Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Júlio de Castilho, professor de História e de Literatura Portuguesa do Príncipe Real Luís Filipe

30.07.19 | Blog Real

Júlio de Castilho (Lisboa, 30 de Abril de 1840 — Lisboa, 8 de Fevereiro de 1919), segundo visconde de Castilho, foi um jornalista, poeta, escritor e político português, filho do escritor António Feliciano de Castilho. Distinguiu-se como olisipógrafo, publicando diversas obras sobre a cidade de Lisboa e juntando uma importante colecção pessoal de documentos sobre o tema, hoje depositada na Biblioteca Nacional de Lisboa.

Filho do escritor António Feliciano de Castilho e de sua segunda mulher D. Ana Carlota Xavier Vidal de Castilho e irmão do militar e político Augusto de Castilho, concluiu na Universidade de Coimbra o Curso Superior de Letras, enveredando cedo pela vida literária e pelo jornalismo, publicando poesia e diversas obras de carácter histórico e bio-bibliográfico.

Foi primeiro-oficial da Biblioteca Nacional de Lisboa, desenvolvendo aí diversos trabalhos de investigação na área da bibliografia e da biografia.

Foi correspondente literário em Lisboa do Diário Oficial do Rio de Janeiro. As suas cartas saíam nos números dos domingos, tornando-se notáveis pela variedade e escolha dos assuntos científicos e literários, e pela elegância e elevação do estilo. Ainda na area do jornalismo, colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente no Arquivo Pitoresco (1857-1868), na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil  (1859-1865), Gazeta Literária do Porto  (1868), O Occidente  (1878-1915), Lusitânia (1914) e A semana de Lisboa (1893-1895).

As suas actividades como jornalista levaram-no a fazer uma passagem pela política, sendo nomeado governador civil da Horta em Outubro de 1877. Exerceu estas funções até Fevereiro de 1878, sendo exonerado devido à mudança de partido do Governo em Lisboa. No ano seguinte (1878) foi nomeado para o mesmo cargo, mas no distrito de Ponta Delgada, mas não chegou a tomar posse do lugar.

O título de visconde de Castilho foi-lhe concedido em verificação de vida no de seu pai, por decreto de 1 de Abril de 1873.

No ano de 1906 foi-lhe atribuída a tarefa de professor de História e de Literatura Portuguesa do Infante D. Luís. Foi também cônsul de Portugal em Zanzibar em Zanzibar.

Foi sócio efectivo da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses e sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra, do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, do Instituto Vasco da Gama de Nova Goa e da Associação Literária Internacional de Paris.

Durante a sua passagem pelo Governo Civil da Horta foi feito sócio honorário do Grémio Literário Faialense e do Grémio Literário Artista da Horta.

Títulos - Duque de Coimbra

28.07.19 | Blog Real

O título Duque de Coimbra foi criado pelo rei D. João I de Portugal em 1415, na sequência da conquista de Ceuta, nesse ano, a favor do seu segundo filho D. Pedro, Infante de Portugal. Juntamente com o título Duque de Viseu, criado na mesma altura para o Infante D. Henrique, é o mais antigo ducado de Portugal. Depois da morte de D. Pedro na batalha de Alfarrobeira o título não foi herdado pelos seus filhos, sendo atribuído de novo apenas no fim do século XV ao filho ilegítimo de D. João II de Portugal.

Duques de Coimbra:

  • D. Pedro, Infante de Portugal (1392-1449), segundo filho do rei D. João I;
  • D. Jorge de Lancastre, Infante de Portugal (1481-1578), filho ilegítimo do rei João II;
  • D. Augusto de Bragança, Infante de Portugal (1847-1861), filho de D. Maria II e de D. Fernando II, reis de Portugal.
  • Henrique João de Bragança, filho de S.A.R o Senhor Dom Duarte Nuno de Bragança e de S.A.R a Senhora Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança, Princesa do Brasil, bisneto do rei D. Miguel I
  • Infanta Maria Francisca Isabel de Herédia e Bragança, filha de S.A.R o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança e de S.A.R a Senhora Dona Isabel de Herédia.

