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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Ligação da Família Real com os Condes de Margaride

02.06.19 | Blog Real

O Rei D.Manuel II na sua visita a Guimarães esteve com o Conde de Margaride e a sua família na sua residência, a Casa do Carmo

Eram tão próximos dos reis que cada vez que a família real se deslocava ao Norte era na Casa do Carmo (Guimarães) que ficava instalada. Numa carta régia, D. Luís referia o conde de Margaride como "aquele que amo". Os dois eram unha e carne: confidenciavam segredos, partilhavam alegrias e preocupações. O conde era um irrepreensível anfitrião e quando o seu amigo o visitava esmerava-se ainda mais. A propósito de uma das visitas do rei à Casa do Carmo, escreveu o Comércio do Porto (4 de Julho de 1872): "O almoço foi servido em baixela de prata e o jantar e café com baixela de ouro." Acrescentava que a "riqueza" a "boa ordem" e "o delicado gosto" com que tudo estava preparado mereceram " lisonjeiro reparo" por parte dos familiares da Casa Real.

A origem desta família aristocrática começa com um senhor praticamente desconhecido chamado Gonçalo Annes, senhor do Casal de Paçô, em São Romão de Mesão Frio, Guimarães, no século XVI. Vivia bem, dos rendimentos, bens e fazendas agrícolas, mas não era um nobre nem aspirava a tal. Entre os seus descendentes, Gonçalo Annes deixou figuras que se foram destacando ao longo dos séculos: uns foram feitos cavaleiros da Ordem de Cristo, capitães- -mor, fidalgos. Mas foi apenas no séc. XIX que surgiu a personalidade que mais se destacou na família: Luís Cardoso Martins da Costa Macedo - 1.º conde de Margaride, que ao longo da sua vida angariou diversos títulos e distinções. Nasceu num meio privilegiado com muitas propriedades e alguns rendimentos. Formado em Filosofia em Coimbra, foi governador civil de Braga e do Porto, presidente da Câmara de Guimarães, entre muitos outros lugares que ocupou. Era um fervoroso monárquico e um católico dedicado. Ramalho Ortigão falava dele no 1.º volume d' As Farpas. Camilo Castelo Branco escreveu várias vezes sobre as "vitualhas do nobre conde" e também na " reabilitação do visconde de Margaride", incluído nas Noites de Insónias, de 1874, como escreve Luís Miguel Pulido Garcia Cardozo de Menezes no livro Os Condes de Margaride e Sua Descendência. O conde também alimentou ódios, especialmente enquanto presidente da Câmara de Guimarães, incrementando a velha rivalidade entre a cidade e Braga. Num Carnaval de Braga, um boneco com a cara do conde de Margaride foi atirado ao rio no fim dos festejos. Politicamente activo, fez em 1892 um discurso memorável na Câmara dos Pares sobre os problemas de Portugal: "Nós não enfrentamos só um défice, mas três: défice de juízo, défice de moralidade e, como consequência, deficit de dinheiro."

O segundo conde de Margaride - Henrique Cardoso de Macedo Martins e Menezes - foi igualmente um monárquico dos quatro costados. Formado em Direito, foi chefe do Partido Regenerador-Liberal, em Guimarães, e fez carreira como juiz. Manteve uma lealdade inabalável para com a casa real, apesar dos tempos conturbados do final da monarquia. Ainda nos tempos de estudante em Coimbra, ficou para a história o episódio em que defendeu o rei numa situação violenta. Numa deslocação ao Norte, D. Carlos I parou em Coimbra, onde um grupo de estudantes monárquicos confrontou um grupo republicano. Apesar dos tumultos, o rei, nervoso, quis discursar na gare. Foi o jovem conde, ainda estudante, que salvou a situação: pediu licença para pegar no príncipe D. Luís e mostrou-o à multidão, entusiasmada, acalmando os ânimos mais exaltados.

Casa do Carmo, Guimarães era a principal residência dos Condes de Margaride

O Conde de Margaride teve a honra de receber várias vezes a Família Real na sua Casa do Carmo:

  • a 2 de Julho de 1872, S.M. D. Luís I e o Infante D. Augusto;
  • a 20 de Outubro de 1887, S.S.M.M. D. Luiz I e a Senhora D. Maria Pia e S.S.A.A.R.R. o Príncipe D. Carlos e Senhora D. Amélia e o Infante D. Afonso;
  • a 29 de Novembro de 1891, S.S.M.M. o Senhor D. Carlos I e a Senhora D. Amélia passaram a tarde e jantaram;
  • a 17 de Julho de 1906 o Rei D. Carlos I almoçou e dormiu;
  • a 13 de Agosto de 1907 o Rei D. Carlos I jantou e dormiu;
  • a 29 de Novembro de 1908 o Rei D. Manuel II, na sua visita ao Norte, deu recepção, almoçou e jantou na Casa do Carmo.

