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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Qui | 25.11.21

Paço dos Duques de Bragança (Guimarães)

Blog Real

O Paço dos Duques de Bragança de Guimarães foi mandado construir no século XV por D. Afonso, (filho ilegítimo do rei D. João I e de D. Inês Pires Esteves), 1º Duque da Casa de Bragança e 8º Conde de Barcelos, por altura do seu segundo casamento com D. Constança de Noronha.

Habitado durante o século XV, assistiu-se nas centúrias seguintes a um progressivo abandono e consequente ruína, motivada por fatores políticos e económicos, que se foi agravando até ao século XX. Entre 1937 e 1959 realizou-se uma ampla e complexa intervenção de requalificação, executada a partir de um projeto do arquiteto Rogério de Azevedo.

Paralelamente, procedeu-se à aquisição do recheio atual, composto por peças de arte datadas, essencialmente, dos séculos XVII e XVIII. Elevado a Monumento Nacional em 1910, ou seja, ainda antes da sua requalificação, o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, é atualmente um serviço dependente da Direção Regional de Cultura do Norte e integra o Museu (1º piso), uma ala destinada à Presidência da República (fachada principal, 2º piso) e uma vasta área vocacionada para diversas iniciativas culturais (rés do chão).

Qui | 25.11.21

Biografias - Maria Manuela de Portugal

Blog Real

Maria Manuela de Portugal (Coimbra, 15 de outubro de 1527 – Valladolid, 12 de agosto de 1545), foi uma infanta portuguesa. Ela era a segunda filha do casamento de João III e Catarina de Áustria e, junto com o Príncipe João de Portugal, um dos dois únicos filhos do casal a chegar à adolescência.

Primeiros anos:

Nascida na cidade de Coimbra, Maria Manuela foi a segunda (mas primogênita sobrevivente) dos nove filhos nascidos do casamento entre João III de Portugal e Catarina de Áustria; dos seus sete irmãos mais novos, só João Manuel sobreviveu, nascido em 1537.

Sua educação foi largamente influenciada pela profunda piedade e devoção aos sacramentos da sua mãe, juntamente com grandes expectativas, realizada no fato de que, como a única filha dos reis portugueses tiveram um bom casamento e era digno dos maiores considerações.

Foi justamente por essa razão que a rainha Catarina convenceu seu pai, a aceitar a candidatura do herdeiro de Carlos V, o futuro Filipe II, às mãos de Maria Manuela.

Viagem a Espanha:

Ela foi a primeira esposa do Príncipe das Astúrias, herdeiro da coroa espanhola, que reinou depois com o nome de Felipe II, que era seu primo. Esses casamentos estavam entre "os mais notáveis foram feitas entre príncipes de Espanha, de luxo, ostentação e aparelho que foi usado desde o início dos preparativos e do pomposo cerimonial que foram realizadas", como um historiador diz. Os escritores da época não deixaram descrições detalhadas da viagem que ele fez para Madrid a Badajoz para receber a princesa o mestre do príncipe, Juan Martínez Silíceo, bispo e de Cartagena, e a grandeza com o duque de Medina Sidonia, Juan Alonso de Guzmán organizou sua casa para receber a ilustre noiva.

O bispo, em sua jornada de lazer, gasta, dizem eles, 700 rações por dia; sua comitiva era brilhante; Ele usava uma multidão de mulas e chefes de pastelaria, páginas, escudeiros e criados, todos com librés ricos e luxuosos de seda e veludo, com listras douradas, chapéus de penas e outros ornamentos, com os quais competiam os rostos dos cavalos e nas refeições Não havia escassez, nem de comida nem de vinho, de nenhum tipo de presente. O duque, por sua vez, gasta, dizem eles, 600 ducados todos os dias à mesa, e para a recepção do bispo em Badajoz ele carrega 200 mulas, todas com massa de veludo azul e armas bordadas com ouro.

Ambos tinham músicos em sua festa, e na festa do duque também havia oito índios com escudos de prata grandes e redondos, cada um deles com uma águia que segurava os braços do duque e da duquesa. E, para aumentar o luxo e o capricho, três menestréis, chamados Cordobilla, Calabaza e Hernando, ridiculamente vestidos, e um anão com suas decisões e dicas discretas faziam parte da procissão. Assim, a casa do duque e a destinada às acomodações do bispo competiam no luxo dos utensílios domésticos, em tapeçarias, tapeçarias, cortinas, coberturas e talheres de ouro e prata. Não demorou muito para que o casamento planejado causasse um intervalo entre Espanha e Portugal por razões de etiqueta e preferência. Tanta coisa foi contestada que, como o cerimonial não foi organizado, a criança não pôde entrar na Espanha no dia anunciado.

