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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Joaquim Pinheiro das Chagas, secretário do Rei D.Pedro V

08.08.19, Blog Real

Jazigo de Joaquim Pinheiro das Chagas, no Cemitério dos Prazeres

Joaquim Pinheiro das Chagas (Lamego, 5 de Fevereiro de 1809 - Lisboa, 3 de Dezembro de 1859), militar e secretário particular do rei D. Pedro V de Portugal. Foi pai do conceituado jornalista e escritor Manuel Joaquim Pinheiro Chagas.

Nasceu em Lamego a 5 de fevereiro de 1809, faleceu em Lisboa a 3 de dezembro de 1859. Era filho de Manuel Pinheiro, médico, e de sua mulher, D. Maria Teresa. 

Aos dezasseis anos de idade, depois de concluídos os preparatórios, foi para Coimbra na intenção de se formar em medicina, o que não pôde conseguir por se ter em 1829 alistado no Batalhão Académico que se formara para defender a causa liberal, a que tão brilhantes e desinteressados serviços prestou durante a guerra civil e que pôs termo a Convenção de Évora Monte. 

Como soldado do batalhão tomou Pinheiro Chagas parte em todos os combates em que este corpo se distinguiu, e de que rezam com merecido louvor as crónicas contemporâneas. Depois de conhecido o lamentável caso do Belfast, que ia contribuindo para aniquilar de vez as aspirações e as esperanças dos defensores da causa, liberal, Pinheiro das Chagas entrou em Espanha com os restos do exército constitucional, seguindo mais tarde para Inglaterra, couto da foragida liberdade, como lhe chamou Almeida Garrett, mas que por vezes desmentiu com os emigrados portugueses a fama do seu hospitaleiro agasalho, encerrando-os no barracão de Plymouth, uma das mais dolorosas recordações do exílio daquele heróico punhado de bravos que arriscou a vida e fazenda em nome da redenção moral da pátria oprimida e vilipendiada. Os tormentos que passaram ali, o desprezo e desumanidade, com que o governo inglês os tratou, inspiraram a Pinheiro das Chagas uns artigos que ele intitulou Noites do Barracão, e tiveram então imensa voga, como eco que eram do sentir geral de todos os seus companheiros do infortúnio. O verdadeiro título deste curioso, e hoje raríssimo, livro é As noites do barracão passadas pelos emigrados portugueses em Inglaterra; em verso alexandrino, Paris, 1834. Pinheiro das Chagas fez parte da expedição dos Açores comandada pelo conde de Vila Flor, mais tarde duque da Terceira, contribuindo para a defesa da ilha Terceira, e também com os seus camaradas do Batalhão Académico, para submeter ao domínio do governo constitucional as demais ilhas do arquipélago. Entretanto, se a causa da emigração não ganhava terreno, conquistava lentamente para si os espíritos tímidos e animava o duque de Bragança à aventurosa expedição para Portugal, confiado na dedicação dos seus partidários e no apoio moral que os seus esforços iam encontrando na imprensa e nos parlamentos estrangeiros. Pinheiro das Chagas foi um dos bravos da expedição do exército libertador que veio desembarcar nas praias do Mindelo em julho de 1832, e tomou parte muito activa na defesa do Porto. Organizada depois a expedição para o Algarve, de que tomou o comando o general duque da Terceira, foi Pinheiro das Chagas nomeado para fazer parte do destacamento do batalhão académico que exclusivamente constituía a artilharia do corpo expedicionário, podendo por este simples facto ajuizar-se ainda hoje de que prestante auxílio não foi à consolidação do governo constitucional na nossa terra a desinteressada corporação da mocidade académica. No combate da Cova da Piedade, um dos últimos feridos naquela sangrenta luta de irmãos, ficou Pinheiro das Chagas estendido no campo como morto em resultado de uma violenta contusão na cabeça, tributo que raros dos seus camaradas deixaram de pagar à fixidade das suas crenças a ao amor pela sua terra natal. Quase, ao terminar a guerra civil já em Lisboa, e depois de haver sido dissolvido o corpo académico, permitindo-se aos estudantes optarem pela continuação dos seus respectivos cursos ou pela entrada no exército com o posto de alferes, a que todos tinham mais que justificado direito, Pinheiro das Chagas optou pelo serviço militar, a que se habituara nas rudes provações do exílio, sendo colocado em infantaria n.º 18, fazendo o resto da campanha da liberdade até à memorável batalha da Asseiceira, em que tomou parte. 

