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Reis de Portugal - Duarte I de Portugal

por Blog Real, em 16.02.19

Duarte I (Viseu, 31 de Outubro de 1391 – Tomar, 9 de Setembro de 1438), apelidado de "o Eloquente" e "o Rei-Filósofo", foi o Rei de Portugal e Algarve de 1433 até à sua morte. Era filho segundo do rei João I de Portugal e da rainha Filipa de Lencastre, e por morte de seu irmão mais velho, D. Afonso, torna-se o herdeiro da Coroa portuguesa.

Num curto reinado de cinco anos deu continuidade à política exploração marítima e de conquistas em África. O seu irmão Henrique, Duque de Viseu estabeleceu-se em Sagres, de onde dirigiu as primeiras navegações, e, em 1434, Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador. Numa campanha mal sucedida a Tânger, o seu irmão Fernando, o Infante Santo foi capturado e morreu em cativeiro. D. Duarte interessou-se pela cultura e escreveu várias obras, como o ''Leal Conselheiro'' e o ''Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela''. Preparava uma revisão da legislação portuguesa quando morreu, vitimado pela peste.

Reinado:

Estátua do Rei D.Duarte em Viseu

D. Duarte recebeu o seu nome em homenagem ao avô de sua mãe, o rei Eduardo III da Inglaterra. Desde muito jovem, D. Duarte acompanhou o seu pai nos assuntos do reino, sendo portanto um herdeiro preparado para reinar; em 1412 foi formalmente associado à governação pelo pai, tornando-se seu braço direito.

Ao contrário de D. João I, D. Duarte foi um monarca preocupado em gerar consenso e ao longo do curto reinado de cinco anos convocou as Cortes cerca de cinco vezes, para discutir assuntos de estado. Várias vezes as Cortes tinham pedido a D. João I a organização de uma colectânea em que se coordenasse e actualizasse o direito (lei) vigente, para a boa fé e fácil administração na justiça. Para levar a cabo essa obra, D. Duarte designou o doutor Rui Fernandes, que a concluiu em 1446. Posteriormente revista por ordem do infante D. Pedro, ela se converteria nas Ordenações Afonsinas.

D. Duarte deu continuidade à política de incentivo à exploração marítima e de conquistas em África. Durante o seu reinado, o seu irmão Henrique estabeleceu-se em Sagres, a partir de onde dirigiu as navegações: assim, em 1434 Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador, um ponto lendário da época, cuja travessia causava terror aos marinheiros; daí avançou-se para Angra dos Ruivos em 1435, e Afonso Gonçalves Baldaia atingiu o Rio do Ouro e Pedra da Galé em 1436.

Em 1437, os seus irmãos Henrique e Fernando convenceram-no a lançar um ataque a Marrocos, de forma a consolidar a presença portuguesa no norte de África, que se pretendia uma base para a exploração do Oceano Atlântico. A ideia não foi consensual: D. Pedro, Duque de Coimbra e D. João, Infante de Portugal estavam contra a iniciativa de atacar directamente o rei de Marrocos.

A campanha foi mal sucedida e a cidade de Tânger não foi conquistada, custando a derrota grandes perdas em batalha. O próprio príncipe Fernando foi capturado e morreu em cativeiro, por recusar-se a ser libertado em troca da devolução de Ceuta, o que lhe valeu o cognome de Infante Santo. O próprio D. Duarte morreu pouco tempo depois de peste negra.

Fora da esfera política, Duarte foi um homem interessado em cultura e conhecimento. Escreveu vários livros de poesia e prosa. Destes últimos destaca-se o Leal Conselheiro (um ensaio sobre variados temas onde a moral e religião têm especial enfoque) e o Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela (em forma de manual para cavaleiros). Estava a preparar uma revisão do código civil português quando a doença o vitimou.

Jaz nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha.

Obra:

-O Leal Conselheiro, obra moral, endereçada a sua mulher, Leonor de Aragão.

-Ainda compôs um livro de Regimento pera os que custumarem andar a cavallo o Bem Cavalgar. (Ruy de Pina, Cronica d'el-rei dom Duarte, capitulo iii).

Descendência:

Da sua esposa, a infanta Leonor de Aragão (1402-1455), teve nove filhos. A rainha tornar-se-ia regente do reino até Afonso V atingir a maioridade, o que gerou controvérsia no reino, pois a opinião pública considerava os infantes D. Pedro, D. Henrique e D. João mais capazes para a regência.

D. Leonor manteve-se regente até 1440, assinando os atos régios como «a triste rainha», e nesse ano foi substituída pelo infante D. Pedro e afastada da corte. Exilou-se em Espanha e morreu em Toledo. Deste casamento nasceram:
*D. João de Portugal (1429-?), morreu jovem
*D. Filipa de Portugal (1430-1439), ''«morreu em idade de onze annos de pestenença em Lisboa»'' (Ruy de Pina, cap. XLIV).
*D. Afonso V de Portugal (1432-1481), sucessor do pai no trono português
*D. Maria de Portugal (1432)
*D. Fernando de Portugal, Duque de Viseu (1433-1470), pai do rei D. Manuel I de Portugal
*D. Leonor de Portugal (1434-1467), casou com Frederico III, Sacro Imperador Romano-Germânico
*D. Duarte de Portugal (1435)
*D. Catarina de Portugal (1436-1463)
*D. Joana de Portugal (1439-1475), casou com o rei Henrique IV de Castela e foi mãe de Joana, a Beltraneja ou ''a Excelente Senhora''

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 31 de Outubro de 1391 – 14 de Agosto de 1433: "Sua Alteza, o Infante Duarte de Portugal"
  • 14 de Agosto de 1433 – 9 de Setembro de 1438: "Sua Alteza Real, o Rei"

O estilo oficial de D. Duarte enquanto Rei de Portugal: "Pela Graça de Deus, D. Duarte, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de Ceuta"

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publicado às 13:00

Reis de Portugal - João I de Portugal

por Blog Real, em 10.02.19

João I de Portugal (Lisboa, 11 de Abril de 1357 – Lisboa, 14 de Agosto de 1433), conhecido como '''o Mestre de Avis''' e apelidado de "o de Boa Memória", foi o rei de Portugal e dos Algarves de 1385 até sua morte, sendo o primeiro monarca português da Casa de Avis Era o filho ilegítimo do rei Pedro I de Portugal com sua amante Teresa Lourenço, sendo escolhido e aclamado como rei durante a Crise de 1383–1385 em Portugal.

Com o apoio do condestável do reino, Nuno Álvares Pereira, e aliados ingleses travou a Batalha de Aljubarrota contra o Reino de Castela, que invadira o país. A vitória foi decisiva: Castela retirou-se, acabando bastantes anos mais tarde por o reconhecer oficialmente como rei. Para selar a aliança Luso-Britânica casou com Filipa de Lencastre, filha de João de Gante, 1º Duque de Lencastre (de segunda criação), dedicando-se desde então ao desenvolvimento do reino.

Em 1415, conquistou Ceuta, praça estratégica para a navegação no norte de África, o que iniciaria a expansão portuguesa. Aí foram armados cavaleiros os seus filhos D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, irmãos da chamada ínclita geração.

Infância:

D. João era filho ilegítimo (natural) do Rei D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, uma dama galega (Ms. 352 do Arquivo Nacional da Torre do Tombo da ''Crónica de el-rei D. Pedro I'', de Fernão Lopes) ou de uma filha de Vasco Lourenço da Praça, um mercador de Lisboa, segundo D. António Caetano de Sousa, e que fez eco noutros conceituados historiadores contemporâneos como Maria Helena Cruz Coelho e o olisipógrafo José Sarmento de Matos. Em 1364, foi consagrado Grão-Mestre da Ordem de Avis.

Crise de 1983 - 85:

À data da morte do Rei D. Fernando I, Portugal parecia em risco de perder a independência. A rainha D. Leonor Teles de Menezes era impopular e olhada com desconfiança. O facto de se ter tornado pública a sua ligação amorosa com o nobre galego João Fernandes Andeiro, personagem influente no paço, atraiu todas as críticas contra a sua pessoa e a do seu amante. Para além do mais, a sucessão do trono recaía sobre a princesa D. Beatriz, única filha de Fernando I e de Leonor Teles de Menezes, casada aos onze anos de idade com o rei João I de Castela.

No entanto, a burguesia e parte da nobreza juntaram-se à voz popular que clamava contra a perda da independência, tão duramente mantida por D. Fernando I. Dois pretendentes apareceram para competir com João I de Castela e D. Beatriz pela coroa portuguesa:
* D. João, príncipe de Portugal, filho do Rei D.Pedro I de Portugal e D. Inês de Castro, era visto por muitos como o legítimo herdeiro, dado o suposto casamento dos seus pais, e
* D. João, filho de D. Pedro I e de Teresa Lourenço, que veio cedo a tornar-se rei.

Acicatado por um grupo de burgueses e nobres, entre os quais Álvaro Pais e o jovem D. Nuno Álvares Pereira, e tomando em linha de conta o descontentamento geral, o Mestre de Avis assassina o conde de Andeiro no paço a 6 de dezembro de 1383. Com a posterior fuga de Leonor Teles de Lisboa para Alenquer inicia-se a sucessão de acontecimentos que lhe entregará a regência, a qual de início planeia exercer em nome de seu meio-irmão, o Infante D. João. Mas como este último já fora aprisionado por D. João I de Castela, abria-se então a possibilidade política de o Mestre de Avis vir a ser rei.

O assassinato do conde Andeiro explica-se, bem mais do que pela vontade de vingar a honra do falecido Rei Fernando I, ainda que este tenha sido um dos motivos, pela razão de que João I de Castela havia começado a violar o pacto antenupcial de Salvaterra de Magos logo no primeiro dia em que se fez aclamar, em Toledo, «Rei de Castela e Portugal». Aquele tratado antenupcial apenas conferia a si e à sua mulher Beatriz, sendo esta herdeira de Fernando I, o título nominal de reis e senhores de Portugal, mas sem deterem poderes de efectiva governação. Além disso, os reinos de Castela e Portugal deviam manter-se separados. Para além de logo ter mesclado as armas dos dois reinos, João I de Castela, continuando a desrespeitar o tratado, entra em Portugal pela Guarda nos finais de Dezembro de 1383. Queria ser soberano pleno, e não de dois reinos separados mas dum único, considerando que não tinha que atender em nada ao tratado de Salvaterra porque a sua mulher Beatriz era a herdeira do trono português. Quem o diz de forma mais clara não é Fernão Lopes, mas sim o cronista castelhano Pero Lopez Ayala, contemporâneo dos acontecimentos, na sua Crónica do Rei Dom João o primeiro de Castela e Leão. Consultem-se, para o constatar, os capítulos IX e XI do ano quinto e os capítulos I e II do ano décimo segundo desta Crónica. Seguiu-se a crise de 1383–1385, ou ''Interregno'', um período de anarquia e instabilidade política onde as diferentes cidades e vilas de Portugal se declaravam umas por D. Leonor Teles (a maioria destas até ela abdicar da regência em benefício de João I de Castela e da filha), outras por D. Beatriz e o seu marido, outras ainda pelo Mestre de Avis, além das que se mantiveram neutras, na expectativa do desenlace.

