"O último Rei de Portugal sucumbiu ontem, inesperadamente, às 14 e meia horas, na sua residência de de Fullwell Park, vitimado por uma afecção na garganta", era assim que o Diário de Notícias de 3 de julho de 1932 dava conta da morte de Manuel II.
A morte de D. Manuel de Bragança ocupou toda a capa do dia 3 de julho do DN.
Também chamado de "o Patriota" ou "o Desaventurado", foi o último Rei de Portugal e dos Algarves de 1908 até à sua deposição em 1910 com a Implantação da República Portuguesa.
Era o segundo filho do rei D. Carlos e da princesa Amélia de Orleães e ascendeu ao trono após o assassinato do pai e do seu irmão mais velho D. Luís Filipe, Príncipe Real.
Manuel Maria de Oliveira Ramos (Ovar, 1862 - Lisboa, 1931), professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, notabilizou-se como crítico musical e de arte nos jornais de Lisboa e Porto, figurando o seu nome na toponímia de Lisboa (rua Dr. Oliveira Ramos).
Era filho do jornalista João de Oliveira Ramos, conhecido como o Pai Ramos.
Estudou na Escola do Exército e seguiu a carreira militar. Licenciado pela Universidade de Coimbra, foi professor dos liceus. Em 1904, com a reforma do Curso Superior de Letras, tornou-se professor universitário, lecionando durante 26 anos História Geral e História de Portugal.
Foi também professor no Colégio Militar e na Escola Normal Superior. Em 1917, foi tutor do príncipe real D. Luís Filipe em História e Literatura.
Escreveu as obras A Música Portuguesa (1881) e A Baixela Barahona - Um Problema de Arte (1900), e traduziu livros de Júlio Verne, bem como a História Universal, de G. Oncken, a História da Época dos Descobrimentos, de Sophus Ruge, e O Casamento de Fígaro, de Beaumarchais. Colaborou na Enciclopédia Portuguesa, de Maximiano de Lemos, e na História da Literatura Portuguesa Ilustrada, dirigida por Forjaz Sampaio.
O seu nome consta na lista de colaboradores da revista A Arte Musical (1898-1915).
José Joaquim Lopes Praça (Castêdo do Douro, Alijó,1844 - Montemor-o-Novo, 1920), ilustre filósofo, historiador, jornalista, ensaísta, constitucionalista, docente da Faculdade de Direito de Coimbra e mestre de Filosofia do malogrado príncipe D. Luís Filipe, iniciou a atividade profissional como docente de estudos secundários em Montemor-o-Novo poucos meses após a sua formatura em Direito.
E excetuando uma breve comissão de serviço no Liceu Nacional de Viseu, prosseguiria o ensino na vila alentejana até ao termo do ano letivo de 1879-1880. Passaria em seguida pelo Liceu Central de Lisboa, antes de iniciar, em Janeiro de 1882, a carreira docente na Faculdade de Direito, que terminaria com a sua aposentação, em 1904. Esta “terra de penúltima ordem do nosso país”, segundo as suas próprias palavras, para onde o nomearam casualmente, viria a desempenhar um papel determinante na sua vida.
Apesar de jovem, o estatuto de único professor do ensino secundário da terra facilitou-lhe a integração na sociedade local.
O seu valor intelectual, a formação jurídica e as ideias políticas liberais, mereceram-lhe ainda a aproximação do conselheiro Cipriano Justino da Costa, anterior juiz de fora em Montemor e aqui radicado pelo casamento. Apesar da diferença etária, o antigo magistrado tornou-se seu amigo e abriu-lhe as portas do meio restrito e fechado da elite montemorense. Lopes Praça foi, por isso, admitido na Comissão Promotora de Instrução Popular do concelho, fundada na década anterior e presidida pelo pedagogo e político liberal Alexandre José Botelho16.
Como seu membro, usou da palavra na inauguração solene da escola Conde de Ferreira de Montemor-o-Novo, ocorrida a 27 de julho de 1871. Em 1870 havia já dado à estampa uma breve biografia de Cipriano Justino da Costa, com cuja neta paterna viria a casar em 187218, ligando-se deste modo à ilustre e abastada família local do 1º Conde de Santo André, seu sogro.
Ainda em 1870, publicou anonimamente e à sua custa a Vida e milagres de S. João de Deus patriarca da hospitalidade e fastos literários de Montemor-o-Novo.
Em 1872 editou A Mulher e a Vida ou a mulher considerada debaixo dos seus principais aspetos. Esta obra, dedicada a sua esposa, já foi considerada a mais completa sobre a condição da mulher portuguesa escrita no século XIX. Lopes Praça foi eleito provedor da Misericórdia de Montemor-o-Novo no mandato de 1872-187320.
