que Inocêncio IV, um convicto adepto da teocracia pontifícia, e uma vez assegurado o apoio de parte significativa do clero, e da nobreza mais tradicional (como os Sousas e os Lumiares, que viam com maus olhos a ascensão política de famílias rivais, como os Soverosas e os Riba de Vizela), decide depor o rei em 1245, apontando-lhe como sucessor o irmão, o conde de Bolonha, o futuro D. Afon­so III. A iniciativa do papa conduz a uma guerra civil (1245-1247), que se salda pelo exílio de D. Sancho II em Castela, onde, um ano depois, morre em Toledo, herdando então a coroa, até porque do casamento do rei com D. Mécia Lopes de Haro não houve descendentes, o irmão.

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 8 de Setembro de 1209 – 25 de Março de 1223: O Infante Sancho de Portugal
  • 25 de Março de 1223 – 4 de Janeiro de 1248: Sua Mercê, El-Rei de Portugal

O estilo oficial de D. Sancho II enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Sancho II, Rei de Portugal

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publicado às 22:09

Reis de Portugal - Afonso II de Portugal

por Blog Real, em 19.01.16

Afonso II de Portugal (cognominado o Gordo, o Crasso ou o Gafo, em virtude da doença que o teria afectado; Coimbra, 23 de Abril de 1185 - Santarém, 25 de Março de 1223), terceiro rei de Portugal, era filho do rei Sancho I de Portugal e da sua mulher, D.Dulce de Aragão. Afonso sucedeu ao seu pai em 1211.

Os primeiros anos do seu reinado foram marcados por violentos conflitos internos (1211-1216) entre Afonso II e as suas irmãs Santa Mafalda de Portugal, Beata Teresa de Portugal e Santa Sancha de Portugal (a quem seu pai legara em testamento, sob o título de rainhas, a posse de alguns castelos no centro do país - Montemor-o-Velho, Seia e Alenquer -, com as respectivas vilas, termos, alcaidarias e rendimentos), numa tentativa de centralizar o poder régio. Este conflito foi resolvido com intervenção do papa Inocêncio III. O rei indemnizou as infantas com muito dinheiro, a guarnição dos castelos foi confiada a cavaleiros templários, mas era o rei que exercia as funções soberanas sobre as terras e não as infantas como julgavam ter e que levou à guerra.

No seu reinado foram criadas as primeiras leis escritas e pela primeira vez reunidas cortes com representantes do clero e nobreza, em 1211 na cidade de Coimbra, na altura capital. Foram realizadas inquirições em 1220, inquéritos feitos por funcionários régios com vista a determinar a situação jurídica das propriedades e em que se baseavam os privilégios e imunidades dos proprietários. As confirmações validavam as doações e privilégios concedidos nos anteriores reinados, após analisados os documentos comprovativos ou por mercê real. Todo o seu reinado foi um combate constante contra as classes privilegiadas, isto porque seu pai e avô deram grandes privilégios ao clero e nobreza e Afonso II entendia que o poder real devia ser fortalecido.

O reinado de Afonso II caracterizou um novo estilo de governação, contrário à tendência belicista dos seus antecessores. Afonso II não contestou as suas fronteiras com Galiza e [Leão, nem procurou a expansão para Sul (não obstante no seu reinado ter sido tomada aos Mouros as cidades de Alcácer do Sal, Borba, Vila Viçosa, Veiros (Estremoz), em 1217, e, possivelmente também Monforte e Moura, mas por iniciativa de um grupo de nobres liderados pelo bispo de Lisboa), preferindo sim consolidar a estrutura económica e social do país. O primeiro conjunto de leis portuguesas é de sua autoria e visam principalmente temas como a propriedade privada, direito civil e cunhagem de moeda. Foram ainda enviadas embaixadas a diversos países europeus, com o objectivo de estabelecer tratados comerciais. Apesar de, como já dissemos, não ter tido preocupações militares, enviou tropas portuguesas que, ao lado de castelhanas, aragonesas e francesas, combateram bravamente na célebre batalha de Navas de Tolosa na defesa da Península Ibérica contra os muçulmanos.