Com a república implementada, o conde de Margaride foi preso devido aos seus ideias monárquicos, mas também porque se opôs à confiscação dos bens da Igreja. Era tão popular que quando foi libertado em Braga o povo recebeu-o com vivas. Em 1923, teve um ataque cerebral que o deixou com uma hemiplegia do lado direito durante dez anos. Morreu em 1933. Desde então, o poder dos Margaride, que teve o seu auge entre o séc. XVIII e XIX, nunca mais foi o mesmo.

O actual representante do título chama-se José Manuel Correa de Barros Cardoso de Macedo e Menezes, 3.º conde de Margaride.

Fonte: https://www.dn.pt/pessoas/interior/muito-intimos-da-realeza-1394147.html

Reis de Portugal - Filipe I de Portugal

02.06.19 | Blog Real

Filipe II (em castelhano: Felipe II; Valladolid, 21 de maio de 1527 – Escorial, 13 de setembro de 1598) cognominado "O Prudente" foi Rei da Espanha de 1556 até sua morte e também Rei de Portugal e Algarves como Filipe I a partir de 1581. Expandiu o domínio espanhol a Portugal, à Flórida e às Filipinas. Foi o primeiro líder mundial a estender os seus domínios sobre uma área direta "onde o sol jamais se punha", superando portanto Gengis Cã, até então o homem mais poderoso de todos os tempos. Os limites do seu império foram denominados em sua homenagem desde o extremo leste das Américas (Filipeia, hoje João Pessoa) ao sudeste insular asiático: Filipinas; do Atlântico centro-ocidental ao Pacífico centro-ocidental passando por todas as longitudes do oceano Índico.

Primeiros anos:

Filho do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico e rei das Espanhas, Carlos V de Habsburgo e de D. Isabel de Portugal, governou um vasto território integrado por: Aragão, Castela, ilhas Canárias, Baleares, Navarra, Galiza, Valência, Rossilhão, Franco-Condado, Países Baixos, Sardenha, Córsega, Sicília, Milão, Nápoles, além de territórios ultramarinos na África (Orão, Túnis, e outros), na América e na Ásia (Filipinas). Em termos de política externa, a sua mais significativa vitória sucedeu contra os turcos otomanos: a Batalha de Lepanto, em 1571.

Nasceu no Palácio de Pimentel em Valladolid, sendo o primogénito dos seis filhos de seus pais e faleceu no Escorial, onde está sepultado. Chamado ainda o Sábio e o Prudente, foi batizado em 5 de junho, na Igreja do Convento de São Paulo, pelo arcebispo de Toledo, Dom Alfonso de Talavera. Rei consorte da Inglaterra de 1554 a 1558 como marido de Maria Tudor também foi, regente de Espanha desde 1543. Tornou-se rei do citado país em 1555. Filipe de Habsburgo também foi conde de Artois, conde da Borgonha, e conde de Charolais por 42 anos.

A partir de 1552 já se tinha tornado rei como Filipe I de Nápoles, da Sicília, Sardenha, rei titular de Jerusalém e duque de Milão. Em 1555 foi também rei dos Países Baixos; em 1556 conde de Holanda, Zelândia e Ostrevant, duque de Gueldres e a partir de 1580 será também o rei de Portugal, Filipe I. Recebeu uma educação humanista, planeada por seu tutor, Juan de Zúñiga, no entanto Filipe nunca se tornaria um erudito pelos padrões renascentistas. Além da sua língua nativa, o espanhol, possuía domínio sobre o português, que era a língua da sua mãe, e o latim.

Demonstrou interesse pela arquitetura e a música, além de gosto por atividades ao ar livre, como a caça. Desde os 12 anos foi preparado para os assuntos do governo e aos 16 anos ficou encarregado da regência dos reinos de Espanha, enquanto o pai administrava o Santo Império Romano-Germânico. Assumiu a coroa espanhola em 1556, depois da abdicação do seu pai em 1555, herdando um vasto império colonial, com uma difícil situação financeira e inimigos poderosos como a: Inglaterra, França e Países Baixos.

Regência e ascenção:

 

Nomeado regente da Espanha, com um Conselho, por Carlos V, em Bruxelas em 22 de outubro de 1555, Carlos V lhe cedeu os Países Baixos, as coroas de Castela, Aragão e Sicília em 16 de janeiro de 1556, e o condado da Borgonha em 10 de junho. A coroa imperial foi herdada por o seu tio Fernando, irmão de Carlos V.

Católico devoto, defendeu a fé e se dedicou a interromper o progresso do protestantismo. É considerado por muitos o primeiro rei absolutista de Espanha. O seu reinado começou com a quebra da Trégua de Vaucelles assinado com a França em 1556, à qual se uniu ao Papa Paulo IV contra ele. Filipe teve portanto que enfrentar duas guerras ao mesmo tempo, na Itália e nos Países Baixos. Na Itália, o duque de Alba, Vice-Rei de Nápoles, derrotou o duque de Guise e obrigou o Papa a pedir paz. Filipe a concedeu, magnanimamente, e o duque de Alba foi obrigado a pedir o perdão do Papa por ter invadido os Estados Pontifícios.