A guerra civil arrastou-se por mais de um ano. D. Nuno Álvares Pereira, posteriormente Condestável de Portugal, revelou-se um general de grande valor, ao contrário, ao início, do próprio pretendente ao trono. Fernão Lopes é um crítico feroz das acções militares do Mestre durante o primeiro ano de guerra, dado que tinha tendência a preferir os cercos e a assistência dos grandes fidalgos, sem outros resultados que não fossem traições, ao contrário da luta militarmente inovadora e terrivelmente eficaz de Nuno Álvares, que arrancou muitas vitórias no Alentejo e deu boa ajuda a Lisboa, onde o Mestre ficou sitiado sem se ter podido abastecer das provisões necessárias para aguentar durante muito tempo o cerco. No entanto, depois das Cortes de Coimbra em 6 de Abril de 1385, o rei D. João I mostrou-se um bom seguidor das tácticas militares de D. Nuno Álvares, e do conselho de guerra deste constituído por escudeiros.

Finalmente a 6 de abril de 1385, as Cortes portuguesas reunidas em Coimbra elevam o Grão-Mestre de Avis, como D. João I, a Rei de Portugal. Esta tomada de posição significava na prática que a guerra com o Reino de Castela prosseguiria sem quartel, visto que declarava nulo o estatuto de D. Beatriz de Portugal, rainha consorte de Castela, como herdeira de D. Fernando, e isto devido em especial à violação do tratado de Salvaterra tanto pelo seu marido como por ela (com 11 anos de idade tivera de jurar o tratado em Badajoz, aquando do casamento). «Venhamos a outra maior contradição», disse João das Regras, ao começar a falar da «quebra dos trautos» no seu discurso perante as Cortes de Coimbra (Crónica de el-rei D. João I, cap. CLXXXV). E como os quebrara, não podia suceder ao pai, o «postumeiro (último) possuidor» destes reinos. É por isso que na História de Portugal Beatriz não figura como Rainha, pois foram as próprias Cortes de 1385 a proclamar que ao rei D. Fernando I, postumeiro possuidor do reino de Portugal, quem sucedeu foi o rei D. João I.

Pouco depois, em Junho de 1385, João I de Castela invade pela 2.ª vez Portugal com o objectivo de tomar Lisboa e ver-se livre do «Mestre d’Avis que se chamava rei» (era o modo como os castelhanos o designavam). Com os castelhanos vinha então um grande contingente de cavalaria francesa. A França era aliada de Castela enquanto os ingleses haviam tomado o partido de D. João I (Guerra dos Cem Anos). Como resposta D. João I prepara-se com Nuno Álvares para a batalha decisiva. O Condestável de Portugal, que o rei nomeara aquando das Cortes de Coimbra, e o seu conselho de escudeiros montaram então uma tremenda armadilha ao exército castelhano.

A invasão castelhana transformou-se em debandada durante o Verão, depois da decisiva Batalha de Aljubarrota travada a 14 de agosto, perto de Alcobaça, onde o exército castelhano foi quase totalmente aniquilado, apesar de se encontrarem em vantagem numérica de 4 para 1. Castela teve de retirar-se do combate e a estabilidade da coroa de D. João I ficou solidamente garantida. Em 1400 termina a guerra com Castela e em 1411 é assinado um tratado de aliança e de paz com aquele país definitivamente confirmado, reconhecendo Castela sem quaisquer reservas D. João I como rei de Portugal.

Em 1387, D. João I casa com D. Filipa de Lencastre, filha de João de Gaunt|João de Gaunt, Duque de Lencastre, fortalecendo por laços familiares os acordos do Tratado de Aliança Luso-Britânica, que perdura até hoje. Depois da morte em 1390 de João de Castela, sem herdeiros de D. Beatriz, a ameaça castelhana ao trono de Portugal estava definitivamente posta de parte. A partir de então, D. João I dedicou-se ao desenvolvimento económico e social do país, sem se envolver em mais disputas com a vizinha Castela ou a nível internacional. Teve como chanceler João das Regras que defendia a centralização do poder real. A partir de certa altura associou ao governo o filho D. Duarte.

Quando o rei quis armar os seus filhos cavaleiros, estes propuseram a conquista de Ceuta, no Norte de África, em 1415, uma praça de importância estratégica no controle da navegação na costa de África que é conquistada a 21 de agosto. Após a sua conquista são armados cavaleiros, na anterior mesquita daquela cidade, os príncipes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique. Entretanto, na véspera da partida de Lisboa, morrera a rainha D. Filipa de Lencastre.

Legado:

Bandeira pessoal de D. João I com a sua divisa: «Pour bien».

Cronistas contemporâneos descrevem D. João I como um homem arguto, cioso em conservar o poder junto de si, mas ao mesmo tempo benevolente e de personalidade agradável. Na juventude, a educação que recebeu como Grão Mestre da Ordem de Aviz transformou-o num rei invulgarmente culto para a época.

O seu amor ao conhecimento passou também para os filhos, designados por Luís Vaz de Camões, nos Lusíadas, por «Ínclita geração»: o Rei D. Duarte I de Portugal foi poeta e escritor, D. Pedro, Duque de Coimbra o «Príncipe das Sete Partidas», foi um dos príncipes mais esclarecidos do seu tempo e muito viajado, e Henrique, Duque de Viseu, «o navegador», investiu toda a sua fortuna em investigação relacionada com navegação, náutica e cartografia, dando início à epopeia dos Descobrimentos.

A sua única filha, D. Isabel de Portugal, casou com o Duque da Borgonha e entreteve uma corte refinada e erudita nas suas terras.

No reinado de D. João I foram descobertas as ilhas de Porto Santo (1418), da Ilha da Madeira (1419) e dos Açores (1427), além de se fazerem expedições às Canárias. Teve início, igualmente, o povoamento dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

D. João morreu a 14 de agosto de 1433. Jaz na Capela do Fundador, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha. Contudo, o rigor histórico leva a que se aponte uma observação à data da morte de D. João I: na realidade o monarca morreu a 13 de Agosto. Todavia, por uma questão de propaganda dinástica, muito bem esboçada por seu filho D. Duarte, a data foi alterada para 14. Acerca deste assunto sugiro a leitura do excelente estudo de Armindo de Sousa

Foi cognominado O de Boa Memória, pela lembrança positiva do seu reinado na memória dos portugueses, também podendo ser chamado de ''O Bom'' ou ''O Grande''.

Foi impressa uma nota de 1.000$00 Chapa 6 de Portugal com a sua imagem.

Descendência:

Os nomes dos filhos homenageavam tanto membros da família de D.João I quanto de D.Filipa, o que mostra o respeito dos reis pelos seus antepassados.

"Das travessuras da mocidade trazia (...) consigo D. João I um filho (...). A inferioridade relativa imposta pela bastardia (...) azedou o caráter do conde de Barcelos (...) O condestável de Bourbon escreveu na sua espada 'Je percerai', e essa espada, através de mil perfídias (...) penetrou, abrindo-lhe o caminho do trono (...), ganhando, afinal, com o ducado de Bragança, (...) fazer deste posto o degrau que levou também ao Trono os seus descendentes. Tinha dez anos apenas, quando seu pai se casou (com D. Filipa de Lencastre)." Martins, Oliveira, os filhos de D. João I, Editora Ulisseia, 1998, Lisboa, p. 37.

Do seu casamento com Filipa de Lencastre (1359–1415) nasceram nove filhos. Destes, os seis que chegaram à idade adulta seriam lembrados como a ínclita geração:
* Branca (13 de julho de 1388 – 6 de março de 1389), morreu jovem, antes de completar um ano de idade. O seu nome honrava a mãe de D.Filipa, Branca de Lencastre.
* Afonso (1390 – 1400), morreu jovem. Recebeu o mesmo nome que Afonso I de Portugal, o rei fundador de Portugal.
* Duarte I de Portugal (1391 – 1438), sucessor do pai no trono português, poeta e escritor. O seu nome homenageava simultaneamente seu bisavô materno, Eduardo III de Inglaterra, e o tio-avô Eduardo, o Príncipe Negro.
* Pedro, Duque de Coimbra (1392 – 1449), recebeu o nome de seu avô paterno, o rei Pedro I de Portugal. Foi um dos príncipes mais esclarecidos do seu tempo, sendo regente durante a menoridade do seu sobrinho, o futuro rei Afonso V de Portugal. Tornou-se cavaleiro da Ordem da Jarreteira, a mesma a que seus pais pertenciam. Morreu na batalha de Alfarrobeira.
* Henrique, Duque de Viseu, ''O Navegador'' (1394 – 1460), recebeu esse nome em homenagem ao bisavô, Henrique de Grosmont, 1.º Duque de Lancaster, ou ao tio materno, o rei Henrique IV da Inglaterra. Investiu a sua fortuna em investigação relacionada com navegação, náutica e cartografia.
* Isabel, Duquesa da Borgonha (1397 – 1471), casou com Filipe III, Duque da Borgonha e entreteve uma corte refinada e erudita nas suas terras. O seu nome homenagearia suas duas linhagens: a paterna, com a rainha Santa Isabel de Portugal e a materna, através da tia Isabel Plantageneta ou da bisavó, Isabel de Beaumont.
* Branca (11 de abril de 1398 - 27 de julho de 1398), morreu jovem
* João, Condestável de Portugal (1400 – 1442), avô de Isabel de Castela. O seu nome foi escolhido em honra de seu pai e de seu avô, João de Gante.
* Fernando, o Infante Santo (1402 – 1443), morreu no cativeiro em Fez. O seu nome foi uma homenagem ao tio paterno, o rei Fernando I de Portugal.

D. João teve ainda três filhos naturais de Inês Pires:
* Afonso I(1377 – 1461), primeiro duque de Bragança
* Branca (1378 - 1379)
* Beatriz, Condessa de Arundel (ca. 1382 – 1439), casada com Thomas FitzAlan, 12.° Conde de Arundel.

Títulos e Estilos:

  • 11 de abril de 1357 – 1364: "D. João"
  • 1364 – 16 de Dezembro de 1383: "D. João, Mestre de Avis"
  • 16 de dezembro de 1383 – 6 de abril de 1385: "D. João, Mestre de Avis, Regedor e Defensor do Reino"
  • 6 de abril de 1385 – 14 de agosto de 1433: "Sua Mercê, o Rei"

O estilo oficial de João enquanto Rei era até 1415: "Pela Graça de Deus, D. João, Rei de Portugal e do Algarve". Em 1415, após a conquista de Ceuta, a titulatura evoluiu para: "Pela Graça de Deus, D. João, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de Ceuta"

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publicado às 17:36

Reis de Portugal - Fernando I de Portugal

por Blog Real, em 20.12.18

Fernando I (Coimbra, 31 de Outubro de 1345 – Lisboa, 22 de Outubro de 1383), apelidado de "o Formoso", "o Belo" e "o Inconstante", foi o Rei de Portugal e Algarve de 1367 até àsua morte, o último monarca português da Casa de Borgonha. Era o filho homem mais velho do Rei Pedro I e sua primeira esposa Constança Manuel. Sua morte sem herdeiros homens levou à Crise de 1383–1385 em Portugal. Com apoio da nobreza local, descontente com a coroa castelhana, Fernando chegou a ser aclamado Rei em diversas cidades importantes de Norte a Sul da Galiza.