Outras reformas de Afonso II tocaram na relação da coroa Portuguesa com o Papa. Com vista à obtenção do reconhecimento da independência de Portugal, Afonso Henriques, seu avô, foi obrigado a legislar vários privilégios para a Igreja. Anos depois, estas medidas começaram a ser um peso para Portugal, que via a Igreja desenvolver-se como um estado dentro do estado. Com a existência de Portugal firmemente estabelecida, Afonso II procurou minar o poder clerical dentro do país e aplicar parte das receitas das igrejas em propósitos de utilidade nacional. Esta atitude deu origem a um conflito diplomático entre o Papado e Portugal. Depois de ter sido excomungado pelo Papa Honório III, Afonso II prometeu rectificar os seus erros contra a Igreja, mas morreu em 1223 excomungado, sem fazer nenhum esforço sério para mudar a sua política.

Morte:

Só após a resolução do conflito com a Igreja, logo nos primeiros meses de reinado do seu sucessor Sancho II, pôde finalmente Afonso II descansar em paz no Mosteiro de Alcobaça (foi o primeiro monarca a fazer da abadia cisterciense o panteão real).

Diz-se que D. Afonso II possa ter morrido de lepra (isso poderá ter justificado um dos seus cognomes, ''o Gafo'', bem como uma célebre e depreciativa frase dita por alguns elementos do povo: ''Fora Gaffo!''), mas a enorme gordura que o rei possuía teria sido a sua causa de morte.

Descendência:

D._Urraca_de_Castela,_Rainha_de_Portugal_-_The_Portuguese_Genealogy_(Genealogia_dos_Reis_de_Portugal)

 Urraca de Castela,
consorte de El-Rei D.Afonso II

Com a sua mulher, Urraca de Castela (1186-1220):
*Sancho II de Portugal (1209-1248)
*Afonso III de Portugal (1212/17-1279)
*Leonor, infanta de Portugal (1211-1231), casou Valdemar III da Dinamarca, o Jovem, filho do rei Valdemar II da Dinamarca
*Fernando de Portugal (1218-1246), senhor de Serpa
*Vicente de Portugal (1219)

Filhos naturais:
*João Afonso (m. 9 de Outubro de 1234), enterrado no mosteiro de Alcobaça
*Pedro Afonso (n. 1210), que acompanhou seu irmão na conquista de Faro (1249)

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 23 de Abril de 1185 – 26 de Março de 1211: O Infante Afonso de Portugal
  • 26 de Março de 1211 – 25 de Março de 1223: Sua Mercê, El-Rei de Portugal

O estilo oficial de D. Afonso II enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Afonso II, Rei de Portugal

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publicado às 13:44

Reis de Portugal - Sancho I de Portugal

por Blog Real, em 12.01.16

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Sancho I de Portugal (Coimbra, 11 de novembro de 1154 — Coimbra, 26 de março de 1211) foi rei de Portugal de 1185 a 1211. Era cognominado o ''Povoador'' pelo estímulo com que apadrinhou o povoamento dos territórios do país — destacando-se a fundação da cidade da Guarda, em 1199, e a atribuição de cartas de foral na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187) ou Belmonte (1199), povoando assim áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e da Borgonha.

Quinto filho do monarca do rei Afonso Henriques, foi batizado com o nome de Martinho, por haver nascido no dia do santo Martinho de Tours, e não estaria preparado para reinar; no entanto, a morte do seu irmão mais velho, D.Henrique, quando Martinho contava apenas com três anos de idade, levou à alteração da sua onomástica para um nome mais hispânico, ficando desde então Sancho Afonso.

Em 15 de agosto de 1170, Sancho foi armado cavaleiro pelo seu pai logo após o acidente de D.Afonso Henriques em Badajoz e tornou-se seu braço direito, quer do ponto de vista militar, quer do ponto de vista administrativo. Nestes primeiros tempos de Portugal enquanto país independente, muitos eram os inimigos da coroa, a começar pelo Reino de Leão que havia controlado Portugal até então. Para além do mais, a Igreja demorava em consagrar a independência de Portugal com a sua bênção. Para compensar estas falhas, Portugal procurou aliados dentro da Península Ibérica, em particular o reino de Aragão, um inimigo tradicional de Castela, que se tornou no primeiro país a reconhecer Portugal. O acordo foi firmado 1174 pelo casamento de Sancho, então príncipe herdeiro, com a infanta Dulce, irmã mais nova do rei Afonso|II de Aragão.

