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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Seg | 31.08.20

Curiosidades históricas sobre a monarquia portugesa

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Na sua edição de 4 de Fevereiro de 1908, três dias depois do regícidio, o "Diário de Notícias" publicou algumas curiosidades históricas sobre a monarquia portuguesa.

1 - D.Manuel II foi o 33 Rei de Portugal. D.Manuel I foi 14. Este quando subiu ao trono em 1495 também era Duque de Beja. Governou o reino durante 25 anos (25 de outubro de 1495 a 13 de dezembro de 1521).

2 - A morte do Rei D.Carlos I e do Príncipe Real Luís Filipe abriu duas vagas na Ordem da Jarreteira no Reino Unido e na Ordem do Tosão de Ouro em Espanha. Em seis meses, faleceram os três únicos cavaleiros do Tosão de Ouro em Portugal: o Rei D.Carlos I, o Príncipe Real Luís Filipe e o conselheiro Hintze Ribeiro.

3 - O título Duque de Beja foi criado pelo rei D. Afonso V de Portugal em 1453 a favor do seu irmão, o Infante D. Fernando e Condestável de Portugal. O Rei D.Manuel II foi o 18 Duque de Beja. O seu avô, o Rei D.Luís I tinha sido até então o último a usar o título, depois do irmão deste, o Infante D.João de Bragança.

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Seg | 31.08.20

Rei D.Carlos e Rainha D.Amélia em visita a Philippe d’Orléans, irmão da Rainha D.Amélia (1904)

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Woodnorton Hall, Evesham, Worcestershire (1904)
Dom Carlos e Dona Amélia de visita a Philippe d’Orléans [irmão de Dona Amélia e Chefe da Casa Real Francesa], no contexto da sua Visita de Estado ao Reino Unido.
De pé (da esquerda para a direita): Fernand (1841-1914), barão de Tonscolombe, Aubrey Vitit, senhor de Monicourt, Honoré Charles (1868-1923), duque de Luynes, senhora de Villeneuve-Bargemon, marquês de Soveral (1851-1922) [embaixador de Portugal no Reino Unido], coronel William Vicent Legge (1841-1918) [destacado para assistir Dom Carlos durante a sua estadia na qualidade de ajudante-de-campo];
Sentados (da esquerda para a direita) Jean d’Orléans, Duque de Guise [primo de Dona Amélia e pai do futuro Conde de Paris, Henri d’Orléans]; a Arquiduquesa Maria Doroteia de Áustria, Duquesa de Orleães; Philippe d’Orléans; Dona Amélia, Dom Carlos e Isabelle d’Orléans, Duquesa de Guise [irmã de Dona Amélia].

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Sab | 29.08.20

Chalet de Férias da Rainha D. Maria Pia (Paço do Estoril)

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Construída na última década do século XIX, em posição dominante sobre a escarpa da costa do Monte Estoril, esta casa, ainda hoje imagem de marca do Monte Estoril, foi adquirida pela Rainha D. Maria Pia, para utilização durante o período do ano consagrado aos banhos de mar, em 1893, quatro anos depois do falecimento do Rei D. Luís na Cidadela de Cascais e da ascensão de D. Carlos ao trono.

D. Maria Pia adquiriu este chalet em 1893, por cerca de 20 mil reis, a um tal de Henrique Ulrick, então denominado de Vista Longa. Dera por ele quando passou uma temporada na casa emprestada da família Reynolds, localizada ao lado. Gostou tanto que decidiu que seria a sua segunda morada, a par do Palácio da Ajuda. 

No entanto, em função da sua privilegiada localização também viria a ser utilizada durante grandes períodos no inverno, assumindo, então, a designação de Paço do Estoril, que se manteria até à implantação da República, em 1910.

Depois da Implantação da República esta residência foi vendida a António Herédia, depois para o filho deste, António Guedes Herédia e depois para o seu filho, António Herédia.

