Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Ter | 28.04.20

Entrevista dos Duques de Bragança à revista VIP em Setembro de 1998

Blog Real

O Duque de Bragança não conseguiu conter a emoção ao caminhar pelas ruas da cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, classificada como Património Histórico e Cultural. "A arquitectura daqui é muito parecida com a dos Açores", disse admirado. No bairro português da cidade, D. Duarte conheceu a Igreja do Pilar, construída, em 1733, em cuja capela-mor figura uma peça de entalho do português Francisco Xavier de Brito. Já em Mariana, D. Duarte e D. Isabel encantaram-se com a Catedral da Sé, que ostenta uma raridade: um órgão Arp-Schnitger que foi encomendado por Portugal à Alemanha, em 1701. O órgão foi prometido por D. João V ao primeiro bispo de Mariana e foi-lhe enviado em 1753 por D. José.

A visita de D. Duarte Pio a Minas Gerais, a convite do empresário português Neiva de Oliveira, foi intensa. No final, em entrevista à VIP, falou sem reservas começando mesmo por dizer: "Como não preciso do voto de ninguém e o meu título não tem cotação na Bolsa, digo o que penso."

 

VIP-O que mais o impressionou nesta visita às cidades históricas brasileiras?

SAR-O aumento de consciência por parte das autoridades mineiras da necessidade de preservação do património. Há que ter em consideração que são cidades vivas. As pessoas querem tornar as casas mais confortáveis, mas têm dificuldades em mante-las e preferem vendê-las para construir prédios. Perante este conflito de interesses, há que ter bom senso, respeitar aquilo que nos interessa e, ao mesmo tempo, saber respeitar os interesses dos habitantes. Aquilo de que gostamos ao visitar uma cidade histórica é fazer uma viagem no tempo.

VIP-Quais os erros mais graves que se cometem no ensino da História do Brasil?

SAR-Muitas das dificuldades que surgem no relacionamento entre o Brasil e Portugal têm a ver com o ensino errado da História. Por exemplo, a população de origem africana tem, com toda a razão, um grande ressentimento pela maneira como os seus antepassados foram tratados, como escravos. Só que Portugal e o Brasil são os únicos países do Mundo, que eu saiba, que tiveram uma legislação de protecção dos escravos. Aqui, em Ouro Preto, há uma igreja lindíssima que foi construída pela confraria de escravos. O que prova que a população escrava tinha direitos cívicos e uma capacidade humana de organizar uma confraria tão rica que conseguiu fazer uma igreja lindíssima e que essa confraria tinha a função de corporação. Hoje não se sabe isso porque não se ensina. Só se fala das horríveis maldades.... Tais como... O que se fala de Tiradentes, que é o grande herói do Brasil e um dos primeiros que lutaram pela independência. Aliás, pela república também. É um herói pelos seus ideais. Mas Tiradentes foi enforcado e é referido sempre com essa envolvência dramática. O que ninguém diz é que D. Maria l o tinha amnistiado mas que a amnistia chegou tarde demais ao Brasil. Não havia fax naquela altura (risos). Perante a lei da época, o que ele queria fazer, construir a República de Minas Gerais, era gravíssimo porque era uma tentativa de separar um território de Portugal e até do Brasil. Era a máxima das traições. Se isso fosse conhecido diminuiria aquele ressentimento que surge muitas vezes. O meu próprio antepassado, D. Pedro, que decretou a independência do Brasil

VIP-não concordou com o que ele fez?[esta pergunta surge no texto original, por lapso óbvio, como continuação da dissertação de D. Duarte]

SAR-Se ele tivesse mantido o projecto de D. João VI, de reino unido, hoje o Brasil teria um território associado na Europa e dois em África. Infelizmente, isso não foi possível. Houve erros graves portugueses. Mas, há que moderar o sentimentalismo histórico ou a politização da história e tentar estudar as realidades tais como elas eram na época.

VIP-O intercâmbio sociopolítico, económico e cultural entre Brasil e Portugal poderia ser maior?