Na Espanha, Filipe prosseguiu a política dos seus bisavôs, D. Fernando de Aragão e D. Isabel de Castela. Foi drástico na supressão da heresia luterana, sobretudo em Valhadolid e Sevilha. Durante o seu reinado ocorreu uma sangrenta rebelião mourisca, no antigo Reino de Granada de 1567 a 1570 que terminou com a intervenção de Dom João de Áustria, seu meio-irmão legitimado. Como resultado os mouriscos, vencidos, foram deportados para outras partes da Espanha.

Apreciação:

Em 25 de Julho de 1554, Filipe II se tornou rei consorte da Inglaterra por seu casamento com Maria Tudor. Na verdade, a função política que ele passou a exercer na Inglaterra a partir de então é algo um tanto controverso, pois, embora seja conhecido como rei consorte da Inglaterra, ele tinha os mesmos títulos e recebia as mesmas honras que sua esposa, além de os atos parlamentares constarem sempre com os nomes de ambos e as moedas serem cunhadas com as efigies de ambos. Isso caracterizaria uma diarquia e, por conseguinte, faria dele um rei da Inglaterra, e não apenas um rei consorte, que seria tão somente marido de uma rainha.

O projecto de união pessoal dos dois países falhou com a morte de Maria Tudor em 1558, antes de ter tido um herdeiro. Em guerra contra a França, com quem lutava pelo controle de Nápoles e de Milão e seus territórios, obteve vitórias nas Batalhas de São Quintino em 10 de agosto de 1557 e em Gravelines em 13 de julho de 1558. Após as vitórias que estabeleceram seu reinado e consolidaram a hegemonia espanhola na Europa, o monarca assinou com a França o Tratado de Cateau-Cambresis em 3 de abril de 1559.

Como parte do tratado constava seu casamento com Isabel de Valois (1545–1568), filha de Henrique II da França, que fora prometida a Carlos das Astúrias, seu filho com D. Maria Manuela. Isabel de Valois lhe deu apenas duas filhas as infantas Isabel Eugênia e Catarina Micaela, fazendo com que o rei permanecesse sem descendentes masculinos. Seria apenas com o seu quarto casamento, com a arquiduquesa Ana da Áustria, filha do imperador Maximiliano II, que nasceria o herdeiro ao trono, Filipe III de Espanha.

Na área da política externa, apesar da vitória diante dos berberiscos em Malta em 1565, a hostilidade da Espanha com os turcos persistia. Seu meio-irmão, D. João de Áustria, comandando uma frota, obteve uma grande vitória, embora não definitiva, na Batalha de Lepanto em 1571.

Teve primeiros-ministros notáveis: o Duque de Alba, morto em Lisboa dois anos depois da conquista; Rui Gomes da Silva, príncipe de Éboli, morto muito antes do rei; António Perez, que lhe sobreviveu; o cardeal Granvelle, que depois de ter perdido o favor do rei, o recuperou e foi chamado de Nápoles para ficar como regente do reino em Madrid, enquanto o rei ia a Portugal; e Cristóvão de Moura, o último homem forte.

Antes de morrer, o cardeal-arquiduque Alberto, vice-rei de Portugal, fora nomeado governador dos Países Baixos, e para o substituir em Portugal nomeou um conselho composto do Arcebispo de Lisboa, dos condes de Portalegre, de Sabugal e de Santa Cruz, e de Miguel de Moura. Foi o último ato importante do seu reinado.

A Coroa de Portugal:

Um dos seus triunfos políticos foi obter a União Ibérica, fazendo valer seus direitos de sucessão em 1581 nas Cortes de Tomar, que tiveram lugar no Convento de Cristo. A política matrimonial prévia das dinastias reinantes facilitara esta união.

Depois da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, ao ser aclamado rei o cardeal D. Henrique, decrépito, investiu os meios e dinheiro para ganhar ao seu partido a corte de Portugal.

Sete pretendentes disputavam a posse do reino quando morreu o rei em 1580, mas apenas cinco baseavam as suas pretensões em fundamentos aceitáveis:

  • D. Catarina de Portugal, duquesa de Bragança, filha legítima do infante D. Duarte de Portugal.
  • D. Filipe II filho da primogênita do rei D. Manuel, com seu marido Carlos V;
  • Emanuel Felisberto, Duque de Saboia, duque de Saboia, filho da infanta Beatriz de Portugal (filha do mesmo rei D. Manuel) e de seu esposo, Carlos III de Saboia;
  • António, prior do Crato, filho do infante D. Luís, sendo este filho do mesmo rei D. Manuel;
  • Rainúncio I Farnésio, duque de Parma, neto por parte de mãe do infante D. Duarte, filho do mesmo rei D. Manuel;

Os que menos direito mostravam eram Catarina de Médici, rainha da França, descendente de D. Afonso III e da sua primeira esposa a condessa Matilde da Bolonha, e o papa, herdeiro natural dos cardeais, que entendia portanto dever usufruir o reino que um cardeal governava assim como podia usufruir uma quinta de que fora possuidor. Dos cinco que apresentavam títulos valiosos, só três disputavam seriamente a coroa: Filipe II, o prior do Crato e a duquesa de Bragança.