Reinado:

O início do reinado de D. Fernando foi marcado pela política externa. Quando D. Pedro I de Castela (1350-1369) morreu sem deixar herdeiros masculinos, D. Fernando, como bisneto de D. Sancho IV de Castela, por via feminina, declara-se herdeiro do trono. Outros interessados eram os reis de Aragão e Navarra, bem como o Duque de Lencastre casado com D. Constança, a filha mais velha de D. Pedro de Castela. Entretanto D. Henrique da Trastâmara, irmão bastardo de Pedro, havia-se declarado rei. Depois de duas campanhas militares sem sucesso, as partes aceitam a intervenção do Papa Gregório XI. Entre os pontos assentes no tratado de 1371, D. Fernando é prometido a D. Leonor de Castela, mas antes que o casamento pudesse ser concretizado, o rei apaixona-se por D. Leonor Teles de Menezes, mulher de um dos seus cortesãos. Após a rápida anulação do primeiro casamento de D. Leonor, D. Fernando casa com ela, publicamente, a 15 de maio de 1372 no Mosteiro de Leça do Balio. Este acto valeu-lhe forte contestação interna, mas não provocou reacção em D. Henrique de Castela, que prontamente promete a filha a Carlos III de Navarra.

Após a paz com Castela, dedicou-se D. Fernando à administração do reino, mandou reparar muitos castelos e construir outros, e ordenou a construção de novas muralhas em redor de Lisboa e do Porto. Com vista ao desenvolvimento da agricultura promulgou a Lei das Sesmarias. Por esta lei impedia-se o pousio nas terras susceptíveis de aproveitamento e procurava-se aumentar o número de braços dedicados à agricultura.

Durante o reinado de D. Fernando alargaram-se, também, as relações mercantis com o estrangeiro, relatando Fernão Lopes a presença em Lisboa de numerosos mercadores de diversas nacionalidades. O desenvolvimento da marinha foi, por tudo isto, muito apoiado, tendo o rei tomado várias medidas dignas de nota, tais como: autorização do corte de madeiras nas matas reais para a construção de navios a partir de certa tonelagem; isenção total de direitos sobre a importação de ferragens e apetrechos para navios; isenção total de direitos sobre a aquisição de navios já feitos; etc. Muito importante, sem qualquer dúvida, foi a criação da Companhia das Naus, na qual todos os navios tinham que ser registados, pagando uma percentagem dos lucros de cada viagem para a caixa comum. Serviam depois estes fundos para pagar os prejuízos dos navios que se afundassem ou sofressem avarias.

A partir do casamento, D. Leonor Teles tornara-se cada vez mais influente junto do rei, manobrando a sua intervenção política nas relações exteriores, e ao mesmo tempo cada vez mais impopular. Aparentemente, D. Fernando mostra-se incapaz de manter uma governação forte e o ambiente político interno ressente-se disso, com intrigas constantes na corte. Em 1382, no fim da guerra com Castela, estipula-se que a única filha legítima de D. Fernando, D. Beatriz de Portugal, case com o rei D. João I de Castela. Esta opção significava uma anexação de Portugal e não foi bem recebida pela classe média e parte da nobreza portuguesa.

Quando D. Fernando falece em 1383, a linha dinástica da dinastia de Borgonha chega ao fim. D. Leonor Teles é nomeada regente em nome da filha e de D. João I de Castela, mas a transição não será pacífica. Respondendo aos apelos de grande parte dos Portugueses para manter o país independente, João, mestre de Aviz e irmão bastardo de D. Fernando, declara-se rei de Portugal. O resultado foi a crise de 1383-1385, um período de interregno, onde o caos político e social dominou. D. João tornou-se no primeiro rei da Dinastia de Avis em 1385.

Os restos mortais de D. Fernando foram depositados no Convento de São Francisco, em Santarém, conforme o deixado em testamento pelo monarca. No século XIX, o túmulo foi alvo de sérios actos de vandalismo e degradação, primeiro como resultado das Invasões Francesas, quando se partiu uma porção significativa das paredes do sarcófago ao se ter tornado difícil remover a tampa; e da desamortização das ordens religiosas em 1834, quando o convento foi deixado ao abandono. Certo é que os restos mortais do rei se perderam para sempre, não tendo chegado nenhum registo dessa profanação aos dias de hoje.

Joaquim Possidónio da Silva, Presidente e fundador da ''Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses'', toma a iniciativa de transportar o monumento funerário de D. Fernando para o Museu Arqueológico do Carmo (onde ainda hoje se encontra), em 1875, de modo a salvaguardar a sua integridade e dignidade de mais vandalismo.

Túmulo gótico de D. Fernando I, actualmente no Convento do Carmo, em Lisboa.

 

Descendência:

D. Fernando teve uma filha natural antes do seu casamento:
* Isabel (1364-1435), senhora de Viseu, casada com Afonso Henriques, conde de Gijón e Noronha, com geração nos Noronha.

Do casamento com D. Leonor Teles de Menezes nasceram:

* Beatriz (1373 - após 1412), pretendente ao trono do pai, casada com o rei D. João I de Castela
* Afonso (1382), morreu quatro dias após o nascimento
*Filha (1383), morreu horas após o nascimento

Títulos e Estilos:

  • 31 de Outubro de 1345 – 18 de Janeiro de 1367: "o Infante Fernando de Portugal
  • 18 de Janeiro de 1367 – 22 de Outubro de 1383: "Sua Mercê, o Rei"
    • Na Galícia: 23 de Março de 1369 – 31 de Março de 1371: "Sua Mercê", o Rei" (em pretensa)

O estilo oficial de Fernando enquanto Rei era: "Pela Graça de Deus, Fernando I, Rei de Portugal e do Algarve". Em 1369, como afirmação da pretensão de Fernando à Coroa de Castela, a titulatura evolui para: "Pela Graça de Deus, Fernando I, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, da Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Múrcia, de Jáen, do Algarve, de Algeciras e Senhor de Molina". A titulatura regressou à utilizada no início do seu reinado com a sua renúncia aos títulos castelhanos após a Paz de Alcoutim, em 1371.

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publicado às 20:26

Reis de Portugal - Pedro I de Portugal

por Blog Real, em 16.12.18

Pedro I (Coimbra, 8 de Abril de 1320 – Estremoz, 18 de Janeiro de 1367, apelidado de "o Justo", "o Cruel" e "o Justiceiro", foi o Rei de Portugal e Algarves de 1357 até à sua morte. Era o único filho homem do Rei Afonso IV e sua esposa Beatriz de Castela.

Vida:

O Infante D. Pedro nasceu na cidade de Coimbra, a 8 de Abril de 1320, filho do então infante D. Afonso, que depois seria o Rei Afonso IV de Portugal, e Beatriz de Castela. Pedro foi o quarto filho de um total de sete, três mulheres e quatro varões: D. Maria, D. Afonso, D. Dinis, ele próprio, D. Isabel, D. João, e D. Leonor. Destes, mais de metade cedo morre (D. Afonso nado-morto à nascença; D. Dinis, D. Isabel, e D. João na sua infância). Por este motivo, D. Pedro, não sendo primogénito, torna-se herdeiro do pai e vem a suceder-lhe no trono. Pedro I sucedeu a seu pai em 1357.

Dos seus primeiros anos de vida, pouco se sabe. Conhecem-se, todavia, através de fontes escritas, a sua ama, D. Leonor; o aio e mordomo-mor Lopo Fernandes Pacheco; o guarda, Domingos Anes; o reposteiro-mor, Gonçalo Lobato; e os reposteiros, Afonso Domingues e Afonso Esteves. É também sabido que, por volta dos seus quinze anos, em 1335, já tinha casa. Os cronistas fazem menção a um defeito de gaguez e ainda, no foro psíquico, "''paixões exaltadas e violentas, cóleras explosivas, perversões várias''"; é igualmente caracterizado como um amante da festa e da música, cantando e dançando por Lisboa ao som de "longas" com os populares.

D. Pedro é conhecido pela sua relação com Inês de Castro, a aia galega da sua mulher Constança Manuel, que influenciou fortemente a política interna de Portugal no reinado de D. Afonso IV. Inês acabou assassinada por ordens do rei a 7 de Janeiro de 1355, mas isto não trouxe Pedro de volta à influência paterna. Contrariamente, durante alguns meses, Pedro revoltou-se contra o pai; apoiado pela nobreza de Entre Douro e Minho e pelos irmãos de Inês. A paz veio por vontade declarada do povo e perdoaram-se mútuas ofensas. Aclamado rei em 1357, Pedro anunciou em Cantanhede, em junho de 1360, o casamento com Inês, realizado em segredo antes da sua morte, sendo sua intenção a ver lembrada como Rainha de Portugal. A promessa de perdão aos responsáveis pela morte de Inês foi esquecida

Este facto baseia-se apenas na palavra do rei, uma vez que não existem registos de tal união. Dois assassinos de Inês foram capturados e executados (Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves) com uma brutalidade tal (a um foi arrancado o coração pelo peito, e a outro pelas costas), que lhe valeram os epítetos supramencionados.

Conta também a tradição que Pedro teria feito desenterrar o corpo da amada, coroando-a como Rainha de Portugal, e obrigando os nobres a procederem à cerimónia do beija-mão real ao cadáver, sob pena de morte. Em seguida ordenou a execução de dois túmulos (verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal), os quais foram colocados no transepto da igreja do Mosteiro de Alcobaça para que, no dia do Juízo Final, os eternos amantes, então ressuscitados, de imediato se vejam...

Como rei, Pedro revelou-se bom administrador, corajoso na defesa do país contra a influência papal (foi ele que promulgou o famoso Beneplácito Régio, que impedia a livre circulação de documentos eclesiásticos no país sem a sua autorização expressa), e foi justo na defesa das camadas menos favorecidas da população. Aplicava a justiça com brutalidade, de forma «democrática», punindo exemplarmente sem olhar a quem. Para não atrasar a aplicação das sentenças, puniu com pena de morte a prática da advocacia, isto levou a protestos nas cortes de 1361. Pouco fez para refrear o poder da nobreza, mas esta temia o rei. Gostava muito de estar próximo do povo nos festejos, daí ser adorado. Na política externa, Pedro ajudou seu sobrinho, o Rei de Castela, na guerra contra o meio-irmão.

A sua relação com o clero foi algo conflituosa, em relação à nobreza foi magnânimo. Deu o título de conde de Barcelos a João Afonso Telo com direito hereditário e deu terras aos filhos de Inês. A Ordem de Avis entregou-a a seu filho, João, futuro rei.

A forma como exerceu a justiça, parece-nos hoje cruel, mas era costume naqueles tempos difíceis. Diz-se que mandou servir um banquete enquanto assistia à execução de Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves. Gostava mais de ser algoz de que juiz, como atestam algumas sentenças que proferiu.

D. Pedro reinou durante dez anos, sendo tão popular ao ponto de dizer a população "''que taes dez annos nunca houve em Portugal como estes que reinara el Rei Dom Pedro''". O seu reinado foi o único no século XIV sem guerra e marcado com prosperidade financeira, daí ficar na memória como um bom reinado. Para Fernão Lopes foi o avô da dinastia de Avis.