SAR- É muito insuficiente. Ficou-se pela parte da cultura abstracta. Há alguma cooperação - da Fundação Gulbenkian e do Ministério da Cultura português com instituições de restauro do património no Brasil. A cooperação deveria ser reforçada e ter uma visão de futuro. Portugueses, espanhóis e brasileiros deveriam traduzir para as suas línguas as novas tecnologias. O uso de expressões inglesas em tudo o que é nova tecnologia e informática é um erro e uma forma de colonialismo cultural. A nível editorial já vem sendo feita alguma coisa mas, se os portugueses não têm a menor dificuldade em entender os brasileiros, o inverso nem sempre acontece.
Neste momento qual é a imagem do Brasil em Portugal?
É muito boa, embora haja um aspecto de intercâmbio cultural mais negativo, que são al-


"Se os portugueses
não têm a menor
dificuldade em entender
os brasileiros, o inverso
nem sempre acontec
e"


gumas novelas moralmente negativas e destrutivas, que estão a invadir o País. Mas isso é culpa das nossas televisões, que as compram. Do ponto de vista económico e cultural existe uma visão muito positiva. Claro que surgem problemas devido à nossa integração na União Europeia. Hoje, as fronteiras portuguesas são as da União Europeia e as perspectivas de entrada de pessoas de fora são menores. Isso cria problemas complicados e, por vezes, mal resolvidos.

VIP-Como analisa o actual momento político-económico português?


SAR-Acho que, às vezes, caímos numa atitude de deslumbramento perante a União Europeia. Não temos uma visão fria e crítica e aceitamos tudo. Temos que descobrir que as nossas raízes culturais estão intimamente ligadas ao mundo de língua portuguesa. Por isso, esse deslumbramento é uma coisa que me preocupa. Economicamente está a correr bem, as pessoas estão satisfeitas. Há uma tendência para gastar dinheiro em artigos de luxo e não resolver problemas fundamentais. Por exemplo, fazem-se grandes obras como a Ponte Vasco da Gama, que não tem utilidade que justifique o investimento feito.


VIP-E que problemas fundamentais há por resolver em Portugal?


SAR- Primeiro, um grande atraso na formação técnico-profissional, depois o sistema de saúde, que embora sendo bom implica uma grande espera. A agricultura está abandonada, em vias de falência. O abandono do interior devido à pioria das condições de vida e falta de emprego. A desertificação do interior é uma consequência de um desvio da democracia. Porque interessa ao poder político investir onde vai ganhar mais votos. Por fim, a falta de apoio na divulgação da língua portuguesa na Guiné, e Moçambique, em Timor. Não custava

 

nada a Portugal e ao Brasil enviarem livros para estes paises

VIP-Em que pé está a causa timorense?


SAR-É o caso mais grave do ponto de vista moral da chamada descolonização. Enquanto os outros, mal ou bem, são hoje tecnicamente países independentes, Timor é um território português sob ocupação estrangeira. Infelizmente, o resto do Mundo está pouco preocupado com isso.Espanha e o Brasil, para falar de países mais próximos de Portugal, negoceiam com a Indónesia e não a pressionam para ter um comportamento mais correcto em relação a Timor. Devíamos convencer os países nossos amigos a serem mais activos. O nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tem feito um bom trabalho, mas não o suficiente.

VIP-Qual a importância da religião nos dias de hoje?

SAR-É importante que sigamos a nossa igreja e não andemos atrás de um qualquer fala-barato que vende um produto pseudo-religioso, que muitas vezes é só um negócio ou uma fraude completa. Apesar dos defeitos, erros e pecados da Igreja, como qualquer outra instituição, esta provou, em dois mil anos, que foi benéfica para a Humanidade.

VIP-Quais os princípios básicos que leva em consideração na educação dos seus filhos?

SAR-Valores básicos éticos, morais e também religiosos, de forma a darem-llhes uma estrutura e, a partir daí, podem desenvolver as suas capacidades e perceber os seus interesses. Depois, os pais têm de dar o exemplo de coerência

Fonte:

VIP nº 62 de 23 a 29 de Setembro de 1998

1 (27).jpg

2 (1).png

3 (18).jpg

4 (15).jpg

5 (11).JPG

Dom | 26.04.20

Nova Mensagem de D.Duarte, Duque de Bragança a propósito da crise de saúde pública emergente

Blog Real

dduarte_braganca.jpg

D.Duarte, Duque de Bragança e Chefe da Casa Real Portuguesa divulgou no seu site oficial uma nova mensagem a propósito da crise de saúde pública emergente.