As diferenças foram finalmente resolvidas. Era o mês de outubro quando a Comissão dos Cavaleiros Castelhanos recebeu a Infanta na linha divisória da Ponte do Rio Caia. O noivado seria realizado em Salamanca, e no longo trânsito de Badajoz para aquela cidade foram investidos cerca de um mês, porque tudo eram festividades, festas, torneios, simulações coloridas de bebês e cavaleiros, lutando pela competição e relativamente grandes e pequenos populações em dar a futura princesa das Astúrias. Enquanto isso, o príncipe, como qualquer amante que não pode ver sua amada, a seguiu da fila até Badajoz. Quando a comitiva real chegou a uma cidade onde ia descansar, o príncipe, sempre incógnito, avançou e, de uma janela, às vezes, e quase sempre abafado aos olhos, de um canto, misturado com a multidão que ocupava pelas ruas, ele ficou satisfeito ao observar sua futura esposa.

Casamento e morte:

Este finalmente chegou a Salamanca, em cujo limite o corregedor esperava com a prefeitura e a Universidade e outras corporações, que a acompanhavam na ostentosa e magnífica entrada. O príncipe avançou, bem como em outras cidades e, perfeitamente disfarçado, olhou para uma sacada da casa do Dr. Olivares para ver a infanta mais uma vez. Ela sabia disso, e quando passou pela sacada acima mencionada, com certa coqueteria decorosa, cobriu o rosto com o leque de penas ricas na mão. Como os bufões tinham para toda a liberdade, o conde de Benavente, Periquito Chamado Santervés, que era muito famoso entre sua classe e acompanhou a criança para distraí-la com as suas graças, percebendo o que estava acontecendo, transformaram o ventilador e descobriu totalmente a face da Infanta, que acompanha a ação ousada com muito oportuno palavras

Na parte da tarde, veio o príncipe, sempre incógnito, fora da cidade, e no dia seguinte já entrou publicamente a porta de Samora, acompanhado pelo cardeal de Toledo, o duque de Alba e vários outros magnatas e cavaleiros. Em 14 de novembro de 1543, o noivado foi celebrado, à noite, dando aos esposos a bênção nupcial do arcebispo de Toledo. Às quatro horas da manhã, a missa de Velasso foi celebrada, e todos os dias e vários dos seguintes foram investidos em festas e torneios. Depois de visitar os estabelecimentos públicos, os príncipes foram para Tordesilhas para beijar a mão de sua avó, a rainha Joana de Castela.

A rainha melancólica ficou muito satisfeita ao ver e abraçar seus netos, e conta a história que os fez dançar na presença dela. Em Simancas, atapetaram as ruas com um tecido muito rico e comemoraram com o maior entusiasmo os príncipes, que passaram desta cidade para a de Valladolid, que também era esplêndida, digna e magnífica ao receber os cônjuges. Nessa cidade, Maria deu à luz seu único filho, o Infante Carlos (8 de julho de 1545) e alguns dias depois, ela morreu, sem se tornar rainha da Espanha. Ela foi enterrada em 30 de março de 1549 na Capela Real de Granada, junto com os bebês Dom João e Dom Fernando, filhos do imperador Carlos V, embora posteriormente seus restos mortais tenham sido transferidos para o Panteão dos Infantes da Cripta Real do Mosteiro do El Escorial.

Qua | 24.11.21

Correio Real nº 24

Blog Real

Esta é a capa de mais um número do Correio Real, a revista produzida pela Real Associação de Lisboa para a Causa Real, a ser distribuída durante a próxima semana. Deste número com 36 páginas destacamos, além dum artigo sobre o curioso caso do crescente protagonismo da Coroa Romena dentro do regime republicano, uma interessante entrevista concedida por Jaime Nogueira Pinto. Digno de relevo é o ensaio de Pedro Velez sobre a monarquia portuguesa e a constituição, entre muitos artigos e notícias sobre a Família Real Portuguesa e a actividade do movimento monárquico.