Jaz no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Descendência:

Em 1329, Branca de Castela, a única filha de Pedro de Castela e de Maria, infanta de Aragão foi prometida em casamento com D. Pedro, mas dada a sua debilidade e sua incapacidade o casamento não se chegou a realizar.

Seu primeiro casamento foi com Constança Manuel, filha de D. João Manuel de Castela, de quem teve a:
* D. Luís, infante de Portugal (1340)
* D. Maria de Portugal, Princesa de Aragão, infanta de Portugal (1342-137?), casada com D. Fernando, príncipe de Aragão
* D. Fernando, rei de Portugal (1345-1383)

De seu segundo casamento com Inês de Castro (1320 - assassinada em 1355) nasceram:
* D. Afonso, infante de Portugal (1346)
* D. Beatriz de Portugal, Condessa de Alburquerque, infanta de Portugal (1347-1381)
* D. João de Portugal, Duque de Valência de Campos (1349-1387)
* D. Dinis, infante de Portugal (1354-1397)

De Teresa Lourenço:
* D. João I, Rei de Portugal (1357-1433)

Títulos e Estilos:

  • 8 de Abril de 1320 – 28 de Maio de 1357: "o Infante Pedro de Portugal
  • 28 de Maio de 1357 – 18 de Janeiro de 1367: "Sua Mercê, o Rei"

O estilo oficial de D. Pedro I enquanto rei era: "Pela Graça de Deus, Pedro I, Rei de Portugal e do Algarve"

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publicado às 14:18

Reis de Portugal - Afonso IV de Portugal

por Blog Real, em 08.12.18

Afonso IV (Lisboa, 8 de Fevereiro de 1291– Lisboa, 28 de Maio de 1357), apelidado de '''Afonso, o Bravo''', foi o Rei de Portugal e Algarve de 1325 até sua morte. Era um dos filhos do Rei D.Dinis de Portugal e sua esposa Isabel de Aragão - canonizada como Santa Isabel.

Vida:

Apesar de ser o seu filho legítimo de seu pai D. Dinis, D. Afonso não seria, de acordo com algumas fontes, o favorito do Rei D. Dinis, que preferia a companhia de [[D. Afonso Sanches]], um dos seus bastardos (legitimado). Esta preferência deu lugar a uma rivalidade entre os dois irmãos que, algumas vezes, deu lugar a confrontos armados. Em [[1325]], D. Afonso IV tornou-se rei e, como primeira decisão, exilou Afonso Sanches para [[Reino de Castela|Castela]], retirando-lhe de caminho todas as terras, títulos e feudos concedidos pelo pai de ambos. O exilado não se conformou e do outro lado da fronteira orquestrou uma série de manobras políticas e militares com o fim de se tornar ele próprio rei. Depois de várias tentativas de invasão falhadas, os irmãos assinaram um tratado de paz, sob o patrocínio da Rainha Santa Isabel.

Em 1309, D. Afonso IV casou com a infanta Beatriz de Castela, filha do rei Sancho IV de Castela. A primogénita desta união, a princesa D. Maria de Portugal, casou com D. Afonso XI de Castela em 1328, mas o casamento revelou-se infeliz, dado que o Rei de Castela maltratava abertamente a mulher. D. Afonso IV não ficou contente por ver sua filha menosprezada e atacou as terras fronteiriças de Castela em retaliação. A paz chegou quatro anos mais tarde e, com a intervenção da própria D. Maria de Portugal, um tratado foi assinado em Sevilha em 1339. No ano seguinte, em Outubro de 1340, tropas portuguesas participaram na grande vitória da Batalha do Salado contra os mouros merínidas.

Em 1343 houve no reino grande carestia de cereais e em 1346, a fim de fazer sua aliança com o rei de Aragão, D. Afonso IV enviou a Barcelona um embaixador para a assinatura do acordo entre o rei e D. Pedro IV de Aragão com vista à realização do casamento da infanta D. Leonor. Em 1347 ocorreu um sismo que abalou Coimbra, tendo causado enormes prejuízos, e em 1348 a peste negra, vinda da Europa, assola o país.

De todos os problemas foi a peste o mais grave, vitimando grande parte da população e causando grande desordem no reino. O rei reagiu prontamente, tendo promulgado legislação a reprimir a mendicidade e a ociosidade.

A última parte do reinado de D. Afonso IV foi marcada por intrigas políticas e conflitos internos em grande parte devidos à presença em solo português de refugiados da guerra civil entre D. Pedro I de Castela e o seu meio-irmão D. Henrique da Trastâmara.

Entre os exilados contavam-se vários [[nobre]]s, habituados ao poder, que cedo criaram a sua própria facção dentro da Corte portuguesa. Quando o príncipe herdeiro D.Pedro assume D. Inês de Castro como sua preferida, os nobres castelhanos passam a gozar cada vez mais dos privilégios do poder real português.

D. Afonso IV não ficou agradado com o favoritismo concedidos aos castelhanos e procurou várias formas de afastar D. Inês do filho. Sem sucesso, pois D. Pedro assume a relação com D. Inês de Castro, sua preferida, bem como assumiu os filhos que dela teve, legitimando-os na famosa Declaração de Cantanhede, acrescentando em 1349 a recusa de tornar a casar com outra mulher que não ela. Com o passar dos anos D. Afonso IV perdeu o controlo da situação e os fidalgos pró Castela e D. Inês de Castro aumentavam o seu poder, enquanto o único herdeiro direto de D. Pedro e D. Constança Manuel de Vilhena, o futuro rei D. Fernando, crescia como uma criança doente. Preocupado com a vida do único neto que reconhecia como herdeiro e com o acréscimo de poder castelhano dentro de suas fronteiras, D. Afonso IV planeja e executa a morte de D. Inês de Castro em 1355 juntamente com Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco. Tomado por violenta indignação, D. Pedro entrou em guerra aberta contra o pai que planejou e executou o assassinato de D. Inês de Castro, saqueando e queimando a região do Entre-Douro-e-Minho. A reconciliação chegou apenas em 1357, quando o rei delega em vida grande parte do poder ao príncipe herdeiro, D. Pedro. D. Afonso IV morreu pouco tempo depois.

Como rei, D. Afonso IV é lembrado como um comandante militar corajoso, daí o cognome de ''Bravo''. A sua maior contribuição a nível económico e administrativo foi a importância dada ao desenvolvimento da marinha portuguesa. D. Afonso IV subsidiou a construção de uma marinha mercante e financiou as primeiras viagens de exploração Atlântica. As Ilhas Canárias foram descobertas no seu reinado.

Jaz na Sé de Lisboa, junto a Dona Beatriz.

Descendência:

Beatriz de Castela e Rainha de Portugal.a esposa do Rei D.Afonso IV

Do seu casamento com D. Beatriz de Castela (1293 - Lisboa, 25 de Outubro de 1359), infanta do Reino de Castela, filha do rei D.Sancho IV de Castela com D. Maria de Molina, nasceram:

#D. [[Maria de Portugal, Rainha de Castela (Coimbra, 1313 - Évora, 1357), casada em 1328 na localidade de Alfaiates, Sabugal, com o Rei Afonso XI de Castela, (13 de agosto de 1311 - 26 de março de 1350) a «''Fermosíssima Maria''» referida por Luís de Camões n' ''Os Lusíadas''.
#D. Afonso de Portugal (Coimbra, Penela, 1315), nado-morto à nascença.
#D. Dinis de Portugal (12 de janeiro de 1317-1318), morreu na infância.
#D. Pedro I de Portugal (Coimbra, 8 de abril de 1320 - Évora, Estremoz, 18 de janeiro de 1367), sucessor do pai no trono português.
#D. Isabel de Portugal (21 de dezembro de 1324 - 11 de julho de 1326), morreu na infância.
#D. João de Portugal (23 de setembro de 1326 - 21 de julho de 1327), morreu na infância.
#D. Leonor de Portugal, Rainha de Aragão (Coimbra, 1328 - Jérica ou Teruel, Aragão, outubro de 1348), casada em 1347 com o rei Pedro IV de Aragão (Balaguer 1319 - Barcelona 5 de janeiro de 1387).

Teve ainda uma filha ilegítima:

#D. Maria Afonso de Portugal (1316 - Lisboa, 1384), casada em 1330 com D. Fernando de Castela, senhor de Valencia de Campos, mestre da Ordem de Santiago e filho de D. Afonso de Castela, senhor de Valência e de D. Joana de Castro (1280 - 1327).

Títulos e Estilos:

  • 8 de Fevereiro de 1291 – 7 de Janeiro de 1325: "o Infante Afonso de Portugal
  • 7 de Janeiro de 1325 – 28 de Maio de 1357: "Sua Mercê', o Rei"

O estilo oficial de D. Afonso IV enquanto Rei era: "Pela Graça de Deus, Afonso IV, Rei de Portugal e do Algarve"

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publicado às 19:47

Reis de Portugal - Dinis I de Portugal

por Blog Real, em 25.11.18

Dinis I de Portugal, ''O Lavrador'' ou ''O Poeta'' (Lisboa, 9 de Outubro de 1261) - (Santarém, 7 de Janeiro de 1325), foi Rei de Portugal e do Algarve de 1279 até sua morte. Era o filho mais velho do rei Afonso III e de sua segunda esposa Beatriz de Castela.

Em 1282 desposou Isabel de Aragão, que ficaria conhecida como Rainha Santa. Ao longo de 46 anos de reinado, foi um dos principais responsáveis pela criação da identidade nacional e o alvor da consciência de Portugal enquanto estado-nação: em 1297, após a conclusão da Reconquista pelo seu pai, definiu as fronteiras de Portugal no Tratado de Alcanizes, prosseguiu relevantes reformas judiciais, instituiu a língua portuguesa como língua oficial da corte, criou a primeira Universidade portuguesa, libertou as Ordens Militares no território nacional de influências estrangeiras e prosseguiu um sistemático acréscimo do centralismo régio. A sua política centralizadora foi articulada com importantes acções de fomento económico - como a criação de inúmeros concelhos e feiras. D. Dinis ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e organizou a exportação da produção excedente para outros países europeus. Em 1308 assinou o primeiro acordo comercial português com a Inglaterra. Em 1312 fundou a marinha Portuguesa, nomeando 1º Almirante de Portugal, o genovês Manuel Pessanha, e ordenando a construção de várias docas.

Foi grande amante das artes e letras. Tendo sido um famoso trovador, cultivou as ''Cantigas de Amigo'', de ''Amor'' e a sátira, contribuindo para o desenvolvimento da poesia trovadoresca na Península Ibérica. Pensa-se ter sido o primeiro monarca português verdadeiramente alfabetizado, tendo assinado sempre com o nome completo. Foi o responsável pela criação da primeira Universidade portuguesa, inicialmente instalada em Lisboa e depois para Coimbra.

Entre 1320 e 1324 houve uma guerra civil que opôs o rei ao futuro Afonso IV. Este julgava que o pai pretendia dar o trono a [[Afonso Sanches. Nesta guerra, o rei contou com pouco apoio popular, pois nos últimos anos de reinado deu grandes privilégios aos nobres. O infante contou com o apoio dos concelhos. Apesar dos motivos da revolta, esta guerra foi no fundo um conflito entre grandes e pequenos. Após a sua morte, em 1325 foi sucedido pelo seu filho legítimo, Afonso IV de Portugal, apesar da oposição do seu favorito, filho natural Afonso Sanches.