No ano de 1178, D. Sancho faz uma importante expedição contra mouros, confrontando-os perto de Sevilha e do rio Guadalquivir, e ganha-lhes a batalha. Com essa ação, expulsa assim a possibilidade deles entrarem em território português.

Com a morte de Afonso Henriques em 1185, Sancho tornou-se no segundo rei de Portugal. Tendo sido coroado na Sé de Coimbra, manteve essa cidade como o centro do seu reino. D. Sancho deu por finda as guerras fronteiriças pela posse da Galiza e dedicou-se a guerrear os Mouros localizados a Sul. Aproveitou a passagem pelo porto de Lisboa dos cruzados da terceira cruzada, na primavera de 1189, para conquistar Silves, um importante centro administrativo e económico do Sul, com população estimada em 20.000 pessoas. Sancho ordenou a fortificação da cidade e construção do castelo que ainda hoje pode ser admirado. A posse de Silves foi efémera já que em 1190 Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur cercou a cidade de Silves com um exército e com outro atacou Torres Novas, que apenas conseguiu resistir durante dez dias, devido ao rei de Leão e Castela ameaçar de novo o Norte.

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 Estátua de D. Sancho I frente ao Castelo de Torres Novas - trabalho de João Cutileiro

Sancho dedicou muito do seu esforço governativo à organização política, administrativa e económica do seu reino. Acumulou um tesouro real e incentivou a criação de indústrias, bem como a classe média de comerciantes e mercadores. Sancho I concedeu várias cartas de foral principalmente na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), Guarda (1199), etc, criando assim novas cidades, e povoando áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha. O rei é também lembrado pelo seu gosto pelas artes e literatura, tendo deixado ele próprio vários volumes com poemas. Neste reinado sabe-se que alguns portugueses frequentaram universidades estrangeiras e que um grupo de juristas conhecia o Direito que se ministrava na escola de Bolonha. Em 1192 concedeu ao mosteiro de Santa Cruz 400 morabitinos para que se mantivessem em França os monges que lá quisessem estudar.

Outorgou o seu primeiro testamento em 1188/89 no qual doou a sua esposa os rendimentos de Alenquer, terras do Vouga, Santa Maria da Feira e do Porto. O seu último testamento foi feito em outubro de 1209 quase dois anos antes de sua morte. O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do pai.

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 Maravedi (morabitino) em ouro com a efígie de Sancho I

Descendência

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 Dulce de Aragão,
consorte de El-Rei D.Sancho I

De sua mulher a infanta Dulce de Aragão, filha da rainha Petronilha de Aragão e Raimundo Berengário IV, conde de Barcelona, com quem casou em 1174.
* Beata Teresa de Portugal, infanta de Portugal (1175/76-1250)
* Beata Sancha de Portugal, (1180-1229), infanta de Portugal, fundou o Mosteiro de Celas, nas proximidades de Coimbra, no qual viveu até à sua morte, e quem a levou para o [[Mosteiro de Lorvão]], onde recebeu sepultura, foi sua irmã Teresa. Foi beatificada em 1705, no mesmo ano que sua irmã Teresa, pelo papa [[Clemente XI]].
* Constança de Portugal (1182-antes de 1186).
* Afonso II de Portugal (1186 - 1223), casou com Urraca de Castela, rainha de Portugal.
* Pedro de Portugal, conde de Urgel (1187 -1258), infante de Portugal e conde de Urgel pelo casamento com Aurembiaix Armengol; foi também rei de Maiorca.
* Fernando, infante de Portugal (1188 - 1233), viveu no estrangeiro, casou com Joana da Flandres.
* Henrique de Portugal (?-1191), morreu em criança.
* Raimundo de Portugal (1195-?), morreu em criança.
* Beata Mafalda de Portugal (1195/96-1256), infanta de Portugal, casada com o rei Henrique I de Castela, depois fundadora do mosteiro cisterciense de Arouca e sua primeira abadessa.
* Branca, (1196/98-1240), infanta de Portugal, foi freira num convento em Guadalajara.
* Berengária, infanta de Portugal (1196/98-1221), casada com o rei Valdemar II da Dinamarca.