Ter | 23.11.21

Rei D.Pedro V visitou Castelo de Vide (1861)

Blog Real

No dia 7 de Outubro de 1861, o Rei D.Pedro V visitou Castelo de Vide que apelidou esta Terra de "Sintra do Alentejo".

Visita deveras marcada de emoção, pois esta seria a última feita pelo Monarca, uma vez que veio a falecer um mês mais tarde. Assim, para perpetuar esta visita, nada melhor que levantar uma estátua do então Rei, sendo colocada no centro da Vila, na praça com o mesmo nome.

Fonte: https://www.visitarportugal.pt/portalegre/castelo-vide/castelo-vide/estatua-dom-pedro-v 

Ter | 23.11.21

Visita da Rainha D.Maria II ao Norte - Guimarães (1852)

Blog Real

15 de Maio de 1852

Visita régia.- Partiram, de Braga para Guimarães, as Majestades, às 5 horas da manhã; encontraram pela estrada alguns arcos, muitas músicas populares, muito povo vitoriando o real préstito e muitas mulheres chorando de alegria por verem a sua soberana. El-rei demorou-se algum tempo nas Taipas examinando os banhos e as inscrições antigas. Às 9 horas da manhã chegaram a Guimarães S. S. M. a Rainha, D. Maria II, seu esposo D. Fernando, o príncipe real D. Pedro e o infante D. Luís. À porta da vila estava um rico arco e toda a vila estava bem adornada. Aí o Presidente da Câmara, João Machado Pinheiro, pronunciou um brilhante discurso ao entregar as chaves da vila. Uma multidão de povo das aldeias (mais povo seria se fosse no dia 17 como se esperava) dava muitos vivas a Suas Majestades. Na Colegiada foram recebidos e assistiram ao Te Deum, tudo na forma do ritual. Recolheram ao palácio de Vila Flor, de Nicolau de Arrochela. À noite a vila iluminou-se e nos Passarinhos (S. Francisco) um coro de numerosíssimas raparigas cantando. Guarnecia Guimarães um destacamento de infantaria nº 2. Nb: Do livro das actas da Câmara nada consta desta visita régia, pois da sessão de 28 de Abril, passou à de 22 de Maio !!!!

(João Lopes de Faria, Efemérides Vimaranenses, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento, vol. II, p. 147 v.)

 

Em Maio de 1852 a Corte portuguesa andava em visita ao Norte do País. Na manhã do dia 15, com dois dias de antecedência em relação ao inicialmente programado, a rainha deu entrada em Guimarães, sendo recebida por uma entusiástica manifestação popular. No Toural esperavam-na, além do povo, as autoridades locais “e tanto povo que ocupava quase todo o terreiro apesar de grande: as janelas estavam bem guarnecidas de senhoras e todas adamascadas, e a grande boa e uniforme fachada dos edifícios deste terreiro pintada a uma só cor, (de limão).” (Alberto Vieira Braga, Curiosidades de Guimarães, Sociedade Martins Sarmento, 1993, vol. III, pág. 132).

No Toural, junto às Portas da Vila, o Presidente da Câmara entregou à rainha as chaves simbólicas de Guimarães, constituindo-se aí um cortejo que seguiu, em direcção à Colegiada, pela rua dos Mercadores (que seria baptizada de Rua da Rainha D. Maria II) “que estava bem guarnecida e alcatifada de baeta cor de púrpura no centro e pelos lados de ervas odoríficas, e as janelas apinhadas de senhoras e adamascadas”.

A estadia em Guimarães da comitiva real, que ficou ficou alojada no palacete do Conde de Arrochela (Vila Flor), prolongou-se por dois dias, que foram de festa contínua, com multidões nas ruas, música, casas engalanadas, iluminação festiva.