Portugueses: 

Nas circunstâncias da pandemia que vivemos, reconheço os valores que constituem a alma portuguesa e que se manifestam hoje com profunda esperança no nosso futuro comum. São exemplo disso a civilidade e a prontidão com que os portugueses se mostraram convocados para o bem de todos, visível na tranquilidade e prudência com que se respeitam as instruções das autoridades, reduzindo o comércio, fechando os escritórios ou limitando ao mínimo indispensável a saída de suas casas.

Não esqueço as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo e a forma como nesses locais de residência e trabalho tão bem têm representado Portugal quando é tão importante ser exemplo.

Uma palavra de enorme respeito e gratidão por todos os médicos, enfermeiros, profissionais da saúde e de lares que, em condições de grande tensão e cansaço, e grave falta de meios, têm sido inexcedíveis a cuidar dos doentes do covid-19 e das outras enfermidades, com altruísmo e generosidade, mostrando bem de que fibra são feitos. Assim também aos cientistas e pesquisadores nacionais que afincadamente procuram remédio.

Com apreço quero agradecer a todos quantos servem a comunidade que somos, minorando as consequências das circunstâncias e permitindo um confinamento tão confortável quanto possível - militares, bombeiros voluntários, forças de segurança, profissionais dos serviços básicos de limpeza, água, etc., das mercearias e supermercados, farmácias, e tantos outros.

Não esqueçamos o fundamental serviço prestado pelos agricultores. Agora mais do que nunca percebemos a importância de Portugal poder produzir uma boa parte do que todos consumimos…

Com alegria, vejo também a criatividade e engenho com os quais tantas empresas particularmente atingidas pela queda brusca da sua actividade se reinventam para acudir a quem mais precisa, criando propostas onde parecia só haver desalento: cozinhas de hotéis que trabalham para IPSS, restaurantes e pequenos negócios que fazem entregas em casa, e tantos outros.

A todos quantos se vêem com o seu sustento familiar subitamente interrompido ou diminuído, manifesto a minha total solidariedade.

Vejo com grande preocupação as muitas famílias que emigraram para Portugal com dificuldades económicas, em particular as do Brasil, terra Natal de minha Mãe. E fico feliz pelas muitas pessoas que continuam a ajudar aqueles que, por estarem aqui há pouco tempo, não beneficiam de apoio da Segurança Social.

Saibam que não estão esquecidos e que, como noutras crises, entre todos havemos de encontrar soluções para a vossa grande aflição.

Quantos voluntários e instituições caritativas multiplicaram esforços para chegar aos mais vulneráveis e atingidos, apoiados no reforço financeiro que de outras famílias lhes vai chegando através de donativos.

A todos os que, enlutados, sofrem a dor da morte nas suas famílias, a minha compaixão.

Nunca como agora se manifestou tão claramente a importância das várias profissões e a honradez do trabalho de cada um e quanto em sociedade dependemos uns dos outros.

É também nestes momentos em que lutamos contra um inimigo invisível que vemos como os Portugueses respondem com serenidade. Vemos como um número crescente de pessoas prefere comprar produtos agrícolas ou industriais produzidos em Portugal, contribuindo para diminuir o desemprego e a crise económica que ameaça a sobrevivência da nossa economia. As escolhas inteligentes são cada vez mais importantes para garantir o nosso futuro colectivo!

Nesta altura em que nos sentimos, de certa maneira, isolados não deixamos de pensar nas pessoas que estão mais sozinhas e desamparadas.

Havemos de viver esta crise também como oportunidade, firmes na grandeza das inúmeras qualidades que são as nossas, certos na Esperança que nos foi confiada.

Espero que esta Páscoa e esta provação nos tenha recentrado no essencial da vida e nos conceda a todos, crentes e não crentes, um espírito de renovação, de Paz e de unidade.

Sua Santidade o Papa Francisco disse que esta pandemia era “uma resposta da Natureza” face ao nosso comportamento. Que este aviso nos leve a respeitar melhor o ambiente, não esquecendo o respeito pela Natureza humana que inclui o direito à vida dos mais frágeis.

Peçamos à Imaculada Conceição, Rainha de Portugal, que mais uma vez proteja a nossa Pátria!

Assim também se cumpra Portugal.

