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O 8 de Julho de 1912

por Blog Real, em 23.03.18

Após a implantação da República, em 5 de outubro de 1910, os que não aceitavam essa mudança de regime começaram a organizar-se de maneira a constituírem uma força que, por qualquer meio, incluindo a revolta, pudesse instaurar o antigo regime e, nesse sentido, foram tomadas algumas iniciativas que consistiram na entrada no nosso país de forças monárquicas, conhecidas como "incursões monárquicas". 

A 1ª incursão monárquica ou realista inicia-se com a tentativa de tomar Bragança, em Outubro de 1911. Não tendo sido possível, os couceiristas atacam e tomam Vinhais, hasteando a bandeira azul e branca. Chegados reforços republicanos, rapidamente entram em debandada “Entre Vinhais e Salgueiros desertaram 400 homens, exaustos, esfomeados e com sono”1. No dizer da Condessa de Mangualde, as forças realistas eram “uma mistura estranha de velhos soldados … de padres (210 segundo Vasco P Valente) e de voluntários de “boas famílias” …” e “as forças de Couceiro eram um bando improvisado, sem coesão e solidez2, não sendo mais do que 1034 efectivos.

A última diligência de cavalaria, saindo de Vinhaes em direcção a Chaves, vendo-se no primeiro plano o civil sr. Jacinto Nogueira Ferrão,

que tem sempre acompanhado as tropas republicanas (cliché do sr. Anselmo Dias)

Na 2ª incursão, levada a cabo no dia 8 de Julho, os realistas entram por Sendim (tenente Sepúlveda) e por Vila Verde da Raia (Sousa Dias). No início das hostilidades, o governo espanhol apoiou Paiva Couceiro, mas, depois de pressionado, deu ordem de expulsão aos monárquicos.

 

Os realistas tinham informação de muito apoio em Chaves. “Os conspiradores de fora contavam com traição dos de dentro (…). Os conspiradores de fora acreditavam ter em Chaves força sua de bastante valor (…)” (A Região Flaviense, 1923).

Na madrugada de sábado, dia 6, um grupo de civis tentou tomar o quartel de Cavalaria 6 tendo sido impedidos, foram presos 4 indivíduos civis (Jornal de Notícias, de dia 9). 

Os militares em Chaves são comandados pelos tenentes-coronéis Ribeiro de Carvalho e Custódio de Oliveira e os civis organizados pelo Dr. António Granjo.

Para memória futura e tendo em vista a heroicidade das gentes de Chaves na defesa ao ataque da República, a nível do toponímico existe em Lisboa a Avenida Defensores de Chaves, na Nazaré, Rua Heróis de Chaves e, no Porto, existiu a Rua Heróis de Chaves, (hoje Rua de D. João IV), tendo sido eliminada depois do 28 de maio.

Em Chaves foi dado o nome de 8 de Julho ao Largo do Anjo e o feriado municipal passou de 31 de Outubro para dia 8 de Julho.3

Tornamos pública uma carta inédita que nos foi gentilmente cedida. O seu teor é escrito na 1.ª pessoa (correspondência entre irmãos), logo de quem viveu este acontecimento in loco (“ …fizeram muitos tiros de peça sobre a villa, que vi cahir, algumas por cima da minha casa (Rua Direita)”.

António

Chaves

8-7-912

Os conspiradores entraram hontem, dando-se um pequeno combate em Villa-Verde, via Santa Marta, ficando ferido, mas sem gravidade um capitão do estado-maior  Mário Magalhães. Hoje houve grande combate entre Chaves e Forte de São Neutel.

Aí 9 horas correu noticia de que os conspiradores estavam perto de Chaves. Efectivamente era verdade. Em face disto prepararam todas as forças que puderam (que era apenas cento e tantos soldados, porque o grosso das forças tinham partido para Montalegre) e foram ao encontro deles. A esta pequena força juntaram-se alguns policias, guardas fiscais, cavallaria e paisanos. A artilharia e metralhadoras também tinham partido para Montalegre. Pouco depois das nove horas começou o fogo,que durou até às 2 horas da tarde, hora a que chegou a artilharia de Montalegre.

Por parte dos conspiradores fizeram muitos tiros de peça sobre a villa, que eu vi cahir algumas por cima da minha casa.

Tres tiros de peça bateram na casa de José Mesquita, cortando-lhe completamente 2 tranqueiras das janelas, 2 tiros de peça  atravessaram o edifício do liceu de lado a lado.E vários outros tiros que danificaram bastante alguns prédios.

Os conspiradores chegaram ao pé do cemitério. Por ultimo retiraram, deixando vários mortos e feridos, uma peça e munições.