Filhos naturais:

O rei teve dois filhos com Maria Aires de Fornelos, primeira mulher de Gil Vasques de Soverosa, filha de Aires Nunes de Fornelos e de Maior Pais de Bravães e neta de Soeiro Mendes da Maia ''o Bom''. Em abril de 1207, D. Sancho fez doação perpétua da Vila Nova dos Infantes e de Golães para os filhos que tive com Maria com a faculdade de os vender a quem quisessem. Em 1175, Maria com seu esposo Gil Vasques de Soverosa, e seus filhos Martim e Urraca, doou umas casas a seus parentes Marina Pais e Vasco Pires.

* Martim Sanches de Portugal (n. antes de 1175), casado com Eylo Pérez de Castro, filha de Pedro Fernandes de Castro "o Castelhano" e de sua mulher Jimena Gomes de Manzanedo, filha do conde Gomes Gonçalves de Manzanedo e Milia Peres de Lara, sem geração. Eylo divorcio-se de Martim e em 1205 casou como Guerau IV de Cabrera, visconde de Cabrera, com descencência.
* Urraca Sanches de Portugal (n. antes de 1175), solteira e sem geração

Havidos de Maria Pais Ribeira, dita ''a Ribeirinha'', filha de Paio Moniz de Ribeira e de Urraca Nunes de Bragança, filha de Vasco Pires de Bragança.

* Rodrigo Sanches de Portugal (m. 1245), teve um filho ilegítimo com Constança Afonso de Cambra, Afonso Rodrigues que foi frade franciscano e "Guardião do Convento de Lisboa".
* Gil Sanches de Portugal (m. 14 de Setembro de 1236), foi clérigo e trovador. Seu pai deixou-lhe em testamento 8.000 morabitinos e em 1213 deu o foral de Sarzedas.
* Nuno Sanches de Portugal, falecido de tenra idade.
* Maior Sanches de Portugal, falecida de tenra idade.
* Teresa Sanches de Portugal (1205-1230), casou cerca de 1212 com Afonso Teles de Meneses, 2.º senhor de Meneses, 1.º senhor de Albuquerque.
* Constança Sanches de Portugal (1210-8 de Agosto de 1269), a qual a 15 de Janeiro de 1269 («dona Constancia Sancii felicis recordtionis donni Sancii quondam Portugalie Regis Illustris filia») doou a sua sobrinha-neta, a infanta D. Sancha, as metades de Vila do Conde, Aveleda, Pousadela, Parada e Maçãs de Dona Maria, com a condição de seu pai, D. Afonso III, lhe dar anualmente 3.300 libras velhas, em Junho de 1237 comprou uma herdade chamada a Silveira no termo de Alenquer (G.XII,9,38), e em Maio de 1240 escambou com João Pires a herança que tinha na dita vila de Alenquer (ib,9,37)

Havido de Maria Moniz de Ribeira, filha de Monio Osórez de Cabrera, conde de Cabrera e Ribera no Reino de Leão, e de Maria Nunes de Grijó, filha de Nuno Soares de Grijó e de Elvira Gomes:

* Pedro Moniz, casou com uma senhora cujo nome não é registrado e foi o pai de Maria Pires Cabreira, a esposa de Martim Pires Machado.

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 11 de Novembro de 1154 – 6 de Dezembro de 1185: O Infante Martinho de Portugal
  • 6 de Dezembro de 1185 – 26 de Março de 1211: Sua Mercê, El-Rei de Portugal

O primeiro estilo oficial de D. Sancho I enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Sancho I, Rei dos Portugueses

Com a Tomada de Silves, em 1189, a titulatura régia evolui para:

Pela Graça de Deus, Sancho I, Rei de Portugal, de Silves e do Algarve

Quando os Almóadas retomam Silves, em 1191, D. Sancho volta a usar o seu estilo oficial original.