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Sab | 29.08.20

Carta de D. Maria II a elevar Guimarães ao título de cidade

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Transcrição

"Dona Maria, por Graça de Deos, Rainha de Portugal e dos Algarves Faço saber aos que esta Minha Carta virem que, Tendo consideração ao que pelo Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios do Reino Me foi exposto acerca da antiquissima Villa de Guimarães; Attendendo a haver ella sido o berço da Monarchia, e assento da primeira Côrte dos Reis Portuguezes, onde nasceu e foi baptizado o poderoso Dom Affonso Henriques; Attendendo que a mesma Villa desfructa a primazia de ser uma das mais populosas da provincia do Minho, e a mais florescente em diversos ramos de industria, à qual são devidas a sua opulência e prosperidade, e as suas relações commerciais dentro e fóra do Paiz; Attendendo a que a famosa Villa de Guimarães, sempre Honrada por Meus Augustos Predecessores com especiaies privilegios, possue as condições e elementos necessarios para sustentar a dignidade e cathegoria de Cidade: Por todas estas circunstancias, e Querendo Eu tambe´m dar, aos habitantes de tão nobre Povoação, um testemunho authentico do distincto Aprêço em que Tenho a sua honrada e habitual dedicação á cultura das artes e trabalhos uteis, por Mim presenceados na occasião da Minha visita ás provincias do norte: Hei por bem elevar a Villa de Guimarães à cathegoria de Cidade com a denominação de Cidade de Guimarães, e Me praz que nesta qualidade goze de todas as prerogativas, liberdades e franquesas que direitamente lhe pertencerem. Pelo que Mando a todos os Tribunaes, Auctoridades, Officiaes e mais pessoas, a quem esta Minha Carta fôr mostrada, que indo assignada por Mim, referendada pelo Ministro e Secretario d'Estado dos NEgocios do Reino, e sellada com o sêllo pendente das Armas Reaes, hajam a sobredita Villa por Cidade, e assim a nomeiem sem duvida ou embargo algum. Pagou de Direitos de Mercê e addicionaes cento e quarenta e sete mil quatrocentos e vinte reis, como constaou de um recibo de talão numero tres mil cento e sete passado em nove de Junho corrente na Direcção Geral de Thesouraria do Ministerio da Fazeenda, e de um conhecimento em forma numero mil quatrocentos e quatro passado em sete detse mez na Administração Geral da Casa do Moeda e Papel Sellado. E esta Carta, que será publicada no Diário do Governo, é passada em dois exemplares, um dos quaes depois de registado nos livros da Camara Municipal de Guimarães e no Governo Civil do Districto de Braga, servirá para título daquella Corporação, e o outro será depositado no Reall Archivo da Torre do Tombo. dada no Paço das Necessidades em vinte e dois de Junho mil oitocentos cincoenta e tres.Raynha D. M.."

Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=126827

Sab | 29.08.20

Maria da Piedade de Saldanha de Oliveira e Sousa, Dama da Rainha D.Amélia

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Maria da Piedade de Saldanha de Oliveira e Sousa nasceu a 30 de Junho 1877 em Lisboa, e pertencia à família dos Marqueses de Rio Maior.

Era filha de José Luis de Saldanha Oliveira e Sousa e Maria Bárbara Tavares de Almeida Proença.

Em 1901, casou com José Maria do Espírito Santo de Almeida Correia de Sá, 6.º marquês de Lavradio, que foi secretário particular do Rei D.Manuel II.

No dia 25 de Janeiro de 1906 foi nomeada como dama de companhia da Rainha D.Amélia.

Faleceu a 9 de março de 1940 em Lisboa.

Sex | 28.08.20

Biografias - Afonso de Portugal

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D. Afonso (Elvas, 19 — 23 de Julho de 1382) foi filho de D. Fernando I de Portugal e de D. Leonor Teles de Menezes.

Nasceu na alcáçova do Castelo de Elvas, por ocasião de o monarca português se ter deslocado àquela vila com sua esposa e com o seu conselho, por altura da III Guerra Fernandina em que se envolvera com João I de Castela.

Viria a falecer com apenas quatro dias de vida, correndo histórias várias sobre a sua morte. Uns dizem que se ficou a dever ao tempo abafado que se fazia sentir no Alentejo em pleno Verão; outros (como relata o cronista oficial e guarda-mor da Torre do Tombo, Fernão Lopes) diziam que o rei D. Fernando, suspeitando da infidelidade da sua esposa, julgara que o infante era filho do conde de Ourém, João Fernandes Andeiro (que era voz pública ser amante da rainha), e teria, por isso, movido pela raiva, sufocado o jovem D. Afonso no berço. O cronista afirma ainda que a Corte só se vestiu de luto para não chocar o rei, visto que a maior parte dos cortesãos achava que Afonso não seria filho d'el-rei.