 

Sobre esta visita, João Lopes de Faria anotou, para este mesmo dia, a seguinte notícia da estadia de D. Maria II em Guimarães:

 

Um cavalheiro vimaranense, diz o seguinte: "A rainha D. Maria II, seu marido D. Fernando e seus filhos, o príncipe real D. Pedro e o duque do Porto, D. Luís, chegaram às 9 horas da manhã e alojaram-se na casa de Vila-Flor, Cavalinho. No dia seguinte, 16, domingo, deram beija-mão à Câmara, Cabido, magistrados, justiça, generais, condes e grandes do reino que os acompanhavam, à Ordem Terceira de S. Domingos, etc.etc. Às 4 horas da tarde, seguidos da sua comitiva, foram à Colegiada e seu tesouro, e depois à igreja dos Domínicos, sendo recebidos nas escadas do pátio da igreja, debaixo do pálio, e à porta da igreja o padre director paramentado lhes deu a cruz a beijar; seguiram para a capela-mor fazer oração, daí para a sacristia, casa do despacho onde se achava o trono com docel e cadeiras, às obras da nova enfermaria visitar os doentes, depois ao jardim, onde apalparam o cão de murta, para verem se era fixo ou só para esta ocasião; determinaram ao marechal Duque de Saldanha suas reais resoluções, para serem consideradas Suas Reais Pessoas como associadas nesta V. Ordem, o que este comunicou ao José Gomes Fernandes Baptista, um dos fundadores do hospital (autor desta narração), indicando-lhe com quem, para levar a efeito tal fim, tinha de entender-se. No jardim, durante a visita, houve fogo, repiques e vivas. À saída voltaram à igreja; foram sempre acompanhados pela Mesa e Ordem até entrarem no coche, dando-lhes, à Mesa e à Ordem, demonstrações de satisfação e alegria. A família real foi muito festejada em Guimarães durante os dias que aqui esteve, e recebeu numerosos presentes, merecendo especial menção uma bandeja-almofada, coroa e ceptro de linha, feita no Convento das Domínicas. Os povos do Gerês vieram a Guimarães trazer à Família Real 3 cargas de caça morta e 7 cabrinhas bravas vivas, as quais S.S. M.M. levaram para Lisboa. A rainha mandou dar 15 moedas a cada um dos 4 conventos de freiras, e avultadas esmolas aos presos e várias outras pessoas. No "Observador", de Coimbra, de 29 de Maio, lê-se: "S. M. a rainha fez tanto apreço da coroa de linha que uma religiosa domínica lhe ofertou que tenciona mandá-la para sua prima a rainha Vitória." O Duque de Saldanha hospedou-de no Arco, com todo o seu estado-maior, e o Duque da Terceira, e seus ajudantes, em Vila Pouca. - Ver nos do "Periódico dos Pobres no Porto".

Fonte: http://araduca.blogspot.com/2013/05/efemeride-do-dia-guimaraes-recebe-rainha.html 

Ter | 23.11.21

Biografias - Afonso, Príncipe de Portugal

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Afonso de Portugal ou Afonso de Avis e Habsburgo (Almeirim, 24 de Fevereiro de 1526 - Lisboa, 12 de Abril de 1526), foi o Príncipe herdeiro de Portugal ao longo do seu escasso mês e meio de vida.

D. Afonso era o filho mais velho do Rei de Portugal, D. João III e da rainha D. Catarina de Áustria, sendo neto por via paterna de D. Manuel I de Portugal e de D. Maria de Aragão, e por via materna de Filipe I e Joana I de Castela.

A sua trágica morte prematura (muito provavelmente devida à consaguinidade resultante das sucessivas uniões dinásticas entre Portugal e Castela desde o início do século XVI), e prenunciando o que viria a suceder com os demais filhos do casal real, causou grande constrenação na corte. No ano seguinte, com o nascimento da D. Maria Manuela volta a existir um herdeiro para a Coroa. Jaz no Mosteiro dos Jerónimos, no mesmo túmulo que o irmão Filipe.

Sab | 20.11.21

Biografias - Maria de Portugal, Duquesa de Viseu

Blog Real

Maria, Infanta de Portugal (Lisboa, 8 de junho de 1521 - Lisboa, 10 de outubro de 1577), 6.ª Duquesa de Viseu, filha de D. Manuel I e da sua terceira esposa, Leonor da Áustria.

Foi impressa uma nota de 50$00 Chapa 9 de Portugal com a sua imagem.

João de Barros descreveu-a como culta, digna e séria, diz-se que a sua personalidade era semelhante à da mãe, patrona e amante das artes, chegou a ser a mulher mais rica de Portugal.

