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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Pequito Rebello, Elogio Academico de Sua Alteza Real Dom Luiz Filippe, Lisboa, 1908

09.06.18, Blog Real
«Todos os íntimos do fallecido Príncipe, seus mestres e familiares são concordes em affirmar que elle era uma excepção, um espírito não vulgar, de razão sólida e atilada, de imaginação bem organizada, em que se distinguia ás vezes um leve instincto poético, e de memoria felicíssima, proverbial nos Braganças; sobretudo, um coração de ouro, de uma nobreza de sentimentos verdadeiramente encantadora. A natureza dotou-o juntamente de uma bella organização physica e de todas as prendas naturaes que o tornavam amável a todos quantos se acercavam d’elle. A sua intelligencia, se não primava pela vivacidade, pela generalização intuitiva e rápida, e se portanto não era brilhante, pertencia comtudo a essa categoria de intelligencias que, sem terem uma espontânea mobilidade, não deixam por isso de ser mais poderosas e firmes. Era uma d’essas intelligencias germânicas que lenta mas seguramente approfundam os conhecimentos; recolhem dentro de si as manifestações do seu trabalho intellectual; trabalho aturado, exigentíssimo na assimilação rigorosa e completa de uma doutrina e na ponderação de todos os seus aspectos. Pertencia emfim a essas intelligencias que buscam de preferência a exactidão e a propriedade, ávidas da côr local d’uma situação e de pormenores incisivos d’uma ideia que localizam e quasi retratam na memoria. (…) Os exercícios physicos de que gostava sobre maneira era a caça, equitação, jogos de armas e outros, mostrando em todos qualidades não vulgares. (…) Desde as línguas vivas, historia e litteraturas clássicas e modernas, até aos ramos scientificos das sciencias mathematicas, physicas, politicas e philosophicas, o seu estudo era perfeitamente orientado conforme um plano preconcebido; todos os annos devia fazer os seus exames como prova de adeantamento. (…) Na sua viagem a Inglaterra, por occasião da coroação de Eduardo VII, foi tratado com todos os mimos pela corte inglesa; e o próprio Soberano o recebeu apesar do seu estado melindroso de saúde; (…) Como prova do seu espírito observador basta notar que tinha para seu uso um diário que escrevia em allemão alem do que escreveu na viagem ás colónias. (…) Fallava a própria língua, o francês, o inglês, o allemão. Era conhecedor das litteraturas; e como tal, mesmo dentro da portuguesa tinha as suas predilecções. Estimava em extremo no período moderno, assim o affirma um seu antigo mestre, distinctissimo official do exercito [Oliveira Ramos – Illustração Portuguesa, 19 de Março de 1908], “estima em extremo três escriptores que lhe açambarcavam quasi por completo a admiração: João de Deus, Anthero de Quental e o Eça de Queiroz de – A cidade e as serras – o Eça que elle conhecia e que era o melhor do Eça, quando o analista começa a enternecer-se e o ironista a crer”. (…) lia com grande enthusiamo, no original alemão, a obra capital de Schmoller, o eminente economista austríaco e a obra de Chamberlain, uma obra philosophica da cultura humana, ambas de larga envergadura. (…) Na philosophia meditava a serio os grandes problemas, fazendo-lhe especial impressão o da immortalidade da alma. Attrahiam-no sobre maneira as sciencias, notavelmente a Chimica e a Physica, sabendo e conhecendo bem tudo o que se refere à electricidade. Pela mechanica sentia um encanto irresistível. Desde pequenino curiosamente indagava as marcas das espingardas, o modo como trabalhavam. De 4 annos era admirador e frequentador assíduo de uma forja existente na quinta do Paço de Belem, onde passava horas em doce enlevo a ver trabalhar o official. Desenhava-se já então o futuro automobilista; pois o Principe conhecia a fundo a pratica e a technica minuciosa do automobilismo. Para o estudo de assumptos militares tinha accentuada inclinação. Durante três annos estudou com excellente resultado topographia, balística, táctica das diferentes armas, linhas de operações, planos de campanha. (…) quando aquelle distinctissimo official (Augusto Paes) voltou da viagem de instrucção que fez com Sua Alteza e com os officiaes do Estado Maior na Beira, de 2 a 10 de Junho de 1907, não de cansava de louvar Sua Alteza que tinha sido exemplar de officciaes trabalhadores, activos; (…) Mas para não faltar nada no privilegiado complexo das qualidades intellectuaes do nosso Principe, vinha sobredourá-las a luz de um talento artístico. (…) “Era um photographo amador distinctissimo; tinha-se dedicado, diz-nos um grande admirador de Sua Alteza [Capitão Correia Santos – Brasil-Portugal, 16 de Fevereiro de 1908] ao estudo para obter clichés contra a luz, com effeitos de poentes lindíssimos, como talvez não haja entre nós quem possua uma collecção tão original.” (…) Sua Augusta Mae (…) incutindo-lhe por sua própria influencia e exemplo o espírito religioso, o espírito mais completo da moralidade, o espírito de disciplina, o espírito de delicadeza e bondade, qualidade tão fundamental no carácter do Principe. (…) Consequencia d’esta delicadeza de sentimentos religiosos se pode considerar a sua acrisolada piedade filial. Amava, venerava, quasi adorava seus Paes. Tinha profundíssimo sentimento de respeito e amor por seu augusto Pae. (…) De seu augusto irmão era amicíssimo. Entre os dois eram frequentes esses actos de delicadeza do coração, manifestações encantadoras de amor fraterno. (…) Para com os mesmos inferiores, para com os seus criados era a mesma bondade; não lhe faziam o mínimo serviço sem receberem logo um muito obrigado. Os mesmos sentimentos transpareciam no seu trato com toda a classe de pessoas, com os humildes, com as crianças; dava tudo: as suas obras de caridade, ás escondidas, em favor dos pobrezinhos eram muitas, constantes.»
Pequito Rebello, Elogio Academico de Sua Alteza Real Dom Luiz Filippe, Lisboa, 1908