O reino de Portugal ficara entregue a cinco governadores dependentes dos Habsburgos, os quais hesitavam em reconhecer Filipe como Rei. Este se dispôs a conquistar Portugal pelas armas. O prior do Crato se fizera aclamar em Santarém, mas dispunha de poucas tropas. Filipe reuniu exército, entregou-o ao Duque de Alba; confiou ao Marquês de Santa Cruz o comando da esquadra, e conservou-se próximo da fronteira de Badajoz. Alba marchou sobre Setúbal; conquistando o Alentejo, atravessou para Cascais na esquadra do Marquês de Santa Cruz, marchou sobre Lisboa, derrotou o prior do Crato na Batalha de Alcântara a 4 de agosto de 1580, perseguiu-o até à província do Minho, e preparou enfim o reino para receber a visita do seu novo soberano.

Filipe procurou não intervir muito na política interna de Portugal e entregou o governo do país a um homem de sua confiança, o Duque de Alba. Além de ser filho de mãe portuguesa, Filipe fora educado por cortesãos portugueses durante os primeiros anos de vida. Filipe, em 9 de dezembro de 1580, atravessou a fronteira, entrou em Elvas, onde se demorou dois meses recebendo os cumprimentos dos novos súditos. Dos primeiros que o veio saudar foi o duque de Bragança. A 23 de fevereiro de 1581 Filipe II saiu de Elvas, atravessou triunfante e demoradamente o país, e a 16 de março de 1581 entrou em Tomar, para onde convocara cortes. Distribuiu recompensas, ordenou suplícios e confiscos, e recebeu a noticia de que todas as colônias haviam reconhecido a sua soberania, exceptuando a Ilha Terceira, onde se arvorara a bandeira do prior do Crato, ali foi jurado rei de Portugal a 16 de abril de 1581.

Nas cortes, prometeu respeitar os foros e as isenções e nunca dar para governador ao país senão um português ou um membro da Família Real. Expediu de Lisboa tropas que subjugaram a Ilha Terceira, em que D. Antônio fora auxiliado pela França, e partiu para Espanha depois da vitória naval de Vila Franca, em que o Marquês de Santa Cruz destroçou a esquadra francesa em 26 de julho de 1582, obtendo a submissão da ilha. Nomeando para vice-rei de Portugal seu sobrinho, o cardeal-arquiduque Alberto da Áustria, e depois lhe ter agregado um conselho de governo e de ter nomeado os membros do conselho de Portugal, partiu finalmente a 11 de fevereiro de 1583.

A nova monarquia, associada aos interesses da rama austríaca dos Habsburgos, dominava a Península Ibérica, Nápoles, Sicília, Milão, Sardenha, Bélgica, Holanda e Luxemburgoatuais e partes da França; na Ásia, Filipinas e feitorias na Índia, Pérsia, China, Indochina, Arábia; na África, as guarnições de Ceuta, Melilha, Mazalquivir, Orão, Ifni, Bizerta, La Goleta, Casablanca, Mazagão e Ilhote de Vélez de la Gomera, Angola, Moçambique, Madeira, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Canárias, toda a América menos algumas ilhas das Antilhas, parte dos atuais Estados Unidos e o Canadá, e terras na Guiana; na Oceânia, as Molucas, Ilha de Páscoa, Ilhas Marianas (atuais Ilhas Marianas do Norte e Guam) e Ilhas Carolinas (atuais Ilhas Palau, Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall e Ilhas Gilbert.

No Brasil português, a "Cidade Real de Nossa Senhora das Neves", fundada em 1585 e hoje denominada João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, em 1588 adquiriu o nome de "Filipeia de Nossa Senhora das Neves", em homenagem ao rei Filipe II.