 

Dom Duarte de Bragança

Sintra, 23 de Abril de 2020

Dom | 26.04.20

Principe-Real D.Luis Filipe e Aires de Ornelas, num landeau à porta do Palácio da Ponta Vermelha em Moçambique

Blog Real

Principe-Real D.Luis Filipe e Aires de Ornelas, Ministro da Marinha e Ultramar,num landeau à porta do Palácio da Ponta Vermelha (residência do Governador-Geral de Moçambique).O Principe visitou Moçambique integrado nas visitas que efectuou à África Portuguesa entre Julho e Setembro de 1907,visitando todos os territórios portugueses em África com excepção da Guiné.

Seg | 20.04.20

Maria de Lencastre, Marquesa de Unhão, aia de D. João V e camareira mor da rainha D. Maria Ana de Áustria

Blog Real

marquesa_de_unhao_medium.jpg

A Marquesa de Unhão, Dona Maria de Lencastre (8 Agosto 1656 - 19 Outubro 1739), era filha de Martinho Mascarenhas, 4º Conde de Santa Cruz e de Juliana de Lancastre.

Foi aia de D. João V e dos infantes seus irmãos, e depois camareira mor da rainha D. Maria Ana de Áustria.

Era esposa de Fernão Teles de Menezes e Castro, 3.º Conde de Unhão.

Há informações que apontam para o facto de lhe ter sido atribuído o título quando enviuvou, e de ter falecido em 19 de Outubro de 1789, com 83 anos de idade, e 49 de serviço no paço.

Dom | 19.04.20

Foto de grupo com a Rainha D.Maria Pia e o Infante D.Afonso

Blog Real

Em primeiro plano, da esquerda para a direita: a Rainha-Mãe D. Maria Pia, segura entre as mãos um leque; Marquesa de Unhão, D. Eugénia Teles da Gama (dama camarista de D. Maria Pia), segura nas mãos um par de luvas. De pé, em segundo plano: Tenente Coronel Alfredo de Albuquerque; Veador João Benjamim Pinto; Infante D. Afonso de Bragança, Duque do Porto.

thumbnail-by-url (3).jpg

Fonte: http://www.omnia.ie/

Sab | 18.04.20

Capitão Júlio da Costa Pinto, secretário da Rainha D. Amélia

Blog Real

img11110.jpg

Júlio da Costa Pinto nasceu na freguesia de Salvador, Torres Novas, em 1883, sendo o segundo filho do casal Delfina de Jesus Costa e Manuel Pinto da Costa. Pouco tempo depois, a família mudou-se para Santarém onde nasceu a filha mais nova, Isaura Pinto da Costa, em 1890. A partir do ano lectivo de 1895-96, passou a frequentar o Colégio Militar onde foi colega e amigo do Príncipe D. Luís Filipe.

A 26 de Outubro de 1899, obteve o diploma do Real Colégio Militar relativo ao 4.º ano. A tragédia do incêndio no Club Artístico em Santarém, no Carnaval de 1896, levou-o ao primeiro contacto com a Rainha D. Amélia quando esta visitou as vítimas e os olhos do jovem e da sua mãe se cruzaram com os da mulher que serviria ao longo de uma vida.

Nascera monárquico e monárquico morreria, mesmo que isso significasse abdicar de muito em prol de pouco.

O pai, capitão do Corpo de Almoxarifes e a prestar serviço no Presídio Militar de Santarém, adquiriu um prédio com casa e quintal no sítio do Monte, com extrema a nascente com o adro da Igreja, a Rosalina da Conceição por 13750 réis, segundo escritura lavrada no Notário Público Manuel José Machado Júnior, em Santarém, de 21 de Outubro de 1901.

O local e especialmente a Capela tornaram-se num marco de recordações na vida de Júlio da Costa Pinto que o perseguiram ao longo dos anos: “Conhece que a minha devoção à Capela da Senhora do Monte tem raízes velhas; e também conhece que a missa foi paga por mim mesmo quando eu não tinha um tostão na algibeira; à custa de muitos sacrifícios; e só deixou de se rezar, por falta absoluta de clero!”2.

O jovem oficial de cavalaria e lanceiro, a elite da arma de cavalaria, seguiu a sua carreira militar.