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publicado às 19:06

Reis de Portugal - Afonso I de Portugal

por Blog Real, em 01.07.15

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Afonso I de Portugal, mais conhecido por D. Afonso Henriques (Guimarães, Coimbra ou Viseu, ca. 1109 — Coimbra, 6 de dezembro de 1185) foi o fundador do Reino de Portugal e o seu primeiro rei, com o cognome O Conquistador, O Fundador ou O Grande pela fundação do reino e pelas muitas conquistas. Era filho de D.Henrique de Borgonha e de D.Teresa de Leão, condes de Portugal, um condado vassalo do reino de Leão. Após a morte de seu pai em 1112, Afonso tomou uma posição política oposta à da mãe, que se aliara ao nobre galego Fernão Peres de Trava. Pretendendo assegurar o domínio do condado armou-se cavaleiro e após vencer a sua mãe na batalha de São Mamede em 1128, assumiu o governo. Concentrou então os esforços em obter o reconhecimento como reino. Em 1140, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se rei de Portugal com o apoio das suas tropas. Ao contrário do que dizem sobre o Tratado de Zamora só tornou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão. A independência portuguesa foi reconhecida, em 1179, pelo papa Alexandre III, através da bula Manifestis probatum e ganhou o título de rex (rei). Com o apoio de cruzados do norte da Europa conquistou Lisboa em 1147. Com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos mouros, empurrando as fronteiras para sul, desde Leiria ao Alentejo, mais que duplicando o território que herdara. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).

Primeiros anos

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D.Henrique de Borgonha e D.Teresa de Leão, os pais de D.Afonso Henriques

Afonso Henriques era filho de D.Henrique de Borgonha e de D.Teresa, infanta de Leão, filha ilegítima do rei Afonso VI de Leão e Castela, a quem Afonso VI doara o condado de Portucale pelo casamento. Há quem defenda que era filho de Egas Moniz. A data e local do seu nascimento não estão determinados de forma inequívoca. Hoje em dia, a data que reúne maior consenso aponta para o verão de 1109. Almeida Fernandes, autor da hipótese que indica Viseu como local de nascimento de D. Afonso Henriques refere a probabilidade de ter nascido em Agosto, enquanto outros autores, baseando-se em documentos que remontam ao Século XIII referem a data de 25 de Julho do mesmo ano. No entanto, já foram defendidas outras datas e locais para o nascimento do primeiro rei de Portugal, como o ano de 1106 ou de 1111. Tradicionalmente, acredita-se que terá nascido e sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128. Outros autores, ainda, referem Coimbra como local provável para o seu nascimento.

Subida ao trono

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 O Castelo de Guimarães

Em 1120, Afonso, sob a direcção do arcebispo de Braga D.Paio Mendes tomou uma posição política oposta à da mãe (que apoiava o partido dos Travas que pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português). O arcebispo, forçado a emigrar, levou consigo o infante que em 1122 se armou cavaleiro em Tui ou, segundo outras fontes, em Zamora.

Restabelecida a paz, voltaram ao condado. Entretanto, novos incidentes provocaram a invasão do Condado Portucalense por Afonso VII de Leão e Castela que, em 1127, cercou Guimarães, onde se encontrava Afonso Henriques, por este se recusar a prestar-lhe homenagem aquando da coroação. Prometida a lealdade do conde pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade.

Mas alguns meses depois, em 1128, as tropas de Teresa de Leão e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede, tendo as tropas do infante saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado. Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder, concentrou os seus esforços em negociações junto da Santa Sé com um duplo objectivo: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e obter o reconhecimento do Reino.

Em 1139, depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro, D. Afonso Henriques autoproclamou-se rei de Portugal, com o apoio das suas tropas. Segundo a tradição, a independência foi confirmada mais tarde, nas míticas cortes de Lamego, quando recebeu a coroa de Portugal do arcebispo de Braga, D.João Peculiar, se bem que estudos recentes questionem a reunião destas cortes. Em 1140 Afonso assina pela primeira vez "Ego Alfonsus portugalensium Rex".