Casamento e descendência:

  • Casou aos 16 anos em Salamanca em 15 de novembro de 1543 com a infanta de Portugal Maria Manuela (Coimbra, 15 de outubro de 1527 - Valladolid, 12 de julho de 1545). Era filha de sua tia a rainha D. Catarina de Áustria (que por sua vez era filha de Joana de Castela e do arquiduque Filipe de Habsburgo) e do rei D. João III. O noivo teve sarna, atrasando a consumação do matrimónio, segundo informou ao imperador seu pai o aio fiel, Juan de Zúñiga.
  • 1 - Carlos de Espanha (1545-1568)

  • Viúvo aos 18 anos, em 1551 casou com a prima, Maria Tudor, rainha de Inglaterra, e foi residir em Londres. Casaram em 25 de julho de 1554 na catedral de Winchester. Maria I Tudor nascera em fevereiro de 1516 no palácio de Greenwich e morreria em 17 de novembro de 1558 de um câncer de ovários. Era Rainha da Inglaterra desde 1553, filha do rei Henrique VIII e de sua tia, Catarina de Aragão. Onze ou doze anos mais velha do que o noivo, estava envelhecida antes do tempo. Foi um casamento político que deu à Espanha influência indireta nos assuntos da Inglaterra, onde fora recentemente restaurado o catolicismo. Filipe viveu em Londres, mas era pouco simpático aos ingleses. Partiu em 1555 para os Países Baixos, cujo governo seu pai Carlos V lhe cedeu, como lhe cedera, um ano antes, o governo de Nápoles e da Sicília. Em 1556, foi-lhe cedido o governo da Espanha, ao abdicar seu pai para se recolher no mosteiro de San Yuste. Em agosto de 1555, Filipe partiu para Bruxelas e só retornou à Inglaterra decorridos dois anos. No verão de 1557 se despediram no porto de Dover. A morte de Maria I afastou os dois países. Filipe teria pedido sua cunhada Isabel I em casamento, recebendo uma negativa.

  • Isabel de Valois (Fontainebleau, 1545 - Aranjuez, 3 de outubro de 1568), filha de Henrique II de França, foi sua terceira mulher. Casaram-se por procuração em Paris em 22 de junho de 1559. O encontro pessoal teve lugar em 31 de janeiro de 1560 na capela do palácio ducal ou do Infantado de Guadalajara, casando-se na missa de velaciones. Sua mãe era Catarina de Médici, que a havia prometido ao rei da Inglaterra Eduardo VI (morto em 1553) e a Dom Carlos da Áustria em 1558. Pelo tratado de Cateau-Cambresis de 3 de abril de 1559 ajustou-se o casamento, celebrando-se os desposórios na Catedral de Notre-Dame de Paris e estando o rei representado pelo duque de Alba. Isabel cruzou a fronteira em 3 de janeiro de 1560, sendo esperada em Roncesvalles pelo Arcebispo de Burgos D. Francisco de Mendoza, e o Duque do Infantado D. Iñigo López de Mendoza. Levada a Guadalajara, instalaram-se os soberanos no palácio ducal. Ela teve a saúde abalada por propensão a contágios e a numerosos abortos. Uma gravíssima erupção de varíola, com poucos meses de casada, quase a matou, e tinha crônicos acessos hemorroidais. Teve certa intervenção na política nas conferências de Bayonne em que, em junho de 1565, encontrou seu irmão o rei da França Carlos IX e Catarina de Médici (o rei se recusara a assistir, desaprovando a política de transigência da sogra com os protestantes, e enviou o Duque de Alba). Outra vez grávida, Isabel abortou; mal tratada pelos médicos, morreu aos 22 anos, deixando 2 filhas
  • 2 - Filho natimorto (1560)
  • 3/4 - gêmeas (1564)
  • 5 - Isabel Clara Eugénia (1566)
  • 6 - Catarina Micaela (1567)
  • 7 - Joana (1568)

  • Ana de Áustria (Cigales, Valladolid, 2 de novembro de 1549 - Badajoz, 26 de outubro de 1580), sobrinha sua, filha do imperador Maximiliano II e da infanta Maria da Áustria (1528-1603), a irmã mais velha de Filipe. Tinha-se pensado em Ana da Áustria para casar com seu filho D. Carlos. Filipe a submeteu a enorme espera, até cumprir 18 anos, quando os pais pensaram em casá-la com Carlos IX.

Enquanto isso Carlos, tendo conseguído ser nomeado membro do Conselho de Estado, seguia buscando um território próprio. Foi suspeito de traição com os rebeldes holandeses. D. Carlos foi preso nos primeiros dias de 1568 numa torre do alcázar onde morreu de causas nunca esclarecidas em junho de 1568. Os inimigos do pai propagaram que por ordem sua, por adultério com Isabel de Valois.

Ana desembarcou em Santander e encontrou o tio pela primeira vez no Alcázar de Segóvia, estando já casados por poderes. A cerimónia de casamento foi realizada em 1570 em Segovia. Ana morreu estando a corte em Badajoz, a caminho de Portugal. Consta que de gripe ou numa epidemia, quando seguia o progresso das armas espanholas. Dela, o rei teve cinco filhos, quatro deles varões. Seria a primeira rainha a ter o corpo sepultado no novo Panteão dos Reis do mosteiro de El Escorial.