E o contacto com o precioso arquivo desta instituição levou-o a editar, em 1873, o seu Compromisso e outras disposições regulamentares da Santa Casa.
Entre 1873 e 1875 empenhou-se na supervisão e edição dos dois volumes dos Estudos históricos, jurídicos e económicos sobre o município de Montemor-o-Novo., que referiremos detalhadamente mais adiante.
Manteve a colaboração, iniciada ainda como estudante de Direito, nas publicações periódicas conimbricenses, como A Academia, o Jornal Literário e O Instituto.
E apesar da “ausência dos meios os mais indispensáveis” e dos inúmeros afazeres, foi ainda em Montemor que elaborou a dissertação O catolicismo e as nações católicas: Das liberdades da Igreja Portuguesa, com a qual lograria a admissão ao magistério na Faculdade de Direito.
Em 1904, já jubilado, foi escolhido para mestre de Filosofia do príncipe D. Luís Filipe e do infante D. Manuel, função que desempenhou até ao regicídio, em 1908.
Nesta data, já viúvo e amargurado com a morte trágica do rei e do príncipe seu discípulo, regressou definitivamente a Montemor-o-Novo, onde viria a falecer, a 3 de janeiro de 1920. No entanto, quando se instalou no Alentejo, Lopes Praça trazia já no currículo uma intensa atividade intelectual, não obstante a sua juventude.
Nos anos de estudante colaborara na publicação A Academia acima referida e ainda na Revista de Jurisdição e Jurisprudência.
Na primeira, divulgara os “Apontamentos sobre o movimento histórico da filosofia entre nós”, depois transformados na História da Filosofia em Portugal, dada à estampa em 1868.
E entre a nomeação como professor em Montemor, por decreto de 15 de novembro de 1868, e o início da atividade letiva, concluíra a sua dissertação de Conclusões Magnas intitulada Ensaio sobre o padroado português, editada nesse ano e com a qual obteve o grau de licenciatura. Quanto a Alexandre Herculano destacamos os intuitos pragmáticos e pedagógicos, bem patentes nos ensaios, artigos jornalísticos, poemas e romances históricos e na sua inovadora produção historiográfica, da qual ainda hoje continuamos a ser tributários.
As violentas polémicas que travou com o clero e a pertinência e controvérsia dos temas de feição política, educativa, religiosa, económica e social dos seus ensaios, originaram-lhe inimizades, mas também lhe acentuaram a projeção pública como “escritor-cidadão”. A inventariação e recolha documental efetuada com vista à publicação dos Portugalia e Monumenta Historica proporcionaram-lhe o contacto com numerosos núcleos locais de estudiosos e intelectuais, junto dos quais exerceu naturalmente maior ou menor influência.
A sua atividade, ainda que efémera, como parlamentar e autarca, acentuaram-lhe a visibilidade.
E a numerosa correspondência trocada com correligionários e amigos da sua geração mas também com muitos discípulos mais jovens (entre os quais se inclui Lopes Praça), granjeou-lhe um leque ainda mais amplo de admiradores. No entanto, os efeitos concretos do seu pensamento e da sua ação na formação cultural, cívica e política dos contemporâneos mais jovens, nos quais depositou, numa fase mais otimista da sua vida, as esperanças do aperfeiçoamento e consolidação do regime liberal, é ainda um tema em aberto, para o qual poderemos também, com o presente estudo, prestar algum contributo. Alexandre Herculano constituiu uma das grandes referências da formação intelectual, cívica e política de José Joaquim Lopes Praça. Na introdução à História da Filosofia em Portugal, o futuro académico exprime a admiração por aquele que designa como “o talento mais robusto da nossa terra”, de quem revela ter seguido o exemplo na conceção e nos objetivos da obra: “Acordar na memória do povo português a lembrança do seu passado”, para mais prudentemente se regular no presente e no futuro. Além dos intuitos pedagógicos, colhe no mestre a valorização dos “documentos inéditos”, bem como o rigor metodológico pelo qual se propõe “expor a verdade”. E regista a solidariedade perante a “grande e justa (…) dor” do historiador, originada pelas críticas violentas contra a sua obra e o “nobre fim do seu pensamento”, desferidas pela Igreja e secundadas pelos setores intelectuais conservadores. Na já referida biografia de Cipriano Justino da Costa, o professor reafirma a admiração pelo grande intelectual ao equiparar as qualidades do amigo biografado à sua “severa modéstia”.