Joaquim Pinheiro das Chagas foi um homem de inexcedível modéstia, e de completo desapego das ostentações e vaidades sociais. Uma única preocupação o dominava o cultivo da inteligência, já então prometedora de seu filho único, o futuro estadista e distinto escritor Manuel Pinheiro Chagas. Foi neste propósito que aceitou, por convite do general Augusto Palmeirim, então director do Colégio Militar, o lugar de oficial do mesmo colégio, isto no intuito de vigiar e dirigir a educação de seu filho, que nele era aluno, e se dispunha a seguir a carreira das armas. Foi por este tempo, e quando exercia interinamente o lugar de director do Colégio Militar, que o rei D. Pedro V teve ocasião de o conhecer, de avaliar o alcance da sua inteligência e a solidez dos seus conhecimentos, afeiçoando-se-lhe desde logo com a bonomia característica de todos os actos da vida do jovem monarca, chamando-o meses depois para o lugar de seu secretário particular. Cumpre denunciar como hereditária em D. Pedro V esta honrosa afeição pelo seu secretário, antes confidente das mágoas a dissabores de que a realeza não anda isenta. (V. D. Pedro V, neste vol., pag. 504). O rei D. Fernando já distinguia Pinheiro das Chagas com a sua amizade muito antes de 1857, ano em que este fora chamado para desempenhar as melindrosas funções de secretário dum rei moço e estudioso, e dedicado, como ele dizia, ao seu ofício de reinar. Apesar da fortuna por vezes lhe haver sorrido, Pinheiro das Chagas teimou sempre em viver na obscuridade, negando-se quer às sedutoras exterioridades da corte, quer ao arruido fascinador da publicidade. Dotado de grande inteligência, já na emigração era conhecido como poeta de largos horizontes, como o prova uma Ode a Catão, que se recitou em Plymouth numa récita do Catão, de Almeida Garrett, e que teve um êxito enorme. Esta Ode, além do seu mérito literário, exprimia os sentimentos dos emigrados que viam a sua energia e o seu vigor paralisados por falta de chefe, a por discórdias dos que deviam dirigir o movimento liberal. Fiel aos princípios da sua mocidade, poucos artigos firmou com o seu nome, a esses mesmos só quando julgou que deles lhe poderia advir responsabilidade perante a classe a que pertencia, e tais são os que escreveu a assinou na Revista Militar, então nascente, a que a  boa camaradagem lhe não permitia negar o auxílio da sua colaboração. Como poeta, pertenceu à escola intermédia entre a clássica que chegava ao seu termo, e a romântica que principiava a despontar acaudilhada em Inglaterra por lorde Byron, em França por Victor Hugo a Lamartine, em Espanha pelo duque de Ribas, em Portugal por Almeida Garrett. Deixou belas traduções de Parny, Turquety, Lamartine, Thomaz Gray, Goldsmith, lorde Byron e de Victor Hugo. Também traduziu a ampliou por ordem do rei D. Pedro V a Chave da Ciência, do dr. Brewer, para ser adaptada às escolas portuguesas. Esta tradução ficou interrompida pela inesperada morte de Pinheiro das Chagas, contando apenas cinquenta anos, e parecendo gozar de boa saúde. Deixou inéditas umas Memórias, manifestando o desejo de que só fossem publicadas vinte anos depois da sua morte. O seu funeral realizou-se no dia 5 de dezembro de 1859, sendo os seus restos mortais depositados no jazigo do conde da Ponte no cemitério dos Prazeres; um ano depois foram trasladados para jazigo próprio, onde se gravou a seguinte inscrição:   

AQUI JAZ
JOAQUIM PINHEIRO DAS CHAGAS. NASCEU NA CIDADE DE LAMEGO
A 5 DE FEVEREIRO DE 1809.
FALECEU NA DE LISBOA
A 3 DE DEZEMBRO DE 1859.
ILUSTRADO ESPIRITO, E MODESTO,
SOUBE SER BOM CIDADÃO
BOM AMIGO E SOLDADO HONRADO.
PERTENCEU AO CORPO ACADÉMICO.
FEZ TODAS AS CAMPANHAS PELA LIBERDADE
DESDE 1828 ATÉ 1834
SENDO UM DOS DEFENSORES DA ILHA TERCEIRA,
E DA CIDADE DO PORTO.
ERA MAJOR DO EXERCITO,
E SECRETARIO PARTICULAR DE
EL REI O SENHOR D. PEDRO V,
POR CUJA ORDEM
SE LEVANTOU ESTE MONUMENTO.
1860

Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/pchagasjoaq.html

Bernardo Pinheiro Correia de Melo, secretário do Rei D.Carlos I

08.08.19, Blog Real

Bernardo Pinheiro Correia de Melo, primeiro conde de Arnoso, (Guimarães, 27 de Maio de 1855 — 21 de Maio de 1911) foi um escritor português e secretário pessoal do rei D. Carlos, tendo sido ainda membro dos Vencidos da Vida. Usou o pseudónimo literário Bernardo Pindela. Encontra-se colaboração da sua autoria nas revistas A imprensa (1885-1891), A semana de Lisboa (1893-1895) e na revista Brasil-Portugal  (1899-1914).