  • 8 - Fernando (1571-1578)
  • 9 - Carlos Lourenço (1573-1575)
  • 10 - Diogo (1575-1582)
  • 11 - Filipe III de Espanha (1578-1621)
  • 12 - Maria (1580-1583)

Carta de José Lobo de Vasconcelos a D.Manuel II, Ajudante de Campo do Rei

01.06.19 | Blog Real

Senhor Dom Manuel:

Há muito que tenho vontade de escrever a Vossa Magestade porque sei quanto nos é agradável ter notícias, mesmo insignificantes, de quem nos é caro. Vossa Magestade, apesar do que deve ter sofrido, ainda, com certeza, ama a sua Pátria; mas o respeito que tenho pelo nosso Chefe, pelo meu Rei, impedia-me de o fazer e, se não fosse o bilhete que Vossa Magestade se dignou enviar-me, e implicitamente me autoriza a fazê-lo, nunca o faria.

Se no que vou escrever Vossa Magestade, porventura, encontrar alguma coisa que pareça menos respeitosa, atribua-o à minha inabilidade e nunca a falta de respeito. Conheço Vossa Magestade desde criança, sei que o cumprimento dos seus deveres foi sempre considerado por Vossa Magestade como o seu principal dever, por ele sacrificando tudo.

Calculo, por conseguinte, quantas vezes terá pensado se o cumpria ou não, e quanto lhe terá custado se algumas dúvidas se levantaram no seu espírito.

o que sucedeu tinha que suceder!

Os políticos, com que Vossa Magestade tinha de governar, segundo a Carta, que tinha jurado manter e seguir, eram completamente incapazes de O ajudarem, uns por falta de competência e sem os conhecimentos indispensáveis, (eram quasi imbecis)! Outros, a ambição desmedida cegava-os de modo que não viram que cavavam a honra da Pátria e a sua própria. E assim se formaram a série de ministérios que, não podendo vencer as dificuldades que lhe apresentavam, torneavam-nas e em pouco viam-se de tal modo encurralados (?) que, à mais pequena dificuldade nova que aparecesse, abandonavam as suas pastas, e o que é mais extraordinário, iam para a oposição, raivosos, e tentavam levantar novos obstáculos aos que lhes sucediam, para estes não resolverem o que eles não tinham sabido, ou podido, resolver, não se importando de sacrificar Aquele a quem deviam o seu poder.

Daqui a política portuguesa nunca ter uma orientação certa, determinada, umas vezes era conservadora, outras avançada, e outras um misto que ninguém percebia, o que, reflectindo-se no País, pô-lo no estado de indiferentismo em que o veio a encontrar o 5 de Outubro. A revolução não foi conta Vossa Magestade, foi contra os seus políticos, que foram os que ajudaram a fazer, protegendo os comícios, jornais insidiosos, em que se atacavam o mais vigorosamente o princípio da autoridade, premiando os que se revoltavam, consentindo que nas escolas oficiais se fizesse propaganda contra as instituições, dando lugares rendosos aos que se salientavam nessa propaganda, etc. e os políticos não tinham dúvida em se ligar com os revoltosos, se deles precisassem para derrubar ministérios, etc.

Nestas condições que poderia Vossa Majestade fazer? Nada, a não ser que quisesse por de parte a Carta e governar por si, mas, para isso precisava apoiar-se nas classes conservadoras, mas essas não o poderiam dar em Portugal.

A Aristocracia que tinha os seus membros ligados intimamente à Monarquia, não podia já servir de apoio. É certo que existem indivíduos que são verdadeiros aristocratas, mas são poucos, e não chegavam para formar uma classe útil ao fim a que se destinava.

Vossa Magestade deve ter reparado no sorriso peculiar com que os aristocratas antigos têm quando falam dos modernos.

A classe Eclesiástica essencialmente conservadora, não podia servir de apoio apesar da enorme força que tem no País, mas de que ela não sabe dispor porque é, de todas, a mais desunida.

o padres seculares, a quem em geral falta a instrução e a educação necessária foram transformados pelos políticos em galopins eleitorais, (é claro que há excepções), os párocos· só pela política alcançavam as suas freguesias, por isso eram políticos, tanto como os verdadeiros políticos. Os das ordens religiosas, que se tinham a pouco e pouco, e cautelosamente, estabelecido, de novo, no País, olhavam os seculares como uma coisa aparte, e daí a rivalidade que, cada vez, mais enfraquecia essa classe. A importância desta classe que, à primeira vista parece menos própria para servir de apoio a um Chefe de Estado, estava, principalmente, na educação que era obrigada a dar ao povo, e que oficialmente estava unicamente entregue aos párocos e aos professores de instrução primária e sob este ponto a sua influência podia ser enorme. Vossa Magestade lembra-se do pequeno do Guardão (?) Que saudades tive ao lembrar-me desse dia. Mas a maior parte não podia dar o que não tinham.