Reconhecimento do reino

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 Estátua de D. Afonso Henriques no Castelo de São Jorge em Lisboa, réplica da original, feita por Soares dos Reis, que se encontra em Guimarães

O reconhecimento do Reino de Leão e de Castela chegou em 1143, com o tratado de Zamora, e deve-se ao desejo de Afonso VII de Leão e Castela em tomar o título de imperador de toda a Hispânia e, como tal, necessitar de reis como vassalos. Desde então, Afonso I procurou consolidar a independência por si declarada. Fez importantes doações à Igreja e fundou diversos conventos.

Procurou também conquistar terreno a sul, povoado então por mouros: Leiria em 1135 (1145, conquista final) usando a técnica de assalto;Santarém em 1146 (1147, conquista final), também utilizando a técnica de assalto; Lisboa (onde utilizou o cerco como táctica de conquista, graças à ajuda dos cruzados), Almada e Palmela em 1147, Alcácer em 1160 e depois quase todo o Alentejo, que posteriormente seria recuperado pelos mouros, pouco antes de D. Afonso falecer (em 1185).

Em 1179 o Papa Alexandre III reconheceu Portugal como país independente e vassalo da Igreja, através da bula Manifestis Probatum.

Morte e Legado

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 Túmulo de Afonso Henriques no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra

Após o incidente de Badajoz, a carreira militar de D. Afonso Henriques praticamente terminou. A partir daí, dedicou-se à administração dos territórios com a co-regência do seu filho D. Sancho. Procurou fixar a população, promoveu o municipalismo e concedeu forais. Contou com a ajuda da ordem religiosa dos cistercienses para o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária.

O legado do seu reinado foi, entre outros:

  • A fundação da nacionalidade, reconhecida pelo papado e pelos outros reinos da Europa;
  • A pacificação interna do reino e alargamento do território através de conquistas aos mouros empurrando as fronteiras do Condado Portucalense para sul.
  • A fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em 1131

Morreu aos 76 anos, em 1185, provavelmente por problemas do coração, senilidade, aterosclerose ou cirrose. O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, em frente ao túmulo do filho D.Sancho I.

Foi impressa uma nota de 1.000$00 Chapa 7 de Portugal com a sua imagem.

Boa relação com judeus

O reinado de Afonso Henriques ficou marcado pela tolerância para com os judeus. Estes estavam organizados num sistema próprio, representados politicamente pelo grão-rabino nomeado pelo rei.

O grão-rabino Yahia Ben Yahia foi mesmo escolhido para ministro das Finanças de Afonso Henriques, responsável pela coleta de impostos no reino. Com esta escolha teve início uma tradição de escolher judeus para a área financeira e de manter um bom entendimento com as comunidades judaicas, que foi seguida pelos seus sucessores.

Descendência

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 Mafalda de Sabóia,

consorte de El-Rei D.Afonso I

  • Com a sua mulher, Mafalda de Sabóia (1125-1157 ou 1158), que desposou em 1146:
    • D. Henrique Afonso de Portugal (1147-1157)
    • D. Urraca Afonso de Portugal (1148-1211?), casou com o rei Fernando II de Leão
    • D. Teresa Afonso de Portugal (1151-1218), depois do casamento chamada Matilde ou Mafalda, casou com Filipe I, Conde da Flandres e depois com Eudes III, Duque da Borgonha
    • D. Mafalda Afonso de Portugal (1153-1162), teve o seu casamento programado com o rei de Afonso II de Aragão, o que não se efectivou pela morte da infanta
    • Sancho I de Portugal (1154-1211)
    • D. João Afonso de Portugal (1156-1163)
    • D. Sancha Afonso de Portugal (24 de Setembro de 1157-1167)
  • Filho de mãe desconhecida:
    • D.Pedro Afonso (ca. 1130-1169)
  • Filhos de Chamoa Gomes:
    • D.Teresa Afonso (ca. 1134-?)
    • D. Fernando Afonso (1135-1207), também nomeado D.Afonso de Portugal, alferes-mor do reino e 12º Grão-Mestre da Ordem dos Hospitalários; Manuel de Abranches de Soveral considera Afonso, grão-mestre do Hospital, e Fernando Afonso, alferes-mor do Reino, como dois filhos diferentes
  • Filha de Elvira Gálter:
    • D. Urraca Afonso, 1ª senhora de Avô, que teve de seu pai em 1185, e que trocou por 1ª senhora de Aveiro em 1187 (ca. 1130-?), casou com D. Pedro Afonso Viegas ou de Lumiares, Tenente de Neiva e de Trancoso, com geração; em Janeiro de 1212, com seu marido, doou ao mosteiro de Tarouca 1.000 moios de sal retirados das salinas do seu senhorio de Aveiro