Das forças republicanas apenas morreram um cabo, filho do coronel Sousa Dias e um soldado, e ficaram feridos o capitão Tito Barreiros, o tenente Macedo, o filho do general Carvalhal e um alferes de cavalaria, este gravemente.  Nesta hora consta que os conspiradores já vao para Villela Seca, batendo em retirada.

Teu mano muito amigo

Abílio

PS No hospital militar já estao uns sete conspiradores mortos.

No hospital civil estão 2 conspiradores gravemente feridos sendo um filho do visconde da Ponte da Barca e o outro Firmino Cunha do Porto.

Nós bem, assim como toda a nossa família. Hoje passámos um dia com muito receio, mas agora já estamos tranquilos.

Já cá estão muitas forças.

Teu

Abílio

Estes acontecimentos tiveram grande repercussão nacional graças às reportagens apresentadas na “Ilustração Portuguesa” (Jornal O Século), assunto que ocupou várias das suas edições entre Outubro de 1911 e Agosto de 1912.

Inserimos aqui uma pequena apresentação com algumas das pranchas publicadas:

Muitas das fotografias publicadas na “Ilustração Portuguesa” são da autoria de Joshua Benoliel, que se deslocou ao norte para fazer várias reportagens. Do seu arquivo retirámos estas imagens:

Nos arquivos da Cinemateca Nacional existem dois documentos, em formato de filme, sobre estes acontecimentos.

Incursões Monárquicas de 1911:

Chaves, Incursões Monárquicas de 1912:

  

1 Aires, Ribeiro, “A República no Distrito de Vila Real”, pág 166

2 Condessa de Mangualde, “Narrativas”

3 Aires, Firmino, “Incursões Autárquicas”, pág 163 e 165

Fonte: Blog Chaves Antiga

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publicado às 20:13

Incursões Monárquicas em Chaves, 8 de Julho de 1912

por Blog Real, em 23.03.18

O couceirista D. João de Almeida preso no Quartel (esq.), e quando era conduzido ao julgamento (drt.).

No Forte de S. Francisco.

Vila Verde da Raia.

 

No dia 8 de Julho de 1912, faz hoje noventa e oito (98) anos, que tropas monárquicas comandas por Paiva Couceiro tentaram tomar de assalto a então vila de Chaves, quase um século depois, as opiniões em relação a este acontecimento ainda se dividem, há quem entenda que foi uma pequena escaramuça facilmente dominada pelas forças leais á República, mas há tambem quem entenda que foi algo bem mais relevante que uma pequena troca de tiros. As imagens da época que chegaram até aos nossos dias mostram-nos que provocou vítimas humanas e estragos materiais, e tambem não temos a menor dúvida que se tratou de um dos acontecimentos mais marcantes da 1ª República, 1910-26.

Fonte: Chaves Antiga

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publicado às 20:08

Incursões Monárquicas

por Blog Real, em 23.03.18

A coluna de infantaria 24, a caminho de Salgueiros (Tuizelo) no dia 8, em perseguição dos realistas

Imagem e legenda retiradas da revista Ilustração Portuguesa, número 301, de 27 de Novembro de 1911, página 668.

À frente dos civis republicanos destaca-se, no centro da fotografia, o deputado flaviense, e futuro presidente do Ministério, António Granjo (1881-1921).

A impulsividade e o voluntarismo do seu carácter viriam a  revelar-se novamente em Julho de 1912, aquando da segunda incursão monárquica, em que integrou também as colunas civis republicanas, e durante a I Guerra Mundial, quando se alistou voluntariamente no Exército e partiu para a frente de batalha.

Fonte: Blog Chaves Antiga

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publicado às 20:06

Video das Incursões Monárquicas em Chaves (1912)

por Blog Real, em 23.03.18

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publicado às 20:04

Incursões Monárquicas em 1911, gravação da época

por Blog Real, em 23.03.18

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publicado às 19:58

A Monarquia do Norte

por Blog Real, em 25.02.18
(Clique nas imagens para ampliar)
(...)Até que no dia 19 de Janeiro, sob a liderança de Paiva Couceiro, novo golpe militar no Porto proclamou a restauração do regime monárquico. Foi constituída uma Junta Governativa do Reino. Em Lisboa, o Governo da República apressou-se a decretar, para todo o território continental, o estado de sítio. Por toda a cidade surgiram manifestações de apoio à República e começaram a constituir-se batalhões de voluntários.
O Batalhão Académico, formado por estudantes do ensino superior foi muito falado. José Gomes Ferreira, que esteve integrado na coluna comandada pelo general Abel Hipólito, com quartel-general em Viseu, faz uma colorida descrição da sua intervenção militar em «A Memória das Palavras-I». O Governo lançou um dramático apelo aos militares do CEP, recém desmobilizados da frente de batalha, para que lutassem em defesa da República. 