Com a morte do infante, voltava a ser herdeira a única filha lídima e sobreviva do rei, D. Beatriz, então com nove anos de idade, a qual se casaria com o rei de Castela em Maio do ano seguinte, prenunciando, assim, o início da crise de 1383-1385.

[…] ao sabado foram pousar a Ellvas, que eram seis dias do mes de julho. […] A rrainha, que andava prenhe, avendo treze dias que alli estava, pario hũu filho, e mostrou el-rei mui gram prazer e aquelles que da parte da rrainha eram; e acabados quatro dias morreo: e por sua morte tomarom todollos grandes, que com el-rrei estavom, capas de burell por doo, mais por seguirem voontade d'el-rrei, que por entenderem que era seu filho, ca muitos presumiam que era filho do conde Joham Fernandez, dizendo que el-rrei, por seer adoorado [cheio de dores], aviia tempos que nom dormia com a rrainha; e outros que sse mais estendiam a murmurar, deziam que el-rrei por esta rrazom ho afogara no collo de sua ama. […]

Sex | 28.08.20

Biografias - Beatriz de Portugal

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D. Beatriz de Portugal (ou D. Brites de Portugal, Coimbra, Fevereiro de 1373 — Toro, após Junho de 1412 ou entre 1419 e 1420), que veio a ser rainha consorte de Castela, foi filha do Rei D. Fernando I de Portugal e de sua mulher, a rainha D. Leonor Teles.

A Rainha que não foi Rainha de Portugal:

No início de 1383 a infanta D. Beatriz era a única descendente do rei D. Fernando, já então muito doente, após a morte prematura dos seus irmãos mais novos D. Pedro em 1380 e D. Afonso em 1382. Como herdeira do trono, o seu casamento aparentemente iria decidir quem havia de ser o sucessor de D. Fernando.

D. Fernando arranjou e cancelou o casamento de Beatriz por diversas vezes, até que finalmente, tentando evitar que um príncipe castelhano, D. Fernando, filho segundo do rei de Castela, lhe sucedesse no trono por força do tratado de Elvas, pensou encontrar a solução, por mais estranho que nos pareça, no casamento da sua única filha e herdeira com o próprio rei João I de Castela. Viúvo desde o ano anterior de uma princesa aragonesa, João de Castela aceitou, crendo que lhe estava aberta a via para anexar o reino de Portugal ao de Castela e Leão. O respectivo tratado de matrimónio e sucessão no trono de Portugal foi negociado em Março de 1383 em Salvaterra de Magos, e a cerimónia final do casamento teve lugar a 17 de Maio de 1383 na cidade fronteiriça de Badajoz. D. Beatriz tinha então apenas 10 anos e cerca de 3 meses de idade.

Porém o tratado de Salvaterra de Magos não reconhecia como soberanos plenos João I de Castela e Beatriz, e reservava o trono de Portugal para um hipotético neto do rei D. Fernando, o qual, três meses após nascer, seria trazido para Portugal e aqui criado sob a tutela dos avós ou de quem eles nomeassem, caso viessem a falecer quer antes quer depois do nascimento do dito neto ou neta.

Os reis de Castela e Leão só tinham, pelo tratado de Salvaterra, à morte do rei D. Fernando, direito a intitularem-se rainha e rei de Portugal e às rendas e frutos do reino, depois de pagas todas as despesas que se costumavam de ter no tempo do pai de Beatriz. Teriam apenas direito ao título de reis numa situação precária de fideicomisso (a respeito do título real) e seriam usufrutuários do saldo líquido das rendas do reino (se porventura o houvesse), nem sequer podendo ser qualificados, em rigor, como verdadeiros soberanos nominais, pois que das decisões em Portugal não cabia apelo para a corte castelhana, pertencendo o Regimento (governo) a Leonor Teles ou a quem, em caso de sua morte, ela deixasse nomeado. Mas a novidade maior, no dito tratado, era que os naturais do reino a teriam ou haveriam de tomar por Rainha (a Beatriz). Pasmosamente, os naturais do reino intervêm no tratado (fonte: Provas da História Genealógica, Sousa, A. Caetano).