Em Novembro de 1907, propôs ao Ministério da Guerra a alteração do regime das escolas e a 22 de Maio de 1908 embarcou para Angola onde foi ajudante de campo do major Alves Roçadas, oficial às ordens de Henrique Paiva Couceiro e de João de Almeida.

Numa carta de 4 de Outubro de 1908, o major Joaquim António Pereira propôs ao Governador Interino da Província de Angola que o alferes de infantaria Júlio da Costa Pinto fosse agraciado com a Ordem da Torre e Espada do Valor e Lealdade e Mérito por feitos de heroísmo.

Em 1910, ainda em Angola, participou nas grandes reparações na estrada de Quifangongo ao Alto Dande, passou o Carnaval em Moçamedes e a partir de Agosto deslocou-se para Luanda.

Após o 5 de Outubro de 1910, demitiu-se das suas funções militares em Angola acabando por ser expulso do exército pelo Governo Provisório em 1911. Numa atitude de desafio, mandou celebrar missa por alma do rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe na Igreja da Misericórdia em Luanda, a 1 de Fevereiro de 1911.

Durante a década de 10, Costa Pinto envolveu-se em incursões, revoltas, movimentos tendo sempre em vista a causa monárquica.

O ano de 1913 foi trágico na sua vida familiar. A irmã mais nova, Isaura, faleceu no Presídio Militar, onde o pai era o 2.º Comandante, a 18 de Maio, provavelmente de uma epidemia como a pneumónica, uma vez que foi sepultada no mesmo dia por determinação médica.

A 26 de Setembro, faleceu o pai, major Manuel Pinto da Costa, vítima de um volvo quando era transportado de carro para uma Casa de Saúde em Lisboa a fim de ser operado.

A 2 de Novembro de 1914, Costa Pinto foi preso na Guarda sob a acusação de conspirador. Daí, foi enviado para Lisboa onde ficou preso e incomunicável.

A 27 de Agosto de 1915, participou na conspiração liderada por Miguel de Sotto Maior juntamente com Manuel Costa Alemão e um grupo substancial de militares contra o Governo de Pimenta de Castro.

A conspiração consistiu num assalto sem sucesso aos quartéis de Infantaria 29 em Braga e Infantaria 20 em Guimarães e teve como objectivo a sublevação militar e a ocupação de todo o norte do país. A 31 de Janeiro de 1916, encontrava-se preso na Cadeia da Relação.

Em Dezembro de 1916, envolveu-se no Movimento de Machado dos Santos que tentou unir as forças que se opunham aos democráticos e pretendia impedir o envio de homens para o campo de batalha em França (I Guerra), combater a crise económica e o governo. O fracasso do Movimento levou-o à prisão onde não recebia visitas e era interrogado constantemente.

Sobre esse período escreveu: “do que tenho desgosto é de ver que houve no exército português alguém que julgasse que a atitude digna e briosa mantida pela maioria esmagadora dos oficiais presos a bordo fosse obra política monárquica em vez de ser o já evidente sintoma de altivez e energia de carácter que a sociedade de amanhã há-de ter.”3.

A 31 de Maio de 1917, encontrava-se detido nos calabouços do Governo Civil de Lisboa acusado de agitação e assaltos juntamente com o ex-sargento José Lourenço Flores, Sebastião Eugénio e Francisco Paneiro.

A 12 de Novembro desse ano foi preso no Presídio da Trafaria sob a acusação de ter distribuído e possuir alguns exemplares do folheto o “Rol da Deshonra”4. Costa Pinto “… que estava a ser vigiado, viajou no comboio Lisboa-Porto, saindo do comboio em várias estações para distribuir maços do panfleto a “vários indivíduos que pareciam aguardá-lo, e alguns deles oficiais do exército fardados””5. Indignado, escreveu uma carta ao Ministro da Guerra Norton de Matos a contestar a acusação.

A 21 de Novembro de 1917, Costa Pinto recebeu uma contra-fé do director da Polícia de Investigação Criminal de Lisboa, Adolfo Augusto de Oliveira Coutinho, assinada pelo agente de polícia, António Augusto a expulsá-lo de Portugal durante a guerra. Seguiu da Cadeia da Trafaria para a estação de Campolide e daí para Madrid. O exílio terminou com a chegada de Sidónio Pais ao poder.