Conhecida como ” A Sempre-Noiva” por seus vários projetos de casamento frustrados, D. Maria foi a única filha sobrevivente do terceiro casamento de D. Manuel I de Portugal e Leonor de Áustria. Nascida em 1521, a infanta ficou órfã de pai com menos de um ano de vida. Quando, dois anos depois, sua mãe deixou Portugal rumo ao seu reino de origem, foi impedida de levá-la consigo pelo enteado e novo rei, D. João III, que a essa altura já assumira o papel de pai efetivo da irmã caçula, quase vinte anos mais nova do que ele.

Por um lado, havia um claro componente afetivo nesta recusa, que seria agravado com o passar dos anos e a morte da maioria dos filhos de D. João III e Catarina de Áustria. Muito tempo depois, quando Leonor tentaria novamente trazer a filha para junto de si na Espanha, o rei português recusaria mais uma vez, escrevendo que muito o admirava este pedido da madrasta, uma vez que:

“a infante minha irmã que eu atte gora criey como filha propria e a que tenho o mesmo amor aja de sayr de minha casa se nam como sempre foy costume sayrem as filhas dela. Nem vejo como posa ver honrra de infamte e minha deixar esta criaçam e o amor com que he tratada de mim e servida e acatada de meus vassalos e naturays pera em tal idade primcipiar hua vida tam diferente em tudo em tam desacostumada dela e da sua natureza.” (BRAGA, 2002, p. 71)

Por trás desta compreensível negação do ponto de vista sentimental, porém, escondem-se interesses de Estado. Como filha de D. Manuel I, D. Maria tinha direito a uma considerável herança, da qual fazia parte o rico ducado de Viseu. Não era interessante para o reino português, do ponto de vista financeiro, que parte de seus recursos fosses esvaído pela saída da bela herdeira, tanto por vontade própria quanto por via de uma negociação matrimonial.

Desse ponto de vista, podemos entender melhor os noivados cancelados de D. Maria, muito embora questões políticas externas também tenham desempenhado seu papel em manter a infanta donzela. Por exemplo, em 1537, depois de D. João III ter rejeitado alguns pretendentes franceses à mão da irmã, D. Maria foi brevemente considerada para ser a quarta esposa do rei inglês Henrique VIII, recém-enviuvado de sua terceira consorte, Joana Seymour, que morrera pouco depois do nascimento do único filho homem sobrevivente do rei, o príncipe Eduardo. Rapidamente, porém, os ingleses ficaram mais interessados na prima de D. Maria, Cristina, que além de ser uma rica herdeira, também poderia herdar o reino da Dinamarca. No final, por interferência de Carlos V, tio de ambas, nenhum dos casamentos seria realizado; Henrique VIII acabaria se casando com a alemã Ana de Cleves.

Outra união frustrada seria com seu primo, o príncipe espanhol Felipe. Depois que este enviuvou da homônima de D. Maria, filha de D. João III, em 1545, houveram longas negociações para um segundo matrimônio com a dinastia de Avis, materialmente muito vantajoso para os Habsburgo (COSTA, 1958, p. 82). Finalmente, em 1553, D. João III cedeu e emissários espanhóis chegaram a ser enviados para levar a valiosa infanta, já chamada oficialmente de princesa de Castela. Mais uma vez, porém, os planos seriam alterados: poucos meses mais tarde, com a morte do rei inglês Eduardo VI e a sucessão de Maria I, tornou-se mais interessante um casamento de Felipe com esta prima inglesa. A culta infanta portuguesa, que, como outras damas da época renascentista, recebeu ampla educação doméstica e livresca (SANTOS, 2007, p. 21), foi novamente abandonada.

Depois disso, apesar de outras possibilidades de núpcias terem surgido, como um casamento com o enviuvado Sacro Imperador Romano, Fernando I, ou uma união com o duque de Saboia, D. Maria pessoalmente as rejeitou, temendo que tivessem o mesmo fim dos projetos matrimoniais anteriores (BRAGA, 2002, p. 78). Em 1558, depois da morte do irmão, D. Maria saiu de Portugal para encontrar-se com sua mãe Eleanor de Áustria, agora a rainha viúva de França, pela primeira vez em quase 30 anos. Após algumas semanas juntas, cada uma retornou ao seu reino de origem; ainda no caminho de volta, Eleanor faleceria.