Primeiros Anos:

Dinis nasceu a 9 de outubro de 1261, em Lisboa como filho do rei Afonso III de Portugal e da sua esposa Beatriz de Castela. Pertenceu, pelo lado paterno, à Casa Real Portuguesa, descendente direta da Casa Ducal da Borgonha. Pelo lado materno, descendia de importantes personalidades como Afonso X de Leão e Castela, Henrique II de Inglaterra ou Filipe da Suábia.

Pouco se sabe da sua infância, mas conhecem-se os aios encarregues da sua educação, sendo os mais conhecidos Lourenço Gonçalves Magro (que seria descendente de Egas Moniz, o Aio). O infante foi mais tarde confiado aos cuidados do meirinho-mor do rei, Nuno Martins de Chacim, que Dinis depois nomearia para mordomo-mor.

Em 1265, acompanhou a sua mãe e um contingente militar, de visita ao seu avô Afonso X de Castela, em Sevilha, viagem relacionada com a questão do Algarve, com o rei de Portugal, e cuja resolução implicou o envio de reforços portugueses para a guerra na Andaluzia. Em 1278 recebe casa própria, um ano antes de ascender ao trono.

Rei de Portugal e do Algarve:

Como herdeiro da coroa, Dinis desde cedo foi envolvido nos aspectos de governação pelo seu pai, Afonso III, que, a 16 de fevereiro de 1279, deixa um reino com uma acentuada estabilidade interna, resultante de uma autoridade régia incontestada, em contraste com o estado geral em que se encontrava o reino de Castela, onde imperava um acentuado clima de ingovernabilidade e de permanentes conflitos sociais. Foi confiado, embora já fosse maior de idade (contava com 17 anos na altura da sua ascensão ao trono), a um conselho de regência presidido por sua mãe, Beatriz, que provavelmente tentaria liderar o reino chefiando um conselho esse no qual tomava parte o mordomo-mor do seu pai, João Peres de Aboim. Porém, o jovem rei desiludiu-a rapidamente de qualquer participação na governação. O conflito com a mãe leva mesmo à intervenção do avô, Afonso X, que terá tentado encontrar-se com o neto em Badajoz, encontro que Dinis rejeitou. Beatriz acabou por voltar a Castela.

Casamento e Aliança Matrimonial

O casamento deste rei foi talvez um dos primeiros grandes sucessos da política externa portuguesa. Dinis inicia negociações com Pedro III de Aragão, para casar com a filha deste, Isabel, que na mesma altura estaria a ser reclamada por embaixadores dos reis de França e Inglaterra. Isabel era um partido extremamente valioso, uma vez que a sua figura se prestigiava pelas melhores qualidades, e ainda a importância estratégica de Aragão, tanto do ponto de vista político como económico, uma vez que o próprio Pedro III enceta uma política mediterrânica, começada pela conquista da ilha italiana da Sicília (que constituiu o reino de Trinácria), em consequência da defesa dos direitos da esposa, última descendente da casa imperial alemã de Hohenstaufen no sul italiano. Os sucessores de Pedro continuariam esta política de expansão e dominação mediterrânica.

Graças às diligências dos seus procuradores e vassalos João Velho, João Martins e Vasco Pires, negociou as claúsulas matrimoniais e ficaram encarregados de receber a noiva por palavras de presente, direito que lhes fora outorgado a 12 de novembro de 1280. Pedro III decidiu-se pelo rei português, segundo carta de 11 de fevereiro de 1282, na qual se concretizava o casamento do rei português, de 20 anos, e da princesa aragonesa, de 11. Dinis doava à sua esposa de doze castelos e três vilas. Dinis por essa altura encontrar-se-ia em Trancoso, vila que doaria também a Isabel a 26 de junho de 1282. Foi também nessa vila que se efetuou a boda ''de facto'', aí permanecendo até aos primeiros dias de agosto.

Leão e Castela

Os primeiros anos do reinado de Dinis viram a guerra civil em Castela, que opõe Afonso X de Castela contra o príncipe Sancho. Em abril de 1282 Dinis envia a Castela uma embaixada de condolências pela morte do rei-trovador. Contudo a situação entre Portugal e Leão-Castela não era de todo pacífica: desde a conquista do Algarve que ambos os reis do ocidente da Península reclamam o título de ''Rei do Algarve'', facto que incomodava bastante o rei português.

Apesar disso as relações entre os dois reinos ainda eram estáveis, tendo-se inclusivamente aliado, em dezembro de 1288, contra Aragão, que combateram entre a primavera e o verão de 1289. A verdadeira quebra viria em 1293, quando Dinis protege o magnate castelhano João Nunes de Lara. A situação parece piorar quando Sancho concerta para o seu filho Fernando a mão da princesa Isabel, filha de Filipe IV de França.

Sancho IV falece a 25 de abril de 1295, acentuando-se a turbulência política em Castela. Sancho determinara no seu testamento que se devolvessem a Dinis de Portugal as vilas de Serpa, Moura, Mourão, Aroche e Aracena, injustamente arrebatadas a Portugal e se encontravam indevidamente retidas pelos castelhanos.

Durante a menoridade de Fernando IV de Castela, com nove anos apenas, a regência coube a sua mãe, Maria de Molina, sendo contestada pelos infantes João, senhor de Valência de Campos, irmão de Sancho IV e Henrique de Castela ''O Senador'', irmão de Afonso X. Coube a João tentar obter a ajuda de Dinis. Desta forma deslocou-se a Guarda para acordar um pacto, no qual Dinis apoiaria a pretensão de João para o Reino de Leão, extinto desde 1230 por Fernando III de Castela. Este acordo foi ratificado a 4 de outubro de 1295.

Portugal acaba por declarar guerra a Castela, fazendo-a anunciar nas cortes de Valladolid. A notícia preocupou os castelhanos, uma vez que havia plena consciência das dificuldades que consistiria uma guerra com Portugal.

A 20 de outubro de 1295, Dinis recebe as vilas de Moura e Serpa, e os castelos de Mourão e Noudar, e ainda os castelos e as vilas de Arronches e Aracena. A devolução destes bens tornava necessária uma nova definição de fronteiras, celebrada pelo Tratado de Alcanizes, de 1297. Neste tratado ficaram combinados os casamentos dos infantes Constança e Afonso, filhos de Dinis, com o rei Fernando IV de Castela e a infanta Beatriz de Castela, respetivamente, um duplo casamento para reforçar a aliança e a garantia de paz de Castela com Portugal.

Em janeiro de 1296 o infante D. João entra em Portugal e alia-se a Dinis I, que se dispõe a ajudá-lo na conquista de Leão. Entretanto, os nobres castelhanos escreviam a Dinis, a 12 de maio de 1298, para combater o infante João, claramente ignorando que o rei de Portugal o apoiava.
D. Dinis I segue para Castela, em Toro, onde propõe a Maria de Molina o reconhecimento do infante rebelde como rei da Galiza, que Maria de Molina recusou. Com os seus intentos frustrados, D. Dinis I regressa a Portugal permanecendo no Sabugal todo o mês de agosto e a primeira quinzena de Setembro.

Últimos anos, morte e posteridade:

Conflito com o infante herdeiro

Os últimos anos do seu reinado foram marcados por conflitos internos, porque, a nível externo, Portugal equiparava-se aos restantes reinos peninsulares. O herdeiro, futuro Afonso IV, receoso que o favorecimento de D. Dinis ao seu filho bastardo, D. Afonso Sanches o espoliasse do trono, exigiu o poder e combateu o pai. Esta guerra, que se prolongou de 1319 a 1324, e a crise interna que provocou fez com que Portugal perdesse influência a nível internacional.

Em 1319, Afonso teria chegado a pedir inclusivamente a Maria de Molina, para que convencesse o seu pai a abdicar. Em resposta o monarca português rejeita a proposta e envia à rainha os pêsames pelas mortes dos seus filhos, D. Pedro e D. João.

O infante Afonso revolta-se, com tropas no Norte do País, exercendo violências sobre quem era fiel a seu pai. Afonso dirige-se a Coimbra, e depois toma Leiria. Dinis para aí se dirige, mas o filho, tentando evitar o encontro, desloca-se a Santarém. Reúne-se depois em Coimbra com os seus apoiantes, e daí volta a partir para Norte, com ânimo de conquista. Toma Montemor-o-Velho, Santa Maria da Feira, Vila Nova de Gaia, Porto, e é em Guimarães, no final de 1321 onde encontra a primeira resistência.

A mãe, Isabel, dirige-se também a Norte, para se encontrar com o filho e tenta convencê-lo da sua rebeldia inútil, mas sem sucesso. Dinis dirige-se a Coimbra com um exército, e o mesmo faz o seu filho, encontrando-se pela primeira vez, frente-a-frente, ambos os exércitos. Isabel, juntamente com um enteado, o Conde Pedro de Barcelos, tentam convencer pai e filho a desistirem da ideia de se enfrentarem um ao outro, dirigindo-se a cada um dos acampamentos. Tudo o que Isabel e Pedro conseguiram obter foi um armistício, mas não conseguiram evitar um combate sangrento numa ponte sobre o rio Mondego.

Com a paz estabelecida em maio de 1322, a situação pareceu acalmar, mas alguma da aristocracia e maus conselheiros voltam uma vez mais o filho contra o pai, situação que se favoreceu com o regresso de Afonso Sanches, que durante este conflito se encontrava em Castela. Afonso tenta surpreender o meio-irmão em Lisboa, mas Dinis protege o seu bastardo, proibindo Afonso de avançar sobre a cidade. A desobediência deste levou a que pai e filho se defrontassem uma vez mais, na Batalha de Alvalade, que não teve um pior desfecho porque a rainha Isabel resolveu intervir diretamente na batalha, interpondo-se entre as hostes inimigas já postas em ordem de combate. Dinis e o seu filho acabariam por fazer as pazes definitivas em 1324.

Morte e posteridade:

Complicações cardíacas seriam a origem dos seus problemas de saúde. Em 1322 teve um pequeno ataque cardíaco ou vascular-cerebral. Ainda viveu mais três anos debilitado, sendo levado "em andas e em colos de homens". Foi a angina de peito ou uma miocardite a causa da sua morte, em 1325. Se o final do seu reinado foi penoso e lhe trouxe grandes amarguras, a sua decisão de transigir com os desejos do filho assegurou-lhe, pelo menos, o derradeiro consolo de morrer em paz e reconciliado com a família mais chegada. D. Dinis morreu em Santarém a 7 de janeiro de 1325, e foi sepultado no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas.

Após a sua morte vieram a Portugal algumas embaixadas a apresentar os seus pêsames: desde Castela manifestaram as suas condolências à rainha-mãe e viúva Isabel e ao novo rei, Afonso IV, que foi simultaneamente felicitado pela subida ao trono. O próprio irmão de Isabel, Jaime II de Aragão, apresentou as suas condolências e fez esforços no sentido da reconciliação entre o novo rei e seu irmão, o infante D. Afonso Sanches.