No dia 23 foi a vez de rebentar em Lisboa um golpe monárquico. Chefiado por Aires de Ornelas, concentrou novamente na serra de Monsanto importantes efectivos. O Governo tomou medidas de excepção, libertando os presos políticos – anarquistas, republicanos e socialistas, para que engrossassem as fileiras de defensores do regime. No dia 24, cercados e flagelados pela artilharia, os monárquicos de Monsanto renderam-se. No rescaldo, contaram-se trinta e nove mortos e aproximadamente trezentos feridos. Navios de guerra de países estrangeiros foram fundeando no Tejo, prontos a intervir.
Em 27 de Janeiro tomou posse um governo de «concentração republicana» encabeçado por José Relvas. Por todo o País, sobretudo no Norte e no Centro, iam-se verificando confrontos entre forças monárquicas e republicanas. O perigo de uma guerra civil generalizada é potencialmente grande. E a situação instável manteve-se até que em 13 de Fevereiro as tropas monárquicas comandadas por Paiva Couceiro, se renderam. As unidades leais à República afluíam de todos os lados e avançavam para o Porto sem encontrar grande resistência pelo caminho. No interior da cidade, o capitão Sarmento Pimentel comandou a revolta da «Guarda Real», como fora crismada a GNR, apoiado por civis armados e ajudou a derrotar as forças de Paiva Couceiro.
Embora ainda subsistissem focos insurreccionais pelo Norte, que foram sendo jugulados, a revolta monárquica foi dominada. O Estado deu começo aos julgamentos dos cidadãos envolvidos na tentativa de restaurar a Monarquia. As liberdades, direitos e outros mecanismos constitucionais suspensos pelo golpe de Sidónio Pais em Dezembro de 1917, foram postos novamente em vigor. Chegara ao fim a Monarquia do Norte – a que também se chamou o «Reino da Traulitânia», devido aos maus tratos e sevícias infligidos aos prisioneiros republicanos caídos nas mãos dos couceiristas.
Foi, nos quase cem anos de República, a mais forte tentativa verificada no sentido de restaurar o regime abolido em 5 de Outubro de 1910.

Fonte: A Monarquia do Norte

DIÁRIO DA JUNTA GOVERNATIVA DO REINO DE PORTUGAL

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publicado às 18:12

A Monarquia do Norte

por Blog Real, em 30.10.17
Após o assassinato de Sidónio Pais, a 14 de Dezembro de 1918, os monárquicos 
portugueses aproveitaram a situação de instabilidade vivida no País 
para redobrar as suas acções no sentido de restaurar o regime derrubado a
 5 de Outubro de 1910. 
Assim, a 19 de Janeiro de 1919, a Junta do Norte proclamou, no Porto, a restauração da Monarquia, anunciando a constituição de uma Junta Governativa. 
Esta era constituída por Henrique de Paiva Couceiro, que, além de presidente, tinha a seu cargo a pasta da Fazenda e Subsistências; 
António Adalberto Sollari Allegro, 
com a pasta do Reino; o visconde do Banho, encarregado dos Negócios Eclesiásticos, da 
Justiça e da Instrução; na Guerra e Comunicações, João de Almeida; nos
Negócios Estrangeiros, Luís de Magalhães; nas
Obras Públicas, Correios e Telégrafos, Artur da Silva Ramos; e na Agricultura, 
Comércio e Indústria e Trabalho, o conde de Azevedo.A proclamação da Junta do Norte gerou focos de resistência ao poder 
republicano em vários pontos do País.
No Norte, os republicanos foram perseguidos e presos, sendo utilizado o Eden-Teatro do Porto como local ondedecorriam os interrogatórios.
A 23 de Janeiro, seguindo os passos dos monárquicos do Norte, os monárquicos de Lisboa 
concentraramse em Monsanto, acabando, porém, por ser vencidos em pouco tempo. 
Os monárquicos do Norte, porém, mantiveram posições durante perto de um mês, dominando a quase totalidade do Minho e Trás-os-Montes, e ainda parte dasBeiras. A revolta caiu a 13 de Fevereiro, com a entrada no 
Porto das tropas fiéis à República.
Monarquia do Norte. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.

Paiva Couceiro - proclamou a monarquia no Porto, tornando-se presidente da respetiva Junta Governativa.
Fonte: estoriasdahistoria12.blogspot.pt/

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publicado às 19:18


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