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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Sab | 26.10.19

Paço da Alcáçova

Blog Real

O Paço da Alcáçova foi a principal residência dos monarcas portugueses entre 1255 e 1503.

Foi residência dos reis D.Afonso III, D.Dinis, D.Afonso IV, D.Pedro I, D.Fernando, D.João I, D.Duarte, D.Afonso V, D.João II e D.Manuel I.

Embora denominado como Paço dos Henriques, os senhores de Alcáçovas, o palácio ficou conhecido como Paço Real, tal o número de monarcas que nele pernoitaram ou residiram, tendo chegado a ser residência real oficial no séc. XIV.

Em 1503 foi substiuído pelo Paço da Ribeira como residência real oficial.

Arco ogival, museu do Castelo de São Jorge, no medieval Paço Real da Alcáçova

Sab | 26.10.19

Palácio Corte Real

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O Palácio Corte Real, inicialmente conhecido por Palácio ou Casas do Corte Real, era um dos melhores palácios de Lisboa, que desapareceu na voragem dos terremoto e maremoto de 1755. Possuía quatro grande torres encimadas por cata-ventos.

Pertenceu inicialmente à família Corte Real, que o vendeu à Casa Real na época do infante D. Pedro, depois regente do Reino e, finalmente, rei como D. Pedro II de Portugal, que nele habitou até ser destronado o seu irmão, D. Afonso VI. Serviu a partir de então como residência do Infantado. Situava-se convenientemente nas traseiras do Paço da Ribeira e fazendo parte daquele complexo palaciano.

Sab | 26.10.19

Mariana de Lancastre Vasconcelos e Camara, camareira-mor da Rainha Maria Francisca Isabel de Sabóia

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Mariana de Lancastre Vasconcelos e Camara nasceu em 1615 em Lisboa.

Era filha de Simão Gonçalves da Câmara, 3º conde da Calheta e Margarida de Menezes Vasconcelos.

Casou com João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa, governador-geral do Brasil.

Em 1666 foi com o seu filho, Luis de Vasconcelos e Sousa, 3º conde de Castelo Melhor receber a rainha Maria Francisca Isabel de Sabóia e foi eleita camareira-mor da rainha.

Faleceu a 18 de Dezembro de 1698.

Sab | 26.10.19

Filipa de Vilhena, camareira-mor da Rainha D.Luísa de Gusmão e aia do príncipe D. Afonso

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Filipa de Vilhena (morta em Lisboa, 1 de abril de 1651), primeira e única Marquesa de Atouguia, foi uma nobre portuguesa que se tornou símbolo do patriotismo de seu país durante a Restauração da Independência. Sua história foi adaptada por Almeida Garrett em uma peça homónima, o que contribuiu para sua idealização.

Filipa de Vilhena era filha e herdeira de D. Jerónimo Coutinho e de D. Luísa do Faro. Seu pai, conselheiro de Estado e presidente do Desembargo do Paço, embora tenha sido nomeado vice-rei da Índia em 1619, não aceitou tal cargo.

Casou-se com o 5.º conde de Atouguia, D. Luís de Ataíde, que veio a morrer antes de 1640. Já viúva, D. Filipa de Vilhena teve conhecimento de todos os preparativos da revolução da Restauração da Independência, e aconselhou a aderir a ela os seus filhos.

Na madrugada de 1 de Dezembro de 1640, por ser viúva, cingiu ela própria as armas a seus dois filhos, D. Jerónimo de Ataíde e D. Francisco Coutinho, e mandou-os combater pela Pátria, dizendo-lhes que não voltassem senão honrados com os louros da vitória. Contudo, o seu primogénito não era uma criança, como a tradição e a peça de Almeida Garrett indicam, mas já um homem feito, que foi nomeado governador de Peniche e, mais tarde, vice-Rei do Brasil.

D. Filipa foi chamada ao Paço da Ribeira pela rainha D. Luísa de Gusmão, tendo recebido o cargo de camareira-mor e de aia do príncipe D. Afonso, futuro D. Afonso VI.

É de realçar que D. Mariana de Lencastre também armou seus filhos, mas apenas o nome de D. Filipa de Vilhena se gravou na memória colectiva.

Encontra-se sepultada em Lisboa, na Igreja de Santos-o-Velho.

Sab | 26.10.19

Rainhas de Portugal - Beatriz de Castela

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Beatriz de Castela (em castelhano: Beatriz de Castilla; também chamada de Beatriz de Gusmão; Saragoça, c. 1242 — 27 de outubro de 1303) foi uma infanta de Castela, rainha de Portugal entre 1253 e 1279 e rainha-mãe de 1279 a 1303. Era filha do rei Afonso X o Sábio com Mor Guilhén de Gusmão, por isso neta materna de Guilhén Peres de Gusmão e de Maria Gonçalves Girão, e meia-irmã do rei Sancho IV.

Biografia:

Em 31 de dezembro de 1244, o rei Afonso X "com a aprovação de seu pai", o rei Fernando III doou a vila de Elche a sua filha Beatriz e a todas as crianças que tivesse com Mor Guilhén de Gusmão no futuro, com o usufruto vitalício para sua mãe.

Como parte de sua estratégia para chegar a um acordo com o Reino de Portugal sobre a soberania do Algarve, o rei Afonso X deu a sua filha Beatriz em casamento ao rei Afonso III; matrimónio celebrado em 1253. Afonso III era primo direito do avô de Beatriz, Fernando III de Leão e Castela, uma vez que a mãe de Fernando, a infanta Berengária de Castela, era irmã da rainha Urraca de Castela, esposa de Afonso II de Portugal e mãe de Afonso III.

No acordo, Afonso III "cedería temporariamente sou futuro sogro o usofructo do Algarve e dos territórios ao oriente do Guadiana" enquanto que o rei de Castela prometia devolver todos seus direitos sobre o Algarve ao primeiro filho de Alfonso III e Beatriz quando ele atingisse a idade de sete anos. Embora a nobreza portuguesa considerasse que o "casamento foi humilhante para o rei de Portugal", Afonso III informou a nobreza que "...se em outro día achasse outra molher que lhe desse tanta terra no regno, para acrecentar, que logo casaria com ela". Afonso III ainda estava casado com Matilde que foi repudiada en 1253 devido a esta não lhe poder dar um herdeiro para o trono português. Em 1255, Matilde acusou o marido de bigamia ao papa Alexandre IV e em 1258 este condenou Afonso III por adultério e exigiu que ele devolvesse o dote da condessa Matilde. Porém, esta morreu no mesmo ano e as ameaças do Papa foram suspensas. O papa Alexandre IV morreu em 1261 e seu sucessor, o papa Urbano IV, em 19 junho de 1263, por a bula pontifícia Qui celestia, legitimou o matrimónio e os três filho já nascidos. Desde maio de 1253, Beatriz aparece nos documentos régios como a esposa e rainha de Portugal, mas o matrimónio só terá ocorrido em mayo de 1258 em Chaves.

O rei Afonso III, doou a Beatriz as vilas de Torres Vedras, Torres Novas, e Alenquer, e posteriormente o respectivo padroado. Com a morte de sua mãe, o mais tardar em 1267, Beatriz herdou uns senhorios em terras da Alcarria, incluindo Cifuentes, Viana, Palazuelos, Salmerón e Alcocer. Nesta última localidade, tomou a custódia do mosteiro de Santa Clara, fundado por sua mãe. Também a rainha Beatriz mandou construir a Igreja de São Francisco em Alenquer, que depois da sua morte, foi terminada por seu filho, D. Dinis que mandou colocar uma lápide "em honra da muy nobre rainha Dona Beatrix".

Até a morte de seu marido, o rei Afonso III em 1279, Beatriz teve uma grande influência sobre a Cúria Régia e apoiou a aproximação dos reinos de Portugal e de Castela. Em 1282, Beatriz voltou a Sevilha por causa de suas divergências com seu filho, o rei D. Dinis. Antes de novembro de 1282, Beatriz, já viúva, apoiou o seu pai contra o seu meio-irmão, o infante Sancho, o futuro rei Sancho IV, pessoalmente e com dinheiro.

Beatriz era muito querida por seu pai e em 4 março de 1283, Afonso X deu-lhe as vilas de Mourão, Serpa e Moura com os seus castelos e, no mesmo dia, o rei castelhano doou a Beatriz o reino de Niebla e os rendimentos reais da cidade de Badajoz. O rei, seu pai, justificou as concessões desta manera:

Beatriz permaneceu com seu pai e esteve foi nomeada testamenteira no segundo testamento do rei em 22 janeiro de 1284, e estava com ele quando o rei morreu em 1284.

 

A rainha Beatriz faleceu em 27 de Outubro de 1303, com 61 anos, e está sepultada no Mosteiro de Alcobaça.

Túmulo de D. Beatriz de Castela no Mosteiro de Alcobaça. (atrás, o túmulo de sua filha D. Sancha, com a inscrição: «D. SANCIA INFANS, FILIA REGIS ALFONSI 3».

Descendência:

Do seu casamento com Afonso III nasceram:

  • Branca de Portugal (1259 –1321), senhora do Mosteiro de Las Huelgas em Burgos;
  • Fernando de Portugal, segundo Figanière, morreu em 1262 e foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça, embora, "a única vez que é referido na documentaçao reporta-se ao ano 1269, pelo que terá nascido e morrido no mesmo ano";
  • Dinis de Portugal (1261-1325), sucessor do pai no trono, casou-se com a rainha Santa Isabel de Aragão;
  • Afonso de Portugal (1263-1312), senhor de Portalegre, casou-se com a infanta Violante Manuel, senhora de Elche e Medellín, filha do infante Manuel de Castela e de Constança de Aragão;
  • Sancha de Portugal (1264-1302); 
  • Maria de Portugal (1265-c. 1266), que faleceu antes de um ano;
  • Vicente de Portugal (1268-1268), faleceu no mesmo ano de seu nascimento, segundo a inscrição no seu túmulo no Mosteiro de Alcobaça;

Em algumas crónicas antigas, menciona-se outra filha, Constança, no entanto, não há provas da sua existência segundo Figanière. Esta suposta filha, segundo outros historiadores, morreu muito nova em Sevilha e foi sepultada no Mosteiro de Alcobaça. No entanto, "esta referência deve (...) aplicar-se à infanta Sancha (que deve), embora com diferentes nomes, ter sido uma única infanta".

Sex | 25.10.19

Rainhas de Portugal - Matilde II, Condessa de Bolonha

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Matilde II de Bolonha ou Matilde de Dammartin (em francês: Mathilde de Boulogne ou Mahaut de Boulogne; 1202-1258) foi uma nobre francesa, condessa de Bolonha, Mortain, Aumale e Dammartin de 1216 a 1260 e rainha consorte de Portugal de 1248 a 1253.

Filha do conde Reinaldo de Dammartin e da condessa Ida, Condessa de Bolonha, Matilde herdou os condados dos pais, uma vez que estes não tiveram filho varão que lhes sucedesse.

Em 1214, o seu pai fez parte da coligação derrotada na batalha de Bouvines por Filipe Augusto, acabando por ser aprisionado pelo rei de França. Este último assumiu o controle de Bolonha e em 1218 casou Matilde com o seu filho Filipe Hurepel. Deste casamento nasceram:

  • Joana (1219-1252), casada com Gautério de Châtillon, conde de Nevers.
  • Alberico (1222 - depois de 1284), conde de Clermont, que abdicaria das suas possessões em favor da irmã para se instalar na Inglaterra.

Após 1214, o condado de Bolonha ficou sob a administração directa do monarca francês, mas quando este morreu em 1223, Filipe Hurepel assumiu o controlo. O condado prosperou durante este período de paz; Filipe fez restaurações e melhorias às fortificações de Bolonha-sobre-o-Mar e outras praças fortes do condado, mas morreu em 1234.

Entretanto a coroa francesa tinha passado para Luís IX, sob a regência de Branca de Castela, viúva de Luís VIII. Uma vez que condado de Bolonha ainda estava sob protecção do reino de França, Branca de Castela organizou novo matrimónio para Matilde. O escolhido foi o infante português D. Afonso, futuro D. Afonso III, irmão mais novo do rei D. Sancho II e filho de D. Afonso II com Urraca de Castela, irmã de Branca. Afonso tornou-se conde de Bolonha por casamento.

Por esta época, havia em Portugal grandes convulsões internas. D. Sancho envolvera-se num conflito com a Igreja Católica, pairando sob o país um clima de quase guerra civil. Branca de Castela viu então a possibilidade de aproximar diplomaticamente os reinos de Portugal e França, tendo-se aliado com o Papa Inocêncio IV contra o referido D. Sancho. De seguida, procurou convencer o papa a depô-lo de rei de Portugal no Concílio de Lião, e a designar o seu Afonso como Defensor e Protector do Reino de Portugal (regente).

Afonso dirigiu-se a Portugal, tendo acabado por derrotar os partidários de D. Sancho, que morreu exilado em Toledo. Pouco depois era aclamado rei de Portugal e dos Algarves, tendo Matilde tornado-se rainha ao seu lado. Mas quando se tornou evidente que Matilde não podia gerar mais filhos e, por conseguinte, o tão desejado herdeiro para o trono, Afonso repudiou-a (1253) e casou-se de novo, com Beatriz de Castela, como parte de um tratado de paz firmado com o reino de Castela.

No entanto, como o seu anterior matrimónio não tinha sido anulado pela Igreja – o que acabou por motivar também conflitos entre D. Afonso e o papado, tal como já antes sucedera com o seu irmão mais velho. Reza a lenda que a condessa Matilde teria vindo à Península Ibérica para repreender o marido, o que carece de qualquer fundo de verdade. Seja como for, Matilde interveio junto da Santa Sé, que declarou inválido o casamento de Afonso e o obrigou a retractar-se; só depois da morte de Matilde o papa legitimou o seu segundo matrimónio.

Depois da sua morte, o condado de Bolonha passou por um período de disputa entre vários pretendentes, mas o parlamento de Paris acabaria por decidir a favor de Adelaide de Brabante, uma prima de Matilde, filha de Henrique I de Brabante.

Qui | 24.10.19

D. Francisco de Faro e Noronha, 7.º conde de Odemira, aio do Rei D.Afonso VI

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Senhor das vilas de Penacova, Mortágua, alcaide-mor de Alvor, senhor do Paul de Mina, em que sucedeu por nomeação de seu parente Nuno Álvares Pereira de Noronha, do qual foi herdeiro; comendador das comendas de S. Tiago de Sardoal, Santo André de Morais, Santa Maria de Quintela, S. Salvador de Joane, Santa Maria de Marmeleiro, Santo Isidoro de Eixo, na ordem do Cristo, do conselho de Estado dos reis D. João IV e de D. Afonso VI, de quem foi aio e vedor da fazenda; presidente do conselho ultramarino, ministro da Junta do Governo na regência da rainha D. Luísa de Gusmão, etc. 

Era filho dos 1.os condes de Faro D. Estêvão de Faro e D. Guiomar de Castro. Sucedeu na casa por morte de sua sobrinha, a condessa D. Juliana de Faro. Seguiu a carreira das armas e serviu nas armadas portuguesas e castelhanas. Em 1625 assistiu à restauração da Baía. Aderiu plenamente à revolução do dia primeiro de dezembro de 1640, e em 1646, não tendo o 6.º conde do Odemira, seu parente, deixado descendentes diretos, foi ele agraciado, por D. João IV, com esse título, dando-lhe toda aquela grande casa que tinha vagado para a coroa, de juro e herdado, conforme a lei mental. 

O parentesco que tinha com a Casa Real reinante, como descendente por varonia da Casa de Bragança, fez com que o monarca o honrasse com o tratamento de sobrinho, e porque era maior o assentamento, que gozavam os grandes quando tinham esta prerrogativa, tirou D. Francisco do Paro carta de assentamento de conde parente, que lho foi passada a 9 de julho de 1616. Nomeado conselheiro de Estado e presidente do conselho, foi o ministro influente, predilecto de D. João IV, e verdadeiramente o chefe do partido a que chamaram, na regência de D. Luísa de Gusmão, o partido velho. Efectivamente, quando o monarca faleceu, o conde de Odemira e o seu partido acharam-se em frente dum outro partido novo, capitaneado principalmente pelo conde de Cantanhede, depois marquês de Marialva. D. Luísa de Gusmão, ao princípio, conservou as tradições da política de seu marido, e o conde de Odemira tomou posse do lugar importantíssimo e muito espinhoso de aio do jovem rei D. Afonso VI, e do infante D. Pedro. Mas o partido novo, achando-se na frente duma menoridade, levantou a cabeça e preparou-se para a luta. A rainha, esperando afastá-lo, formou uma junta de governo, a que se poderia chamar junta de conciliação, em que entravam os dois chefes do partido, condes de Odemira e de Cantanhede, Pedro Fernandes Monteiro e o marquês de Nisa. Mas o partido novo triunfou, e o conde de Odemira, já velho, fraco e doente, não pôde lutar, e limitou-se ao exercício do seu cargo de aio do jovem rei, que desempenhou desastrosamente. Sabe-se, muito bem, quanto deplorável foi a educação de Afonso VI, a sua falta absoluta de instrução, as más companhias a que o deixaram entregar-se, e as suas inacreditáveis correrias. O conde não conseguiu nunca ter a mínima influencia no espírito do seu pupilo. 

Faleceu em 15 de março de 1661. No seu próprio palácio erigiu um hospício para religiosos capuchos da província da Piedade, que perpetuou em seus herdeiros. Antes de herdar a casa de seu irmão, havia casado com D. Mariana da Silveira, que faleceu a 11 de outubro de 1648, e foi sepultada na igreja do convento da Trindade, de Lisboa. Era filha herdeira de Francisco Soares, um fidalgo a quem chamavam o Cotovia, por viver numa quinta naquele sítio, cabeça do opulento morgado. Deste consórcio nasceu D. Maria Faro, que foi a 8.ª condessa de Odemira, e sucedeu na casa e morgados dos seus avós maternos, e foi herdeira de seu pai. Esta senhora casou duas vezes: a primeira com D. João Forjaz Pereira Pimentel, 7.º conde da Feira, de quem não teve sucessão; a segunda vez com D. Nuno Álvares Pereira de Melo, 1.º duque do Cadaval. 

Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/odemira7c.html

Qui | 24.10.19

Rainhas de Portugal - Mécia Lopes de Haro

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Mécia Lopes de Haro (ou Mencia Lopez de Haro) (Biscaia, c. 1215 — Palência, 1270 ou 1271) foi uma dama leoneso-biscainha, que pelo casamento com D. Sancho II terá sido rainha de Portugal. A consideração no número de rainhas portuguesas é contestada, uma vez que o matrimónio com o monarca português foi anulado pelo papa Inocêncio IV no Concílio de Lião. D. Mécia teve um papel central na crise política de 1245 em Portugal.

Nascimento:

D. Mécia nasceu no seio de uma família nobre de Leão e Castela, sendo a sua mãe D. Urraca Afonso de Leão (bastarda de Afonso IX de Leão com Inês Iniguez de Mendonza) e de Lope Díaz II de Haro, senhor da Biscaia, filho de Maria Manrique de Lara e de Diogo Lopes de Haro, 10º senhor de Biscaia.

Descendia, por via da mãe, Urraca Afonso, do primeiro rei português, D. Afonso Henriques, pois o avô materno, o rei Afonso IX de Leão era filho de Urraca de Portugal e, portanto, era neto materno de Afonso I de Portugal e de Mafalda de Saboia.

Primeiro matrimónio:

Por volta do ano 1227 D. Álvaro Peres de Castro, um cavaleiro que adquirira reconhecimento na corte durante as guerras de Fernando III contra os mouros, foi incumbido da missão de medianeiro de uma trégua pactuada entre o monarca de Castela e os mouros, que libertaria cerca de 300 cristãos. Entre esses cristãos estava Dias de Haro. No acampamento achava-se também a sua filha, D. Mécia.

D. Álvaro depressa se interessou pela jovem e a presença do filho de D. Sancho I de Portugal enciumara-o, o que fez com que desposasse D. Mécia, talvez ainda no mesmo ano. Foi a segunda mulher deste, já que a primeira, a condessa de Urgel, foi por ele repudiada entre 1225 e 1228 por não obter descendência. A primeira referência a D. Mécia consta do nobiliário do infante D. Pedro, filho de Sancho I de Portugal, o qual atesta o papel de D. Mécia nas campanhas do marido contra os mouros. Não obteve descendência deste casamento.

Assalto ao forte de Martos:

Terá participado nas campanhas contra os mouros em nome da Coroa, junto com o marido. Em Córdova, depois da conquista da cidade, o monarca regressa a Toledo e deixa D. Álvaro no comando militar dos arrabaldes do distrito. O abandono a que se votou a agricultura devido à guerra, a fome e as consecutivas doenças que surgiram naquele território levaram-no a procurar o rei, deixando a esposa no forte de Martos, hoje na Andaluzia. O rei cedeu-lhe votos equivalentes aos de vice-rei, além de dinheiro e mantimentos para o regresso.

Entretanto o sobrinho, que ficara a cargo da vigia do castelo, decidiu juntar os guardas e fazer uma correia dentro do território inimigo, deixando D. Mécia quase desprotegiada dentro do forte. O rei de Arjona aproveitou a situação e invadiu as terras.

De acordo com Lafuente, historiador espanhol, D. Mécia revestiu as suas criadas de armas e reuniram-se nas redondezas do castelo, mandando avisar o sobrinho. O ardil da senhora surtiu efeito ao persuadir o inimigo, que pensou que não teria que combater só contra mulheres, mas também contra homens, levando-o a abrandar o ritmo com que seguia em direcção ao forte, de forma a proteger-se. O esquema daria tempo para que Tello, o sobrinho, chegasse com o esquadrão.

Comandados por Diogo Peres de Vargas, o esquadrão rematou a tomada, irrompendo pelo meio das fileiras inimigas. Avisado do ocorrido que quase levou à queda de D. Mécia nas mãos do rei mouro, de acordo com Frederico Francisco de la Figanière no livro Memórias das rainhas de Portugal, D. Álvaro morreu de doença a caminho da Andaluzia.

Segundo matrimónio:

D. Mécia viria a concretizar novo casamento, com o rei português D. Sancho II, filho de Afonso II de Portugal com Urraca de Castela. Os escritores e historiadores antigos são unânimes em considerar D. Mécia, não como concubina de D. Sancho, mas como sua esposa.

Porém, a sacramentalização deste matrimónio foi contestada pela primeira vez por António Brandão, que depois foi seguido por outros pensadores. É hoje, contudo, um facto indubitável, à vista da bula Sua nobis do Papa Inocêncio IV. Onde e quando se efectuou este enlace são questões ignoradas até hoje. De acordo com a bula, consta que no princípio de 1245 D. Mécia era casada com D. Sancho. Pelo que persuade o facto de Rodrigo de Toledo não mencionar este casamento na sua história de Portugal, concluída em Março de 1243, o casamento não terá sido efectuado antes de 1242, posto que não omite os matrimónios dos irmãos do monarca.

Vida na corte portuguesa:

D. Mécia é rápida e francamente rejeitada tanto pela nobreza como pelo povo portugueses da época. Por um lado, devido à inferioridade hierárquica da viúva de Álvaro Peres de Castro que não traria um interesse directo à Coroa, nem para Portugal nem para Castela, cujo rei havia abonado D. Mécia após o falecimento do marido. Por outro lado, a nova rainha insistia em rodear-se de aias e criados castelhanos, com excepção de alguns validos, um transtorno para os cortesãos, a quem não era assim permitida a aproximação (estratégica) ao rei através de D. Mécia. Prova do descontentamento popular foi uma corrente entre o povo que o rei andava «enfeitiçado pelas artes de D. Mécia de Haro».

Porém a situação decrépita em que se encontrava Portugal derivava do período anterior à vinda de D. Mécia para a corte. Depois das várias guerras empreendidas contra os sarracenos e das várias conquistas cristãs, a monarquia toma algumas vantagens, o território goza de paz durante algum tempo e o monarca desfruta de uma auréola de glória e de brio militar. Porém, D. Sancho decide trocar os conselheiros do reino por companheiros durante as lides militares.

A troca foi fatal e o conselho enfrentou momentos de graves conflitos que assolaram a imagem do rei e que levaram a que alguns historiadores descrevessem este período como uma anarquia. É neste estado que D. Mécia encontra a corte quando se casou com D. Sancho.

Divergências com o Clero:

Sobra portanto um outro estrato, o Clero, que entretanto também se tornou um entrave à rainha, não tanto pela sua descendência bastarda, mas antes com o intuito de criar mais um embaraço ao rei, do qual se apressavam a acelerar a queda.

Salvo nos assuntos de guerra, se atendermos à índole minimamente branda e indulgente do rei, D. Mécia poderia sim ter adquirido influência a ponto de o persuadir a tomar determinadas decisões. No entanto, nada o atesta senão a narrativa viciada dos cronistas ao longo do tempo, que tendem a marcá-la como desordeira e mentora de problemas de toda a casta, incluindo o ódio às artimanhas clericais. O desprezo pelo clero faz com que tome medidas por vezes injustas, como por exemplo a revogação de um senhorio do couto do mosteiro de Bouco, doado por D. Afonso Henriques e confirmado por D. Afonso II.

De acordo com Alexandre Herculano, as hostilidades e violências praticadas por barões e clérigos no reinado de Capelo, permitem desinibir D. Mécia da culpa desses problemas que lhe foi atribuída ao longo dos tempos.

Anulação do matrimónio com D.Sancho II:

Numa bula do Papa Inocêncio IV ao Conde de Bolonha, D. Afonso, pretendente do trono português e irmão do rei, é pedido auxílio ao bolonhês para amparar a Igreja na Terra Santa, que na altura estava em guerra. No entanto, este chamado é hoje entendido como um pretexto para que D. Afonso pudesse aparecer com tropas armadas em Lisboa, a julgar pelos planos engendrados pelo clero português e pelo papa.

Como D. Mécia não havia dado herdeiros a D. Sancho, situação que poderia mudar a qualquer momento e suscitar graves problemas na pretensão de D. Afonso ao trono, a solução encontrada foi a separação dos dois cônjuges.

O pretexto encontrado foi que Mécia e Sancho eram aparentados, tendo quarto grau de consanguinidade, o que tornava receoso o matrimónio e viável o divórcio. Em representação papal, D. Afonso apresenta-se perante D. Mécia e D. Sancho, expondo o problema. Todavia, este grau de consanguinidade era comum e aceitável. Numa bula dirigida a o Capelo, o papa descreve o país num quadro medonho, estribado pelas queixas do prelados portugueses, rematando com ameaças de que, salvo cumprimento das suas ordens, tomaria "oportunas providências". Tal bula vem como consequência do concílio de Lião, no qual D. Aires Vasques, segundo crónicas da época, foi o único a defender o monarca.

Porém, D. Sancho não repudiou a sua esposa, tal como pretendiam D. Afonso e o papa. Este último cumpriu as ameaças e anulou o matrimónio, tornando-o inválido tanto pela hierarquia social dos cônjuges, como pelos laços de sangue que os uniam familiarmente.

Deposição do rei e rapto da rainha:

A 24 de Julho e 1 de Agosto de 1245, são publicadas duas bulas, a primeira dirigida aos barões do reino e a segunda aos prelados, que decretam unanimemente a deposição do rei. Constrangido com a situação, o monarca vê-se obrigado a pedir auxílio ao irmão D. Afonso, precisamente aquele cujas artimanhas junto do clero português haviam deposto o Capelo.

Por este tempo, a envolver directamente D. Mécia, sucedeu-se um facto que enfraqueceria ainda mais o poder que D. Sancho ainda conservava. Um nobre de nome Raimundo Viegas de Portocarreiro, segundo consta acompanhado por outros cavaleiros afectos ao conde de Bolonha, consegue entrar no paço real de Coimbra e arranca a rainha do leito onde se recolhiam D. Mécia e D. Sancho, levando-a para o paço real em Vila Nova de Ourém.

Tendo ido no alcance da esposa, D. Sancho ordenou que lhe abrissem as portas do castelo, conseguindo somente que lhe fossem arremessados vários projécteis. Achando-se pouco capaz para insistir na tentativa de recuperar D. Mécia, resigna-se. Uma narrativa da época resume o facto com clareza:

No entanto, embora este trecho de documento revele que a rainha teria sido raptada contra a sua vontade, se seguirmos à risca a informação que nos confere o Nobiliário, a hipótese de D. Mécia ter sido conivente com o rapto não é descartável. É também possível que tenha sido raptada de surpresa, mas que alguma proposta de D. Afonso a tenha feito julgar preferível conservar a separação do marido.

Sancho, assim humilhado, acabou por se recolher ao exílio em Toledo, onde viria a falecer. D. Sancho não viria a citar a sua esposa no testamento, concretizado em Toledo em 1248.

Vida em Ourém:

Depois do rapto, existem registos de doações de bens em Ourém feitos por D. Mécia, vila que lhe pertencera. Ali a sua protecção era levada a cabo pelas tropas do conde, com quem manteve desde então uma amizade, e a gestão dos bens era feita por magistrados.

O pretor ou alcaide da cidade da época era D. Inigo de Ortiz, nome biscaínho, o que indica que terá sido nomeado por D. Mécia. Possuía ainda entre os próprios, bens em Torres Novas, Santa Eulália e Ourém, segundo a tradição. A nota de documento supra-citado indica a possessão da rainha em Ourém. Fora estas vilas, não existem documentos que comprovem o mando sobre outros lugares.

Falecimento em Palência:

Segundo Rui de Pina, o cronista de D. Sancho II, D. Mécia fora levada de Ourém para a Galiza e nunca mais houve notícias suas. Ignora-se se realmente foi para a Galiza, nem há memória dela senão depois de um intervalo de dez anos. Existe um documento que, apesar de lhe faltar a indicação do lugar, mostra que ela vivia nessa época nos domínios de Castela: por esse documento, datado de 24 de Fevereiro de 1257, D. Mécia e o cunhado, D. Rodrigo Gonçalves, como testamenteiros de D. Theresa Aires, faziam entrega de certas igrejas ao convento de Benavides.

Naquele local perfilha o infante D. Fernando, o qual herda todos os bens e que entra ainda na disputa da herança de D. Sancho II pela viúva do obituário. Falecida em Palência, segundo a tradição, onde possuía terras, foi sepultada em Nájera no mosteiro beneditino de Santa Maria, na Capela da Cruz. Sobre o túmulo, suportado por quatro leões com as armas de Portugal ao peito, está o vulto com traje de Biscaia. D. Fernando encarregou-se de instituir seis capelões e uma missa diária pela sua alma.

Qui | 24.10.19

João da Silva, marquês de Gouveia, mordomo-mor da Casa Real

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D. João da Silva, 2.º Marquês de Gouveia, 7.º conde de Portalegre, sucedeu ao pai D. Manrique da Silva.

Sucedeu ao pai como mordomo-mor dos reis D. João IV, D. Afonso VI e D. Pedro II e no lugar de conselheiro de Estado. Teve o tratamento de Marquês parente e de título de juro e herdade conforme a Lei Mental.

Foi presidente do Desembargo do Paço, ministro plenipotenciário de Portugal para o Tratado de Lisboa (1668) e embaixador em Madrid.

Casamentos:

  1. com D. Maria de Pimentel Pereira, filha do 6.º conde da Feira;
  2. com D. Luísa Maria de Meneses, filha de D. Pedro de Noronha e Sousa, 9.º senhor de Vila Verde e de sua mulher D. Juliana de Noronha; era irmã do 1.º conde de Vila Verde.

Como não teve herdeiros, a sucessão de sua casa recaiu em sua irmã, D. Juliana de Lencastre, casada com o 5º conde de Santa Cruz, D. Martinho Mascarenhas. O filho do casal, seu sobrinho se tornará o 3.º marquês de Gouveia.

Seg | 21.10.19

João de Saldanha da Gama, 8.º conde da Ponte, Gentil-homem e vedor da Casa Real

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João de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes de Brito, 8.º conde da Ponte  (25 de agosto de 1816 a 27 de junho de 1874) foi Gentil-homem e vedor da Casa Real; par do Reino, grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e das ordens estrangeiras da Águia Vermelha da Prússia; de S. Maurício e S. Lázaro e da Coroa de Itália; de Leopoldo da Bélgica; de Carlos III, de Espanha; de Alberto o Valoroso da Saxónia; da Coroa de Ferro da Áustria; da Rosa do Brasil; comendador da de S. Fernando de Espanha. Nasceu no Rio de Janeiro a 25 de agosto de 1816, faleceu em Lisboa a 27 de junho de 1874. Era filho dos 7.os condes da Ponte.

Sucedeu ao seu pai na casa e no pariato em 1852. Foi nomeado em 1853 governador civil de Lisboa, e em 1858 ou 1859 vedor da Casa Real. Entrou com grandes ideias de reforma, ideias que se lhe atribuiriam, mas que a prática não justificou. As profundas antipatias que inspirava pelo seu modo seco e reservado, pelas suas maneiras excessivamente inglesas, designaram-no à cólera do povo, quando as mortes sucessivas de D. Pedro V e dos infantes seus irmãos, D. Fernando e D. João, originaram suspeitas de envenenamento, que deram lugar aos tumultos do Natal de 1861, em que o conde da Ponte foi maltratado à porta do paço. 

Casou a 8 de janeiro de 1840 com D. Maria Teresa de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, filha dos 1.os condes de Vila Real. 

A sua filha, D. Teresa Saldanha da Gama (1842-1929), era amiga de infância da Infanta D. Antónia de Bragança, filha da Rainha D. Maria II.

Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/ponte8c.html

Seg | 21.10.19

D. Manrique da Silva, 6.º conde de Portalegre e 1.º marquês de Gouveia, mordomo-mor da Casa Real

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D. Manrique da Silva, 6.º conde de Portalegre e 1.º marquês de Gouveia.

Segundo varão do 4.º conde de Portalegre, tornou-se conde após a renúncia de seu irmão D. Diogo da Silva, 5.º conde de Portalegre.

Foi 1.º Marquês de Gouveia, título criado por carta de 20 de janeiro de 1625 de Filipe III de Portugal.

Foi mordomo-mor de Filipe III e depois do Rei João IV, senhor de todos os vínculos, comendas e outros bens de sua Casa. Quando rebentou a revolução de 1640, era presidente da Misericórdia de Lisboa. Resolveu arriscar a posição e a vida e seguiu o Duque de Bragança, que se tornaria D. João IV de Portugal.

Gozou sempre do valimento do novo rei do qual foi também mordomo-mor e a cujo Conselho de Estado pertenceu.

Casamentos:

  1. com D. Margarida Coutinho, filha do 1.º Marquês de Castelo Rodrigo;
  2. com D. Joana de Castro, filha do 2.º conde de Tentúgal, tendo um filho cedo morto e uma filha, D. Margarida da Silva, casada com D. Fernando de Noronha, filho do 4.º conde de Linhares, 5º conde de Linhares e Duque de Linhares em Espanha;
  3. com D. Maria de Lencastre, filha do 3.º duque de Aveiro, pais então de D. João da Silva, que o sucedeu como 2º Marquês de Gouveia. Como ele não teve herdeiros, a sucessão de sua casa recaiu em sua irmã D. Juliana de Lencastre, casada com D. Martinho Mascarenhas, 5º conde de Santa Cruz. O filho do casal, seu sobrinho D. Martinho Mascarenhas, 6º conde de Santa Cruz, se tornou 3º marquês de Gouveia.

Anselmo Braamcamp Freire na sua obra Brasões da Sala de Sintra relata a história dos vários ramos da Casa de Silva, entre estes o dos condes de Portalegre.

Dom | 20.10.19

Rainhas de Portugal - Urraca de Castela

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Urraca de Castela ou Urraca Afonso de Castela (1186 — 2 de novembro de 1220) foi uma infanta de Castela e, de 1211 até à sua morte, rainha consorte de Portugal por casamento com o rei D. Afonso II de Portugal.

Família:

Era filha do rei Afonso VIII de Castela com a sua esposa Leonor de Inglaterra, princesa inglesa filha de Henrique II de Inglaterra e de Leonor de Aquitânia.

Dentre os seus irmãos, destacaram-se:

  • Berengária de Castela (1 de junho de 1179/80-8 de novembro de 1246), rainha consorte de Afonso IX de Leão, regente de Castela em nome de seu irmão Henrique, rainha de Castela em 1217 após a morte deste, abdicou do trono de Castela em favor de seu filho Fernando III de Leão e Castela;
  • Branca de Castela (Palencia, 4 de março de 1188-Melun, 1252), rainha consorte de Luís VIII de França e fundadora do Mosteiro de Maubisson da Ordem de Cister;)
  • Leonor de Castela (c. 1190-1244), rainha consorte de Jaime I de Aragão;
  • Henrique I de Castela (14 de abril de 1204-26 de maio de 1217), que lhe sucedeu no trono, casou com D. Mafalda, infanta de Portugal;

Biografia:

Em 1208 casou com o herdeiro do trono português, o infante D. Afonso, que em 1211 subiu ao trono sob o nome de D. Afonso II de Portugal. Morreu em 2 de novembro de 1220 e jaz no Mosteiro de Alcobaça.

As rainhas de Portugal contaram, desde muito cedo, com os rendimentos de bens, adquiridos, na sua grande maioria, por doação. À D. Urraca, pertenceram os senhorios de Torres Vedras, Óbidos e Lafões (região).

Descendência:

Do seu casamento com D. Afonso II de Portugal nasceram:

  • D. Sancho II (1209/10-1248), sucessor do pai no trono português
  • D. Afonso III (1212/17-1279), sucessor do irmão Sancho no trono português
  • Leonor, infanta de Portugal (1211-1231), casada com o rei Valdemar III da Dinamarca
  • Fernando de Portugal (1218-1246), senhor de Serpa
  • Vicente de Portugal (1219)
Sex | 18.10.19

Rainhas de Portugal - Dulce de Aragão

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Dulce de Aragão ou de Barcelona (em catalão: Dolça d'Aragóc. 1160 — Coimbra, 1 de setembro de 1198) foi uma infanta aragonesa e a segunda rainha de Portugal, de 1185 até a sua morte, em 1198.

A infanta Dulce era filha do conde Raimundo Berengário IV com a rainha Petronila de Aragão, com cujo casamento se juntaria a partir do final do século XIII o património que seria conhecido como a Coroa de Aragão, e irmã de Afonso I. Seus esponsais com o infante Sancho, que subiu ao trono em 1185, como Sancho I, filho do primeiro rei de Portugal, Afonso I, realizaram-se quando ela tinha cerca de onze anos de idade e seu casamento mais tarde em 1174. Pouco se sabe sobre sua vida antes de sua chegada ao Reino de Portugal ou o de seu dote ou arras, por ocasião do seu casamento.

"Formosa e excellente senhora, tranquilla e modesta, condizente no carácter com o nome", segundo Luciano Cordeiro,[7] a infanta Dulce foi usada como moeda de troca para selar uma aliança que serviu para fortalecer o novo reino de Portugal e "constituía uma boa defesa contra a tendência expansiva do reino e Castela (...). Significaba, ainda, que o fracasso inerente à ruptura do acordo conjugal da infanta Mafalda com o irmão de Dulce, o rei Afonso I de Aragão". A jovem Dulce cumpriu o papel esperado dela como esposa e mãe de uma vasta prole. Sancho I, em seu primeiro testamento feito em 1188, doou os rendimentos de Alenquer, terras do Vouga, de Santa Maria e do Porto, a sua esposa e ela ainda adquiriu outras propriedades no termo e sabe-se que foi, de facto, senhora de Alenquer.

Dulce não sobreviveu por muito tempo após o nascimento das suas últimas filhas, Branca e Berengária, que poderiam ser gêmeas. Faleceu em 1198, provavelmente por causa da peste e enfraquecida pelos partos sucessivos, tendo sido sepultada no Mosteiro de Santa Cruz, junto do marido.

Descendência:

D. Dulce teve onze filhos de D. Sancho I, com quem casou em 1174. Estos foram os infantes:

  • Beata Teresa de Portugal, (1175/76-1250), casou com o rei Afonso IX de Leão. Foi beatificada em 1705;
  • Beata Sancha de Portugal, (1180-1229), fundou o Mosteiro de Celas, nas proximidades de Coimbra, no qual viveu até à sua morte, e quem a levou para o Mosteiro de Lorvão, onde recebeu sepultura, foi sua irmã Teresa. Foi beatificada em 1705, no mesmo ano que sua irmã Teresa, pelo papa Clemente XI.
 
  • Constança de Portugal (1182-antes de 1186).
  • Afonso II de Portugal (1186 -1223), casou com Urraca de Castela, rainha de Portugal (1187 -1220).
  • Pedro (1187 -1258), infante de Portugal e conde de Urgel pelo casamento com Aurembiaix Armengol; foi também rei de Maiorca.
  • Fernando, infante de Portugal (1188 -1233), viveu no estrangeiro, casou com Joana da Flandres.
  • Henrique de Portugal, morreu em criança.
  • Raimundo de Portugal, morreu em criança.
  • Beata Mafalda de Portugal (1195/1196-1256), casada com o rei Henrique I de Castela,depois fundadora do mosteiro cisterciense de Arouca e sua primeira abadessa.
  • Branca, (1196/98-1240), provavelmente a irmã gêmea de Berengária, foi freira num convento em Guadalajara.
  • Berengária (1196/98-1221), casada com o rei Valdemar II da Dinamarca.