A classe Militar era de todas a que mais facilmente poderia servir de apoio eficaz mas os monárquicos tiveram a habilidade de a estragarem, de modo que serviu, ainda que vergonhosamente, para fazer cair a Instituição, e creia Vossa Magestade, que a maioria dos militares eram e são monárquicos; os militares só obedecem de boa vontade, a quem possa e saiba vestir uma farda, a quem seja militar como eles.

A Aristocracia que tinha sofrido já golpes profundos antes da era áurea das nossas conquistas, pode restabelecer-se com essas conquistas em todo o mundo; em Alcacer Quibir e com o domínio espanhol, sofreu novos golpes mas a restauração e as campanhas que se seguiram para assegurar a independência de Portugal, de novo se levantou, de modo tal que, o Marquês de Pombal entendeu que precisava ( de) novo golpe. Deste curou-se, mas mal, pela reacção a seu favor que a crueldade do Pombal levantou em todo o País. Com os tristes acontecimentos do princípio do século passado tomou a descer no conceito público, mas a guerra peninsular a maneira como alguns aristocratas procederam tomaram a eleva-la mais longe do que tinha sido;.Com a mudança do absolutismo para o regime constitucional sofreu um golpe mortal, mas ia vivendo porque um ou outro dos seus membros conseguia distinguir-se na guerra, na política, nas ciências; o golpe de misericórdia foi-lhe dado porém, com a abolição dos morgadios.

Os aristocratas não perceberam a mudança profunda que essa abolição trazia à sociedade portuguesa, não educou, com raras excepções, os seus filhos de modo a puderem resistir a essa mudança e daí uma derrocada que lhes fez abrir os olhos e ver as suas consequências mas já sem as poderem remediar.

O Comércio e a Indústria também não podiam formar uma classe que oferecesse um apoio seguro. É verdade que os seus interesses estão ligados à paz, sossego e à ordem, mas os principais comerciantes, banqueiros e industriais são estrangeiros, e os portugueses que existem com raras excepções procuram passar à aristocracia com as comendas e benevolencias que o dinheiro merece, mas sempre considerados como intrusos.

Mas os oficiais estavam divididos em duas classes, os militares propriamente ditos que eram os que comandavam tropas, e os pseudo-militares que eram os que aproveitavam a farda para obterem lugares rendosos, ou pelo menos cómodos, e que iam às unidades: só quando a lei das promoções a isso os obrigava, e como isso se dava em dois postos de mais importância para a disciplina e instrução das tropas, capitão e coronel, pode-se calcular o mal que iam fazer nos dois anos que eram obrigados a fazer serviço, e como os outros lhe obedeciam. Vestiam fardas mas não eram militares como eles; alguns limitavam-se a comparecer no quartel e a assinarem papéis que os outros lhed apresentavam, estes eram inúteis, não eram muito prejudiciais, mas uns outros que pretendiam mostrar o seu espírito militar e em tudo se intrometiam, em tudo queriam mandar, sem nada saberem por mais que tivessem lido, esses só não eram prejudiciais quando os outros vendo a sua incapacidade se insubordinavam mansamente e faziam o serviço, como era indispensável, não se importando com o que eles diziam e deste modo dava-se o paradoxo que se só não era prejudicial quando promovia a insubordinação!

Isto juntamente com a falta de meios para o serviço a fazer e a convicção que os militares tinham que debaixo das ordens dos pseudo-militares fariam sempre má figura; talvez explique a figura vergonhosa que o exército fez e tem feito deste Outubro.

Desculpe Vossa Magestade esta comprida carta, mas, no seu País, desde que implantaram a liberdade, esta desenvolveu-se de tal modo que passou (?) do infinito e mudou de sinal, de modo que, se a sociedade do livre pensamento chegar a radiografar o nosso pensamento nem esse teremos livre e passará a sociedade de “escravo pensamento”; manifestá-lo, isso já não deixam, e, por isso é muito dificil, além de várias outras razões, encontrar pessoas com quem se possa falar: é essa a razão porque espero que Vossa Magestade me perdoe.

Lembrei-me agora duma coisa que muitas vezes me aconteceu quando estudava Cálculo: enchia a pedra com grande trabalho para chegar ao fim com o cálculo errado! Começava a emendar, perdia muito tempo sem conseguir nada, e, por fim resolvia apagar tudo e começava de novo .. , Se Vossa Magestade voltar à sua Pátria encontrará a “pedra” limpa sem ter tido o trabalho de a apagar; outros se encarregaram de o fazer, e poderá começar a resolução do seu problema. Muitas vezes à segunda tentativa acertava, (principalmente se tinha descansado) a apagar (?) e a recomeçar o cálculo.

Quando começar a resolver o seu problema não se esqueça da “Produtora”, escute-a.