Filho de João Machado Pinheiro Correia de Melo, 1.º Visconde de Pindela, e de Eulália Estelita de Freitas Rangel de Quadros. Foi Fidalgo da Casa Real, e General do Exército.

Recebeu o título de 1.º Conde de Arnoso por decreto, em 28 de Setembro de 1895, pelo rei D. Carlos.

Obras:

  • Azulejos (1886)
  • Jornadas pelo mundo (1895)

Secretários dos Reis de Portugal

08.08.19, Blog Real

Os Reis de Portugal tinham sempre o seu secretário particular, que era sempre um homem da sua  inteira confiança.

O escrivão da puridade era um alto funcionário da Coroa de Portugal, durante a Idade Média e o Renascimento. O cargo foi criado no século XIII, competindo-lhe inicialmente a função de escrivão ou secretário pessoal do Rei de Portugal, com a responsabilidade de lidar com os seus documentos particulares e assuntos mais reservados.

Sobretudo a partir da segunda metade do século XIV, o escrivão da puridade foi assumindo funções cada vez mais importantes, passando a ser o detentor do Selo do Camafeu (ou Selo da Puridade) que permitia autenticar os documentos sem passar pela Chancelaria-Mor e a ser responsável pelos assuntos relacionados com as Cortes e pelos negócios estrangeiros. O cargo de escrivão da puridade acabou por ganhar preponderância sobre todos os outros cargos do Estado, como os de chanceler-mor, de mordomo-mor e de vedor da fazenda, passando a funcionar como uma espécie de primeiro-ministro.

Assumindo cada vez mais funções de Estado, o escrivão da puridade acabou por perder a sua função original de secretário pessoal do Soberano, sendo criado o cargo de secretário de el-Rei para o substituir no desempenho desta função.

Para além do próprio Rei, alguns outros membros da Casa Real - como a Rainha, o Príncipe e os Infantes - tinham também os seus próprios escrivães da puridade. Estes eram contudo meros secretários particulares, sem quaisquer funções de Estado.

O cargo de escrivão da puridade foi extinto no século XVI, quando das reformas administrativas do Rei D. Sebastião que levaram à criação de três secretarias de Estado (Secretaria de Estado, Secretaria das Mercês e Expediente e Secretaria da Assinatura).

O cargo foi restaurado, já no século XVII, pelo Rei D. Afonso VI, em favor do 3.º conde de Castelo Melhor, ao qual foram atribuídos alargados poderes governativos. Quando da queda de D. Afonso VI e da consequente queda do conde de Castelo Melhor, o cargo foi novamente extinto.

No século XVIII, foi dado o título meramente honorífico de "escrivão da puridade" a alguns secretários particulares dos reis.

O Rei D.Manuel II com o seu primeiro secretário particular, o Marquês do Lavradio no seu gabinete de trabalho.

Casa de Borgonha:

Secretário do Rei D.Afonso IV:

Casa de Avis:

Secretário do Rei D.Fernando I e do Rei D.João I:

  • Gonçalo Lourenço de Gomide

Secretário do Rei D.Duarte I:

  • Nuno Martins da Silveira

Secretário do Rei D.Afonso V:

  • Diogo da Silveira

Secretário do Rei D.João II:

Secretário do Rei D.Manuel I:

Secretário do Rei D.João III:

  • Francisco Carneiro
  • D.Miguel da Silva

Secretário do Rei D.Sebastião I:

  • Martim Gonçalves de Câmara

Casa de Bragança:

Secretário do Rei D.Joao IV:

Secertário do Rei D.Afonso VI:

Secretário do Rei D.João V:

Secretário do Rei D.João VI:

Secretário do Rei D.Pedro IV:

Secretário do Rei D.Pedro V:

Secretário do Rei D.Luís I:

Secertários do Rei D.Carlos:

Secretários do Rei D.Manuel II: