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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Organização da Casa Real: Aios e Preceptores dos príncipes

01.11.19, Blog Real

Aio era antigamente a designação que se dava ao mestre ou preceptor que tinha a seu cargo a educação de um príncipe ou uma criança de família nobre.

Lista:

Casa de Borgonha:

  • Egas Moniz (aio do Rei D.Afonso I)
  • Lourenço Gonçalves Magro (aio do Rei D.Dinis I)
  • D. Nuno Martins de Chacim (aio do Rei D.Dinis I)
  • Lopo Fernandes Pacheco (aio do Rei D.Pedro I)
  • Aires Gomes da Silva (aio do Rei D.Fernando I)

Casa de Avis:

Casa de Habsburgo:

  • Juan de Zúñiga (aio do Rei D.Felipe I)

Casa de Bragança:

Aleixo de Meneses, aio do Rei D.Sebastião

01.11.19, Blog Real

Aleixo de Meneses (m. em 7 de fevereiro de 1569) foi o terceiro filho de Pedro de Meneses,primeiro conde de Cantanhede, e de sua segunda mulher, D. Beatriz de Melo, filha do chanceler-mor Rui Gomes de Alvarenga. Celebrizou-se como o aio de D. Sebastião de Portugal.

Muito novo estreou na carreira de armas, assistindo com o seu tio, D. João de Meneses, à tomada de Azamor, em 1513. Passando ao Oriente com o governador Lopo Soares de Albergaria, foi encarregado do comando, como Capitão, de uma esquadra de oito navios, com a qual percorreu as costas da Arábia, entrou em combate na cidade de Gidá (posteriormente capital da Arábia Saudita) e na tomada de Zeila, e pouco depois defendeu Malaca contra o rei de Bintão.

Durante uma ausência de Diogo Lopes de Sequeira, governou interinamente os estados da Índia, e voltando ao reino, "conhecendo D. João III que era igual a capacidade de seu juízo à valentia de seu braço" foi de novo a África reformar e prover as praças de Arzila, Azamor e Tânger, "de que eram Capitães João Coutinho, conde do Redondo, o conde do Prado e D. Álvaro de Abranches""A fama das proezas que obrara no Oriente o habilitou para ser eleito Governador de tão grande Estado", mas João III quis "servir-se do seu talento em outros ministérios, de que resultava maior gloria à Coroa, como foram ser Embaixador à Majestade Cesárea de Carlos V, e concluir no ano de 1542 os augustos desposórios da Princesa Dona Maria com o Príncipe de Castela D. Filipe sendo condutor desta Senhora com o lugar de seu Mordomo Mor." "Por nomeação dos dois monarcas foi eleito padrinho do príncipe D. Carlos".

João III, que teve sempre a maior consideração por ele, nomeou-o aio do seu filho o infante D. João, "que ele modestamente recusou, lembrando do agudo sentimento que ainda conservava pela intempestiva morte da princesa Maria". O rei o criou mordomo-mor de sua mulher, a rainha D. Catarina, "cujo ofício administrou com suma gravidade"[5] e por legado político no seu testamento, o deixou indicado para aio do seu neto D. Sebastião. A escolha era acertada, e poderia ter produzido os mais excelentes resultados se em Portugal não existisse o cardeal infante D. Henrique e não tivesse entrado a Companhia de Jesus.

Recebeu assim a guarda da criação e pessoa de D. Sebastião, aos 9 anos, melindroso encargo, de que tão nobremente se desempenhou até ao momento em que o seu real educando tomou as rédeas do governo, sendo aclamado rei de Portugal. "Muitas vezes se valia da severidade para reprimir os violentos impulsos daque Príncipe, que já em tão tenra idade degeneravam em excessos." Com singular modéstia, recusou o condado de Vila de Rei, dizendo que era pobre para tão autorizado título, possuindo unicamente a Alcaidaria-mor de Arronches, que se lhe deu em satisfação de uma comenda que se tirara a seu filho.

Prestes estava D. Sebastião a chegar aos seis anos de idade, quando pareceu indispensável tratar-se de escolher mestre que o ensinasse. Divididos foram os pareceres no conselho enquanto à escolha, prevalecendo afinal o do cardeal infante D. Henrique, que opinara e veemente instara para que fosse preferido o padre jesuíta Luís Gonçalves da Câmara. D. Aleixo votara contra a escolha dum religioso para mestre, e concluiu "que qualquer que o mestre fosse, se tivesse advertência em não ter mão em el-rei, mais que nas cousas tocantes a seu cargo, porque algumas vezes ouvira dizer ao imperador Carlos V, que os príncipes instruídos nas artes do governo e guerra tinham ciência bastante em sabendo rezar por umas horas."

Foi desprezado, graças aos manejos e tenacidade do cardeal infante, grande protector dos jesuítas, seu voto. A carreira militar deste brioso guerreiro devia concorrer para ascender, ainda que involuntariamente, o fatal entusiasmo de D. Sebastião. D. Aleixo era muito sensato e tinha muito bons desejos, mas não podia de certo renegar todas as tradições da sua vida anterior; e o exemplo das acções do aio era mais próprio a excitar do que a moderar os ímpetos do génio cavalheiresco e arrojado do seu jovem pupilo.

Procurou opor-se aos excessos da índole guerreira e das inclinações ascéticas do príncipe, e num documento que os cronistas lhe atribuem, diligenciou chamar a atenção do seu educando para os mais graves perigos. Aconselhava o Rei a desconfiar dos aduladores que procurassem desviá-lo da intimidade de sua avó e do cardeal, precavia contra a exaltação dos seus brios belicosos, rogando-lhe que não arriscasse as forças do reino em impossíveis e temerárias empresas, pedia-lhe que não desse valimento sucessivo aos fidalgos moços, arredando de si os homens experientes e encanecidos na prática dos negócios, continuava manifestando o desejo de que os religiosos não fossem tão amiúde distraídos dos seus deveres próprios para se ocuparem nos negócios profanos da governação do estado, e por fim, como quem conhecia a índole severa e puritana de D. Sebastião, lembrava ao rei que para extirpar abusos inveterados era necessário proceder com grande tacto, e por isso lhe aconselhava, que não ordenasse de leve mudanças nos trajos e nos costumes, que ponderasse muito qualquer alteração na moeda ou nas medidas e pesos estabelecidos, porque tais providencias haviam de levantar sempre descontentamento dos interesses lesados no primeiro golpe e introduzir grande perturbação nas transacções comerciais.

Neste documento, que se encontra no tomo III das Memorias para a historia de Portugal, que comprehendem o governo d'el-rei D. Sebastião, por Diogo Barbosa Machado, há muitas alusões contra o padre Luís Gonçalves da Câmara e os planos da Companhia de Jesus, e no meio de traços fugitivos com que nele são desenhados em geral os perigos principais de que o novo monarca devia afastar-se, sobe esse a figura do confessor; é natural portanto que este, valendo-se da influência que alcançara do rei conseguisse fazer com que D. Aleixo perdesse as boas graças do monarca, mas a Companhia não precisou empregar luta, porque morreu em fevereiro de 1569.

Os jesuítas viram-se à vontade, e D. Sebastião deixou-se dominar pela sua índole guerreira, que os lisonjeiros animavam, de que resultou a fatal batalha de Alcácer Quibir, em que Portugal perdeu a independência, ficando sob o domínio de Castela.

Foi sepultado no Convento de Santo António do Pinheiro, na Chamusca.

Casamentos:

Foi casado duas vezes. A primeira, com D. Joana de Meneses, sua sobrinha, filha de D. Henrique de Noronha, nascendo uma filha: D. Luísa de Meneses, que se casou com D. Pedro de Meneses, oitavo senhor de Cantanhede; morreu sem filhos, de parto.

Desejando D. João III que "se eternizasse a memória de D. Aleixo na posteridade, ficando reproduzido na sua descendência, lhe ordenou que passaesse a segundas bodas, quando contava 75 anos de idade". Casou assim com D. Luísa de Noronha, filha de D. Álvaro de Noronha, de quem teve numerosa sucessão:

  • D. Luís de Meneses, morto aos 23 anos na batalha de Alcácer Quibir;
  • D. Álvaro de Meneses, pagem da campaninha do Rei D. Sebastião, casado com D. Violante de Távora, filha de D. Vasco de Gama, conde da Vidigueira;
  • D. Pedro de Meneses, da religião dos Eremitas de Santo Agostinho, ver abaixo seu nome religioso: Frei Aleixo de Meneses;
  • D. Beatriz, morta na infância; e
  • D. Mécia, casada com D. Luís Coutinho, quarto conde do Redondo.

Obras:

  • "Voto acerca da qualidade da Pessoa que devia ser eleita para mestre del Rei D. Sebastião", publicada em 1730
  • "Discurso acerca de ter sido eleito por confessor do Rei D. Sebastião o Padre Luís Gonçalves da Câmara, que era seu Mestre"
  • "Prática feita a el-rei D. Sebastião no dia antecedente à sua coroação"

Rainhas de Portugal - Filipa de Lencastre

01.11.19, Blog Real

Filipa de Lencastre (em inglês: Philippa of Lancaster; Leicester, c. março de 1360 — Odivelas, 19 de julho de 1415) foi uma princesa inglesa da Casa de Lencastre, filha de João de Gante, 1.º Duque de Lencastre, com sua mulher Branca de Lencastre. Quando tinha dezoito anos, foi-lhe atribuída a distinção inglesa da Ordem da Jarreteira, o que, anos mais tarde, contribuiria para sua imagem de rainha santa. Tornou-se rainha consorte de Portugal através do casamento com o rei D. João I, celebrado em 1387 na cidade do Porto, e acordado no âmbito da Aliança Luso-Inglesa contra o eixo França-Castela.

As rainhas de Portugal contaram, desde muito cedo, com os rendimentos de bens adquiridos na sua grande maioria por doação. D. Filipa de Lencastre recebeu de D. João I as rendas da alfândega de Lisboa e das vilas de Alenquer, Sintra, Óbidos, Alvaiázere, Torres Novas e Torres Vedras. A Crónica de el-rei D. João I, de Fernão Lopes, retrata a rainha como generosa e amada pelo povo. Os seus filhos que chegaram à idade adulta seriam lembrados como a ínclita geração, de príncipes cultos e respeitados em toda a Europa. Filipa morreu de peste bubónica nos arredores de Lisboa, poucos dias antes da partida da expedição a Ceuta. Atualmente, a tese mais aceite ressalta que ela faleceu no convento de Odivelas, conforme é possível constatar nos trabalhos de Francisco Benevides, Manuela Santos Silva e Ana Rodrigues. Está sepultada na Capela do Fundador do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, ao lado do seu esposo.

A Escola Secundária D. Filipa de Lencastre, em Lisboa, foi batizada em sua honra.

Ascendência:

Filipa de Lencastre proveio de duas nobres famílias: a casa régia dos Plantagenetas e a dos Lencastre. Seus avós paternos eram o rei Eduardo III e a rainha Filipa de Hainault, enquanto que os maternos eram Henrique de Grosmont e Isabel de Beaumont. O seu pai, João de Gante, ao casar-se com sua mãe, Branca de Lencastre, herdou o ducado do seu sogro, juntamente com domínios e castelos por toda a Inglaterra e o Principado de Gales, conquistando, assim, maior poder e prestígio para a sua família. Filipa foi a primeira filha do casal, nascendo em março do ano posterior ao casamento. Recebeu o nome da sua avó paterna, a rainha, que também foi sua madrinha.

Vida em Inglaterra:

No que se refere ao estudo das línguas, Filipa de Lencastre foi educada à maneira nobre e aristocrática, isto é, aprendeu latim suficientemente para ler livros litúrgicos, além de francês e inglês para ler romances ou livros de instruções. Foi ensinada a agir de acordo com as virtudes femininas apreciadas na época, tais como modéstia, humildade e pureza espiritual.

Quando tinha aproximadamente nove anos, vivenciou o falecimento da sua madrinha e avó paterna. Logo em seguida, sua mãe foi vítima da peste e também morreu. Filipa, então, passou aos cuidados de Catarina Swynford que viria a se tornar amante de seu pai ainda durante o segundo casamento dele com Constança, filha mais velha e herdeira de Pedro I de Castela.

Os registos de despesas de seu pai mostram que ele era generoso tanto com os seus filhos legítimos como para os membros da sua corte. Essa característica influenciaria a vida de Filipa, que também viveu sob o clima literário da corte de seu pai. Considerado um mecenas, ele foi seu principal exemplo, inspirando-a a criar o seu próprio círculo de poetas através de um grupo cortesão de leitura conhecido como "A flor e a folha". O poeta Eustache Deschamps, membro desse grupo, dedicou a Filipa um poema no qual a comparava a uma flor. Tratava-se de um reconhecimento por seu notável papel no incentivo à literatura inglesa.

Casamento:

O pai de Filipa via em Portugal, conduzido por D. João I a partir de 1385, um importante aliado para os seus interesses castelhanos. O duque acreditava que, ao se casar com Constança em 1372, herdeira do rei Pedro I de Castela, eventualmente tomaria posse do trono. Contudo, o lugar estava ocupado até 1379 por Henrique II, meio-irmão de Pedro I, e, posteriormente, por seu filho, João I de Castela. A aliança também era favorável ao rei D. João I, pois garantia apoio à independência portuguesa face a Castela. Essa conjuntura de união luso-inglesa frente ao inimigo comum, portanto, ocorria desde o reinado de Fernando I de Portugal, anterior ao de D. João I, mas ganhou maior estabilidade após o estabelecimento do Tratado de Windsor, em 1386, que vigora até os dias atuais. O casamento entre Filipa e D. João I em fevereiro de 1387 selou a aliança.

Escoltada por nobres ingleses e portugueses, Filipa foi conduzida ao Porto, onde, de acordo com a Crónica de El-Rei D. João I, foi recebida com grandes festejos. Alguns dias depois, D. João chegou à cidade e os dois puderam conversar e trocar presentes. Após o casamento, a festa continuou por mais quinze dias.

Reinado:

Apesar da imagem recatada da rainha que domina o imaginário dos portugueses (essa atitude era tida como virtude no comportamento das mulheres medievais), D. Filipa parecia ter momentos descontraídos com as donzelas de sua corte, gostando de conversar. Era uma mulher culta, que se correspondia com seus parentes na Inglaterra, estabelecendo a prática de registar documentos que haviam sido enviados por ela ou pelo rei.

Para manter a corte da rainha enquanto não lhe doava terras, D. João concedeu-lhe um rendimento originário das rendas da alfândega de Lisboa, estabelecendo também o que as servidoras da rainha receberiam mensalmente. Posteriormente, D. Filipa recebeu os rendimentos das vilas de Alenquer, Sintra, Óbidos, Alvaiázere, Torres Novas e Torres Vedras.

D. Filipa seguiu os hábitos que aprendeu na corte inglesa. Assim, tentou manter a conexão entre Inglaterra e Portugal, influenciando casamentos entre membros das nobrezas dos dois países. Além disso, D. Filipa por várias vezes assumiu o exercício do governo representando o marido, uma vez que ele estava frequentemente ocupado em operações militares. Ainda em 1387, deslocou-se até Monção com alguns conselheiros e homens da corte, aproximando-se de Melgaço, onde estava o monarca, para dar cumprimento a algumas disposições régias. Sempre que pôde, D. Filipa acompanhou o marido, o que seria uma forma de apoiar os seus feitos.

Descendência:

D. Filipa correspondeu ao papel esperado da rainha medieval em assegurar a continuidade da linhagem e do património. Tal como seu pai, ela incitou a apreciação pela cultura nos seus filhos, os futuros monarcas. Consequentemente, eles foram figuras que funcionaram como modelos a serem seguidos pela sociedade. Os romances de cavalaria medieval agradavam à rainha. A ênfase em aventuras, virtudes cavaleirescas e valores da espiritualidade cristã contribuíram para moldar a educação dos príncipes pelos ideais expressos nos códigos de cavalaria: justiça e rectidão.

Os nomes dos filhos homenageavam tanto membros da família de D. João I quanto de D. Filipa, o que mostra o respeito dos reis pelos seus antepassados.

Do seu casamento, nasceram:

  • Branca de Portugal (13 de julho de 1388 – 6 de março de 1389), morreu jovem, antes de completar um ano de idade. O seu nome honrava a mãe de D. Filipa, Branca de Lencastre.Jaz na Sé de Lisboa.
  • Afonso de Portugal (1390 – 1400), morreu jovem. Recebeu o mesmo nome que D. Afonso I, o rei fundador de Portugal.
  • Duarte I de Portugal (1391 – 1438), sucessor do pai no trono português, poeta e escritor. O seu nome homenageava simultaneamente seu bisavô materno, Eduardo III, e o tio-avô Eduardo, o Príncipe Negro.
  • Pedro, 1.º Duque de Coimbra (1392 – 1449), recebeu o nome de seu avô paterno, o rei Pedro I de Portugal. Foi um dos príncipes mais esclarecidos do seu tempo, sendo regente durante a menoridade do seu sobrinho, o futuro rei D. Afonso V. Tornou-se cavaleiro da Ordem da Jarreteira, a mesma a que seus pais pertenciam. Morreu na batalha de Alfarrobeira.
  • Henrique, Duque de Viseu, O Navegador (1394 – 1460), recebeu esse nome em homenagem ao bisavô, Henrique de Grosmont, ou ao tio materno, o rei Henrique IV da Inglaterra. Investiu a sua fortuna em investigação relacionada com navegação, náutica e cartografia.
  • Isabel (1397 – 1471), casou com Filipe III, Duque da Borgonha e entreteve uma corte refinada e erudita nas suas terras. O seu nome homenagearia suas duas linhagens: a paterna, com a rainha Santa Isabel de Portugal e a materna, através da tia Isabel ou da bisavó, Isabel de Beaumont.
  • João, Infante de Portugal (1400 – 1442), condestável de Portugal e avô de Isabel de Castela. O seu nome foi escolhido em honra de seu pai e de seu avô, João de Gante.
  • Fernando, o Infante Santo (1402 – 1443), morreu no cativeiro em Fez. O seu nome foi uma homenagem ao tio paterno, o rei Fernando I de Portugal.

Morte:

Desde o início de 1415, a peste bubónica invadia Lisboa e Porto. Os reis refugiaram-se em Sacavém, mas os longos e frequentes jejuns, orações e vigílias da rainha enfraqueciam e debilitavam o seu corpo. Ela dedicava-se espiritualmente ao sucesso na Tomada de Ceuta, empreendimento em que seu marido e seus filhos Henrique, Pedro e Duarte participaram. Contudo, com as constantes entradas e saídas de mensageiros e contactos, a peste acabou por chegar a Sacavém. O rei abrigou-se em Odivelas, mas a rainha preferiu ir depois. Quando chegou, em julho do mesmo ano, já estava doente.

De acordo com a Crónica da Tomada de Ceuta, de Gomes Eanes de Zurara, D. Filipa sentiu a morte aproximar-se, preparando-se para a viagem eterna ao cumprir os ritos da boa morte. Confessou-se, comungou e recebeu a extrema-unção. Quando os clérigos acabaram de rezar, no dia 19 de julho, ela faleceu, no Mosteiro de Odivelas. Inicialmente foi sepultada em Odivelas, onde havia falecido. No ano seguinte, os seus restos mortais seguiram para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, por ordem de seu marido. Mais tarde, o local abrigou túmulos de outros membros da dinastia de Avis, tais como os de seus filhos. Com excepção de D. Duarte, que construiu o seu próprio panteão, a "Ínclita Geração" está sepultada na Capela do Fundador do Mosteiro da Batalha, primeiro panteão régio a ser construído em Portugal.