Provavelmente, tal como outros monárquicos, legitimou a presidência de Sidónio Pais nos primeiros meses para depois tentar derrubar a República Nova de forma a desacreditar a República, levando à restauração da Monarquia.

De 1916 até 3 de Novembro de 1918, trabalhou na Livraria Ferreira na rua Áurea, em Lisboa.

A partir daí tornou-se secretário da redacção e editor do jornal monárquico tradicionalista “O Liberal”, do qual era director António Telles de Vasconcelos. Nesse período também foi explicador de instrução secundária.

A 21 de Novembro de 1918, Machado dos Santos escreveu uma carta para o General Aguiar, Director Geral da Secretaria da Guerra, a pedir a reintegração de Júlio da Costa Pinto no exército.

Este nunca entregou a carta. Após o assassinato de Sidónio Pais, Costa Pinto redigiu apontamentos preparativos das revoltas que se lhe seguiram e nas quais participou activamente. A 16 de Janeiro de 1919, envolveu-se na Revolta de Santarém. O boletim de propaganda republicana

A Vitória indicava que Santarém não se rendera e que Júlio da Costa Pinto estava em combates no Cartaxo juntamente com Aníbal Soares, José Sucena, Rocha Martins e o Conde de Arrochela. A 19 de Janeiro, participou no Movimento de Monsanto onde comandou os combatentes civis, a chamada “Real Coluna Negra”.

A coragem e determinação de Costa Pinto foram alvo de admiração de outros companheiros em Monsanto como D. José de Almeida e Vasconcelos, Hipólito Raposo, Félix Correia, António Alvarenga e que com ele partilharam a fome, ferimentos e o fogo republicano.

A 25 de Janeiro foi preso pelas forças republicanas que o espancaram violentamente nas ruas de Lisboa enquanto conseguiu gritar: “Viva a Monarquia! Viva Portugal!”.

A Junta Governativa do Reino de Portugal, liderada por Paiva Couceiro, conhecida como Monarquia do Norte manteve-se em funções no Porto até 13 de Fevereiro. Entre 7 de Abril e Agosto de 1919, esteve preso no Presídio Militar de Lazareto, ilha da Madeira, onde se manteve no isolamento. A 22 de Agosto de 1919, foi julgado no Tribunal Militar de Santa Clara, acusado de envolvimento no Movimento de Monsanto.

Em Setembro encontrava-se preso na Cadeia Nacional de Lisboa. A 9 de Abril de 1921 foi libertado do presídio da Trafaria juntamente com treze outros presos políticos e após ter cumprido dois anos de prisão por envolvimento em Monsanto. Em Agosto de 1921, o seu meio de subsistência era vender latas de azeite “Âmbar” à comissão.

No mês seguinte começou a vender seguros da “Atlas”, o que o levou a viajar frequentemente por todo o país. Essas viagens permitiam-lhe estabelecer contactos com apoiantes monárquicos e dedicar-se à sua paixão pela fotografia. Entretanto ia escrevendo para alguns jornais e passava algum tempo “a politicar”.

A “Noite Sangrenta” de 19 de Outubro de 1921, em que perderam a vida Machado dos Santos, Carlos da Maia e António Granjo, apanhou-o em viagem no Algarve, onde faltavam as comunicações e abundavam os boatos.

A 28 de Outubro de 1921, faleceu em S. Tiago de Cassurrães, Mangualde, a sua irmã mais velha Maria Albertina Pinto da Costa, vítima de tuberculose.

As eleições de 29 de Janeiro de 1922, levaram-no a envolver-se na montagem da máquina eleitoral e a fazer uma conferência na sede das Juventudes Monárquicas, em Faro. Manteve contactos com apoiantes monárquicos como Satúrio Pires, Luís de Magalhães, Luís Vieira de Castro. Em Fevereiro desse ano participou na constituição do Centro Monárquico em Olhão e em reuniões políticas, como a de Moncarapacho que terminou em tiroteio.

A vida de vendedor de seguros aborrecia-o perante o vazio de acção nesse acto de sobrevivência, “recomecei a vida de sempre, horrível”6. Sempre que visitava Santarém encontrava-se com alguns dos seus amigos como João Arruda e Laurentino Veríssimo com quem participou na preparação do Congresso Ribatejano.