Fundação da Casa de Bragança inicia jornadas sobre o arquivo musical do Paço Ducal de Vila Viçosa

27.07.19 | Blog Real

Teve início esta sexta-feira, 26 de julho, no Paço Ducal em Vila Viçosa a ‘I jornada Musicológica do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança’, promovida pela Fundação da Casa de Bragança.

A Rádio Campanário esteve presente no arranque dos trabalhos e falou com a arquivista Marta Páscoa, da comissão organizadora, que explica que vão ser abordadas “temáticas relacionadas com o arquivo musical” do Paço Ducal de Vila Viçosa, composto por “um acervo muito vasto e importante”.

Na primeira jornada musicológica o Paço Ducal acolhe “especialistas de renome internacional” e que vão partilhar “o estudo que têm feito sobre os autores e compositores dos quais nos aqui temos peças”, “ajudando-nos a conhecer melhor o acervo e aquilo que temos aqui”, disse a arquivista.

Questionada sobre as mais-valias de ter o apoio de especialistas na matéria, Marta Pascoa sublinha que “permite no final termos um catálogo completo que, depois de divulgado, vai permitir a especialistas de todo o mundo saber o que temos no Palácio e poderem estudar melhor as partituras”, à medida que se vai estudando “história deste acervo, de onde vieram as várias partes, se já estavam em Vila Viçosa ou se vieram de fora”.

Segundo a arquivista Marta Páscoa, o espólio musical do Paço Ducal de Vila Viçosa é “um conjunto muito curioso de peças que vieram de lugares muito diferentes”, composta em parte por um acervo que já estava em Vila Viçosa, os “livros de música que era cantada e tocada na Capela Real e no Colégio dos Reis”, que foi “complementado com o espólio que veio de Lisboa do Palácio das Necessidades, após a Implantação da República”. Esta última composta pelas “revistas, partituras ou jornais de música” dos últimos reis de Portugal.

Fonte: radiocampanario.com

Dom Duarte Pio: “Amália conseguiu fazer essa ponte entre as duas culturas e hoje o fado é considerado tanto da cultura popular como da cultura erudita”

26.07.19 | Blog Real

Dom Duarte Pio marcou presença na apresentação da programação das celebrações do centenário de Amália Rodrigues e no final falou com o Infocul sobre a importância da fadista na cultura portuguesa.

O Chefe da Casa Real Portuguesa disse que “é certamente a personalidade portuguesa da nossa época mais conhecida em todo o mundo e passa à frente de outras personalidades também muito conhecidas… mas no campo do futebol”.

Confidenciou ainda que “os meus pais eram muito amigos, davam-se muito bem e a última vez que a vi foi quando fizemos a sua coroação como rainha do fado, em Ourém, numa cerimónia muito interessante. Então ao visitar o castelo estava a apanhar muito sol na cabeça e eu emprestei-lhe o meu panamá, daqueles panamás autênticos e ela disse, “ah eu gostei muito do seu chapéu, vou ficar como recordação” e de modo que está aqui no museu”, disse, sorrindo.

Explicou que “em Portugal a cultura divide-se basicamente em dois grandes sectores, a cultura popular e a cultura erudita. Os partidários da cultura erudita têm um certo desprezo pela cultura popular e os partidários da cultura popular consideram os da cultura erudita uns chatos e que não tem interesse. A Amália conseguiu fazer essa ponte entre as duas culturas e hoje o fado é considerado tanto da cultura popular como da cultura erudita, e claro que há pessoas que cantam muito bem e outras que cantam muito mal, e às vezes já tenho apanhado com cada susto nas casas de fado, com pessoas que efectivamente não têm voz e que insistem em cantar e acho que devia haver uma certa autocrítica”.

Fonte: infocul.pt/

Anselmo de Andrade, preceptor do Rei D. Manuel II

26.07.19 | Blog Real

Anselmo José Franco de Assis de Andrade (Lisboa, 20 de Junho de 1844 - 1928), conhecido por Anselmo de Andrade, foi um economista, grande proprietário agrícola, investigador, escritor, jornalista e político português. Foi ministro dos Negócios da fazenda de Portugal, no governo de Hintze Ribeiro (1900) e no último governo da Monarquia, presidido por António Teixeira de Sousa(1910).