Afonso IV, porém, continuaria a fazer guerra ao irmão exilado, e este também não desistiu de lhe tentar usurpar o trono. Afonso acaba por retirar ao irmão bastardo todas as posses que lhe haviam sido dadas pelo pai, e, após várias tentativas falhadas de Afonso Sanches para governar Portugal, os dois irmãos acabam por fazer as pazes, com a intervenção de Isabel de Aragão.

Na memória popular:

Diz a lenda de uma aldeia do concelho de Seia, Lapa dos Dinheiros, que D. Dinis terá por lá passado e, depois de ter jantado e pernoitado no lugar, deu-lhe o seu nome actual.

Descendência:

* De sua mulher, infanta Isabel de Aragão (1270-1336):
** Constança de Portugal, Rainha de Castela (1290-1313), casou com o rei Fernando IV de Castela
** Afonso IV, Rei de Portugal (1291-1357)

Filhos naturais:
* Havidos de Grácia Frois:
** Pedro Afonso, conde de Barcelos (1287-1354)
* Havidos de Aldonça Rodrigues Talha:
** Afonso Sanches (1289-1329), senhor de Albuquerque e rival de seu meio-irmão Afonso IV
* Havidos de Marinha Gomes:
** Maria Afonso (1290-1340), senhora de Gibraleón
* Havidos de outras senhoras:
** João Afonso, senhor da Lousã (1280-1325)
** Fernão Sanches (1280-1329)
* Teve ainda como amante Branca Lourenço de Valadares, tia de D. Inês de Castro, a quem doou a vila e termo de Mirandela por carta de 1301, na qual declara: "''E esto vos faço por compra de vosso corpo''",e da qual houve:
** Maria Afonso (1302-1320), freira no Mosteiro de São Dinis

Títulos e Estilos:

  • 9 de Outubro 1261 – 16 de Fevereiro de 1279: "o Infante Dinis de Portugal
  • 16 de Fevereiro de 1279 – 7 de Janeiro de 1325: "Sua Mercê, o Rei"

O estilo oficial de D. Dinis enquanto era: "Pela Graça de Deus, Dinis I, Rei de Portugal e do Algarve"

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publicado às 20:42

Reis de Portugal - Afonso III de Portugal

por Blog Real, em 06.03.16

AfonsoIII

Afonso III de Portugal (Coimbra, 5 de maio de 1210 – 16 de fevereiro de 1279), cognominado O Bolonhês por ter sido casado com a condessa Matilde II de Bolonha, foi o quinto Rei de Portugal. Afonso III era o segundo filho do rei Afonso II e da sua mulher Urraca de Castela, e sucedeu ao seu irmão Sancho II em 1248.

O Rei Afonso III abandonou o Reino durante o governo de seu irmão, D. Sancho lI, para procurar posição e fortuna nas cortes de França ou Borgonha, a que se encontrava ligado por laços familiares. De 1234 a 1245 frequenta a corte de Luís VIII, casado com Branca de Castela, sua tia materna, aí sendo, sucessivamente, armado cavaleiro (1239), casado com Matilde, uma viúva, herdeira do rico condado de Bolonha, e feito vassalo do rei, notabilizando-se na batalha de Saintes (1242), travada contra o monarca inglês.

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Esta carreira ascendente, junto com um grande interesse pelos assuntos do seu reino de origem, alimentado pelos nobres que o acompanharam a França, depressa o faz um dos mais fortes candidatos à chefia da coroa portuguesa, ameaçada por uma série de lutas internas, que culminam com a contestação da autoridade do rei seu irmão, que é deposto em 1245 por Inocêncio IV, com o apoio do clero e parte da nobreza do Reino. O conde de Bolonha, contando com o apoio papal e depois de ter recebido em Paris uma delegação de clérigos e nobres portugueses, a quem promete a restauração das leis e justiça do Reino, a par do respeito pelos direitos eclesiásticos, dirige-se então a Portugal, chegando a Lisboa no início de 1246.

Até 1248 travam-se diversas lutas entre os partidários dos dois irmãos, resolvendo-se a guerra civil com a morte de D. Sancho lI, exilado em Toledo, principiando então o reinado do Bolonhês. Um dos seus objectivos prioritários foi a pacificação da nobreza, mobilizando-a em torno de uma luta comum que permitisse ultrapassar os recentes confrontos e divergências. É nesse contexto que se insere a ofensiva algarvia de 1249-1250, que também procurava assegurar a posse definitiva das terras meridionais, repelindo as ameaças de uma anexação castelhana, o que só virá a ser conseguido no reinado seguinte, segundo o conteúdo de um tratado celebrado com Afonso X (1252), que previa o casamento do rei português com Beatriz, bastarda do rei Sábio, sendo, contudo, ainda viva a condessa de Bolonha (morre em 1258). Procurando contrabalançar os excessivos poderes da nobreza e do clero, o rei desenvolve uma política de equilíbrio social, privilegiando o diálogo com os concelhos, sobretudo os urbanos, promovendo-os nas Cortes de Leiria de 1254 à categoria de interlocutores político-sociais, ao mesmo tempo que incentiva uma série de medidas conducentes ao enriquecimento do património da coroa, nomeadamente desenvolvendo a implantação da propriedade régia nas cidades e controlando as actividades comerciais do Reino.

A restauração do abalado prestígio da coroa passava ainda por um combate aos abusos senhoriais: retomando medidas já utilizadas por seu pai, o rei ordena confirmações régias e promove novas inquirições gerais (1258) nas zonas do Reino mais propensas à extensão indevida de coutos e honras, iniciativas que reacenderam os conflitos com os poderes eclesiásticos, situando-se os momentos críticos em 1275 e 1277.

É pois com D. Afonso III que o Reino se tende a estruturar em país e que começa a ser mais permeável às influências norte-europeias, ainda que conserve inúmeros traços peculiares.

O rei, que era muito querido pelos portugueses por decisões como a da abolição da anúduva (imposto do trabalho braçal gratuito, que obrigava as gentes a trabalhar na construção e reparação de castelos e palácios, muros, fossos e outras obras militares), recebeu apoio das cortes de Santarém em Janeiro de 1274, onde foi nomeada uma comissão para fazer um inquérito às acusações que os bispos faziam ao rei. A comissão, composta maioritariamente por adeptos do rei, absolveu-o. O Papa Gregório X, porém, não aceitou a resolução tomada nas cortes de Santarém e mandou que se excomungasse o rei e fosse lançado interdito sobre o reino em 1277.

À sua morte, em 1279, D. Afonso III jurou obediência à Igreja e a restituição de tudo o que lhe tinha tirado. Face a esta atitude do rei, o abade de Alcobaça levantou-lhe a excomunhão e o rei foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça.

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 Moedas cunhadas com a éfige do Rei Afonso III de Portugal.

Segundas núpcias:

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Em 1253, o rei desposou D. Beatriz, popularmente conhecida por D. Brites, filha de D. Afonso X de Castela, O Sábio. Desde logo isto constituiu polémica pois D. Afonso era já casado com Matilde II de Bolonha.

O Papa Alexandre IV respondeu a uma queixa de D. Matilde, ordenando ao rei D. Afonso que abandone D. Beatriz em respeito ao seu matrimónio com D. Matilde. O rei não obedeceu, mas procurou ganhar tempo neste assunto delicado, e o problema ficou resolvido com a morte de D. Matilde em 1258. O infante, D. Dinis, nascido durante a situação irregular dos pais, foi então legitimado em 1263.

O casamento funcionou como uma aliança que pôs termo à luta entre Portugal e Castela pelo Reino do Algarve. Também resultou em mais riqueza para Portugal quando D. Beatriz, já após a morte do rei, recebe do seu pai, Afonso X, uma bela região a Este do Rio Guadiana, onde se incluíam as vilas de Moura, Serpa, Noudar, Mourão e Niebla. Tamanha dádiva deveu-se ao apoio que D. Brites lhe prestou durante o seu exílio na cidade de Sevilha.

Descendência:

* Primeira esposa, Matilde II de Bolonha, sem descendência.
* Segunda mulher, infanta Beatriz de Castela (1242-1300)
** Branca de Portugal (1259-1321), freira e senhora no Mosteiro de Las Huelgas (Burgos)
** Dinis I de Portugal (1261-1325)
** Afonso de Portugal (1263-1312), senhor de Portalegre, casou com a infanta Violante Manuel
** Sancha de Portugal (1264-1284?)
** Maria de Portugal (1265-1266)
** Constança de Portugal (1266-1271)
** Vicente de Portugal (1268-1271)
** Fernando de Portugal (1269?)
* Filhos naturais
** Havidos de Madragana Ben Aloandro, depois chamada ''Mor Afonso'', filha do último alcaide do período mouro de Faro, o moçárabe Aloandro Ben Bakr:
*** Martim Afonso Chichorro (1250 -1313)
*** Urraca Afonso de Portugal (c. 1260- depois de 1290) casada por duas vezes, a primeira em 1265 com Pedro Anes Gago de Riba de Vizela (1240 - 1286) e a segunda em 1275 com João Mendes de Briteiros (1250 -?), filho de D. Mem Rodrigues de Briteiros (1225 -?).
** Havidos de Maria Peres de Enxara:
*** Afonso Dinis (1260-1310)
** De outras senhoras:
*** Fernando Afonso, cavaleiro hospitalário
*** Gil Afonso (1250-1346), cavaleiro hospitalário
*** Rodrigo Afonso (1258-1272), prior de Santarém
*** Leonor Afonso (1250), senhora de Pedrógão e Neiva, casada por duas vezes, a primeira com D. Estevão Anes de Sousa, senhor de Pedrógão (c. 1240 -?) e a segunda com D. Garcia Mendes de Sousa (1175 – 29 de Abril de 1239).
*** Leonor Afonso (m. 1259), freira em Santarém
*** Urraca Afonso (1250-1281), freira no Lorvão
*** Henrique Afonso

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 5 de Maio de 1210 – Maio de 1239: O Infante Afonso de Portugal
  • Maio de 1239 – 4 de Janeiro de 1248: O Infante Afonso de Portugal, Conde de Bolonha
  • 4 de Janeiro de 1248 – 16 de Fevereiro de 1279: Sua Mercê, El-Rei de Portugal e do Algarve

O estilo oficial de D. Afonso III enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e Conde de Bolonha

Em 1253, por suspeitar da sua esterilidade, D. Afonso repudia a esposa, D.Matilde, e abandona o título de Conde de Bolonha:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal

Após a conquista definitiva do Algarve e a disputa quanto ao domínio algarvio com Castela, o Tratado de Badajoz reconhece a D. Afonso III o senhorio do Algarve, evoluindo a sua titulatura régia para:

Pela Graça de Deus, Afonso III, Rei de Portugal e do Algarve

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publicado às 21:38

Reis de Portugal - Sancho II de Portugal

por Blog Real, em 24.02.16

Sancho II de Portugal (cognominado O Capelo por haver usado um enquanto criança; alternativamente conhecido como O Pio ou O Piedoso), quarto rei de Portugal, nasceu em Coimbra em 8 de setembro de 1209, filho do rei D. Afonso II de Portugal e de Urraca de Castela, rainha de Portugal.