Em 1922, conheceu Homem Cristo Pai e Pedro Homem de Melo de quem se tornou amigo. Nos momentos livres, dançava, ia ao animatógrafo, dormia, lia Balzac “o eterno mestre da vida, o mais assombroso conhecedor da alma humana”7 e cobrava as cotas da Associação de Auxílio aos Monárquicos.

Em Outubro de 1923, abandonou a Companhia de Seguros Atlas para, mais tarde, iniciar actividade na Vacuum Oil, companhia que o homenageou em 1942. Na sequência da morte de D. Manuel II, em 1932, acabou por se envolver em polémica com Alfredo Pimenta a partir de um artigo no jornal República, em Fevereiro de 1933.

A sua mãe, Delfina de Jesus Costa, faleceu em Lisboa a 20 de Janeiro de 1935. O falecimento da sua única familiar directa abalou-o profundamente.

O dia 20 de Janeiro tornou-se um dia de culto na vida de Júlio da Costa Pinto que se fotografava como que para perpetuar o momento. Após o incêndio que devastou o Santuário da Penha a 16 de Fevereiro de 1939, envolveu-se na sua reconstrução oferecendo uma imagem de Nossa Senhora e de um crucifixo em pau-santo e marfim do século XVIII.

Com o início da II Guerra Mundial e a na consequência da entrada dos alemães em França, telegrafou a Salazar: “Respeitosamente peço licença a V. Ex.ª actual situação Sua Majestade Rainha Senhora D. Amélia em risco Versailles pois decerto coração português acolhê-la-á Portugal neste momento tão angustioso.”8.

Em 1942, o Irmão da Irmandade da Senhora do Monte decidiu recuperar a degradada Capela do Monte em Santarém assim como algumas casas envolventes destinadas ao sacristão e às merceeiras. Apesar das adversidades, o seu lema era “Desistir, não.”9.

A 14 de Junho de 1943, foi homenageado num almoço na Quinta das Ómnias, em Santarém. Nesse mesmo ano, integrou a Comissão que inventariou os bens pertencentes à Fundação Casa de Bragança.

Entre 1945 e 25 de Outubro de 1951, tornou-se secretário da Rainha D. Amélia, acompanhando-a no Château de Bellevue, Chesnay, França, com a devoção de estar a prestar um serviço à sua Rainha e à causa em que acreditava. Em Novembro de 1946, o Ministro das Colónias, Marcello Caetano, atribui-lhe a medalha de serviços relevantes, quando este já tinha sido reintegrado na carreira militar com o posto de capitão.

A 15 de Dezembro de 1953 foi admitido como Irmão da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, instituição a quem doou os seus bens imóveis.

Nas décadas de 30, 40 e 50 proferiu diversas conferências sobre as suas actividades em prol da monarquia, África, defesa do património (Capela do Monte, Torre da Trindade). Também colaborou com as Comissões da Feira do Ribatejo ao acompanhar comunidades estrangeiras (belga, francesa, italiana). No Verão de 1957, deslocou-se a S. Tomé e a Angola onde encontrou velhos amigos e percorreu a terra que conhecera na sua juventude.

No regresso, proferiu a conferência “Angola na Saudade de um Velho Pioneiro” na Associação Académica de Santarém e na Casa da Madeira. Júlio da Costa Pinto defendia o império ultramarino português não hesitando em oferecer-se para combater todos o que o perigassem, como sucedeu no caso da Índia.

O Professor Joaquim Veríssimo Serrão publicou em 18 de Julho de 1964, no Correio do Ribatejo, o artigo “Júlio da Costa Pinto Amigo de Santarém”, onde enalteceu a figura do padrinho e sugeriu que a Câmara Municipal de Santarém o distinguisse com a medalha de ouro da cidade pelos serviços prestados em favor do património e pelas visitas que orientou na cidade quer a nacionais quer a estrangeiros.

Júlio da Costa Pinto faleceu a 24 de Julho de 1969, no Hospital de S. José em Lisboa onde se encontrava doente há vários dias. O seu funeral saiu da Igreja das Mercês em Lisboa para o jazigo n.º 229, no Cemitério de Santarém onde se uniu aos pais e irmãs para na “Minha Terra, doce Terra, deixa-me em ti descansar”.

Fonte: https://regimentolanceiros2.forumeiros.com/t342-capitao-julio-da-costa-pinto

Pág. 1/3