Anselmo de Andrade formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Iniciou a sua actividade como escritor em 1866 com a obra Epopeias da História. Paralelamente, trabalhou com Eça de Queirós num projecto jornalístico que daría origem a As Farpas, publicações mensais feitas por Ramalho Ortigão e Eça. Anselmo de Andrade fez parte da Geração de 70, juntamente com Antero de Quental, Eça de Queirós, de Oliveira Martins e outros outros intelectuais que pretendiam revolucionar várias dimensões da cultura portuguesa, da política à literatura.

Em 1875, mudou-se para Beja, onde abriu um escritório de advocacia e administrou as vastas propriedades herdadas dos seus tios. Exerceu o cargo de presidente da Câmara Municipal de Beja. Seguindo paralelamente uma carreira de escritor e investigador, elaborou extensa obra dedicada à paleontologia e publicou Populações Lacustres (1882). Ainda em Beja, publicou Viagens na Espanha, obra em que recolhe as impressões de viagens no país vizinho.

Em 1885, já em Lisboa, filiou-se no Partido Progressista e assumiu, a direcção do órgão oficial do partido, o Correio da Noite, anteriormente dirigido por Emídio Navarro. Também colaborou em diversas publicações periódicas como as revistas Atlântida (1915-1920) e Brasil-Portugal (1899-1914). Dois anos depois, em 1887, foi eleito deputado às Cortes, sendo, daí em diante, reeleito para várias legislaturas até 1905.

Em 1893 foi co-fundador da Companhia da Ilha do Príncipe.

Em 1898, publicou um trabalho de conteúdo financeiro e económico, A Terra – Economia Nacional e Comparada, sendo-lhe reconhecido grande prestígio científico. Este reconhecimento foi concretizado pelo convite que lhe foi feito por Hintze Ribeiro, para integrar o seu governo como ministro dos Negócios da fazenda entre 25 de Junho e 30 de Novembro de 1900. A curta duração deste cargo deveu-se ao facto de lhe ter sido negada a aprovação da criação de um banco emissor do Estado, tendo por essa razão sido apodado de "socialista de Estado".

Depois do Regicídio, foi convidado para preceptor do rei D. Manuel II, para o ajudar a estudar economía política. Em 26 de Junho de 1910, foi chamado ao Governo, no ministério de António Teixeira de Sousa, para de novo se encarregar dos Negócios da Fazenda, sendo o último titular dessa pasta na Monarquia Constitucional. Implantada a República, abandonou a política, mas ainda foi vice-presidente da Cruzada Nun’Álvares.

O seu trabalho na área económico-financeira, irá ter, nos anos seguintes, grande influência no meio académico, nomeadamente em António de Oliveira Salazar, com quem se relacionou e por quem tinha elevado apreço.

Obras publicadas:

  • Epopeias da História,(1866)
  • Populações Lacustres, (1882)
  • Viagens na Espanha, (1885)
  • A Terra, (1898)
  • Portugal Económico, (1902); nova edição: Portugal Económico. Teorias e Factos. Economia descritiva (Coimbra: F. França Amado Editor, 1918).
  • Evolução da moeda, (1923)
  • Política, Economia e Finanças Nacionais Contemporâneas, (Coimbra Editora, 1925-1926, postumamente)

Arthur Montenegro, professor e conselheiro em matéria de Direito

26.07.19 | Blog Real

Artur Pinto de Miranda Montenegro (Lisboa, 9 de Abril de 1871 — Anadia, 24 de Setembro de 1941), conhecido na grafia da época por Arthur Montenegro, foi um jurisconsulto e professor de Direito da Universidade de Coimbra e na Faculdade de Direito de Lisboa que exerceu importantes funções políticas, entre as quais as de deputado eleito pelo Partido Progressista e de Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça. Foi membro do Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia.