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publicado às 11:26

Os Reis de Portugal

por Blog Real, em 29.10.13
 
 

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Primeira Dinastia – Borgonha
 

1143 - 1185
D. Afonso Henriques "O Conquistador" (25 Julho 1111 Guimarães-6 Dezembro 1185 Coimbra)
Casou com D. Mafalda de Sabóia

1185 - 1211
D. Sancho I "O Povoador" (11 Novembro 1154 Coimbra-27 Março 1211 Coimbra)
Casou com D. Dulce de Aragão

1211 - 1223
D. Afonso II "O Gordo" (23 Abril 1185 Coimbra-21 Março 1223 Alcobaça)
Casou com D. Urraca

1223 - 1248
D. Sancho II "O Capelo" (8 Setembro 1202 Coimbra-4 Janeiro 1248 Toledo)
Casou com D. Mécia Lopes de Hero

1248 - 1279
D. Afonso III "O Bolonhês" (5 Maio 1210 Coimbra-16 Fevereiro 1279 Alcobaça)
Casou com D. Matilde de Bolonha e com D. Beatriz de Castela

1279 - 1325
D. Dinis I "O Lavrador" (9 Outubro 1261 Lisboa-7 Janeiro 1325 Odivelas)
Casou com D. Isabel de Aragão

1325 - 1357
D. Afonso IV "O Bravo" (8 Fevereiro 1291 Coimbra-28 Maio 1357 Lisboa)
Casou com D. Beatriz de Molina e Castela

1357 - 1367
D. Pedro I "O Justiceiro" (18 Abril 1320 Coimbra-18 Janeiro 1367 Alcobaça)
Casou com D. Constança Manuel e com D. Inês de Castro

1367 - 1383
D. Fernando I "O Formoso" (31 Outubro 1345-22 Outubro 1383 Santarém)
Casou com D. Leonor de Telles

1383 - 1385
Interregno

 

 

 
 
Segunda Dinastia – Avis
 

1385 - 1433
D. João I "O de Boa Memória" (11 Abril 1357 Lisboa-14 Agosto 1433 Batalha)
Casou com D. Filipa de Lancastre

1433 - 1438
D. Duarte I "O Eloquente" (31 Outubro 1391 Viseu-9 Setembro 1438 Batalha)
Casou com D. Leonor de Aragão

1438 - 1481
D. Afonso V "O Africano" (15 Janeiro 1432 Sintra-28 Agosto 1481 Batalha)
Casou com D. Isabel de Lancastre

1481 - 1495
D. João II "O Príncipe Perfeito" (3 Maio 1455 Lisboa-25 Outubro 1495 Batalha)
Casou com D. Leonor de Viseu

1495 - 1521
D. Manuel I "O Venturoso" (31 Maio 1469 Alcochete-13 Dezembro 1521 Belém)
Casou com D. Isabel de Castela, D. Maria de Castela e com D. Leonor

1521 - 1557
D. João III "O Piedoso" (6 Junho 1502 Lisboa-11 Junho 1557 Belém)
Casou com D. Catarina de Áustria

1557 - 1578
D. Sebastião I "O Desejado" (20 Janeiro 1554 Lisboa-4 Agosto 1578 África)
Não Casou

1578 - 1580
D. Henrique I "O Casto" (31 Janeiro 1512 Almeirim-31 Janeiro 1580)
Não Casou

1580 - 1580
D. António I "O Determinado" (1531 Lisboa-26 Agosto 1595 Paris)
Não Casou

 
 
 
TerceiraDinastia – Filipina/Casa de Habsburgo

 

1581 - 1598
D. Filipe I "O Prudente" (21 Março 1527 Valhadolid-13 Setembro 1598 Escorial)
Casou com D. Maria de Portugal; D. Maria Tudor, D. Isabel de Valois e com D. Ana de Áustria