O rei D. Fernando morre pouco depois, possivelmente tuberculoso, a 22 de Outubro. De acordo com o tratado de casamento, a rainha mãe, Leonor Teles de Menezes, cerca de um mês após a morte de D. Fernando (segundo Ayala e Fernão Lopes), manda aclamar em algumas cidades e vilas a filha como rainha de Portugal, tendo assumido entretanto a regência como «Dona Leonor, pela graça de Deus, Rainha, Governador e Regedor dos Reinos de Portugal e Algarve». No entanto, em Toledo, João I de Castela já se proclamara e fizera aclamar rei de Castela e de Leão e de Portugal, juntando as bandeiras de Castela e Leão e de Portugal numa só, e tentando nomear o fidalgo português Vasco Martins de Melo Alferes-mor de Castela e de Portugal. Vasco Martins não aceita e diz polidamente ao rei castelhano que este não pode juntar o que está separado, ou seja, os dois reinos, e que se o fizer poderá haver uma guerra, e que ele, Vasco Martins de Melo, deve obediência a Portugal. É esta atitude e pretensão de João I de Castela que está verdadeiramente na origem da crise de 1383-1385. É verdade que houve cidades e vilas que se mantiveram indiferentes, e outras que impediram ou repudiaram a aclamação de D. Beatriz como Rainha de Portugal, como foi o caso em Lisboa, Santarém, Elvas e outros lugares, mas os próprios apoiantes mais chegados do Mestre de Avis estavam dispostos a aceitar os termos do tratado de Salvaterra, chegando a propor a Leonor Teles, já depois do assassinato de João Fernandes Andeiro, um curioso arranjo: «que o Mestre casasse com a Rainha dona Lionor» e que os dois fossem Regedores durante a menoridade do futuro filho de Beatriz e de João I de Castela (Crónica de el-rei D. João I, de Fernão Lopes, cap. XXV, edição Civilização). Quem levou o recado a Leonor Teles foram Álvaro Pais, um dignitário burguês extremamente influente em Lisboa, e Álvaro Gonçalves Camelo, um homem das Ordens Militares. Leonor Teles recusou a proposta, contudo o que aqui nos interessa é que tal proposta demonstra a disponibilidade do Mestre de Avis e dos seus apoiantes em aceitar aquela aparente soberania nominal dos reis de Castela. Mas, diz-nos o grande fidalgo e cronista castelhano Pero Lopez de Ayala, João I de Castela não queria saber para nada do tratado de Salvaterra, achando que pelo facto da esposa ser herdeira do trono ele tinha o direito a reinar plenamente sobre Portugal. Decide então entrar em Portugal pela Guarda nos finais de Dezembro de 1383, numa nova violação do tratado de Salvaterra e ainda antes de saber que o Mestre de Avis em Lisboa fora aclamado Regedor e Defensor do Reino.

Estando na Guarda, em Janeiro, João I de Castela recebe cartas de Leonor Teles a contar-lhe o sucedido e a pedir-lhe que venha a Santarém em seu socorro. A Rainha regente, entretanto, em meados de Dezembro, mandara finalmente aclamar a sua filha Beatriz (fonte: Crónica da Regência e do Reinado de D. João I, capítulo 67) por todo o reino como rainha e senhora de Portugal. Aqui as posições de ambos os partidos já se extremaram. João I de Castela e muitos dos seus fidalgos, não querendo cumprir de modo nenhum o tratado de Salvaterra, preparam-se para remover o que pensam ser o último obstáculo, a regência de Leonor Teles. Do lado dos partidários do Mestre de Avis, vendo que o rei castelhano não está disposto a contentar-se com uma pretensa soberania nominal, perdem-se as esperanças num qualquer entendimento na base do acordo de Salvaterra e chega-se à conclusão de que é necessário um novo e efectivo rei português. O Mestre de Avis, bastante menos popular que o seu meio-irmão João, entretanto preso em Castela, pensa então tão-só assumir a Regência e a Defesa do reino que a cidade de Lisboa lhe oferece até que o irmão seja livre e possa reinar em Portugal. A revolta desencadeada pelo pregão que anunciava a aclamação de Beatriz (o pregão dizia que o povo teria de aclamar como sua senhora a rainha de Castela) espalha-se por vilas e cidades. Termina aqui qualquer hipótese de alguma vez Beatriz vir a ser reconhecida pelos portugueses como rainha de Portugal (Crónica de el-rei D. João I, cap. XXVIII, ed. Civilização). Minho e Trás-os-montes estavam então quase completamente dominados por alcaides que haviam prestado vassalagem a João I de Castela ou a Beatriz. Nas Beiras a maioria ficara na expectativa. Na Estremadura e no Alto Alentejo as forças do partido pró-castelhano e do partido nacional equilibravam-se. Quase todo o resto do Alentejo e todo o Algarve eram pelo reino de Portugal. A grande epopeia da luta pela conservação da independência iria começar.

