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Príncipe Real Luís Filipe em visita ao Norte - Ponte de Lima (1901)

por Blog Real, em 01.04.18

No dia 8 (de Outubro de 1901) foi o Príncipe esperado na ponte dos Corvos, limite do concelho, pelo Presidente da Câmara e outras pessoas.

Chegou aí vindo de Braga, acompanhado de Mouzinho, ambos montados. Feitas as apresentações, puseram-se os dois cavaleiros em marcha, precedidos de um pequeno séquito.

Na praça da Rainha, que se achava engalanada e repleta de gente de todas as categorias, foram os ilustres visitantes recebidos com vibrantes e repetidos vivas e outras manifestações de regozijo.

Desmontaram, e, depois de breves cumprimentos nos Paços do Concelho, foi servido o almoço a que assistiram, além do Príncipe, Mouzinho e preceptor Kerausch, o Conde de Bertiandos, o Governador Civil e o Presidente da Câmara, que, ao champanhe, saudou Suas Majestades e o Príncipe, a quem agradeceu a honra da visita.

Depois do almoço, que o Príncipe saboreou com apetite, apreciando especialmente um prato de coelho, foi Sua Alteza convidado a inaugurar a nova Avenida marginal, acabada de construir.

Quis a Câmara, com esta solenidade, em que tomaram parte tão altas personalidades da Corte portuguesa, dar justo e merecido relevo à mais bela realização da sua gerência.

Organizou-se, para esse fim, um cortejo, que saindo dos Paços do Concelho, se dirigiu à Avenida, passando pela Igreja Matriz, onde o Príncipe entrou e fez breve oração.

Na Avenida, denominada – D. Luís Filipe – em homenagem a Sua Alteza, foi descerrada a respectiva placa, entre aplausos e vivas, regressando os visitantes aos Paços do Concelho.

Descansaram um pouco para logo montarem, o Príncipe e Mousinho, continuando a sua viagem em direcção a Viana.

Até ao outro lado da Ponte seguiram, com as montadas a passo, envolvidos numa onda humana que, em delírio, continuamente os aclamava.

É justo acentuar que o povo visava especialmente Mouzinho de Albuquerque, já célebre pela fama dos seus feitos em África, donde havia chegado coberto de glória com um nome aureolado de prestígio, tanto cá dentro, como lá fora.

Ao passarem junto do solar dos Condes de Bertiandos, os donos da casa convidaram o Príncipe e pessoas do séquito a entrarem e ofereceram a todos uma taça de champanhe, bebendo o Conde à saúde do Príncipe, a quem agradeceu a visita.

Antes da retirada entreteve-se o Príncipe com uma simplicidade muito natural, a brincar, no areal, junto ao rio, com um cão de água e, tão distraído estava, que foi preciso Mouzinho chamá-lo: - Meu Senhor! São horas de partir.

Já o sol se escondia na orla do poente quando, despedindo-se, se puseram de novo a cavalo, o Príncipe e Mouzinho, e, a galope, numa desabrida desfilada, desapareceram na estrada, ao fim da recta de Bertiandos, envolvidos numa densa nuvem de pó, que a aragem fresca do crepúsculo lentamente desfez.

Assim passara, em 8 de Outubro de 1901, por Ponte de Lima, o Príncipe e o seu aio.

Excerto do artigo publicado no Almanaque de Ponte de Lima de 1933, pág. 205, da autoria do Dr. Luís Nogueira.

Fonte: http://www.pontedelimacultural.pt/historia-pag.asp?t=paginas&pid=21

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publicado às 23:54

Entrevista de D.Isabel de Bragança à Caras

por Blog Real, em 01.04.18

Atenta a todos os passos dos filhos, Afonso, de 22 anos, Maria Francisca, de 21, e Dinis, de 18, fruto do seu casamento com D. Duarte Pio, D. Isabel de Bragança acredita que é importante deixá-los seguir os respetivos caminhos, sem grandes imposições, conforme contou durante uma conversa que começou pelo propósito do encontro, a apresentação de um livro sobre o ritual do chá, Receitas à Volta do Chá, de Maria Ana Silva Vieira.
– O culto do chá implica um certo ritual, uma determinada rotina. Gosta de rotinas?
A minha vida não tem muita rotina, é um pouco atípica, mas há coisas que faço questão de ter, como tempo para mim, para me cuidar.
– Gosta dos rituais que o chá promove, como as conversas?
No dia a dia é complicado, mas acho importante que se cultive esse tipo de encontros. Hoje em dia, num mundo em que é tudo tão virtual e quase egoísta, é importante que façamos um esforço, porque no fundo o que interessa é estarmos uns com os outros. Acho que a felicidade das pessoas está em partilhar coisas com os outros: vivências, experiências.
– Como mãe, como contraria esse lado virtual que referiu?
Promovo situações em que nos sentemos à mesa a conversar ou fazendo passeios. Por exemplo, quase todos os anos fazemos uma viagem os cinco. E aquele que escolhe o lugar tem de o estudar e explicar aos outros. Acho que tem de haver um pouco de imaginação para ‘apanharmos’ os nossos filhos e amigos com estes ‘truques’ que nos fazem estar juntos.
– Esse será atualmente um dos maiores desafios dos pais: fazer com que os filhos se afastem de telemóveis e afins?
Acho que o grande desafio é dar-lhes condições e ensiná-los a voar e a serem eles próprios. Uma das coisas que os pais por vezes fazem – e eu também – é imaginar para os filhos algo que nem sempre se coaduna com o que eles querem... Tenho aprendido a estar atenta às tendências e aos gostos de cada um dos meus filhos, respeitando-os e encaminhando-os para aquilo que acho que também os pode fazer felizes.
– Para si, foi fácil encontrar esse caminho?
Há alturas mais fáceis e outras mais difíceis, faz parte. E é bom que os filhos queiram a sua independência e tenham ideias próprias. Tenho a sorte de os meus filhos serem pacíficos, mas nós também sempre respeitámos essa parte. Quando se força uma coisa é que podem surgir reações. Sempre lhes disse para estudarem o que gostavam e fazerem mestrado naquilo em que vão trabalhar. Não posso forçá-los a tirar um curso que eu possa achar interessante, pois o futuro é deles. Acho que hoje em dia o grande desafio é não deixar de exigir mas ao mesmo tempo trabalhar na autoestima, para que eles façam coisas com as quais se sintam bem e capazes.
– Eles ainda estão muito ligados a si ou já está cada um no seu caminho?
Aos bocadinhos, vão seguindo as suas vidas. Graças a Deus, falamos muito, e essa é a minha maior alegria. Conversamos muito e talvez por isso seja tudo tão pacífico. Temos de os deixar voar e cair. Ninguém cresce sem sofrer.
– Agora já tem cá os três...

Sim, a minha filha estava em Roma mas já voltou.

Fonte: Caras

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publicado às 00:06


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