1598 - 1621
D. Filipe II "O Pio" (14 Abril 1578 Madrid-31 Março 1621 Escorial)
Casou com D. Margarida de Áustria

1621 - 1640
D. Filipe III "O Grande" (8 Abril 1605 Madrid-17 Setembro 1665 Escorial)
Casou com D. Isabel de França

 
 
 
Quarta Dinastia – Bragança

 

1640 - 1656
D. João IV "O Restaurador" (19 Março 1604 V. Viçosa-6 Novembro 1656 Lisboa)
Casou com Dona Luísa Francisca de Gusmão

1656 - 1683
D. Afonso VI "O Vitorioso" (21 Agosto 1643 Lisboa-12 Setembro 1683 Lisboa)
Casou com Dona Maria Francisca Luísa Isabel d´Aumale e Sabóia, ou de Sabóia-Nemours

1683 - 1706
D. Pedro II "O Pacífico" (26 Abril 1648 Lisboa-9 Dezembro 1706 Lisboa)
Casou com D. Maria Francisca de Sabóia e com D. Maria Sofia de Neuburgo

1706 - 1750
D. João V "O Magnânimo" (22 Outubro 1689 Lisboa-31 Julho 1750 Lisboa)
Casou com Dona Maria Anna Josefa, arquiduquesa de Áustria

1750 - 1777
D. José I "O Reformador" (6 Junho 1714 Lisboa-24 Fevereiro 1777 Lisboa)
Casou com D. Mariana Vitória de Bourbon

1777 - 1816
D. Maria I "A Piedosa" (17 Dezembro 1734 Lisboa-20 Março 1816 Rio de Janeiro)
Casou com D. Pedro III

1816 - 1826
D. João VI "O Clemente" (13 Maio 1767 Queluz-10 Março 1826 Lisboa)
Casou com Dona Carlota Joaquina Teresa Caetana de Bourbon e Bourbon

1826 - 1826
D. Pedro IV "O Rei Soldado" (12 Outubro 1798 Queluz-24 Setembro 1834 Lisboa)
Casou com Dona Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo

1828 - 1834
D. Miguel I "O Tradicionalista" (26 Outubro 1802 Lisboa-14 Novembro 1866 Áustria)
Casou com Dona Adelaide Sofia Amélia Luísa Joana Leopolodina de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg

1826 - 1853
D. Maria II "A Educadora" (4 Abril 1819 Rio de Janeiro-15 Novembro 1853 Lisboa)
Casou com D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha

1853 - 1861
D. Pedro V "O Esperançoso" (16 Setembro 1837 Lisboa-11 Novembro 1861 Lisboa)
Casou com Dona Estefânia Josefa Frederica Guilhermina Antónia de Hohenzollern

1861 - 1889
D. Luís I "O Popular" (31 Outubro 1838 Lisboa-19 Outubro 1889 Lisboa)
Casou com D. Maria Pia de Sabóia

1889 - 1908
D. Carlos I "O Martirizado" (28 Setembro 1863 Lisboa-1 Fevereiro 1908 Lisboa)
Casou com Dona Maria Amélia Luísa Helena de Orleães

1908 - 1910
D. Manuel II "O Rei Saudade" (15 Novembro 1889 Lisboa-2 Julho 1932)
Casou com Dona Augusta Vitória Guilhermina Antónia Matilde Luísa Josefina Maria Isabel de Hohenzollern-Sigmaringen

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publicado às 11:21

Reis de Portugal

por Blog Real, em 16.10.13

Nesta secção do blog podes ficar a saber tudo sobre os reis de Portugal.

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publicado às 15:04


Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

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A Fundação Dom Manuel II é uma instituição particular, sem fins lucrativos, de assistência social e cultural, com acções no território português, nos países lusófonos, e nas comunidades portuguesas em todo o mundo.
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Prémio Infante D. Henrique
Com a fundação do Prémio Infante Dom Henrique, do qual S.A.R. o Duque de Bragança além de membro fundador é Presidente de Honra, Portugal tornou-se o primeiro país europeu de língua não inglesa a adoptar o programa de "The International Award for the Young People".
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Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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