Sancho II tinha menos de 14 anos quando sucede ao pai, pelo que a família de sua ama, Estevainha Soares da Silva (então já viúva de Martim Fernandes de Riba de Vizela), através do irmão, o arcebispo bracarense Estêvão Soares da Silva, adquire grande influência no governo do Reino, significando tal facto a momentânea vitória do «partido senhorial», liderado pelo prelado, o qual, ainda em 1223, inspira as pazes da coroa com as filhas de D. Sancho I e a garantia de indemnizações pelos prejuízos que o arcebispo havia sofrido aquando das lutas que tivera com o defunto rei.

Contudo, as forças favoráveis aos interesses senhoriais não conseguem dominar em absoluto a corte, uma vez que nela se mantêm alguns dos defensores do reforço do poder régio («partido monárquico»), política que inspirara o governo de D. Afonso II. Será mesmo este último grupo que recuperará o poder em 1226, na sequência do fracasso de uma campanha militar destinada à conquista de Elvas, operação que tinha sido combinada com a igualmente malograda tentativa da tomada de Badajoz por Afonso IX de Leão. Tais conflitos no seio da classe dominante apaziguaram-se após as Cortes de Coimbra de 1229, sem que, no entanto, a contínua instabilidade no desempenho dos mais altos cargos da cúria deixe de manifestar uma permanente luta pelo poder.

Estas querelas político-partidárias apenas reflectiam um geral ambiente de instabilidade social. Com efeito, o bloqueamento da Reconquista a seguir à formação do império dos Almóadas tinha dirigido. do exterior para o interior do Reino, a actividade guerreira da nobre­za, o que provocou efeitos tanto mais graves quanto ocorreu num momento em que a generalização da adopção da estrutura familiar linhagística tornava vital para os filhos segundos, marginalizados da herança familiar, a existência de espaços de proeza militar conducentes à formação de novas fortunas.

Impossibilitado o aumento territorial do Reino, diminuída mesmo a sua superfície e revelando-se tanto a carreira eclesiástica como o ingresso nas ordens militares incapazes de absorver todos os excedentes demográficos nobiliárquicos, os cavaleiros multiplicavam as agressões contra comunidades rurais e instituições religiosas, como forma de obterem as riquezas necessárias à manutenção do seu estado, não hesitando na prática de violências, como roubos, pilhagens, raptos e mortes, e na formação de bandos que instigavam ao desenvolvimento de lutas privadas. Ora, ao contrário do rei de Castela e, mais tarde, também de Leão, Fernando III, que soube orientar para aReconquista, depois de 1223, a partir da derrocada do império dos Almóadas, a nobreza dos seus reinos, envolvendo-a, sob a sua chefia, numa empresa militar colectiva, tendo conquistado, na sequência da tomada de Cáceres (1227), feita por seu pai, Afonso IX de Leão, uma série de praças mouras entre 1233 e 1245, o poder central em Portugal, dilacerado por rivalidades e lutas internas, não soube canalizar para o exterior social a actividade bélica dos guerreiros.

Na verdade, as conquistas alentejanas e algarvias efectuadas durante o reinado de D. Sancho II ou resultaram do abandono de praças pelo Islão, em razão de paralelas e anteriores conquistas leonesas (caso de Elvas e talvez de Juromenha em 1229) ou foram devidas sobretudo à acção das ordens militares, com destaque para a de Santiago, capitaneada por Paio Peres Correia (caso de, entre 1232 e 1243, em sintonia e facilitadas pelas conquistas castelhanas, Moura, Serpa, Beja, Aljustrel, Mértola, Cacela, Alvor, Tavira, Paderne e, provavelmente, Silves), apenas aparecendo o rei empenhado na tomada de Ayamonte (1239 ou 1240).

Sendo assim, o Reino vivia numa situação de progressiva anarquia, de que os sinais mais evidentes foram a proliferação de torres e fortalezas na região senhorial e a constituição de numerosos coutos e honras feitos em rebeldia ao poder régio. Por outro lado, a constante intervenção de membros, do «partido monárquico» nas instituições 

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eclesiásticas, tentando contrariar o reforço do poder espiritual em detrimento do temporal e contestando os fundamentos da teocracia papal, projecto em que se insere o apoio dado às ordens mendicantes, porque, em parte, apologéticas do regresso à pobreza evangélica, situando-se à margem dos grupos religiosos constituídos, provocava conflitos entre o rei e os bispos (questões com o bispado de Lisboa, entre1231 e 1244, e, mais graves, dado o então abandono da corte por parte dos elementos politicamente mais moderados, com o do Porto, entre 1227 e 1238), os quais recorriam amiúde ao papado, atribuindo ao rei uma genérica incapacidade governativa e uma carência de autoridade para obviar aos contínuos atropelos de que as suas prerrogativas e bens eram alvo, responsabilizando-o, em suma, pela violência e instabilidade social em que então se vivia e da qual, dada a respectiva posição e riqueza, se sentiam as principais vítimas.

É neste contexto de lutas -entre o rei e bispos, bispos e burgueses, nobres e igrejas e mosteiros, nobres entre si, nobres e vilãos dos concelhos - e de um banditismo endémico que Inocêncio IV, um convicto adepto da teocracia pontifícia, e uma vez assegurado o apoio de parte significativa do clero, e da nobreza mais tradicional (como os Sousas e os Lumiares, que viam com maus olhos a ascensão política de famílias rivais, como os Soverosas e os Riba de Vizela), decide depor o rei em 1245, apontando-lhe como sucessor o irmão, o conde de Bolonha, o futuro D. Afon­so III. A iniciativa do papa conduz a uma guerra civil (1245-1247), que se salda pelo exílio de D. Sancho II em Castela, onde, um ano depois, morre em Toledo, herdando então a coroa, até porque do casamento do rei com D. Mécia Lopes de Haro não houve descendentes, o irmão.

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 8 de Setembro de 1209 – 25 de Março de 1223: O Infante Sancho de Portugal
  • 25 de Março de 1223 – 4 de Janeiro de 1248: Sua Mercê, El-Rei de Portugal

O estilo oficial de D. Sancho II enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Sancho II, Rei de Portugal

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publicado às 22:09

Reis de Portugal - Afonso II de Portugal

por Blog Real, em 19.01.16

Afonso II de Portugal (cognominado o Gordo, o Crasso ou o Gafo, em virtude da doença que o teria afectado; Coimbra, 23 de Abril de 1185 - Santarém, 25 de Março de 1223), terceiro rei de Portugal, era filho do rei Sancho I de Portugal e da sua mulher, D.Dulce de Aragão. Afonso sucedeu ao seu pai em 1211.

Os primeiros anos do seu reinado foram marcados por violentos conflitos internos (1211-1216) entre Afonso II e as suas irmãs Santa Mafalda de Portugal, Beata Teresa de Portugal e Santa Sancha de Portugal (a quem seu pai legara em testamento, sob o título de rainhas, a posse de alguns castelos no centro do país - Montemor-o-Velho, Seia e Alenquer -, com as respectivas vilas, termos, alcaidarias e rendimentos), numa tentativa de centralizar o poder régio. Este conflito foi resolvido com intervenção do papa Inocêncio III. O rei indemnizou as infantas com muito dinheiro, a guarnição dos castelos foi confiada a cavaleiros templários, mas era o rei que exercia as funções soberanas sobre as terras e não as infantas como julgavam ter e que levou à guerra.

No seu reinado foram criadas as primeiras leis escritas e pela primeira vez reunidas cortes com representantes do clero e nobreza, em 1211 na cidade de Coimbra, na altura capital. Foram realizadas inquirições em 1220, inquéritos feitos por funcionários régios com vista a determinar a situação jurídica das propriedades e em que se baseavam os privilégios e imunidades dos proprietários. As confirmações validavam as doações e privilégios concedidos nos anteriores reinados, após analisados os documentos comprovativos ou por mercê real. Todo o seu reinado foi um combate constante contra as classes privilegiadas, isto porque seu pai e avô deram grandes privilégios ao clero e nobreza e Afonso II entendia que o poder real devia ser fortalecido.

O reinado de Afonso II caracterizou um novo estilo de governação, contrário à tendência belicista dos seus antecessores. Afonso II não contestou as suas fronteiras com Galiza e [Leão, nem procurou a expansão para Sul (não obstante no seu reinado ter sido tomada aos Mouros as cidades de Alcácer do Sal, Borba, Vila Viçosa, Veiros (Estremoz), em 1217, e, possivelmente também Monforte e Moura, mas por iniciativa de um grupo de nobres liderados pelo bispo de Lisboa), preferindo sim consolidar a estrutura económica e social do país. O primeiro conjunto de leis portuguesas é de sua autoria e visam principalmente temas como a propriedade privada, direito civil e cunhagem de moeda. Foram ainda enviadas embaixadas a diversos países europeus, com o objectivo de estabelecer tratados comerciais. Apesar de, como já dissemos, não ter tido preocupações militares, enviou tropas portuguesas que, ao lado de castelhanas, aragonesas e francesas, combateram bravamente na célebre batalha de Navas de Tolosa na defesa da Península Ibérica contra os muçulmanos.

Outras reformas de Afonso II tocaram na relação da coroa Portuguesa com o Papa. Com vista à obtenção do reconhecimento da independência de Portugal, Afonso Henriques, seu avô, foi obrigado a legislar vários privilégios para a Igreja. Anos depois, estas medidas começaram a ser um peso para Portugal, que via a Igreja desenvolver-se como um estado dentro do estado. Com a existência de Portugal firmemente estabelecida, Afonso II procurou minar o poder clerical dentro do país e aplicar parte das receitas das igrejas em propósitos de utilidade nacional. Esta atitude deu origem a um conflito diplomático entre o Papado e Portugal. Depois de ter sido excomungado pelo Papa Honório III, Afonso II prometeu rectificar os seus erros contra a Igreja, mas morreu em 1223 excomungado, sem fazer nenhum esforço sério para mudar a sua política.

Morte:

Só após a resolução do conflito com a Igreja, logo nos primeiros meses de reinado do seu sucessor Sancho II, pôde finalmente Afonso II descansar em paz no Mosteiro de Alcobaça (foi o primeiro monarca a fazer da abadia cisterciense o panteão real).

Diz-se que D. Afonso II possa ter morrido de lepra (isso poderá ter justificado um dos seus cognomes, ''o Gafo'', bem como uma célebre e depreciativa frase dita por alguns elementos do povo: ''Fora Gaffo!''), mas a enorme gordura que o rei possuía teria sido a sua causa de morte.