D. Maria passou o restante dos seus dias administrando o ducado de Viseu e agindo como protetora de artistas e escritores, tendo sido supostamente a musa inspiradora de Luís de Camões, autor do poema épico As Lusíadas (PINTO, 1996, p. 152). Durante o período tumultuoso da menoridade do jovem D. Sebastião, foi defendido por uma facção da nobreza portuguesa que ela substituísse sua cunhada D. Catarina como regente, mas estes planos acabaram por não resultar em nada (BUESCU, 2007, p. 347). D. Maria morreria em 1577.

Morreu, sem casar e sem filhos, no dia 10 de Outubro de 1577, em Lisboa. Está enterrada na Igreja de Nossa Senhora da Luz em Carnide, Lisboa.

Sab | 20.11.21

Biografias - Carlos, Infante de Portugal

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D. Carlos de Portugal (Évora, 18 de fevereiro de 1520 - Lisboa, 15 de abril de 1521), foi um Infante de Portugal, primeiro filho do casamento do rei Manuel I de Portugal e de Leonor de Áustria.

Nasceu no Paço de São Francisco, em Évora, onde então se encontrava a Corte devido a um surto de peste que assolara a capital, a 18 de fevereiro de 1520.

A 21 de janeiro de 1521 a rainha sua mãe entrou na cidade de Lisboa com pompa e aparato, trazendo já o infante nos braços. Faleceu no Paço da Ribeira, em Lisboa, a 15 de abril do mesmo ano, com apenas 1 ano de vida, oito meses antes da morte do seu pai.

Foi sepultado no Mosteiro dos Jerónimos. Jaz no mesmo túmulo onde repousa o seu meio-irmão, o infante Luís, Duque de Beja.

Sab | 20.11.21

Biografias - António, Infante de Portugal

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António de Portugal ou António de Avis e Trastâmara foi o décimo e último filho do casamento entre Manuel I de Portugal e Maria de Trastâmara, sua segunda esposa, sendo assim neto por via paterna de Fernando, Duque de Viseu e da Beatriz, e por via materna, dos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão.

António nasceu em Lisboa em 9 de Setembro de 1516, tendo falecido pouco depois, em data indeterminada. Embora não tenha sido imediatamente fatal, as consequências da décima gravidez da rainha Maria (já de risco, dados os seus trinta e quatro anos de idade) resultaram na sua morte em 7 de Março do ano seguinte, o que levou Manuel ao seu terceiro casamento com Leonor de Áustria.

Túmulo de D. António na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos

Sab | 20.11.21

Biografias - Duarte de Portugal, 4.º Duque de Guimarães

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Duarte de Portugal (Lisboa, 7 de outubro de 1515 — Lisboa, 20 de setembro de 1540), Infante de Portugal, foi filho do rei Manuel I e Maria de Aragão.

Ele teve como tutor André de Resende, que mais tarde escreveu a biografia de Duarte. Ele também amava caçar e era um bom músico.

Em 23 de abril de 1537 casou-se com sua prima (em segundo grau) Isabel de Bragança, filha de Jaime I, Duque de Bragança. Nessa ocasião, Teodósio I, 5º Duque de Bragança e 3º Duque de Guimarães, cedeu, como dote, à noiva sua irmã, o ducado de Guimarães, pelo que o Infante Duarte foi reconhecido, por alvará do rei Manuel I de 1537, como 4º Duque de Guimarães.

Na escritura de casamento ficou estipulado que, se desse casamento não houvesse descendência, o ducado de Guimarães seria devolvido à Casa de Bragança.

Duarte morreu jovem, apenas com 24 anos de idade, e foi sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.

Descendência:

Do seu casamento com Isabel, filha de Jaime I, Duque de Bragança, nasceram três filhos, o último dos quais nasceu póstumo:

  • Maria de Portugal, Duquesa de Parma e Placência (Lisboa, 8 de novembro de 1538 - Parma, 8 de julho de 1577), casou em 1565 com Alexandre Farnésio de Parma e Placência, 3.º duque de Parma e Placência
  • Catarina de Portugal, Duquesa de Bragança, (Lisboa, 18 de janeiro de 1540 - Vila Viçosa, 15 de novembro de 1614), duquesa de Bragança pelo casamento com João I, Duque de Bragança, foi em 1580 candidata ao trono de Portugal
  • Duarte de Portugal, 5.º Duque de Guimarães (Março de 1541 - 28 Novembro de 1576), 5.º Duque de Guimarães desde o nascimento até a morte

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