Fim da pretensão à coroa portuguesa:

Entretanto D. João I, antes Mestre de Avis, fora eleito rei de Portugal nas Cortes de Coimbra. Aqui se evidenciou o Doutor João das Regras, que assentou a sua argumentação, contra Beatriz e João I de Castela, principalmente na quebra do tratado de Salvaterra de Março de 1383, e também no facto de serem cismáticos, além de outras razões, que no entanto considerou serem de menor peso. O princípio que João das Regras defendeu e que as Cortes converteram em lei foi o de que, ao violar o tratado, Beatriz e João I de Castela tinham perdido todos os seus direitos à coroa, ou seja, o tratado era superior e anulava os laços de sangue de Beatriz e os direitos por via do casamento de João I de Castela. Quanto a outros pretendentes, os infantes D. João e D. Diniz, João das Regras provou que eles eram ilegítimos exibindo e lendo, entre outras, uma carta do Papa Inocêncio VI que isso mesmo demonstrava.

Esta eleição e a batalha de Aljubarrota puseram, na prática, fim a qualquer hipótese de êxito quanto às pretensões de João de Castela e de Beatriz ao trono português. No entanto elas não desapareceram, e só bastantes anos após a sua morte a paz definitiva entre Portugal e Castela e Leão seria finalmente confirmada, em Medina del Campo, a 30 de Outubro de 1431.

Para as Cortes de Coimbra a única fonte com algum detalhe entre os cronistas é Fernão Lopes, Crónica de el-rei D. João I, caps. CLXXXI em diante. Ver também esta Crónica, na sua 2ª parte, cap. CXCV, quanto à confirmação do tratado de paz entre Portugal e Castela.

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Um Real de prata, com a efígie de D. Beatriz. Esta moeda de extrema raridade, batida em Santarém, pretende ser a afirmação dos direitos de D. Beatriz e seu marido D. João I de Castela ao trono de Portugal. Curiosamente, há também um exemplar de um selo de Beatriz que inclui a representação de 7 castelos, tal como é mencionado em Rui de Pina, desde Afonso III.

Últimos anos:

Tendo enviuvado em 1390, D. Beatriz veio a residir em Toro. Aí seria sepultada no convento de São Francisco. O seu falecimento ocorreu já posteriormente a meados de 1412, altura em que temos a certeza que ainda era viva, pois conhece-se uma carta sua a Fernando I de Aragão em que lhe pede ajuda para o restauro daquele convento.

Em 1419 Beatriz enviou através de Juan González de Sevilla, catedrático da Universidade de Salamanca e mais tarde Bispo de Cádiz, uma súplica ao papa Martinho V pedindo favores próprios de alguém que se preparava para morrer. Embora não haja prova documental de quando Beatriz morreu, algumas das suas propriedades foram concedidas ao condestável Álvaro de Luna a partir de 1420, e em junho desse ano a cidade de Toro foi incorporada na Coroa, pelo que é provável que Beatriz tenha falecido entre 1419 e 1420.

Em abril de 1423 firmou-se uma nova trégua entre Portugal e Castela e nela se refere a herança e sucessão de Beatriz.

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Tumulo da Rainha Beatriz de Portugal, rainha consorte de Espanha, que se encontra no Mosteiro de Sancti Spiritus, em Toro, Espanha.

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