Descendência:

D._Urraca_de_Castela,_Rainha_de_Portugal_-_The_Portuguese_Genealogy_(Genealogia_dos_Reis_de_Portugal)

 Urraca de Castela,
consorte de El-Rei D.Afonso II

Com a sua mulher, Urraca de Castela (1186-1220):
*Sancho II de Portugal (1209-1248)
*Afonso III de Portugal (1212/17-1279)
*Leonor, infanta de Portugal (1211-1231), casou Valdemar III da Dinamarca, o Jovem, filho do rei Valdemar II da Dinamarca
*Fernando de Portugal (1218-1246), senhor de Serpa
*Vicente de Portugal (1219)

Filhos naturais:
*João Afonso (m. 9 de Outubro de 1234), enterrado no mosteiro de Alcobaça
*Pedro Afonso (n. 1210), que acompanhou seu irmão na conquista de Faro (1249)

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 23 de Abril de 1185 – 26 de Março de 1211: O Infante Afonso de Portugal
  • 26 de Março de 1211 – 25 de Março de 1223: Sua Mercê, El-Rei de Portugal

O estilo oficial de D. Afonso II enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Afonso II, Rei de Portugal

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publicado às 13:44

Reis de Portugal - Sancho I de Portugal

por Blog Real, em 12.01.16

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Sancho I de Portugal (Coimbra, 11 de novembro de 1154 — Coimbra, 26 de março de 1211) foi rei de Portugal de 1185 a 1211. Era cognominado o ''Povoador'' pelo estímulo com que apadrinhou o povoamento dos territórios do país — destacando-se a fundação da cidade da Guarda, em 1199, e a atribuição de cartas de foral na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187) ou Belmonte (1199), povoando assim áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e da Borgonha.

Quinto filho do monarca do rei Afonso Henriques, foi batizado com o nome de Martinho, por haver nascido no dia do santo Martinho de Tours, e não estaria preparado para reinar; no entanto, a morte do seu irmão mais velho, D.Henrique, quando Martinho contava apenas com três anos de idade, levou à alteração da sua onomástica para um nome mais hispânico, ficando desde então Sancho Afonso.

Em 15 de agosto de 1170, Sancho foi armado cavaleiro pelo seu pai logo após o acidente de D.Afonso Henriques em Badajoz e tornou-se seu braço direito, quer do ponto de vista militar, quer do ponto de vista administrativo. Nestes primeiros tempos de Portugal enquanto país independente, muitos eram os inimigos da coroa, a começar pelo Reino de Leão que havia controlado Portugal até então. Para além do mais, a Igreja demorava em consagrar a independência de Portugal com a sua bênção. Para compensar estas falhas, Portugal procurou aliados dentro da Península Ibérica, em particular o reino de Aragão, um inimigo tradicional de Castela, que se tornou no primeiro país a reconhecer Portugal. O acordo foi firmado 1174 pelo casamento de Sancho, então príncipe herdeiro, com a infanta Dulce, irmã mais nova do rei Afonso|II de Aragão.

No ano de 1178, D. Sancho faz uma importante expedição contra mouros, confrontando-os perto de Sevilha e do rio Guadalquivir, e ganha-lhes a batalha. Com essa ação, expulsa assim a possibilidade deles entrarem em território português.

Com a morte de Afonso Henriques em 1185, Sancho tornou-se no segundo rei de Portugal. Tendo sido coroado na Sé de Coimbra, manteve essa cidade como o centro do seu reino. D. Sancho deu por finda as guerras fronteiriças pela posse da Galiza e dedicou-se a guerrear os Mouros localizados a Sul. Aproveitou a passagem pelo porto de Lisboa dos cruzados da terceira cruzada, na primavera de 1189, para conquistar Silves, um importante centro administrativo e económico do Sul, com população estimada em 20.000 pessoas. Sancho ordenou a fortificação da cidade e construção do castelo que ainda hoje pode ser admirado. A posse de Silves foi efémera já que em 1190 Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur cercou a cidade de Silves com um exército e com outro atacou Torres Novas, que apenas conseguiu resistir durante dez dias, devido ao rei de Leão e Castela ameaçar de novo o Norte.

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 Estátua de D. Sancho I frente ao Castelo de Torres Novas - trabalho de João Cutileiro

Sancho dedicou muito do seu esforço governativo à organização política, administrativa e económica do seu reino. Acumulou um tesouro real e incentivou a criação de indústrias, bem como a classe média de comerciantes e mercadores. Sancho I concedeu várias cartas de foral principalmente na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), Guarda (1199), etc, criando assim novas cidades, e povoando áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha. O rei é também lembrado pelo seu gosto pelas artes e literatura, tendo deixado ele próprio vários volumes com poemas. Neste reinado sabe-se que alguns portugueses frequentaram universidades estrangeiras e que um grupo de juristas conhecia o Direito que se ministrava na escola de Bolonha. Em 1192 concedeu ao mosteiro de Santa Cruz 400 morabitinos para que se mantivessem em França os monges que lá quisessem estudar.

Outorgou o seu primeiro testamento em 1188/89 no qual doou a sua esposa os rendimentos de Alenquer, terras do Vouga, Santa Maria da Feira e do Porto. O seu último testamento foi feito em outubro de 1209 quase dois anos antes de sua morte. O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do pai.

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 Maravedi (morabitino) em ouro com a efígie de Sancho I

Descendência

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 Dulce de Aragão,
consorte de El-Rei D.Sancho I

De sua mulher a infanta Dulce de Aragão, filha da rainha Petronilha de Aragão e Raimundo Berengário IV, conde de Barcelona, com quem casou em 1174.
* Beata Teresa de Portugal, infanta de Portugal (1175/76-1250)
* Beata Sancha de Portugal, (1180-1229), infanta de Portugal, fundou o Mosteiro de Celas, nas proximidades de Coimbra, no qual viveu até à sua morte, e quem a levou para o [[Mosteiro de Lorvão]], onde recebeu sepultura, foi sua irmã Teresa. Foi beatificada em 1705, no mesmo ano que sua irmã Teresa, pelo papa [[Clemente XI]].
* Constança de Portugal (1182-antes de 1186).
* Afonso II de Portugal (1186 - 1223), casou com Urraca de Castela, rainha de Portugal.
* Pedro de Portugal, conde de Urgel (1187 -1258), infante de Portugal e conde de Urgel pelo casamento com Aurembiaix Armengol; foi também rei de Maiorca.
* Fernando, infante de Portugal (1188 - 1233), viveu no estrangeiro, casou com Joana da Flandres.
* Henrique de Portugal (?-1191), morreu em criança.
* Raimundo de Portugal (1195-?), morreu em criança.
* Beata Mafalda de Portugal (1195/96-1256), infanta de Portugal, casada com o rei Henrique I de Castela, depois fundadora do mosteiro cisterciense de Arouca e sua primeira abadessa.
* Branca, (1196/98-1240), infanta de Portugal, foi freira num convento em Guadalajara.
* Berengária, infanta de Portugal (1196/98-1221), casada com o rei Valdemar II da Dinamarca.

Filhos naturais:

O rei teve dois filhos com Maria Aires de Fornelos, primeira mulher de Gil Vasques de Soverosa, filha de Aires Nunes de Fornelos e de Maior Pais de Bravães e neta de Soeiro Mendes da Maia ''o Bom''. Em abril de 1207, D. Sancho fez doação perpétua da Vila Nova dos Infantes e de Golães para os filhos que tive com Maria com a faculdade de os vender a quem quisessem. Em 1175, Maria com seu esposo Gil Vasques de Soverosa, e seus filhos Martim e Urraca, doou umas casas a seus parentes Marina Pais e Vasco Pires.

* Martim Sanches de Portugal (n. antes de 1175), casado com Eylo Pérez de Castro, filha de Pedro Fernandes de Castro "o Castelhano" e de sua mulher Jimena Gomes de Manzanedo, filha do conde Gomes Gonçalves de Manzanedo e Milia Peres de Lara, sem geração. Eylo divorcio-se de Martim e em 1205 casou como Guerau IV de Cabrera, visconde de Cabrera, com descencência.
* Urraca Sanches de Portugal (n. antes de 1175), solteira e sem geração

Havidos de Maria Pais Ribeira, dita ''a Ribeirinha'', filha de Paio Moniz de Ribeira e de Urraca Nunes de Bragança, filha de Vasco Pires de Bragança.

* Rodrigo Sanches de Portugal (m. 1245), teve um filho ilegítimo com Constança Afonso de Cambra, Afonso Rodrigues que foi frade franciscano e "Guardião do Convento de Lisboa".
* Gil Sanches de Portugal (m. 14 de Setembro de 1236), foi clérigo e trovador. Seu pai deixou-lhe em testamento 8.000 morabitinos e em 1213 deu o foral de Sarzedas.
* Nuno Sanches de Portugal, falecido de tenra idade.
* Maior Sanches de Portugal, falecida de tenra idade.
* Teresa Sanches de Portugal (1205-1230), casou cerca de 1212 com Afonso Teles de Meneses, 2.º senhor de Meneses, 1.º senhor de Albuquerque.
* Constança Sanches de Portugal (1210-8 de Agosto de 1269), a qual a 15 de Janeiro de 1269 («dona Constancia Sancii felicis recordtionis donni Sancii quondam Portugalie Regis Illustris filia») doou a sua sobrinha-neta, a infanta D. Sancha, as metades de Vila do Conde, Aveleda, Pousadela, Parada e Maçãs de Dona Maria, com a condição de seu pai, D. Afonso III, lhe dar anualmente 3.300 libras velhas, em Junho de 1237 comprou uma herdade chamada a Silveira no termo de Alenquer (G.XII,9,38), e em Maio de 1240 escambou com João Pires a herança que tinha na dita vila de Alenquer (ib,9,37)

Havido de Maria Moniz de Ribeira, filha de Monio Osórez de Cabrera, conde de Cabrera e Ribera no Reino de Leão, e de Maria Nunes de Grijó, filha de Nuno Soares de Grijó e de Elvira Gomes:

* Pedro Moniz, casou com uma senhora cujo nome não é registrado e foi o pai de Maria Pires Cabreira, a esposa de Martim Pires Machado.

Títulos, estilos, e honrarias:

  • 11 de Novembro de 1154 – 6 de Dezembro de 1185: O Infante Martinho de Portugal
  • 6 de Dezembro de 1185 – 26 de Março de 1211: Sua Mercê, El-Rei de Portugal

O primeiro estilo oficial de D. Sancho I enquanto Rei de Portugal:

Pela Graça de Deus, Sancho I, Rei dos Portugueses

Com a Tomada de Silves, em 1189, a titulatura régia evolui para:

Pela Graça de Deus, Sancho I, Rei de Portugal, de Silves e do Algarve

Quando os Almóadas retomam Silves, em 1191, D. Sancho volta a usar o seu estilo oficial original.

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publicado às 19:06


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FUNDAÇAO DOM MANUEL II

A Fundação Dom Manuel II é uma instituição particular, sem fins lucrativos, de assistência social e cultural, com acções no território português, nos países lusófonos, e nas comunidades portuguesas em todo o mundo.
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Prémio Infante D. Henrique
Com a fundação do Prémio Infante Dom Henrique, do qual S.A.R. o Duque de Bragança além de membro fundador é Presidente de Honra, Portugal tornou-se o primeiro país europeu de língua não inglesa a adoptar o programa de "The International Award for the Young People".
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Brasão da FCB

Por vontade d'El-Rei D. Manuel II, expressa no seu testamento de 20 de Setembro de 1915, foi criada a Fundação da Casa de Bragança em 1933, um ano após a sua morte ocorrida a 2 de Julho de 1932. 
O último Rei de Portugal quis preservar intactas as suas colecções e todo o património da Casa de Bragança, pelo que deixou ainda outros elementos para precisar o seu intuito inicial e legar todos os bens sob a forma do Museu da Casa de Bragança, "à minha Pátria bem amada"

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