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A Monarquia Portuguesa

Este blog pretende ser o maior arquivo de fotos e informações sobre a monarquia portuguesa e a Família Real Portuguesa.

Qui | 22.09.22

Padre António Vieira, conselheiro de D. João IV

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O Padre António Vieira (1608-1697) foi um religioso, escritor e orador português, a principal expressão do Barroco Literário da língua portuguesa. Escreveu cerca de 200 sermões, nos quais revela conhecimento político, social e religioso.

Padre António Vieira nasceu em Lisboa, na Rua do Cônego, próximo a Sé, no dia 6 de fevereiro de 1608. Filho de Cristóvão Vieira, funcionário da coroa, e de Maria de Azevedo tinha sete anos quando seu pai foi nomeado para o cargo de escrivão em Salvador. Estudou no colégio dos jesuítas e com 15 anos ingressou na Companhia de Jesus, iniciando seu noviciado.

Em 1626, António Vieira, ainda noviço, ensinou retórica e foi encarregado de redigir o trabalho da Companhia de Jesus, em carta anual, remetida para os superiores em Lisboa. Em 1633 estreia no púlpito com o sermão “Maria, Rosa Mística”. No ano seguinte ordena-se padre.

Como pregador, o Padre António Vieira, defendia a colônia, clamava pela expulsão dos holandeses da Bahia e de Pernambuco, e se empenhava na revitalização do catolicismo. A atividade do orador era muito importante e em cima do púlpito da Igreja Nossa Senhora da Ajuda, em Salvador, sua fama se espalhou.

Em 1641, com 33 anos, Padre António Vieira retornou a Lisboa, em um momento crucial da história portuguesa: depois de seis décadas de subordinação ao trono espanhol, restaurava-se o reinado de Portugal com D. João IV, o primeiro monarca da casa de Bragança. As pregações de Padre Antônio Vieira, cheias de patriotismo conquistou o rei e a rainha D. Luísa.

Padre António Vieira torna-se o maior pregador da corte, conselheiro de D. João IV, mediador e representante de Portugal em relações econômicas e políticas em Paris, Amsterdã e Roma. Enfrentou complicadas intrigas palacianas. Tornou-se um contemporizador ao se envolver na diplomacia do rei – chegou até a propor que se entregasse Pernambuco de vez aos holandeses.

António Vieira defendia os direitos de judeus e cristãos novos e pregava a volta deles para Portugal, país católico que os expulsara, uma vez que a maioria era comerciante o que estimularia o comércio naquele país. Assim se criou a Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649).

De volta ao Brasil, Padre Antônio Vieira se dedicou às missões de catequese no Pará e no Maranhão (1653-1661), uma vez que dominava sete idiomas indígenas. Lutou contra os colonos portugueses que desejavam escravizar os índios no Maranhão. Em 1661 foi expulso do Maranhão, pelos senhores de escravos que não aceitavam suas ideias.

Voltou para Lisboa, onde defendeu a liberdade religiosa, na época em que as pessoas suspeitas de heresia eram condenadas pela inquisição. Os inquisidores desconfiavam da aproximação de Vieira com os judeus. Foi preso pela inquisição, entre 1666 e 1667, que o acusou de praticar heresias. Anistiado, viajou para Roma, quando foi absolvido pelo Papa em 1675.

Aliando sua formação como jesuíta e a estética barroca em voga, o Padre Antônio Vieira tornou-se um orador incomparável. Pronunciava sermões que se tornaram a expressão máxima do Barroco em prosa e uma das principais expressões ideológicas e literárias da Contra Reforma. Pregou no Brasil, em Portugal e na Itália. Entre sua vasta produção de sermões, destacam-se:

  • Sermão da Sexagenária: proferido na Capela Real de Lisboa em 1653, onde tematiza a arte de pregar.
  • Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda:  proferido na Bahia em 1640, onde se coloca contrário à invasão holandesa.
  • Sermão de Santo Antônio (aos peixes):  proferido no Maranhão em 1654, ataca a escravização de índios.
  • Sermão do Mandato: pronunciado na Capela Real de Lisboa em 1645, desenvolve o tema do amor místico.

Padre Antônio Vieira abandonou definitivamente a Corte, voltou para Salvador, em 1681, e se dedicou a ordenar seus sermões para transformá-los em livros, deixando mais de 200 sermões e 700 cartas. Doente e quase cego, fez suas últimas pregações.

Padre Antônio Vieira morreu em Salvador, Bahia, no dia 17 de junho de 1697.

Fonte: https://www.ebiografia.com/antonio_vieira/