Tinha esperanças, e ainda hoje tenho, nessa classe composta, em grande parte, do que antigamente se chamava “povo” e de membros de todas as outras a que me referi, que se dedicam ao trabalho e que, para seguir a moda da “democracia portuguesa”, chamarei “Produtora”, Essa sim que é conservadora, sabe quanto lhe custa o trabalho e por isso ama o produto do seu trabalho; quer guarda-lo e o defende até à última. Precisa de paz, sossego e ordem para continuar a trabalhar, e ainda de orientações certas e determinadas, e que só a permanência do Chefe Supremo lhe pode dar, e, por conseguinte, ,e ainda que muitos o não digam, querem a Monarquia. Não a antiga que, enredada em preconceitos e laços de toda a ordem deixou-se maniatar e morrer sem se defender, mas uma Monarquia livre, uma Monarquia … “Socialista”! Os extremos tocam-se. Vossa Magestade, segundo a sua Religião, é socialista, mas socialista “prático”, que produz o Bem e não o “utópico que produz amanhã a anarquia (?).” Amar o próximo como a nós próprios, digo, mesmo, é um dos seus mandamentos e, portanto, “deve deixar vir a mim os pequenos”.

Tenho pena de não escrever em latim, mas, por causa da “liberdade” que estou gozando desde que Vossa Magestade saiu de Portugal tenho receio que me apanhem a carta, me chamem jesuíta, e, por enquanto, ainda não estou a disposto a oferecer o meu corpo para servir de Judas no sábado … 40 dias depois de sábado gordo; toda a cautela é pouca.

Vossa Magestade foi “socialista”, foi propagandista. O que foi a sua estada no Porto, e a sua viagem ao Norte, senão verdadeira propaganda, com visitas a fábricas, oficinas, e mais estâncias de trabalho, com as visitas a hospitais, e casas de caridade destinadas a receber os proletários que adoeciam ou se inutilizavam no trabalho. E, para não haver dúvidas, Vossa Magestade nos seus discursos exortava ao trabalho dizendo que “amava os trabalhadores e que se achava bem entre eles”. Sei qual o fim mas fosse qual fosse o que é facto é que Vossa Magestade reconheceu o valor dos que trabalham e quis animá-los a continuar, ensinando-lhes que a salvação da Pátria estava neles!

A Produtora correspondeu ao seu apelo, e todos pediam que Vossa Magestade visitasse as suas estâncias de trabalho e, aí, manifestavam, de todos os modos, a gratidão a Vossa Magestade; não digo que a vaidade e rivalidades não influíssem mas isso não obsta que eles reconhecessem o poder de Vossa Magestade, em quem depositavam toda a sua esperança. A isto chamo “monarquia socialista”.

Se os políticos não estivessem cegos, e vissem aonde o caminho para Vossa Magestade começava a trilhar, e procurassem trazer para Portugal o que noutras nações mais adiantadas, há muito fora concedidavesta classe talvez o que sucedeu não houvesse sucedido …

Vossa Magestade não teve culpa, apesar dos seus 19 anos e de não conhecer o mundo, indicou-lhes bem o caminho a seguir. É mais um motivo para não deixar dominar o espírito pelas dúvidas a que acima me referi.

Se isto não bastar pense na maioria do Pais, a que não está estragada pela falsa instrução e educação ou que não está cega pela ambição desmedida, e pensa como a Produtora pensa…

Lembra-se na volta da Carregosa (?), um homem chegou-se ao pé de Vossa Magestade perguntando-lhe se era o Rei, e, quando teve a certeza, disse-lhe: “Vossa Magestade é que é o verdadeiro patriota, vem até aos pobres para conhecer as suas necessidades, não corno os que estão em Lisboa (políticos) que só se lembram de nós para pedirem votos. Se digo isto não é para pedir esmola, que eu com estas mãos calejadas (e mostrou as mãos) bastam para sustentar minha mulher e 5 filhos, mas para que façam caso de mim” e levantou um “viva ao verdadeiro Patriota” (?).

Lembra-se do carreiro na descida do Pessegueiro, quando se perguntou porque não arranjavam a estrada, dizer “os comilões de Lisboa gastam o dinheiro todo~ não querem saber de nós; para aqui é que eles deviam vir para saberem quanto custa a

ganhar a vida” (7).

Lembra-se do pequeno de Guardão (7) dizer: “Se não fosse o Rei todos nos roubavam” (?).

Eu várias vezes tenho ouvido a trabalhadores do campo e já, até, a professores primários dizer: “Se queriam a república nomeassem D. Manuel presidente”! Mostra ignorância, mas mostra que o povo português não é, como muitos diziam a Vossa Magestade, e que a revolução não foi feita contra Vossa Magestade, nem por sua culpa.

Guarda, 11 de Setembro de 1911

José Lobo

 

  • General de Artilharia
  • Ajudante de Campo dos reis D. Carlos e D. Manuel II

Fonte: Blogue Esquerda Monárquica

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