Taça “velha e com defeito” era afinal uma relíquia romana, diretora do Paço Ducal “nem queria acreditar que era a original”

09.06.18, Blog Real

Séculos de desgaste dentro de uma caixa de chumbo e em ambiente marítimo valeram a uma taça metálica o título de “tigela velha com defeitos”, características que, no fundo, não fogem à realidade mas que de certo modo encobrem o verdadeiro valor da peça que estava guardada nas reservas de Arqueologia da Fundação da Casa de Bragança, em Vila Viçosa.

Longe de imaginar que a peça pudesse vir a ser uma preciosa taça de prata do tempo Romano, Maria de Jesus Monge, diretora do Museu-Biblioteca, conta que foi o requisito de alguns documentos do “grande fundo arquivístico” da instituição que permitiu aproximar as pontas soltas deste enigma.

No artigo publicado posteriormente pela investigadora do Instituto de História da Arte da Universidade de Lisboa, Maria Teresa Caetano, enviado para o Palácio de Vila Viçosa por ocasião da sua contribuição no estudo, vinha o um desenho feito à época, 1850, de uma taça ornamentada representada no seu esplendor que despertou a atenção da diretora do Museu-Biblioteca, “já vimos isto”, pensou, e foi nas “reservas” de arqueologia que encontrou uma peça com aquelas características.

“Num primeiro momento não queria acreditar que tínhamos cá uma peça perdida há 150 anos”, confessou Maria de Jesus Monge, pensando na altura que a peça que tinha na mão era uma cópia, mas não, o Museu Nacional de Arqueologia (posteriormente contactado) confirmou que a taça é “mesmo a original”.

Entre outras coisas, o artigo dizia que a taça era de prata, e “aquilo não parece nada prata” conta a diretora, fruto da exposição e corrosão durante séculos, pois foi uma peça revelada na sequência do terramoto de 1755 em “contexto marítimo, em Troia, onde estava dentro de um cofre de chumbo, o que terá ajudado as alterações químicas”.

Segundo Maria de Jesus Monge, a peça encontrada por em 1814 “terá sido adquirida pelo Governador Civil da época até chegar às mãos do Duque de Palmela”, que aceitara financiar juntamente com o rei D. Fernando II, um dos principais impulsionadores desta ciência em Portugal, a Sociedade Archeologica Lusitana (em 1850).

Com a morte do Duque “a taça desaparece”, referiu a diretora, e o seu aparecimento na coleção da Fundação da Casa de Bragança confirma uma das linhas de investigação, “o rei D. Fernando, ou por compra, ou por oferta, fica com a peça”, mas passado alguns anos, apesar de continuar a integrar o conjunto de objetos preciosos do rei, “já ninguém sabe muito bem o que ela é”.

No inventário por morte do rei D. Fernando II, a sua designação já nada relaciona a peça com a descoberta de Troia, era caraterizada como “uma tigela velha com defeito”, conta Maria de Jesus Monge, que acrescenta logo de seguida que “nada faz supor que é uma taça de prata romana do Século II ou III d.c”.

Com composição em prata já confirmada pelo Museu Nacional de Arqueologia, a peça continua a ser alvo de análises, pois apresenta “alguns elementos de extrema fragilidade”, o que obriga a uma intervenção de forma a poder regressar a Vila Viçosa, onde será exposta no Museu de Arqueologia patente no Castelo, garantiu Maria de Jesus Monge ainda sem oferecer qualquer previsão para o retorno.

Fonte: Site Rádio Campanário