Nasceu em Lisboa no seio de uma família de ascendência aristocrática, com raízes em Castelo de Paiva, filho do general de divisão Augusto Pinto de Miranda Montenegro, deputado às Cortes, e de sua esposa Maria Sofia Borges da Silva Montenegro. O pai, irmão do 1.º conde de Castelo de Paiva, provinha em linha varonil de Martinho Pinto de Miranda Montenegro, fidalgo da Casa Real e administrador de diversos vínculos em Castelo de Paiva e outros concelhos do norte de Portugal.

Em 1887, com 16 anos de idade, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde em 2 de Julho de 1892 obteve a licenciatura em Direito, classificado como o primeiro e mais laureado estudante do seu curso. Nas eleições gerais realizadas a 23 de Outubro desse mesmo ano de 1892 (29.ª legislatura da Monarquia Constitucional Portuguesa), com 21 anos de idade e apenas saído da Universidade, foi eleito deputado nas listas do Partido Progressista pelo círculo eleitoral uninominal de Cinfães, iniciando uma carreira parlamentar que se prolongaria até à implantação da República Portuguesa a 5 de Outubro de 1910.

Entre as inovações pedagógicas que introduziu no ensino do Direito Romano na Universidade de Coimbra conta-se a substituição do velho compêndio de Institutiones juris civilis Heineccianae emendatae atque reformatae, de Johann Peter Waldeck, obra que era utilizada como livro de texto oficial desde os primórdios do século XIX. Para o substituir promoveu a introdução de manuais de autores franceses, entre os quais Edouard Cuq, Eugène Petit e Paul-Frédéric Girard, obras melhor escritas e com conceitos actualizados. Também elaborou o seu próprio manual, O antigo direito de Roma, publicado entre 1896 e 1898 pela «Casa França Amado» de Coimbra.

A obra científica de Arthur Montenegro segue uma linha histórico-sociológica e constitui o primeiro compêndio de Direito Romano redigido em Portugal após a Reforma Pombalina do ensino na Universidade de Coimbra. A novidade das ideias e a clareza da exposição logo granjearam fama de romanista, prenúncio de uma carreira docente que o afirmaria como especialista em Direito Romano e em História do Direito. É uma obra que, passado mais de um século, se mantém actual, sem que nenhuma outra no seu género a tenha conseguido ultrapassar, seja pelo esmero literário seja pela riqueza do conteúdo, o qual inclui o estudo do Ius Romanum nas suas fontes e instituições privadas fundamentais, capacidade civil, família, obrigações, propriedade e sucessões. Com a obra, a ciência jurídica portuguesa recuperou um atraso de décadas, passando a dispor de um compêndio de Direito Romano digno dos melhores da literatura da época.

Teixeira de Pascoaes, que o conheceu como jovem lente na Universidade de Coimbra, nota a diferença em relação aos professores mais velhos e descreve-o assim no seu Livro de Memórias (1928): «E, como contraste fino e elegante, o Montenegro, ainda novo, dandy, barba à Guise, de seda, e uma cabeça de marfim, com uma penugem doirada nas fontes e na nuca». No entretanto manteve uma carreira como advogado e jurisconsulto, ganhando renome como consultor no campo da produção legislativa e da jurisprudência. Espírito culto, superiormente educado, orador de mérito, a sua actividade parlamentar não passou despercebida em Lisboa, onde a breve trecho se embrenhou na vida social e política da Corte, sendo escolhido para professor e conselheiro em matéria de Direito do infante e futuro rei D. Manuel II de Portugal.

Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa, sócio efectivo do Instituto de Coimbra, vogal do Conselho Superior da Instrução Pública e membro do Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia. Ao longo da sua carreira recebeu diversas condecorações nacionais e estrangeiras, entre as quais a Legião de Honra, a grã-cruz da Ordem de Carlos III de Espanha e a grã-cruz da Ordem de Leopoldo da Bélgica. Faleceu na Anadia em 24 de Setembro de 1941, sendo substituído na cátedra coimbrã por Guilherme Braga da Cruz.

Pág. 1/4